terça-feira, 3 de novembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Derrubada do IOF expõe crise fiscal e derruba confiança do mercado

por Gabriel Monteiro
26/06/2025 às 10h17
em Economia
Derrubada Do Iof Expõe Crise Fiscal E Derruba Confiança Do Mercado Gazeta Mercantil - Política E Economia

Derrubada do IOF expõe crise entre Executivo e Legislativo e agita mercado financeiro

Impactos da derrubada do IOF nas finanças do governo e no comportamento do mercado

A recente derrubada do IOF pelo Congresso Nacional desencadeou uma onda de incertezas no mercado financeiro e revelou o aprofundamento da tensão entre os Poderes da República. O decreto presidencial, que visava aumentar a arrecadação por meio do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), foi rejeitado com ampla maioria nas duas Casas Legislativas, minando os planos do Executivo de atingir o déficit fiscal zero em 2025.

Esse movimento político gerou reações imediatas: o dólar iniciou o dia em alta, enquanto a bolsa de valores brasileira operou em queda, reflexo direto da insegurança dos investidores quanto à sustentabilidade fiscal do país. A derrubada do IOF, além de comprometer uma arrecadação estimada em R$ 10 bilhões, obrigará o governo a revisar o Orçamento e propor novos contingenciamentos.

Leia também: BRB propôs aumento de limites de executivos durante crise do Banco Master e acende alerta no mercado.

Neste cenário volátil, também ganham relevância os fatores externos, como a guerra comercial entre Estados Unidos e China, o posicionamento do Federal Reserve (Fed) quanto aos juros e a trégua temporária entre Irã e Israel, que pode influenciar o apetite global por risco.


O que significa a derrubada do IOF para o Brasil?

A derrubada do IOF simboliza mais do que uma derrota do governo federal no Congresso. Ela representa uma mudança no equilíbrio de forças entre os Poderes. Ao revogar o decreto presidencial, o Congresso assumiu protagonismo nas decisões fiscais do país, indicando que medidas impopulares, mesmo que voltadas ao equilíbrio fiscal, não passarão sem resistência.

Além do embate político, o impacto prático dessa decisão é direto nas contas públicas. A equipe econômica havia calculado que o aumento do IOF traria R$ 10 bilhões em receitas adicionais. Sem essa verba, o governo precisará recorrer a cortes em áreas sensíveis como saúde, educação e infraestrutura, ou ainda repensar a estrutura tributária do país.

A rejeição também evidencia a fragilidade da articulação política do Executivo com o Congresso, um alerta para futuras propostas fiscais, reformas e pautas estruturantes.


Mercado reage com aversão ao risco após derrubada do IOF

A primeira resposta do mercado à derrubada do IOF foi imediata: o dólar subiu 0,63% e chegou à cotação de R$ 5,5536, enquanto o Ibovespa recuou 1,02%, alcançando 135.767 pontos. Esses movimentos são impulsionados por receios de que a perda de arrecadação leve a um maior desequilíbrio fiscal e, consequentemente, ao aumento do risco-país.

Além disso, os investidores estão atentos ao impacto indireto que essa decisão pode ter sobre a trajetória dos juros no Brasil. Caso o governo adote políticas fiscais expansionistas ou tenha dificuldade em cortar gastos, o Banco Central pode ser pressionado a manter os juros altos por mais tempo para conter pressões inflacionárias.

Mesmo os ativos de renda fixa e títulos do Tesouro tiveram variações negativas, refletindo o clima de cautela.


O contexto internacional e a tensão com o Fed

A derrubada do IOF ocorre em um ambiente global já carregado de incertezas. A trégua entre Irã e Israel trouxe algum alívio aos mercados, mas ainda é vista como frágil. Além disso, os Estados Unidos vivem um novo capítulo da guerra comercial com a reativação do tarifaço promovido por Donald Trump, que afeta diretamente os fluxos globais de mercadorias e capital.

Em paralelo, o presidente do Fed, Jerome Powell, voltou a ser criticado pelo ex-presidente Donald Trump por manter as taxas de juros inalteradas pela quarta vez consecutiva. Trump vem pressionando por cortes de juros, alegando que a política monetária atual prejudica o crescimento. Esse embate agrava a instabilidade institucional e coloca ainda mais incertezas sobre os rumos da economia global.

Para o Brasil, qualquer movimento no Fed tem repercussão direta sobre a taxa de câmbio e a atratividade dos ativos locais. Com o cenário fiscal mais fragilizado pela derrubada do IOF, o país pode perder competitividade diante de outros emergentes, principalmente se os juros nos EUA se mantiverem elevados por mais tempo.


Governo sob pressão: alternativas após a derrubada do IOF

Com a derrubada do IOF, o governo terá de buscar alternativas para recompor o orçamento. A tendência é de que bloqueios e contingenciamentos sejam anunciados em breve, afetando a execução de políticas públicas em 2025.

Uma das possibilidades é o aumento de outros tributos ou a aceleração da proposta de reforma tributária, que tramita no Congresso e visa simplificar a cobrança de impostos no país. No entanto, o ambiente político atual não parece favorável a mais medidas impopulares.

A avaliação interna no Palácio do Planalto é de que a derrota legislativa foi orquestrada por uma aliança entre os presidentes da Câmara e do Senado, que demonstraram sintonia rara em um contexto de fragmentação política. A consequência direta é o fortalecimento do Congresso como força decisória nas pautas econômicas.


Investidores atentos aos próximos passos do governo

A reação do mercado à derrubada do IOF reflete o temor de que o Brasil perca o controle das contas públicas em um momento de desaceleração global. O acúmulo de pressões internas e externas torna o ambiente de negócios mais imprevisível, aumentando a volatilidade dos ativos e afastando investimentos estrangeiros.

Nesse contexto, o governo será obrigado a sinalizar de forma clara o compromisso com a responsabilidade fiscal, sob pena de deterioração ainda maior dos indicadores econômicos. A falta de uma resposta rápida e eficaz à perda de arrecadação pode provocar rebaixamentos na nota de crédito do Brasil e dificultar o acesso ao crédito externo.

Além disso, é esperado que o Executivo retome o diálogo com o Congresso em busca de medidas consensuais que possam garantir a sustentabilidade do orçamento e acalmar os mercados.


A derrubada do IOF e os desafios da governabilidade fiscal

A derrubada do IOF escancarou a fragilidade do governo federal diante do Congresso e impôs um desafio monumental à equipe econômica. Com a necessidade urgente de ajustes, o país vive um momento crítico para sua política fiscal, justamente em um cenário global adverso.

Os próximos dias serão decisivos para entender como o Executivo reagirá, se haverá novos contingenciamentos e qual será a estratégia adotada para manter a credibilidade do Brasil diante dos investidores. Mais do que uma derrota política, essa medida representa um divisor de águas na relação entre os Poderes e na condução da política econômica brasileira.

LEIA MAIS

Dólar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje fecha a R$ 5,4872, com alta de 0,79% e pressão fiscal

Dólar hoje fecha a R$ 5,4872, alta de 0,79%, pressionado por incertezas fiscais e novas projeções de inflação e juros antes da decisão do Copom.

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa hoje: Bolsa abre em queda com eleições nos EUA e decisão do Copom no radar

Ibovespa hoje, 3 de novembro: índice futuro cai 1,57%, com eleições nos EUA, decisão do Copom, alta do dólar e cenário fiscal no radar.

Leia MaisDetails
Ibovespa - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa apaga ganhos e fecha outubro com queda de 9,88%; dólar sobe 5,22%

Ibovespa fecha outubro com queda de 9,88%, pior mês desde junho de 2022. Dólar sobe 5,22% após eleições e mercado aguarda definições fiscais.

Leia MaisDetails
Ibovespa Sobe Com Petrobras E Petróleo Enquanto Mercado Acompanha Eleições E Juros Dos Eua-Gazeta Mercantil
Mercados

Dólar dispara 9,04% na semana e Ibovespa cai 18,12% após eleições

Dólar dispara 9,04% na semana, maior alta desde 2008, e Ibovespa cai 18,12% após eleições. Mercado reage a incertezas fiscais e juros elevados.

Leia MaisDetails
Juros Futuros Fecham Em Alta Pela 5ª Vez Seguida Com Payroll
Mercados

Juros futuros recuam após disparada e Tesouro anuncia nova recompra de títulos públicos

Juros futuros recuam após forte alta, enquanto Tesouro Nacional anuncia recompra de títulos públicos e cancela leilões em meio à volatilidade.

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

23:57:36
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Serasa Registra 84,2 Milhões De Inadimplentes E Dívidas De R$ 597,4 Bilhões No Brasil-Gazeta Mercantil
Economia

Serasa registra 84,2 milhões de inadimplentes e dívidas de R$ 597,4 bilhões no Brasil

Leia MaisDetails
Mercados - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

BTG Pactual muda carteira após eleições e projeta alta de até 83% para ações

Leia MaisDetails
Gado Leiteiro - Gzt - Gazeta Mercantil
Agronegócio

Paraná libera construção de centro de pecuária leiteira com investimento de R$ 36 milhões

Leia MaisDetails
Dólar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje fecha a R$ 5,4872, com alta de 0,79% e pressão fiscal

Leia MaisDetails
Tesouro Projeta Dívida Pública De 86,3% Do Pib Em 2036 E Identifica R$ 4,87 Trilhões Em Riscos Fiscais-Gazeta Mercantil
Economia

Dívida bruta do Brasil deve atingir 83,7% do PIB em 2026, projeta Tesouro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Serasa registra 84,2 milhões de inadimplentes e dívidas de R$ 597,4 bilhões no Brasil

BTG Pactual muda carteira após eleições e projeta alta de até 83% para ações

Paraná libera construção de centro de pecuária leiteira com investimento de R$ 36 milhões

Dólar hoje fecha a R$ 5,4872, com alta de 0,79% e pressão fiscal

Dívida bruta do Brasil deve atingir 83,7% do PIB em 2026, projeta Tesouro

Lara Resende propõe limitar Selic enquanto juros da dívida superam R$ 1,2 trilhão

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Últimas notícias da Gazeta Mercantil