Faturamento do turismo no Brasil tem melhor resultado desde 2012 e movimenta R$ 127,7 bilhões até julho
O faturamento do turismo no Brasil entre janeiro e julho de 2025 alcançou R$ 127,7 bilhões, segundo dados da FecomercioSP, com base em informações do IBGE. O crescimento de 6,5% em relação ao mesmo período de 2024 representa o melhor desempenho para os primeiros sete meses do ano desde 2012, consolidando a recuperação do setor após os desafios da última década.
Em julho, o faturamento foi de R$ 19,7 bilhões, um avanço de 4,3% em comparação com julho de 2024, configurando o melhor resultado mensal dos últimos 13 anos. Esse desempenho reforça a relevância do turismo como motor da economia nacional, especialmente em tempos de desaceleração econômica.
Por que o faturamento do turismo está em alta?
Apesar da combinação de juros elevados e sinais de desaceleração da economia, o setor turístico tem mostrado resiliência. Entre os fatores que impulsionaram o crescimento do faturamento do turismo, destacam-se:
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Mercado de trabalho aquecido, que garante renda e confiança para o consumidor planejar viagens.
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Inflação em queda gradual, que alivia os orçamentos das famílias.
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Facilidade de parcelamento, especialmente importante em viagens aéreas e pacotes turísticos.
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Retomada das viagens corporativas, que voltaram a crescer após anos de retração.
Essa combinação tem permitido que mais brasileiros invistam em experiências de lazer e negócios, sustentando a tendência de alta.
Destaques regionais do faturamento do turismo
Os estados brasileiros registraram desempenhos distintos, refletindo realidades econômicas e turísticas diversas.
Estados que mais cresceram:
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Rio Grande do Sul: crescimento de 24,6% em julho, liderando o ranking nacional.
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Mato Grosso do Sul: alta de 12,9%.
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Amazonas: elevação de 10,9%.
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Ceará: crescimento de 6,7%.
São Paulo: liderança em faturamento absoluto
O estado de São Paulo segue como o maior mercado turístico do Brasil, movimentando R$ 4,86 bilhões em julho, com alta de 2,1% frente ao mesmo mês de 2024.
Estados em retração
Nem todas as regiões registraram expansão. Em julho, houve quedas significativas em:
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Minas Gerais: retração de -7,3%.
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Santa Catarina: queda de -6%.
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Tocantins: recuo de -5,7%.
Essas variações mostram que, apesar da alta nacional, o faturamento do turismo ainda enfrenta desafios regionais.
Turismo e a economia brasileira
O desempenho do turismo ganha destaque em um contexto no qual outros setores sofrem mais diretamente os impactos da política monetária restritiva. De acordo com a FecomercioSP, a retomada das viagens corporativas tende a sustentar o crescimento do setor acima da média da economia brasileira.
Enquanto isso, o mercado financeiro viveu instabilidade na mesma semana da divulgação dos dados:
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O Ibovespa fechou em leve alta de 0,05%, aos 146.491,75 pontos.
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O dólar comercial registrou alta de 0,92%, cotado a R$ 5,328.
Esses movimentos reforçam a relevância do turismo como pilar de estabilidade e geração de receitas para o Brasil.
Perspectivas para os próximos meses
O cenário para o faturamento do turismo segue otimista. A tendência é de expansão contínua, sustentada por fatores como:
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Aumento da demanda por destinos nacionais, favorecida pela volatilidade do câmbio.
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Crescimento da aviação regional, que facilita o acesso a novos mercados.
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Maior procura por experiências sustentáveis e personalizadas.
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Incremento de eventos corporativos e feiras internacionais sediadas no Brasil.
Para especialistas, a combinação de mercado interno fortalecido e recuperação gradual das viagens internacionais deve consolidar o turismo como um dos principais vetores de crescimento do PIB de serviços.
O resultado histórico do faturamento do turismo em 2025 mostra a força do setor em um cenário de incerteza econômica. O recorde de R$ 127,7 bilhões entre janeiro e julho e o desempenho inédito de julho apontam para uma consolidação da retomada, com destaque para estados como Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Amazonas e Ceará.
Se as tendências de consumo e os estímulos econômicos forem mantidos, o turismo brasileiro pode encerrar o ano com o melhor desempenho em mais de uma década, consolidando-se como setor estratégico para geração de empregos e renda em todo o país.






