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Bradesco lucra R$ 6,8 bilhões no 1º trimestre, alta de 16,1%

Banco ampliou margem financeira, elevou ROE para 15,8% e encerrou março com carteira de crédito de R$ 1,1 trilhão, apesar do aumento das provisões.

por Alice Nascimento - Repórter de Negócios
07/05/2026 às 13h11 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h24
em Empresas, Destaque, Notícias
Bradesco Lucra R$ 6,8 Bilhões No 1º Trimestre, Alta De 16,1% - Gazeta Mercantil - Empresas

O Bradesco (BBDC3; BBDC4) registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,811 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 16,1% em relação ao mesmo período de 2025 e avanço de 4,5% frente ao quarto trimestre do ano passado, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (6). O resultado foi sustentado pelo crescimento da margem financeira, pelo aumento da carteira de crédito e pela melhora da rentabilidade, em um ambiente ainda marcado por inadimplência pressionada e aumento das despesas com provisões.

O desempenho do Bradesco (BBDC3; BBDC4) reforça a trajetória de recuperação operacional do banco, que vem buscando recompor margens, melhorar a eficiência da carteira e reduzir os efeitos negativos de ciclos anteriores de deterioração do crédito. O lucro do Bradesco no período também confirma a força dos grandes bancos privados em um cenário de juros ainda elevados, competição no crédito e maior seletividade na concessão de financiamentos.

A margem financeira líquida somou quase R$ 10,4 bilhões no trimestre, crescimento de 8,3% na comparação anual. Já a margem financeira bruta atingiu R$ 20 bilhões, avanço de 16,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A margem com clientes chegou a R$ 19,5 bilhões, alta de 16,3%, enquanto a margem com mercado somou R$ 553 milhões, crescimento de 19,7% na mesma base de comparação.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio, conhecido como ROE, ficou em 15,8%, acima dos 14,4% registrados um ano antes. O indicador é acompanhado de perto por investidores porque mede a capacidade do banco de gerar lucro em relação ao capital próprio. A melhora sugere maior eficiência na utilização do patrimônio e avanço gradual da rentabilidade.

Lucro do Bradesco avança com recuperação das margens

O lucro do Bradesco no primeiro trimestre foi impulsionado principalmente pelo desempenho da margem financeira. Esse componente representa uma das principais fontes de receita dos bancos e reflete, em linhas gerais, a diferença entre o rendimento obtido com operações de crédito e investimentos e o custo de captação dos recursos.

No balanço, o banco afirmou que a margem financeira cresceu de forma significativa no trimestre. A instituição destacou que a margem com mercado teve desempenho positivo mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, o que, segundo o Bradesco (BBDC3; BBDC4), revela boa gestão de risco.

A margem com clientes também cresceu na comparação com o trimestre anterior, apesar do efeito calendário, com menor número de dias úteis. O banco atribuiu esse desempenho ao aumento do volume de crédito e à melhora dos spreads, ou seja, da diferença entre as taxas cobradas dos clientes e o custo de captação da instituição.

Esse avanço é relevante porque mostra que o Bradesco (BBDC3; BBDC4) conseguiu ampliar receitas em suas operações recorrentes, mesmo em um ambiente de crédito mais seletivo. Para o setor bancário, a expansão da margem com clientes costuma ser um sinal de retomada da capacidade de geração de resultados, desde que venha acompanhada de controle da inadimplência.

O lucro do Bradesco também se beneficia de um contexto no qual os grandes bancos mantêm forte presença em segmentos de maior rentabilidade, como crédito para pessoa física, pequenas e médias empresas, seguros, cartões e serviços financeiros. Ainda assim, a competição com bancos digitais, fintechs e plataformas de investimento segue como fator estrutural de pressão sobre tarifas e relacionamento com clientes.

Carteira de crédito chega a R$ 1,1 trilhão

A carteira de crédito do Bradesco (BBDC3; BBDC4) encerrou março em R$ 1,1 trilhão, crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, a carteira ficou praticamente estável, com alta de 0,1%.

O avanço anual mostra expansão relevante da base de crédito, embora o crescimento trimestral modesto indique cautela na concessão. Esse comportamento é coerente com a estratégia adotada por bancos em períodos de inadimplência ainda elevada, nos quais a prioridade costuma ser preservar qualidade da carteira em vez de acelerar o volume a qualquer custo.

Para investidores, o crescimento da carteira é positivo quando ocorre com spreads adequados e controle de risco. No caso do Bradesco (BBDC3; BBDC4), o aumento de 8,4% em 12 meses indica capacidade de ampliar negócios, mas a evolução da inadimplência e do custo do crédito continua sendo decisiva para avaliar a sustentabilidade do lucro.

A carteira de crédito é um dos principais motores do lucro do Bradesco. Quanto maior o volume de empréstimos e financiamentos, maior tende a ser a receita com juros. No entanto, esse crescimento também aumenta a exposição ao risco de calote, especialmente em linhas mais sensíveis ao ciclo econômico.

Por isso, o mercado acompanha não apenas o tamanho da carteira, mas também a composição das operações, o perfil dos clientes, a evolução dos atrasos e o nível de provisões. Bancos que conseguem crescer em crédito mantendo inadimplência sob controle tendem a apresentar resultados mais consistentes ao longo do tempo.

Inadimplência fica em 4,2% e segue no radar

O índice de inadimplência acima de 90 dias do Bradesco (BBDC3; BBDC4) ficou em 4,2% no fim de março. O percentual ficou abaixo dos 4,3% registrados no primeiro trimestre de 2025, mas acima dos 4,1% observados no quarto trimestre do ano passado.

A leitura mostra estabilidade relativa, mas ainda em patamar que exige atenção. A inadimplência acima de 90 dias é um dos principais indicadores de qualidade da carteira, pois mede os créditos com atraso mais prolongado e maior risco de perda.

A leve queda anual sugere melhora em relação ao mesmo período do ano anterior, mas a alta trimestral indica que o processo de normalização ainda não está completamente consolidado. Para o Bradesco (BBDC3; BBDC4), esse ponto é especialmente relevante porque o banco enfrentou nos últimos anos pressão sobre provisões e rentabilidade em razão da deterioração de parte da carteira.

O custo do crédito, representado pela despesa de provisões expandida, somou quase R$ 9,7 bilhões no trimestre. O valor representa alta de 26,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e crescimento de 9,5% frente ao quarto trimestre do ano passado.

Esse aumento das provisões reduz parte do efeito positivo da expansão da margem financeira. Na prática, quando o banco precisa reservar mais recursos para cobrir perdas esperadas com inadimplência, uma parcela maior das receitas é consumida por risco de crédito.

Provisões maiores limitam efeito positivo do resultado

Apesar do lucro do Bradesco ter avançado em ritmo robusto, o crescimento das despesas com provisões mostra que o ambiente de crédito ainda impõe desafios. A alta de 26,5% no custo do crédito em relação ao ano anterior indica que o banco segue reforçando colchões de proteção contra perdas.

Esse movimento pode ser interpretado de duas formas. De um lado, provisões elevadas pressionam o lucro e reduzem a margem final disponível aos acionistas. De outro, uma política mais conservadora de provisionamento pode fortalecer o balanço e reduzir riscos futuros, especialmente em uma carteira ampla como a do Bradesco (BBDC3; BBDC4).

No setor bancário, a evolução das provisões costuma ser tão importante quanto o lucro líquido. Um resultado positivo sustentado apenas por receitas extraordinárias ou por redução artificial de reservas tende a gerar cautela. Já um lucro crescente mesmo com provisões elevadas pode indicar maior capacidade operacional de absorver riscos.

No caso do Bradesco (BBDC3; BBDC4), o avanço da margem financeira ajudou a compensar a alta do custo do crédito. Esse equilíbrio será observado nos próximos trimestres para avaliar se a instituição conseguirá manter expansão de rentabilidade sem deterioração adicional da qualidade dos ativos.

O mercado também deve acompanhar a capacidade do banco de controlar atrasos em segmentos mais sensíveis, como crédito ao consumo, pequenas empresas e modalidades sem garantia. Essas linhas costumam ter maior rentabilidade, mas também apresentam risco mais elevado em ciclos de aperto financeiro das famílias e empresas.

ROE de 15,8% sinaliza melhora da rentabilidade

O ROE de 15,8% representa um dos pontos centrais do balanço do Bradesco (BBDC3; BBDC4). O indicador avançou em relação aos 14,4% registrados um ano antes e reforça a percepção de melhora gradual na rentabilidade do banco.

Embora o patamar ainda possa ser comparado com o desempenho de outros grandes bancos privados, a evolução positiva indica recuperação em relação a períodos de maior pressão. Para acionistas, o ROE é uma métrica essencial porque mostra quanto lucro a instituição consegue gerar a partir de seu patrimônio líquido.

Um ROE mais alto tende a ser associado a maior eficiência, melhor precificação de risco e maior potencial de distribuição de dividendos ou valorização das ações, desde que acompanhado de solidez patrimonial e controle de inadimplência.

No caso do Bradesco (BBDC3; BBDC4), a melhora do ROE ocorre em meio a uma agenda de ajustes internos, digitalização, revisão de processos e busca por maior eficiência comercial. A instituição tem atuado para recuperar competitividade diante de rivais tradicionais e novos entrantes do mercado financeiro.

A evolução do indicador nos próximos trimestres será decisiva para a leitura dos investidores. Caso o banco consiga manter crescimento da margem, controlar despesas e estabilizar o custo do crédito, a rentabilidade poderá continuar em trajetória de melhora.

Resultado reforça disputa entre grandes bancos

O balanço do Bradesco (BBDC3; BBDC4) também deve ser analisado dentro do contexto mais amplo do setor bancário brasileiro. Os grandes bancos privados seguem disputando rentabilidade, eficiência e participação em um mercado cada vez mais competitivo.

A digitalização dos serviços financeiros alterou a dinâmica do setor. Bancos tradicionais passaram a enfrentar concorrência mais intensa em contas digitais, cartões, crédito pessoal, investimentos, adquirência e soluções para empresas. Ao mesmo tempo, ainda preservam vantagens relevantes em escala, base de clientes, capilaridade, capital e diversificação de receitas.

O lucro do Bradesco mostra que os grandes bancos continuam com elevada capacidade de geração de caixa. No entanto, a pressão sobre inadimplência e provisões indica que o crescimento exige seletividade. O setor opera em um ambiente no qual famílias e empresas ainda lidam com custo de financiamento elevado, o que limita parte da demanda por crédito e aumenta o risco de atraso.

Para a Bolsa, resultados de bancos têm peso significativo. Instituições financeiras estão entre as empresas mais relevantes do Ibovespa e influenciam diretamente o comportamento do índice. Um balanço positivo do Bradesco (BBDC3; BBDC4) tende a contribuir para melhorar a percepção sobre o setor, mas investidores costumam comparar o desempenho com o de concorrentes diretos, especialmente Itaú Unibanco (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11).

Ações do Bradesco ficam sensíveis à leitura sobre crédito

Para os acionistas do Bradesco (BBDC3; BBDC4), o balanço apresenta sinais positivos, mas também pontos de atenção. O crescimento do lucro, o avanço da margem financeira e a melhora do ROE reforçam a tese de recuperação operacional. Por outro lado, o aumento expressivo das provisões mantém a qualidade do crédito no centro da análise.

A reação das ações tende a depender da leitura do mercado sobre a sustentabilidade do resultado. Caso investidores interpretem que a melhora da margem é recorrente e que a inadimplência está sob controle, o balanço pode fortalecer a percepção positiva em relação ao banco. Se prevalecer a preocupação com o custo do crédito, parte do avanço do lucro pode ser relativizada.

O desempenho das ações do Bradesco (BBDC3; BBDC4) também será influenciado pelo cenário macroeconômico. Juros, crescimento da economia, renda das famílias, emprego e confiança empresarial afetam diretamente a demanda por crédito e a capacidade de pagamento dos tomadores.

Em um ambiente de juros altos, bancos podem se beneficiar de spreads maiores, mas também enfrentam aumento do risco de inadimplência. Já em um cenário de redução gradual dos juros, a tendência pode ser de melhora na qualidade do crédito e aumento da demanda, embora com possível compressão de margens.

Banco busca consolidar recuperação em 2026

O resultado do primeiro trimestre coloca o Bradesco (BBDC3; BBDC4) em posição de maior estabilidade no início de 2026. O lucro de R$ 6,811 bilhões, a margem financeira em expansão e o ROE de 15,8% indicam avanço operacional relevante.

Ainda assim, o balanço mostra que a recuperação depende da continuidade de uma gestão rigorosa de risco. A carteira de crédito de R$ 1,1 trilhão dá escala ao banco, mas também torna a qualidade dos ativos um fator determinante para a rentabilidade.

A inadimplência acima de 90 dias em 4,2% e o custo do crédito de quase R$ 9,7 bilhões reforçam que o processo de ajuste não está encerrado. O Bradesco terá de equilibrar crescimento, rentabilidade e prudência na concessão de crédito para preservar a melhora dos resultados.

Para o mercado, os próximos balanços serão importantes para confirmar se o avanço do lucro representa uma tendência consistente ou apenas uma melhora pontual favorecida por margem financeira mais forte. A capacidade de reduzir o peso das provisões, manter spreads saudáveis e avançar em eficiência operacional será decisiva para a leitura sobre o banco em 2026.

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