Microempresas sustentam quase metade da população brasileira e movimentam bilhões na economia
As microempresas são um dos maiores pilares da economia brasileira. De acordo com a segunda edição do Atlas dos Pequenos Negócios, divulgado pelo Sebrae, quase metade da população do país depende direta ou indiretamente da renda gerada por pequenos negócios, incluindo microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs). Isso significa que cerca de 96,7 milhões de brasileiros têm sua sobrevivência atrelada à força desse segmento.
O levantamento revela que os pequenos negócios, além de representarem inclusão produtiva, são responsáveis por bilhões em circulação anual, fortalecendo o consumo, a geração de empregos e a manutenção de famílias em todas as regiões.
O papel das microempresas no sustento da população
Segundo os dados do Sebrae, em 2024 o Brasil tinha 43,7 milhões de pessoas diretamente dependentes da renda de microempreendedores. Ao somar empregados de pequenas empresas e seus familiares, o total atinge 45% da população brasileira. Isso mostra como as microempresas não apenas sustentam quem está à frente do negócio, mas também têm efeito multiplicador no entorno social e econômico.
A importância desse setor é reforçada pelo presidente do Sebrae, Décio Lima, que destacou o impacto da formalização. Para ele, os empreendedores formais garantem dignidade para suas famílias e oportunidades para toda a sociedade.
Renda média e contribuição das microempresas
O Atlas apresenta números expressivos. O MEI teve em 2024 uma renda familiar média de R$ 5.542. Com o tamanho médio de 2,9 pessoas por família, isso representa cerca de R$ 1.911 por indivíduo. Somados todos os MEIs em atividade, são R$ 18 bilhões mensais em renda, ou R$ 224 bilhões ao ano, movimentando a economia.
Já os empresários de micro e pequenas empresas (MPEs) alcançaram renda média familiar de R$ 13.422, com 3,2 pessoas por família, resultando em R$ 4.194 por indivíduo. O total gerado mensalmente chega a R$ 41 bilhões, ou aproximadamente R$ 492 bilhões anuais.
Esses números confirmam que as microempresas têm peso central não apenas como atividade de sobrevivência, mas como motores que giram a engrenagem econômica do Brasil.
Os principais desafios das microempresas brasileiras
Apesar da força econômica, as microempresas ainda enfrentam dificuldades estruturais. De acordo com pesquisa da Serasa Experian, 3 em cada 10 PMEs afirmam que o maior obstáculo ao abrir um negócio é conquistar e reter clientes.
Outros gargalos relevantes são:
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Divulgação do negócio: apontado por 29% dos entrevistados.
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Contratação de mão de obra: dificuldade para 27%, chegando a 38% no setor de comércio.
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Burocracia tributária: leis e impostos são apontados como entraves por 21%.
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Gestão e atualização constante: ainda que menos citadas, impactam diretamente na sobrevivência a longo prazo.
Mesmo em estágios mais avançados, os problemas persistem. 33% das microempresas relatam que a contratação e gestão de pessoas é o maior desafio atual. Já a retenção de clientes (32%) e a divulgação eficiente (29%) seguem no topo das preocupações.
Inclusão social e geração de oportunidades
As microempresas também exercem papel social fundamental. Muitas vezes, representam o primeiro emprego de jovens e profissionais em busca de reinserção no mercado. Além disso, favorecem a diversidade e a inovação, pois empreendedores locais trazem soluções adaptadas às necessidades de suas comunidades.
Outro ponto destacado pelo Sebrae é o sonho de empreender, presente em 60% da população brasileira. Isso revela não apenas o desejo de autonomia, mas também a percepção de que abrir um pequeno negócio pode ser o caminho para inclusão econômica.
Microempresas e políticas públicas
Os dados do Atlas reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas às microempresas. Por serem responsáveis por quase metade da população, seu fortalecimento tem impacto direto na redução do desemprego, no aumento da renda e na dinamização da economia.
Iniciativas como linhas de crédito específicas, desburocratização tributária e estímulo à digitalização são apontadas como medidas essenciais para garantir competitividade. O estudo sugere que políticas de apoio às microempresas não devem ser tratadas como exceção, mas como eixo central da estratégia econômica do Brasil.
Perspectivas para as microempresas em 2025
Com o avanço da tecnologia e da digitalização, espera-se que as microempresas intensifiquem sua presença no ambiente online. Isso deve abrir novas oportunidades, mas também exigirá capacitação para lidar com e-commerce, marketing digital e gestão financeira automatizada.
Especialistas afirmam que a competitividade global exige inovação constante, mesmo para pequenos negócios. A capacidade de adaptação será decisiva para que microempresas continuem crescendo e sustentando milhões de brasileiros nos próximos anos.
Os dados revelados pelo Sebrae confirmam que as microempresas são responsáveis por sustentar quase metade da população brasileira e movimentam trilhões de reais anualmente. Apesar dos desafios relacionados à gestão, divulgação e burocracia, esse setor continua sendo o coração da economia nacional.
Fortalecer as microempresas significa investir na inclusão social, na geração de empregos e no futuro do país. Se bem apoiadas, elas podem não apenas manter, mas ampliar sua participação como protagonistas do desenvolvimento econômico do Brasil.






