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Ágora troca 40% da carteira de small caps e inclui Banco Pine (PINE4) e Alupar (ALUP11)

Corretora substitui Cyrela e Yduqs em novembro; nova seleção reúne cinco ações com peso de 20% cada e dividendos projetados de até 12%.

por Camila Braga
04/11/2026 às 19h29
em Mercados
Banco Pine - Gazeta Mercantil

A Ágora Investimentos reformulou parte de sua carteira recomendada de small caps para novembro de 2026, substituindo duas das cinco ações que integravam o portfólio anterior. As ações preferenciais do Banco Pine (PINE4) e as units da Alupar (ALUP11) passaram a compor a seleção, ocupando as posições anteriormente destinadas à construtora Cyrela (CYRE3) e ao grupo de educação Yduqs (YDUQ3). As alterações representam a renovação de 40% dos ativos da carteira, que mantém a distribuição igualitária dos recursos entre as empresas selecionadas.

A nova composição reúne Banco Pine, Alupar, Copasa (CSMG3), JHSF (JHSF3) e Smart Fit (SMFT3), cada uma com participação recomendada de 20%. O relatório original, publicado pela corretora em 28 de outubro, apresenta estimativas de dividendos para 2026 que variam de 4,4% a 12%, além de projeções de resultados e preços-alvo para os papéis. As escolhas combinam companhias com receitas reguladas, operações financeiras, atividades imobiliárias e negócios voltados ao consumo.

A decisão ocorre depois de um período de perdas expressivas para a estratégia de empresas de menor capitalização. Até 28 de outubro, a carteira de small caps da Ágora acumulava desvalorização de 31,3% em 2026, enquanto o Ibovespa apresentava valorização de 6,1% no mesmo intervalo. A diferença de desempenho alcançava 37,4 pontos percentuais e evidencia o impacto da volatilidade sobre a seleção antes das mudanças anunciadas para novembro.

O documento também revela uma distinção importante entre as duas novas integrantes. Embora ambas tenham recebido participação idêntica na carteira, a Ágora mantém recomendação de compra para o Banco Pine e classificação neutra para a Alupar. A inclusão de uma companhia em uma estratégia diversificada, portanto, não significa necessariamente que a corretora tenha atribuído a ela sua avaliação individual mais favorável.

Banco Pine entra com projeção de dividendos de 11,1%

A entrada do Banco Pine reflete a transformação de suas atividades nos últimos anos. A instituição ampliou operações de crédito voltadas a pessoas físicas e empresas de médio porte, reduzindo a dependência histórica de financiamentos concentrados em grandes clientes corporativos. Entre as linhas que ganharam espaço estão o crédito consignado privado e os cartões, segmentos que oferecem oportunidades de expansão, mas também exigem acompanhamento da qualidade dos empréstimos concedidos.

Os resultados publicados pelo banco ajudam a dimensionar essa mudança. No segundo trimestre de 2026, o lucro líquido recorrente atingiu R$ 165,7 milhões, praticamente o dobro do registrado no mesmo período de 2025. A carteira de crédito expandida chegou a R$ 21,814 bilhões, com crescimento de 39,9% em 12 meses e de 10,1% em relação ao primeiro trimestre. O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido alcançou 37,5%, segundo os indicadores utilizados pela corretora.

O crescimento, entretanto, foi acompanhado por maior inadimplência. O indicador informado na análise da Ágora chegou a 2,7% no segundo trimestre, ante 2,2% no primeiro, elevação de 0,5 ponto percentual. O movimento exige atenção porque a expansão acelerada do crédito pode produzir resultados diferentes à medida que os contratos amadurecem e parte dos clientes passa a enfrentar dificuldades de pagamento.

Para novembro, a corretora atribuiu ao Banco Pine preço-alvo de R$ 18 por ação, com horizonte em 2027, e estimativa de dividend yield de 11,1% para 2026. O indicador representa a relação entre a remuneração projetada aos acionistas e o preço considerado na análise, não constituindo promessa de distribuição ou garantia de rentabilidade.

A próxima atualização financeira da instituição está programada para 11 de novembro, quando serão divulgados os resultados do terceiro trimestre. Os números permitirão verificar se o avanço da carteira de crédito continuou acompanhado de rentabilidade elevada e como evoluíram as provisões para perdas e os indicadores de inadimplência.

Alupar combina receitas reguladas e projetos de transmissão de energia

A inclusão da Alupar acrescenta à carteira uma empresa cuja principal atividade está relacionada à infraestrutura elétrica. A companhia atua nos segmentos de transmissão e geração de energia, com contratos de longo prazo e receitas que, em parte relevante de suas operações, são atualizadas por índices de inflação. Essa estrutura proporciona maior previsibilidade de faturamento em comparação com negócios diretamente dependentes das oscilações do consumo.

A Receita Anual Permitida (RAP), utilizada para remunerar concessionárias de transmissão, constitui um dos principais indicadores da atividade. O valor é definido conforme as condições regulatórias e contratuais de cada empreendimento, enquanto a entrada de novos projetos em operação pode ampliar a base de receitas da companhia.

No segundo trimestre de 2026, a Alupar registrou crescimento de 14,7% na receita regulatória de transmissão. O balanço também apresentou lucro líquido societário atribuível aos acionistas da controladora de R$ 416,6 milhões, ante R$ 144,9 milhões no mesmo trimestre do ano anterior, avanço de 187,6%. Pelo critério regulatório, entretanto, o lucro atribuível à controladora foi de R$ 159 milhões, queda de 14,6% na comparação anual. A diferença decorre das metodologias contábeis aplicadas aos contratos de concessão e precisa ser considerada na avaliação dos resultados.

A companhia também possui projetos de expansão em andamento. Entre os empreendimentos divulgados está o lote 7 da segunda etapa do Leilão de Transmissão nº 1/2026, com RAP de R$ 96,7 milhões e investimento de referência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de R$ 1,089 bilhão. O prazo previsto para energização é 2031, dentro de uma concessão de 30 anos.

Apesar da previsibilidade proporcionada pelos contratos, a expansão exige investimentos elevados. Ao encerramento do segundo trimestre, a dívida líquida consolidada da Alupar alcançava aproximadamente R$ 9,5 bilhões. O indicador de dívida líquida sobre Ebitda societário ficou em 2,6 vezes, mostrando a importância do financiamento dos projetos e da geração futura de caixa para a evolução financeira da empresa.

A Ágora estabeleceu preço-alvo de R$ 40 para ALUP11, com projeção de dividend yield de 5% em 2026. A recomendação individual permanece neutra, enquanto a análise considera a estabilidade das receitas e os projetos em implantação como características relevantes para a composição de uma carteira diversificada.

Os próximos resultados trimestrais da Alupar estão previstos para 5 de novembro, com conferência marcada para o dia seguinte. A divulgação permitirá acompanhar os investimentos realizados, a execução das concessões e a trajetória do endividamento.

Copasa lidera projeções de dividendos entre as cinco ações

Entre os papéis mantidos, a Copasa apresenta a maior estimativa de dividend yield para 2026, de 12%. A companhia de saneamento tem preço-alvo de R$ 78, segundo a avaliação da corretora, que acompanha as possibilidades de eficiência operacional e os investimentos necessários à ampliação dos serviços de água e esgoto.

A análise considera os efeitos das mudanças societárias e regulatórias sobre a capacidade de geração de resultados. Entre os eventos acompanhados está o reajuste tarifário esperado para dezembro, considerado relevante para avaliar a remuneração dos investimentos e a aplicação das regras do setor.

O desempenho futuro dependerá, entre outros fatores, da execução dos investimentos, do controle de despesas e da evolução do endividamento. A estimativa de dividendos também está sujeita às condições financeiras da companhia e às decisões efetivas sobre distribuição de resultados.

A JHSF permanece na seleção com exposição aos segmentos imobiliário, de shopping centers e de serviços direcionados ao público de alta renda. A Ágora atribui às ações JHSF3 preço-alvo de R$ 15 e dividend yield projetado de 6,9% para 2026, considerando a geração de receitas recorrentes e a monetização de ativos imobiliários.

A companhia também mantém investimentos em hotelaria, aviação executiva e novos empreendimentos. Essas atividades ampliam a diversidade de receitas, mas podem exigir desembolsos relevantes antes de produzir retorno financeiro, especialmente em períodos de juros elevados.

A quinta integrante é a Smart Fit, cuja projeção de dividend yield de 4,4% é a menor da carteira. A permanência das ações SMFT3 está associada principalmente às perspectivas de expansão operacional, maturação das academias e crescimento dos serviços vinculados ao TotalPass. No segundo trimestre, a empresa abriu 63 unidades e acumulou 98 inaugurações no primeiro semestre de 2026, conforme os dados utilizados pela Ágora.

A corretora estabeleceu preço-alvo de R$ 30 para Smart Fit, enquanto acompanha os efeitos da concorrência, dos investimentos em novas unidades e da evolução das receitas obtidas com planos corporativos.

Carteira tem dividend yield médio projetado de 7,88%

A distribuição igualitária dos investimentos permite calcular a média ponderada das projeções de dividendos apresentadas pela corretora. Considerando participação de 20% para cada uma das cinco empresas, o dividend yield indicativo da carteira alcança 7,88% para 2026.

O cálculo utiliza estimativas de 12% para Copasa, 11,1% para Banco Pine, 6,9% para JHSF, 5% para Alupar e 4,4% para Smart Fit. A diferença entre a maior e a menor projeção é de 7,6 pontos percentuais, evidenciando que a estratégia reúne empresas com perfis distintos de remuneração aos acionistas.

Essa média, calculada a partir dos indicadores individuais, não representa uma previsão de retorno total da carteira. O desempenho de cada investimento depende também da valorização ou desvalorização das ações, das alterações de preços utilizadas no cálculo e dos dividendos efetivamente aprovados pelas companhias.

A composição apresenta outra característica relevante: 40% dos recursos recomendados estão concentrados em serviços regulados de energia elétrica e saneamento, por meio de Alupar e Copasa. Outros 20% estão destinados ao setor bancário, enquanto as atividades imobiliárias e o consumo respondem, individualmente, pelos 20% restantes.

A divisão evita concentração excessiva em uma única ação, mas não elimina os riscos relacionados à economia brasileira. Juros elevados, aumento do custo de capital e mudanças nas expectativas de crescimento podem afetar empresas de diferentes setores simultaneamente.

Carteira acumulava queda de 31,3% antes das alterações

A revisão de novembro sucede um período de desempenho negativo da estratégia. Conforme a série histórica apresentada pela Ágora, a carteira de small caps acumulava queda de 18,3% em outubro até o dia 28, enquanto o Ibovespa recuava 8,2% no mesmo intervalo. A diferença negativa foi de 10,1 pontos percentuais.

No acumulado de 2026 até aquela data, a distância em relação ao principal índice da Bolsa era ainda maior. A carteira apresentava perda de 31,3%, contra valorização de 6,1% do Ibovespa, ressaltando a maior exposição da estratégia às oscilações dos preços das empresas selecionadas.

A comparação com o Ibovespa oferece uma referência ampla, embora o Índice Small Cap (SMLL), calculado pela B3, seja o indicador específico do desempenho das companhias de menor capitalização. O SMLL utiliza uma carteira teórica de ações e units selecionadas segundo critérios de capitalização e negociabilidade, com ponderação relacionada ao valor de mercado dos papéis disponíveis para negociação.

A carteira da Ágora não replica obrigatoriamente a composição do SMLL. A corretora seleciona cinco empresas a partir de critérios próprios de análise, atribuindo participação igualitária a cada uma delas. Essa concentração em poucos ativos faz com que o resultado possa divergir significativamente do comportamento do índice de referência.

O relatório original também informa que as novas composições passam a ser consideradas no cálculo de rentabilidade somente a partir do primeiro dia útil de novembro. Dessa forma, o desempenho acumulado até 28 de outubro corresponde à estratégia anterior e não pode ser atribuído às empresas recém-incluídas.

Resultados trimestrais serão decisivos para avaliação das novas escolhas

A revisão do portfólio coloca os próximos balanços empresariais entre os principais acontecimentos a serem acompanhados durante novembro. Banco Pine e Alupar divulgarão resultados do terceiro trimestre em datas próximas, oferecendo informações atualizadas sobre rentabilidade, endividamento, investimentos e qualidade dos ativos.

O desempenho das duas empresas permitirá confrontar as premissas utilizadas pela Ágora com os resultados efetivamente apresentados. No Banco Pine, a atenção estará voltada à capacidade de sustentar a expansão do crédito sem deterioração excessiva da inadimplência. Na Alupar, os investidores poderão avaliar a execução dos projetos e o equilíbrio entre investimentos, dívida e remuneração aos acionistas.

A carteira também será influenciada pela evolução dos juros e das expectativas fiscais. Embora empresas com contratos regulados possam apresentar receitas relativamente previsíveis, suas ações continuam sujeitas às variações de preços, às condições de financiamento e às avaliações de risco dos investidores.

O documento da Ágora ressalta que estimativas e recomendações podem ser modificadas conforme novas informações sejam divulgadas. A corretora, controlada indiretamente pelo Banco Bradesco, também apresenta declarações regulatórias sobre eventuais interesses financeiros e comerciais de empresas do grupo em relação às companhias analisadas.

A seleção de novembro permanece, portanto, uma estratégia baseada nas projeções da instituição para cinco empresas, sem garantia de que os preços-alvo, os dividendos estimados ou a recuperação dos resultados sejam alcançados. Os próximos dados financeiros permitirão avaliar se as mudanças de composição produzirão desempenho diferente daquele observado nos meses anteriores.

Fontes:

Ágora Investimentos — Relatório original Estratégia Mensal, de 28 de outubro de 2026, com a composição da carteira Small Caps de novembro, recomendações, projeções de dividendos, preços-alvo e histórico de desempenho.

Banco Pine — Central de Relações com Investidores e resultados do segundo trimestre de 2026, com informações sobre lucro, expansão da carteira de crédito e indicadores financeiros.

Alupar Investimento S.A. — Release de Resultados do segundo trimestre de 2026, divulgado à Comissão de Valores Mobiliários, com indicadores societários, regulatórios, endividamento e projetos de transmissão.

B3 — Metodologia oficial do Índice Small Cap (SMLL), critérios de composição, elegibilidade e ponderação das ações.

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