Victoria’s Secret busca resgatar vendas de sutiãs e reconquistar seu lugar no mercado
A Victoria’s Secret, tradicional marca de lingerie americana, enfrenta uma crise de identidade que já dura mais de uma década. Durante esse período, a empresa passou por diversas lideranças executivas e viu seu prestígio cultural e comercial ser desafiado por concorrentes emergentes, como Savage X Fenty, de Rihanna, e Skims, de Kim Kardashian. A CEO atual, Hillary Super, acredita que a solução para revitalizar a marca é clara: voltar a focar nas vendas de sutiãs, que historicamente representam o coração do negócio.
Com essa estratégia, a Victoria’s Secret tenta reconquistar consumidores, restaurar a confiança dos investidores e reafirmar sua relevância no mercado global de lingerie.
A crise de identidade da Victoria’s Secret
Nos últimos dez anos, a Victoria’s Secret enfrentou uma série de desafios que afetaram seu desempenho financeiro e sua imagem pública. Entre os fatores estão mudanças culturais, aumento da concorrência e escândalos envolvendo a antiga liderança da marca. Enquanto nos anos dourados da marca os sutiãs push-up acetinados e o slogan provocativo “Aumenta instantaneamente 2 tamanhos de copa!” dominavam as campanhas, hoje a empresa aposta em linhas mais discretas, como FlexFactor e Featherweight, descritas como “mais leves que o ar, totalmente sustentadoras”.
Além das mudanças nos produtos, a ambientação das lojas foi completamente remodelada. O clima boudoir, com iluminação baixa e paredes escuras, deu lugar a tons suaves de rosa, refletindo uma tentativa de modernização e inclusão.
O papel dos sutiãs na estratégia da marca
Para Hillary Super, CEO da Victoria’s Secret, os sutiãs são o “coração emocional” da empresa. A executiva acredita que a direção da categoria de sutiãs é também a direção estratégica da marca, e por isso decidiu colocá-los novamente em destaque. Super assumiu a liderança da marca após uma passagem de sucesso na Savage X Fenty, de Rihanna, com o objetivo de revitalizar a imagem da Victoria’s Secret e reconquistar sua base de clientes.
Sob sua gestão, a empresa pretende lançar novos modelos que atendam a diferentes estilos, tipos de corpo e preferências de conforto, reafirmando seu posicionamento de autoridade em lingerie e sensualidade.
Desempenho financeiro e críticas do mercado
Nos últimos quatro anos, a Victoria’s Secret perdeu mais da metade de seu valor de mercado, atualmente avaliado pouco acima de 2 bilhões de dólares, com queda de aproximadamente 27% apenas neste ano. Investidores criticam a falta de foco estratégico e questionam se a empresa consegue recuperar o prestígio perdido.
Apesar das críticas, a CEO Hillary Super e sua equipe, apelidada de “Super Squad”, buscam respostas estratégicas para reconquistar a relevância da marca, utilizando o retorno aos sutiãs como ponto central.
O Victoria’s Secret Fashion Show: símbolo da transformação

O Victoria’s Secret Fashion Show, evento que já foi um fenômeno global, representa hoje tanto um desafio quanto uma oportunidade. Em seu auge, o programa atraía cerca de 12 milhões de espectadores, com supermodelos desfilando com lingerie luxuosa e extravagante, cercadas por asas de anjo. Hoje, o desfile é visto por muitos como ultrapassado, mas a empresa decidiu mantê-lo após uma pausa, como parte da estratégia de rebranding.
O evento custará entre 35 e 40 milhões de dólares e terá o foco renovado nos sutiãs, destacando o compromisso da marca com sua categoria principal. Entre as atrações, Adriana Lima retorna para seu 20º desfile, reforçando a tradição e a nostalgia do público.
A concorrência e o desafio da diversidade

O crescimento de marcas concorrentes, como Savage X Fenty e Skims, evidenciou a necessidade da Victoria’s Secret de se adaptar. Enquanto as concorrentes promovem empoderamento feminino, diversidade e inclusão, a Victoria’s Secret enfrentou acusações de bullying e assédio no passado, além de escândalos envolvendo a antiga liderança da L Brands.
Essa diferença estratégica tornou claro que a marca precisava atualizar sua abordagem, oferecendo produtos para diferentes tipos de corpo e promovendo uma mensagem de confiança e conforto.
Inovação e novos produtos

Sob a liderança de Hillary Super, a Victoria’s Secret lançou novas linhas de sutiãs, como FlexFactor e Featherweight, que equilibram estilo, conforto e suporte. A linha Featherweight, por exemplo, ganhou uma versão com decote em V mais profundo, atendendo à demanda de clientes que desejam usar os sutiãs fora da academia, sob roupas casuais.
O lançamento dessas linhas demonstrou que, mesmo em um mercado competitivo, os sutiãs ainda têm grande potencial de venda, sendo essenciais para a recuperação da marca.
A importância da experiência do consumidor

Além de produtos inovadores, a Victoria’s Secret tem investido na experiência do consumidor nas lojas. O rebranding inclui novas ambientações, atendimento personalizado e comunicação voltada à valorização da diversidade e do empoderamento feminino. Clientes relatam sentir-se mais confortáveis para explorar diferentes estilos e tamanhos, o que reforça a estratégia de colocar os sutiãs novamente no centro do negócio.
Perspectivas para o futuro
O foco da Victoria’s Secret em sutiãs representa apenas o início de uma nova era. A empresa busca restabelecer sua autoridade em lingerie, adaptando-se às mudanças culturais e às demandas de um mercado mais inclusivo. Com novos produtos, marketing renovado e eventos icônicos, a marca pretende reconquistar tanto consumidores quanto investidores, reafirmando seu legado no mercado de lingerie.
Se a estratégia de Hillary Super for bem-sucedida, a Victoria’s Secret poderá retomar seu lugar como referência global em sensualidade, inovação e confiança feminina.





