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Nasdaq supera 27 mil pontos e Wall Street bate recordes após trégua entre EUA e Irã

Bolsas dos EUA renovam máximas históricas com queda do petróleo e disparada das ações de tecnologia e IA

por Camila Braga - Repórter de Economia
29/05/2026 às 16h29
em Mercados, Destaque, Notícias
Wall Street - Gazeta Mercantil

As bolsas de Nova York encerraram esta sexta-feira em níveis recordes após investidores reagirem positivamente às sinalizações de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã sobre a ampliação do cessar-fogo no Oriente Médio. O movimento reduziu parte das preocupações relacionadas ao risco de interrupção no transporte global de petróleo pelo Estreito de Ormuz e impulsionou ações de tecnologia, inteligência artificial e semicondutores em Wall Street.

O índice S&P 500 avançou 0,3% e fechou aos 7.588 pontos, enquanto o Nasdaq Composite subiu 0,3%, ultrapassando pela primeira vez na história a marca dos 27 mil pontos. O Dow Jones Industrial Average avançou 0,7% e também renovou máxima histórica ao superar os 51 mil pontos.

A valorização ocorreu em meio à percepção de redução temporária das tensões geopolíticas após reportagens indicarem um acordo preliminar entre Washington e Teerã para extensão do cessar-fogo por 60 dias.

O presidente Donald Trump afirmou que ainda fará uma avaliação final sobre os termos do entendimento, mas sinalizou avanço nas negociações envolvendo a reabertura plena do Estreito de Ormuz e o encerramento do bloqueio naval norte-americano imposto a portos iranianos.

A possibilidade de normalização parcial do fluxo marítimo no Golfo Pérsico reduziu parte da pressão recente sobre os preços internacionais do petróleo e fortaleceu o apetite global por ativos de risco.

Nasdaq rompe marca histórica impulsionado por ações ligadas à inteligência artificial

O principal destaque do pregão ficou concentrado no setor de tecnologia, que voltou a liderar os ganhos em Wall Street.

As ações da Dell Technologies dispararam mais de 28% após a companhia elevar suas projeções anuais de receita e lucro, impulsionada pelo crescimento da demanda por servidores de inteligência artificial e infraestrutura de data centers.

O movimento contaminou positivamente outras empresas ligadas ao setor de IA e semicondutores.

Os papéis da Super Micro Computer avançaram mais de 10%, enquanto a Hewlett Packard Enterprise registrou valorização superior a 13%.

O mercado voltou a reforçar apostas de continuidade do ciclo de expansão ligado à inteligência artificial generativa, segmento que permanece no centro da valorização das gigantes de tecnologia nos Estados Unidos.

Analistas observaram que o rompimento dos 27 mil pontos pelo Nasdaq simboliza a consolidação da liderança das empresas de tecnologia dentro do atual ciclo de alta do mercado acionário norte-americano.

A forte valorização das ações ligadas à infraestrutura de IA também ampliou o fluxo comprador sobre companhias de semicondutores, computação em nuvem e softwares corporativos.

Trégua entre EUA e Irã reduz pressão sobre petróleo

O avanço das bolsas ocorreu simultaneamente à queda dos preços internacionais do petróleo.

Os contratos do Brent recuaram cerca de 2,6% e encerraram próximos de US$ 90 por barril. Já o WTI caiu aproximadamente 2,4%, negociado abaixo de US$ 87.

A queda foi impulsionada pela percepção de que um acordo envolvendo o cessar-fogo poderá reduzir riscos de interrupção logística no Estreito de Ormuz, rota considerada estratégica para o comércio global de petróleo.

Nas últimas semanas, o mercado financeiro vinha monitorando com elevada tensão os impactos do conflito entre Israel, Irã e Estados Unidos sobre a oferta global de energia.

O temor de fechamento parcial da rota marítima havia levado o Brent a superar momentaneamente a marca de US$ 100 por barril.

A possibilidade de estabilização geopolítica reduziu parte das preocupações relacionadas a uma nova onda inflacionária global provocada pela energia.

Ainda assim, analistas observam que os preços do petróleo continuam significativamente acima dos níveis registrados antes do agravamento do conflito no Oriente Médio.

Investidores acompanham inflação e próximos passos do Fed

Além da questão geopolítica, o mercado também acompanhou novos indicadores de inflação nos Estados Unidos.

Dados divulgados recentemente mostraram desaceleração parcial da inflação ao consumidor em abril, embora persistam sinais de enfraquecimento do consumo das famílias diante do aumento dos custos de energia.

O cenário mantém investidores atentos aos próximos movimentos do Federal Reserve, banco central norte-americano.

Dirigentes do Fed, incluindo Neel Kashkari, Mary Daly e Anna Paulson, participaram de eventos ao longo do dia e foram acompanhados de perto pelo mercado em busca de sinais sobre juros.

A expectativa predominante em Wall Street continua sendo de manutenção de taxas elevadas por um período prolongado, especialmente devido aos riscos inflacionários associados ao petróleo.

Mesmo assim, a combinação entre inflação moderadamente mais fraca e melhora do ambiente geopolítico favoreceu o movimento de compra de ações.

O recuo do índice VIX, conhecido como termômetro de volatilidade de Wall Street, reforçou a melhora temporária na percepção de risco global.

Dow Jones ultrapassa 51 mil pontos pela primeira vez

O Dow Jones também atingiu um marco inédito ao ultrapassar os 51 mil pontos pela primeira vez na história.

O índice foi impulsionado principalmente pelo avanço de ações industriais, financeiras e ligadas à tecnologia.

A percepção de desaceleração das tensões no Oriente Médio favoreceu companhias mais sensíveis à atividade econômica global e ao custo da energia.

Além disso, investidores continuaram ampliando exposição a ativos considerados mais resilientes diante da combinação entre crescimento econômico moderado e inflação ainda elevada.

Analistas avaliam que o atual movimento de Wall Street permanece sustentado principalmente por expectativas relacionadas à inteligência artificial, resultados corporativos robustos e perspectiva de manutenção do crescimento da economia norte-americana.

Ainda assim, o mercado segue monitorando riscos ligados ao conflito no Oriente Médio, inflação global e política monetária do Fed.

Empresas de varejo e consumo enfrentam maior pressão

Enquanto o setor de tecnologia liderou os ganhos, empresas ligadas ao varejo apresentaram desempenho mais fraco.

As ações da Gap despencaram cerca de 17% após a companhia reduzir suas projeções anuais de vendas.

O movimento reforçou preocupações sobre desaceleração do consumo das famílias norte-americanas em meio ao aumento dos custos de energia e juros elevados.

Analistas observam que parte das empresas de varejo continua enfrentando maior dificuldade para preservar margens operacionais diante do enfraquecimento gradual do consumo.

Por outro lado, companhias ligadas à tecnologia e infraestrutura digital continuam capturando fluxo relevante de capital no mercado norte-americano.

A Okta avançou fortemente após divulgar receita trimestral acima das estimativas do mercado.

Já a International Flavors & Fragrances subiu após notícias sobre possível venda de ativos para o grupo de private equity CVC Capital Partners.

Mercado reduz temor de choque energético global

A principal mudança observada no mercado ao longo da sessão foi a redução parcial das apostas em um choque energético global de grandes proporções.

Nas últimas semanas, investidores temiam que o conflito no Oriente Médio pudesse provocar uma interrupção severa da oferta de petróleo, ampliando a inflação mundial e pressionando bancos centrais.

O avanço das negociações envolvendo Estados Unidos e Irã diminuiu momentaneamente parte desse risco sistêmico.

Mesmo assim, gestores observam que a situação continua extremamente sensível e sujeita a mudanças rápidas.

O próprio presidente Donald Trump afirmou que a aprovação definitiva do acordo ainda depende de avaliação final da Casa Branca.

Além disso, autoridades iranianas sinalizaram que alguns pontos do entendimento ainda permanecem em discussão.

O mercado financeiro global segue acompanhando qualquer nova informação relacionada ao Estreito de Ormuz devido à relevância estratégica da região para o abastecimento mundial de energia.

Wall Street amplia rali apoiado em tecnologia e alívio geopolítico

O fechamento histórico dos principais índices norte-americanos reforçou a continuidade do forte rali observado em Wall Street ao longo de 2026.

A combinação entre avanço da inteligência artificial, resultados corporativos sólidos e redução temporária das tensões geopolíticas impulsionou o apetite dos investidores por ações.

O Nasdaq consolidou sua posição como principal referência do ciclo atual de valorização liderado pelas gigantes de tecnologia e infraestrutura de IA.

Ao mesmo tempo, o recuo recente do petróleo ajudou a aliviar parte das preocupações relacionadas à inflação global e aos impactos sobre juros.

Ainda assim, investidores permanecem atentos à evolução das negociações entre Estados Unidos e Irã, aos próximos indicadores econômicos e à trajetória da política monetária do Federal Reserve.

A continuidade do rali dependerá da manutenção do crescimento corporativo, da estabilidade geopolítica e da capacidade da economia norte-americana de desacelerar sem entrar em recessão.

Tags: DellDonald TrumpDow JonesEconomiaFederal ReserveInteligência ArtificialirámercadosNasdaqPetróleoS&P 500tecnologiaWall Street

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