terça-feira, 19 de maio de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
PUBLICIDADE
Home Economia

Santander passa a financiar até 90% do imóvel e reduz pela metade entrada da casa própria

Nova condição permite financiar parcela maior do imóvel, mas aumenta o custo total do contrato e dependerá da análise de crédito do cliente.

por Maria Helena Costa - Repórter de Economia
14/05/2026 às 12h26 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h22
em Economia, Destaque, Notícias
Santander Passa A Financiar Até 90% Do Imóvel E Reduz Pela Metade Entrada Da Casa Própria - Gazeta Mercantil

O Santander passou a financiar até 90% do valor do imóvel, em uma mudança que reduz pela metade a entrada exigida em parte das operações de crédito habitacional e acirra a disputa entre grandes bancos pela concessão de financiamento imobiliário no Brasil. Na prática, a medida permite que o comprador de um imóvel de R$ 300 mil desembolse R$ 30 mil de entrada, em vez dos R$ 60 mil normalmente exigidos em contratos com financiamento de até 80%. A aprovação, porém, não será automática e dependerá da análise do perfil do cliente, da renda, do relacionamento com o banco e das características do imóvel.

A nova condição mira um dos principais entraves para a compra da casa própria: a necessidade de acumular uma entrada elevada antes da contratação do crédito. Para famílias com renda suficiente para pagar as parcelas, mas sem poupança acumulada para bancar 20% do imóvel, o financiamento imobiliário de até 90% pode antecipar a decisão de compra.

O movimento também reforça a competição no setor bancário. O Bradesco (BBDC4) trabalha, no crédito habitacional tradicional, com financiamento de até 80% do valor do imóvel, mas pode chegar excepcionalmente a 90%, conforme avaliação do cliente, do imóvel e dos critérios de crédito. O Banco do Brasil (BBAS3), por sua vez, financia até 80% do valor de avaliação de imóveis urbanos, novos ou usados, para correntistas pessoas físicas.

Apesar do efeito positivo sobre o acesso ao crédito, financiar uma parcela maior do imóvel aumenta o saldo devedor e, consequentemente, o volume de juros pagos ao longo do contrato. Por isso, a redução da entrada pode facilitar a compra no curto prazo, mas exige atenção ao custo total da dívida.

Entrada menor muda a conta para quem quer comprar imóvel

A principal mudança para o comprador está no desembolso inicial. Em um financiamento imobiliário tradicional de até 80% do valor do imóvel, o cliente precisa pagar 20% de entrada. Com a nova condição do Santander, esse percentual pode cair para 10%, desde que a operação seja aprovada dentro dos critérios do banco.

No exemplo de um imóvel de R$ 300 mil, a diferença é relevante. A entrada de R$ 60 mil cai para R$ 30 mil. Em imóveis de valor mais alto, o impacto cresce. Em uma unidade de R$ 500 mil, a entrada de 20% equivaleria a R$ 100 mil. Com financiamento de até 90%, o valor inicial poderia cair para R$ 50 mil.

Essa redução pode atender principalmente compradores de primeira viagem, famílias em processo de formação patrimonial e clientes com renda estável, mas dificuldade para acumular poupança. Em grandes centros urbanos, onde o preço dos imóveis pressiona o orçamento, a entrada costuma ser uma das barreiras mais difíceis de superar.

Além da entrada, a compra de um imóvel envolve despesas adicionais, como escritura, registro, Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis, avaliação, seguros, mudança e eventuais reformas. Ao exigir menos capital próprio no início da operação, o financiamento imobiliário de até 90% pode preservar parte da reserva financeira do comprador para esses custos paralelos.

Aprovação não será automática

A oferta do Santander não significa liberação irrestrita de crédito. Cada solicitação será analisada individualmente, de acordo com o perfil do cliente, o imóvel, a renda, o relacionamento com o banco e os parâmetros internos de risco da instituição.

A análise deve considerar a capacidade de pagamento do comprador, o comprometimento da renda mensal, o histórico de crédito, a estabilidade financeira e as garantias da operação. O imóvel também precisa se enquadrar nos critérios do banco, uma vez que funciona como garantia do financiamento.

Na prática, o limite de até 90% tende a ser direcionado a clientes considerados de menor risco. Compradores com renda comprovada, bom histórico de pagamento, relacionamento bancário mais sólido e menor nível de endividamento devem ter mais chance de aprovação.

Esse filtro é importante porque, ao reduzir a entrada, o banco aumenta sua exposição ao risco. Quando o cliente aporta menos recursos próprios na compra, a instituição financia uma fatia maior do bem e assume uma margem menor de proteção em caso de inadimplência ou desvalorização do imóvel.

Custo total do financiamento pode aumentar

A entrada menor tem efeito imediato sobre o acesso ao crédito, mas também eleva o valor financiado. Quanto maior o saldo devedor, maior tende a ser o custo total do contrato ao longo dos anos.

Em financiamentos imobiliários, o prazo pode se estender por décadas. Por isso, uma diferença aparentemente simples no valor financiado pode resultar em impacto expressivo no total pago em juros, seguros e encargos. O comprador que financia 90% do imóvel assume uma dívida inicial maior do que aquele que financia 80%.

Esse ponto exige planejamento. A parcela mensal precisa caber no orçamento não apenas no momento da contratação, mas durante todo o ciclo do financiamento. Mudanças de renda, aumento de despesas familiares, desemprego, inflação e imprevistos podem afetar a capacidade de pagamento.

Para avaliar a operação, o consumidor deve observar o Custo Efetivo Total, que inclui taxa de juros, seguros obrigatórios, tarifas e demais encargos. Comparar apenas a prestação inicial pode levar a uma leitura incompleta do compromisso financeiro assumido.

Santander amplia disputa no crédito habitacional

A decisão do Santander ocorre em um mercado estratégico para os bancos. O financiamento imobiliário é uma linha de longo prazo, com garantia real e potencial de fidelização do cliente. Ao contratar crédito habitacional, o comprador tende a manter relacionamento prolongado com a instituição financeira.

Essa relação abre espaço para outros produtos, como conta corrente, cartão, seguros, previdência, investimentos e soluções de pagamento. Por isso, os grandes bancos disputam não apenas a operação de crédito, mas também o relacionamento com o cliente ao longo de muitos anos.

Ao oferecer financiamento imobiliário de até 90%, o Santander tenta ampliar sua atratividade em um segmento sensível ao valor da entrada. A condição pode se tornar um diferencial competitivo, especialmente para consumidores que já possuem renda compatível com a prestação, mas não conseguiram reunir os 20% tradicionalmente exigidos.

O movimento também pode pressionar concorrentes a revisar suas políticas comerciais em casos específicos. Mesmo que o limite de 90% não seja aplicado de forma ampla, a possibilidade de aprovação pode influenciar a comparação feita pelo comprador no momento de escolher o banco.

Bradesco e Banco do Brasil mantêm limite tradicional de 80%

No Bradesco (BBDC4), o financiamento habitacional tradicional trabalha atualmente com limite de até 80% do valor do imóvel. O banco pode, em casos excepcionais, financiar até 90%, mas a concessão depende da avaliação do perfil do cliente, do imóvel e de outros critérios de crédito.

O Banco do Brasil (BBAS3) também opera com limite de até 80% do valor de avaliação de imóveis urbanos, novos ou usados, para correntistas pessoas físicas. A instituição contempla imóveis de R$ 20 mil a R$ 5 milhões, com prazo de até 420 meses, carência de até 6 meses e taxas a partir de 4% ao ano no programa Minha Casa, Minha Vida.

A comparação mostra que a diferença entre os bancos não está apenas na taxa de juros. Percentual financiável, prazo, carência, relacionamento, perfil do imóvel e exigência de entrada também pesam na decisão do comprador.

Para quem busca crédito habitacional, a simulação em diferentes bancos continua sendo essencial. Duas propostas com prestações parecidas podem ter custos totais diferentes, dependendo da taxa, do prazo, dos seguros, das tarifas e do sistema de amortização.

Minha Casa, Minha Vida segue como referência para renda menor

A ampliação do financiamento imobiliário pelo Santander ocorre em paralelo ao papel do Minha Casa, Minha Vida, programa que segue como uma das principais portas de entrada para famílias de menor renda no mercado habitacional.

No Banco do Brasil (BBAS3), por exemplo, as taxas informadas partem de 4% ao ano dentro do programa, conforme as condições aplicáveis. Esse tipo de linha costuma contar com regras próprias, faixas de renda, subsídios e critérios específicos de enquadramento.

A oferta do Santander tende a alcançar um público diferente em parte das operações: compradores com renda suficiente para assumir o financiamento, mas sem liquidez para pagar uma entrada mais alta. Esse grupo pode estar fora das faixas mais subsidiadas ou buscar imóveis em valores superiores aos limites mais comuns dos programas habitacionais.

Mesmo assim, a lógica é parecida em um ponto central: reduzir a barreira de acesso à compra do imóvel. No caso do Minha Casa, Minha Vida, isso ocorre por meio de subsídios, taxas menores e condições específicas. No financiamento de até 90%, o efeito vem da diminuição do valor exigido na entrada.

Mercado imobiliário pode ganhar fôlego com entrada menor

Para o mercado imobiliário, a medida pode ampliar o número de potenciais compradores aptos a fechar negócio. Incorporadoras, construtoras, imobiliárias e corretores acompanham de perto mudanças nas condições de crédito, já que a disponibilidade de financiamento influencia diretamente a velocidade das vendas.

Quando o comprador não consegue reunir a entrada, a negociação costuma ficar travada, mesmo que a renda mensal permita assumir as prestações. A possibilidade de financiar até 90% do imóvel pode destravar parte dessa demanda.

O impacto, porém, dependerá do alcance real da política. Se o Santander restringir a aprovação a clientes de perfil muito qualificado, o efeito sobre o volume de operações será mais limitado. Se a concessão ganhar escala, a medida pode aumentar a competição no crédito imobiliário e estimular novas condições em outros bancos.

O ambiente macroeconômico também seguirá determinante. Juros, renda, emprego, inflação, confiança do consumidor e preço dos imóveis influenciam a disposição das famílias para assumir dívida de longo prazo. Entrada menor ajuda, mas não elimina o peso das parcelas no orçamento.

Decisão exige planejamento do comprador

Para o consumidor, a nova condição deve ser analisada como uma alternativa de acesso ao imóvel, não como uma redução do custo da compra. A entrada menor facilita a contratação, mas aumenta o valor financiado e pode elevar o total pago ao banco ao longo do contrato.

Antes de fechar a operação, o comprador deve comparar cenários com diferentes percentuais de entrada. Uma simulação com 10%, 15% e 20% de entrada pode mostrar a diferença no valor da prestação, no saldo devedor e no custo final do financiamento.

Também é importante manter reserva financeira após a compra. Assumir um financiamento imobiliário de longo prazo sem margem de segurança pode aumentar o risco de inadimplência diante de imprevistos.

A recomendação vale principalmente para famílias que pretendem usar quase toda a poupança disponível na entrada. Embora a nova condição reduza o desembolso inicial, o comprador ainda terá despesas com documentação, tributos, mudança, condomínio e manutenção do imóvel.

Crédito imobiliário vira frente de disputa entre bancos

A decisão do Santander reforça a relevância do financiamento imobiliário na estratégia dos grandes bancos. Em um mercado de crédito competitivo, reduzir a entrada pode ser uma forma de atrair clientes com bom perfil de renda e potencial de relacionamento de longo prazo.

Para o comprador, a mudança amplia as alternativas disponíveis, mas exige comparação criteriosa entre bancos. A melhor proposta não será necessariamente a que financia o maior percentual do imóvel, e sim aquela que combina entrada viável, prestação sustentável, menor custo total e condições adequadas ao orçamento familiar.

O financiamento imobiliário de até 90% pode acelerar a compra da casa própria para parte dos consumidores. Ao mesmo tempo, transfere ao cliente a responsabilidade de avaliar se a dívida maior compensa a redução do desembolso inicial.

No centro dessa equação está o equilíbrio entre acesso e risco. A entrada menor pode aproximar o comprador do imóvel, mas o peso do contrato seguirá definido pela renda, pelo prazo, pelos juros e pela capacidade de manter o pagamento em dia ao longo dos anos.

Tags: Banco do BrasilbancosBBAS3BBDC4Bradescocasa própriacrédito habitacionalcrédito imobiliárioEconomiaentrada do imóvelfinanciamento imobiliárioimóvelmercado imobiliárioMinha Casa Minha VidaSantander

LEIA MAIS

Imposto De Renda 2026 - Gzt - Gazeta Mercantil
Economia

Imposto de Renda 2026: contribuinte precisa pagar DARF menor que R$ 10?

Contribuintes que apurarem Imposto de Renda 2026 a pagar em valor inferior a R$ 10 não precisam emitir DARF para recolher o tributo naquele momento. A regra está...

Leia Maisdetalhes
Uber: Governo Prepara Programa De R$ 30 Bilhões Para Trocar Carros De Motoristas De Aplicativo - Gazeta Mercantil
Economia

Uber: governo prepara programa de R$ 30 bilhões para trocar carros de motoristas de aplicativo

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara o lançamento de um programa de até R$ 30 bilhões para financiar a troca de veículos usados por...

Leia Maisdetalhes
Credito Consignado - Gazeta Mercantil
Economia

Consignado do INSS muda nesta terça e passa a exigir biometria facial

As novas regras para contratação de empréstimo consignado do INSS entram em vigor nesta terça-feira (19), com exigência obrigatória de validação por biometria facial pelo aplicativo ou site...

Leia Maisdetalhes
Fazenda Eleva Projeção Do Inpc De 3,8% Para 4,6% Em 2026 - Gazeta Mercantil
Economia

Fazenda eleva projeção do INPC de 3,8% para 4,6% em 2026

O Ministério da Fazenda elevou de 3,8% para 4,6% a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 2026, segundo o Boletim Macrofiscal divulgado nesta...

Leia Maisdetalhes
Tesouro - Gazeta Mercantil
Economia

Tesouro cria comitê para definir estratégia da Dívida Pública Federal

O Tesouro Nacional criou o Comitê de Gerenciamento da Dívida Pública Federal, o Coged, para definir estratégias de gestão do endividamento do governo federal, com foco em reduzir...

Leia Maisdetalhes

Veja Também

Imposto De Renda 2026 - Gzt - Gazeta Mercantil
Economia

Imposto de Renda 2026: contribuinte precisa pagar DARF menor que R$ 10?

Leia Maisdetalhes
Bolsa Família De Maio Começa A Ser Pago Para 19 Milhões De Famílias - Gazeta Mercantil
Brasil

Bolsa Família de maio começa a ser pago para 19 milhões de famílias

Leia Maisdetalhes
Fiis Fundos Imobiliários (Imagem: Jabkitticha/ Istockphoto)
Fundos Imobiliários

IBBP11 amplia portfólio com ativos do XPIN11 e entrega yield anualizado de 11,3%

Leia Maisdetalhes
Galípolo Vai Ao Senado Nesta Terça Para Falar Sobre Juros, Autonomia Do Bc E Banco Master - Gazeta Mercantil
Política

Galípolo vai ao Senado nesta terça para falar sobre juros, autonomia do BC e Banco Master

Leia Maisdetalhes
Empresa Que Teria Comprado Naskar Tem Perfil Recente E Não Informa Executivos No Site Azara Capital Afirma Que Assumiu A Fintech Para Ressarcir Investidores, Mas Apresenta Poucas Informações Públicas, Endereço Associado A Outro Banco E Ausência De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Dos Eua A Azara Capital Llc, Empresa Que Teria Comprado A Naskar Gestão De Ativos Em Uma Operação Estimada Em R$ 1,2 Bilhão Para Tentar Sanar A Crise Da Fintech Brasileira, Reúne Poucas Informações Públicas, Não Informa Executivos Em Seu Site E Apresenta Inconsistências Em Dados De Endereço E Presença Digital. A Instituição Ganhou Visibilidade Nesta Quinta-Feira (14) Após Ser Apontada Como Compradora Da Naskar, Que Deixou De Pagar Rendimentos A Cerca De 3 Mil Investidores E Interrompeu O Funcionamento Do Aplicativo Usado Por Clientes Para Acompanhar Seus Recursos. A Suposta Aquisição Foi Anunciada Em Meio À Pressão De Investidores Que Cobram A Devolução De Valores Aplicados Na Naskar. Segundo A Versão Divulgada Pela Fintech, A Azara Capital Teria Adquirido A Naskar E Outras Empresas Do Grupo, Como 7Trust E Next, Assumindo A Responsabilidade Por Tratativas Voltadas Ao Ressarcimento Dos Clientes. O Caso, Porém, Passou A Levantar Questionamentos Sobre A Própria Azara Capital. A Empresa Não Apresenta Em Seu Site Nomes De Presidente, Diretores, Sócios Ou Responsáveis Pela Gestão. A Página Informa Um Endereço Em Miami, Nos Estados Unidos, Mas A Localização Indicada Aparece Associada Ao Ocean Bank, Banco Comercial Independente Da Flórida. Em Buscas Por “Azara Capital” Em Plataformas De Geolocalização, Não Há Indicação Clara De Sede Própria Da Companhia. Além Disso, A Presença Digital Da Empresa É Recente. O Perfil Da Azara Capital No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E, Até A Manhã Desta Quinta-Feira, Contava Com Apenas Três Publicações. Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. O Site Da Empresa Não Informa Quem Ocupa Cargos De Comando, Quais São Os Responsáveis Pela Operação, Qual É A Estrutura Societária Ou Quais Executivos Responderiam Pelo Processo De Aquisição Da Naskar. Em Uma Operação Que Envolveria Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão E A Assunção De Passivos Com Milhares De Investidores, A Ausência De Dados Públicos Sobre Governança Amplia A Incerteza. Para Investidores E Credores, A Identificação Dos Responsáveis Pela Empresa É Elemento Básico Para Avaliar Capacidade Financeira, Histórico, Experiência E Responsabilidade Sobre Compromissos Assumidos. Outro Ponto Citado No Texto-Base Envolve O Endereço Físico Informado Pela Azara Capital. A Localização Indicada Em Miami Aparece Associada Ao Ocean Bank, Não A Uma Sede Própria Identificável Da Empresa. Buscas Por “Azara Capital” Em Aplicativos E Sites De Geolocalização Também Não Retornariam Resultados Consistentes. A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. Uma Publicação Que Mencionava “Capital Rápido Para Negócios Imobiliários” Teria Sido Arquivada. A Conta, Que Seguia 18 Perfis, Deixou De Seguir Todos Eles. A Opção De Comentários Nas Publicações Também Foi Bloqueada. O Perfil Da Empresa Não Teria Conta Correspondente No Linkedin, Plataforma Normalmente Usada Por Instituições Financeiras, Gestoras E Empresas De Serviços Corporativos Para Apresentar Equipe, Histórico, Área De Atuação E Estrutura De Negócios. As Alterações Nas Redes Sociais Não Significam, Isoladamente, Irregularidade. No Entanto, Em Um Contexto De Crise Envolvendo Quase R$ 1 Bilhão Em Recursos De Investidores, Mudanças Rápidas Em Canais Públicos De Comunicação Tendem A Reforçar A Pressão Por Transparência. Para Os Clientes Da Naskar, A Principal Preocupação É Saber Quem Assumirá A Responsabilidade Pelos Valores Aplicados, De Onde Virão Os Recursos Para Eventual Devolução E Qual Será O Prazo Real Para O Início Dos Pagamentos. Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
Empresas

Empresa que teria comprado Naskar tem perfil recente e não informa executivos no site

Leia Maisdetalhes

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Imposto de Renda 2026: contribuinte precisa pagar DARF menor que R$ 10?

Bolsa Família de maio começa a ser pago para 19 milhões de famílias

IBBP11 amplia portfólio com ativos do XPIN11 e entrega yield anualizado de 11,3%

UFG recebe Drone Day com palestras e demonstrações de drones em Goiânia

Galípolo vai ao Senado nesta terça para falar sobre juros, autonomia do BC e Banco Master

Empresa que teria comprado Naskar tem perfil recente e não informa executivos no site

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com

Sem resultados
Todos os resultados
  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com