A Smart Fit (SMFT3) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 247,7 milhões, crescimento de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado divulgado na quarta-feira (4) reflete a expansão das academias na América Latina, o aumento da receita por cliente e a participação crescente de negócios digitais e serviços corporativos, especialmente o TotalPass, na rentabilidade do grupo. A companhia também registrou recorde de unidades adicionadas em 12 meses, embora o ritmo de investimentos tenha pressionado o endividamento.
Entre julho e setembro, a receita líquida alcançou R$ 2,35 bilhões, avanço de 29% sobre o terceiro trimestre de 2025 e de 8% em relação aos três meses anteriores. O Ebitda ajustado, indicador de resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, atingiu R$ 762,8 milhões, aumento anual de 30%. A margem Ebitda ajustada passou de 32,1% para 32,5%, sinalizando uma melhora moderada da rentabilidade operacional mesmo diante dos gastos associados à abertura de novas unidades.
O lucro líquido contábil também apresentou crescimento, chegando a R$ 255,3 milhões, resultado 50% superior aos R$ 170 milhões apurados um ano antes. A diferença entre o lucro contábil e o recorrente decorre dos ajustes aplicados pela companhia para excluir efeitos extraordinários, especialmente relacionados a aquisições e determinadas despesas financeiras. No acumulado de janeiro a setembro, o lucro recorrente somou R$ 658,3 milhões, expansão de 30% na comparação anual.
Smart Fit chega a 2.259 academias e registra expansão recorde
A rede encerrou setembro com 2.259 academias distribuídas por 17 países, crescimento de 21% em relação às 1.867 unidades existentes no mesmo período de 2025. Foram adicionadas 392 academias nos últimos 12 meses, maior expansão já registrada pelo grupo nesse intervalo. Desse total, 349 unidades correspondem à marca Smart Fit, 30 foram incorporadas com a aquisição da Evolve e outras 13 pertencem à Bio Ritmo e às demais operações.
A estrutura operacional está concentrada em unidades próprias, que representam 81% da rede, com 1.822 academias. As franquias somam 437 estabelecimentos, equivalentes aos 19% restantes. O Brasil continua sendo o principal mercado, com 1.090 unidades, seguido pelo México, com 494, enquanto os demais países concentram 675 academias.
A expansão de 21% inclui o efeito da aquisição da Evolve. Desconsiderando as 30 academias incorporadas com a operação, o crescimento da rede teria sido de aproximadamente 19%, conforme os dados apresentados pela companhia. A distinção permite separar a expansão orgânica daquela obtida por meio de aquisições, dois movimentos com impactos diferentes sobre a necessidade de capital.
No terceiro trimestre, a rede apresentou 89 adições líquidas, das quais 59 foram orgânicas. A Smart Fit também iniciou operações na Venezuela, seu 17º mercado, por meio da inauguração de uma academia franqueada. No Brasil, a companhia alcançou a marca de mil unidades da bandeira Smart Fit, incluindo academias próprias e franqueadas.
O avanço da rede foi acompanhado pelo crescimento da base de clientes, que alcançou aproximadamente 5,7 milhões de alunos nas academias, aumento de 9% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Esse indicador considera os clientes das unidades físicas e não inclui separadamente os usuários do TotalPass.
TotalPass alcança 2,5 milhões de clientes e ganha importância nos resultados
A expansão do TotalPass é um dos principais fatores por trás da evolução da rentabilidade consolidada. A plataforma de benefícios corporativos encerrou o trimestre com aproximadamente 2,5 milhões de clientes no Brasil e no México, crescimento de 66% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com o segundo trimestre, a base aumentou 13%, desempenho superior ao ritmo de crescimento do número de academias do grupo.
O avanço também ocorreu na rede de estabelecimentos credenciados. No Brasil, o TotalPass passou a oferecer acesso a cerca de 39 mil academias e outros espaços parceiros, crescimento de 34% em um ano, distribuídos por mais de 2 mil cidades. No México, a operação, que inclui a FitMaster, alcançou aproximadamente 11 mil estabelecimentos, alta de 32%. Somados, os dois mercados reúnem cerca de 50 mil pontos de atendimento, incluindo unidades pertencentes ao próprio grupo.
Um dos dados mais relevantes divulgados pela administração é que a base de clientes do TotalPass no Brasil superou, pela primeira vez ao final de setembro, o número de clientes matriculados nas academias Smart Fit no país. Esse movimento demonstra a ampliação da presença do grupo no mercado de atividade física para além dos estabelecimentos sob sua marca principal.
A companhia também apresentou indicadores de participação de mercado calculados a partir de estimativas da Sensor Tower. Segundo esses dados, o TotalPass Brasil alcançou 37% de participação em usuários ativos mensais no encerramento de setembro, ante 27% um ano antes. Nos downloads de aplicativos, a participação chegou a 53%, comparativamente aos 46% do terceiro trimestre de 2025.
No México, a participação estimada atingiu 78% entre usuários ativos mensais e 82% nos downloads. É importante observar que essas métricas representam comparações com um concorrente selecionado pela metodologia da pesquisa, e não a participação do TotalPass em todo o mercado de benefícios corporativos e academias. Os números também são estimativas de utilização de aplicativos, não medições diretas da receita ou da quantidade total de assinantes do setor.
Negócios digitais ampliam participação na rentabilidade
O crescimento do TotalPass e de outras operações está modificando a composição dos resultados da Smart Fit. A linha denominada “Outras”, que reúne receitas de franquias e negócios como TotalPass, Queima Diária, BeOn Studios e FitMaster, registrou expansão de 50% na receita do terceiro trimestre.
O peso desses negócios tornou-se ainda mais evidente no lucro bruto caixa. A participação da categoria no resultado consolidado passou de 10% para 17% em um ano, enquanto a margem bruta caixa antes dos custos pré-operacionais desse segmento alcançou 90,2%. O indicador representa um ganho expressivo de rentabilidade para atividades que possuem estruturas de custos diferentes da operação tradicional de academias.
A diversificação ajuda a compensar parte das despesas relacionadas à expansão física. A abertura de estabelecimentos exige investimentos em imóveis, equipamentos e pessoal antes que as unidades alcancem maturidade operacional, enquanto negócios digitais e plataformas de intermediação podem apresentar custos incrementais proporcionalmente menores à medida que ampliam sua base de clientes.
A margem bruta caixa consolidada atingiu 51,3%, avanço de 1,7 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre de 2025. O lucro bruto caixa somou R$ 1,21 bilhão, crescimento anual de 33%, acima da expansão de 29% da receita líquida. O desempenho demonstra que os custos diretos cresceram em ritmo inferior ao faturamento, embora a companhia ainda enfrente pressões de despesas em determinadas operações.
No segmento de academias próprias, a receita avançou 26% na comparação anual, acompanhando a elevação de 15% no tíquete médio e de 10% na base média de alunos. O aumento dos valores arrecadados por cliente, associado à expansão da rede, contribuiu para sustentar o crescimento mesmo em um ambiente de custos elevados de ocupação e pessoal.
Investimentos em academias crescem 23% no trimestre
A aceleração das inaugurações também elevou a necessidade de recursos. A Smart Fit investiu R$ 631,6 milhões no terceiro trimestre, aumento de 23% em relação ao mesmo período de 2025. Desse montante, R$ 509,6 milhões foram destinados à expansão, enquanto R$ 108,2 milhões financiaram iniciativas de manutenção e modernização das unidades existentes.
O restante dos investimentos, aproximadamente R$ 13,8 milhões, foi direcionado a projetos corporativos e inovação. A companhia destacou que parte dos desembolsos com manutenção está relacionada ao envelhecimento das academias maduras e à necessidade de preservar a qualidade dos equipamentos e das instalações.
No acumulado de janeiro a setembro, os investimentos alcançaram R$ 1,82 bilhão, crescimento de 29% em relação aos nove primeiros meses de 2025. O volume evidencia a importância da expansão física para a estratégia de crescimento, mas também representa uma pressão relevante sobre o fluxo de caixa disponível para outras finalidades.
A geração de caixa operacional alcançou R$ 658,9 milhões no trimestre, enquanto as atividades de investimento consumiram R$ 677,5 milhões. A diferença de aproximadamente R$ 18,6 milhões mostra que os recursos provenientes das operações não foram suficientes para cobrir integralmente os desembolsos classificados como investimentos no período, antes de considerar os demais fluxos financeiros.
Dívida líquida da Smart Fit sobe para R$ 4,99 bilhões
A dívida líquida ajustada encerrou setembro em R$ 4,99 bilhões, acima dos R$ 4,61 bilhões registrados no segundo trimestre. O aumento de aproximadamente R$ 378 milhões ocorreu em um período de investimentos elevados e incorporação das operações da Evolve, além dos efeitos das despesas financeiras e da execução parcial do programa de recompra de ações.
Na comparação anual, o crescimento do endividamento foi ainda mais expressivo. Em setembro de 2025, a dívida líquida ajustada estava próxima de R$ 3,40 bilhões, o que representa um aumento de aproximadamente R$ 1,59 bilhão em 12 meses.
Apesar da elevação do saldo devedor, a relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda dos últimos 12 meses permaneceu em 1,21 vez, conforme a metodologia prevista nos instrumentos de dívida da companhia. Esse patamar está abaixo do limite contratual de 3,5 vezes considerado para o indicador.
A Smart Fit encerrou o trimestre com R$ 3,30 bilhões em caixa e aplicações financeiras e dívida bruta de aproximadamente R$ 8,20 bilhões. Do total das obrigações financeiras, 86% possuem vencimento no longo prazo, característica que reduz a concentração imediata de pagamentos, embora não elimine os custos associados ao financiamento da expansão.
A gestão da dívida também incluiu operações de refinanciamento. Durante o trimestre, a companhia realizou sua 15ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,2 bilhão, distribuída em séries com vencimentos de cinco, sete e dez anos. Os recursos foram destinados principalmente à substituição de obrigações financeiras anteriores, em uma estratégia de alongamento dos prazos e redução de custos.
Smart Fit mantém previsão de abrir até 350 academias em 2026
A administração manteve sua projeção de adicionar entre 330 e 350 academias líquidas ao longo de 2026, sendo aproximadamente 80% unidades próprias. A meta foi formalizada em fato relevante de 11 de março e representa uma expansão anual estimada entre 16% e 17% sobre a rede existente no encerramento de 2025.
Até o final de outubro, a companhia contabilizava 197 adições no acumulado do ano, incluindo as unidades incorporadas da Evolve. O grupo também informou possuir 159 academias em construção e mais de 140 contratos assinados para inaugurações previstas entre 2026 e 2027.
A existência de obras em andamento e contratos assinados indica um volume relevante de oportunidades de expansão, mas não significa que todas essas unidades serão necessariamente abertas ainda em 2026. A concretização da meta depende da conclusão dos projetos, da obtenção das autorizações necessárias e do cumprimento dos cronogramas operacionais.
A estratégia inclui ainda a diversificação das marcas e dos formatos de atendimento. A BeOn Studios encerrou setembro com 336 salas, crescimento de 41% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a Bio Ritmo avançou em mercados como Recife, Goiânia e Lima, no Peru.
A companhia também concluiu, em agosto, a aquisição de 60% do capital da Evolve, rede concentrada no Centro-Oeste brasileiro, especialmente no Distrito Federal. O negócio envolveu aporte inicial de R$ 39,7 milhões e previsão de aportes adicionais de até R$ 60 milhões, sujeitos às condições contratuais. A incorporação contribuiu para o crescimento da rede e reforçou a presença do grupo em uma região considerada estratégica.
Expansão e controle do endividamento serão decisivos para os próximos resultados
A evolução da Smart Fit no terceiro trimestre mostra que o grupo continua ampliando receitas e lucros em ritmo superior ao crescimento de sua base de clientes de academias. O avanço dos serviços corporativos e digitais fortalece essa dinâmica ao acrescentar fontes de receita que não dependem exclusivamente de inaugurações de estabelecimentos físicos.
Ao mesmo tempo, a expansão exige investimentos significativos e aumenta a importância da disciplina financeira. O crescimento da dívida líquida, os desembolsos com novas academias e a necessidade de maturação das unidades inauguradas serão fatores relevantes para avaliar a capacidade de geração de caixa nos próximos períodos.
A divulgação dos resultados também ocorre em um momento de avaliação das perspectivas do setor de academias na América Latina. Para a Smart Fit, a continuidade do crescimento dependerá da demanda pelos serviços, da evolução dos tíquetes médios, da rentabilidade das unidades maduras e da contribuição dos negócios de benefícios corporativos.
Com 2.259 academias, presença em 17 países e uma base crescente de usuários de serviços digitais, a companhia encerra o terceiro trimestre com maior escala operacional. O desafio dos próximos meses será manter a expansão da rede e dos lucros sem ampliar desproporcionalmente o endividamento necessário para financiar esse crescimento.
Fontes:
Grupo Smart Fit — Divulgação de Resultados do 3T26, publicada em 4 de novembro de 2026.
Smartfit Escola de Ginástica e Dança S.A. — Informações Trimestrais (ITR) referentes ao período encerrado em 30 de setembro de 2026.
Grupo Smart Fit — Fato Relevante sobre a projeção de aberturas de academias para 2026, de 11 de março de 2026.
Grupo Smart Fit — Comunicado ao Mercado sobre a conclusão da aquisição do controle da Evolve, de 4 de agosto de 2026.







