Os cotistas do fundo imobiliário Apex Malls (APXM11) aprovaram a destituição da BRM Carbyne e da BRM Apex Nazca, empresas ligadas à Apex Partners, e escolheram a Vinci Real Estate para assumir a gestão de uma carteira com patrimônio lÃquido próximo de R$ 355 milhões. A decisão foi formalizada em 16 de outubro de 2026, em meio à crise financeira do grupo capixaba, que apresentou pedido de recuperação judicial com endividamento preliminar declarado de R$ 985,6 milhões. Com a substituição, o fundo passou a se chamar Vinci Malls II, embora suas cotas continuassem negociadas na B3 sob o código APXM11.
A destituição da antiga gestora e da consultora especializada foi aprovada por investidores que representavam 79,093% das cotas emitidas. Na etapa seguinte, a Vinci recebeu 55,434% dos votos apresentados para a escolha da nova responsável pela carteira. Os resultados foram publicados em fato relevante pelo BTG Pactual Serviços Financeiros, que permanece como administrador fiduciário do fundo.
A mudança representa uma reorganização da gestão de ativos imobiliários vinculados anteriormente à estrutura empresarial da Apex Partners. O fundo possui participação direta no Shopping Vitória, no EspÃrito Santo, e participação indireta no Catuaà Shopping Cascavel, no Paraná. A substituição da gestora não altera automaticamente a propriedade dessas participações nem implica a venda dos empreendimentos.
Além da troca de comando, a Vinci anunciou um conjunto de propostas para ampliar a participação dos cotistas nas decisões estratégicas. Entre elas estão a proibição de novas emissões de cotas abaixo do valor patrimonial, a exigência de aprovação prévia para operações imobiliárias relevantes e a criação de um comitê consultivo. As alterações ainda dependem de votação especÃfica e não devem ser confundidas com as medidas já aprovadas em outubro.
Cotistas aprovam saÃda da BRM Carbyne com 79,093% das cotas
O processo de substituição da gestão teve inÃcio em setembro, após a divulgação de informações relacionadas à s dificuldades financeiras da Apex Partners. O BTG Pactual, responsável pela administração fiduciária do APXM11, organizou uma consulta formal para que os cotistas deliberassem sobre a permanência da BRM Carbyne Gestão de Recursos e da BRM Apex Nazca.
A votação foi iniciada em 21 de setembro e encerrada em 8 de outubro. Segundo o termo de apuração divulgado pelo administrador, participaram investidores que representavam aproximadamente 83,678% das cotas emitidas pelo fundo. O percentual demonstra uma participação expressiva do capital na decisão sobre o futuro da gestão.
A destituição recebeu votos favoráveis equivalentes a 79,093% das cotas emitidas, enquanto 4,359% votaram contra. Outros 0,227% corresponderam a abstenções. O resultado permitiu a retirada da antiga gestora e da consultora especializada, com efeitos a partir do fechamento de 16 de outubro.
A elevada aprovação da destituição revela uma convergência relevante entre os investidores sobre a necessidade de modificar a estrutura de gestão. Isso não significa, entretanto, que todos os participantes tenham concordado com a mesma alternativa para suceder as empresas afastadas.
Na etapa de escolha da nova gestora, os votos foram distribuÃdos entre diferentes candidatas. Portanto, os 79,093% associados à destituição e os 55,434% recebidos pela Vinci possuem bases de cálculo distintas: o primeiro percentual se refere à s cotas emitidas, enquanto o segundo corresponde aos votos proferidos na eleição da sucessora.
Vinci vence disputa contra outras nove gestoras
A escolha da Vinci Real Estate ocorreu em uma disputa que envolveu dez empresas interessadas em assumir a administração dos investimentos. Além da vencedora, apresentaram propostas Alianza, Capitânia, CatuaÃ, Hedge, PolÃgono, Rio Bravo, Suno, Zagros e Lev Asset.
A Vinci concentrou 55,434% dos votos proferidos. A Lev Asset Management ficou em segundo lugar, com 21,285%, seguida pela Hedge Investments, com 7,332%. As demais candidatas receberam percentuais menores, conforme o resultado oficial.
A diferença entre as principais concorrentes indica que a Vinci conseguiu formar uma maioria suficiente para assumir a carteira, mas também evidencia a existência de alternativas defendidas por parcelas dos cotistas. O resultado pode influenciar a próxima etapa de governança, na qual novas regras precisarão obter aprovação especÃfica.
A Vinci Real Estate integra a Vinci Compass, grupo internacional de gestão de recursos com atuação em diferentes classes de ativos. Em comunicado divulgado após a eleição, a empresa informou que sua plataforma imobiliária administra mais de 15 fundos e reúne mais de 560 mil cotistas.
Entre os fundos sob sua gestão está o Vinci Shopping Centers (VISC11), veÃculo que possui participações em shopping centers de diferentes regiões do Brasil. A experiência nesse segmento foi apresentada pela gestora como um dos elementos de sua atuação no mercado imobiliário.
A escolha da Vinci, contudo, não significa incorporação do APXM11 ao VISC11. Os dois fundos permanecem juridicamente distintos, com patrimônios, investidores e regras próprias. Qualquer operação entre as carteiras dependerá das condições legais e das deliberações aplicáveis.
Apex Malls passa a se chamar Vinci Malls II
Uma das primeiras consequências da eleição foi a alteração da denominação do fundo para Vinci Malls II Fundo de Investimento Imobiliário Responsabilidade Limitada.
A mudança já consta da documentação divulgada ao mercado em 16 de outubro e reflete a nova estrutura de gestão. O BTG Pactual continua responsável pela administração fiduciária, enquanto a Vinci assume as decisões relacionadas à carteira de investimentos, dentro dos limites estabelecidos pelo regulamento.
O código APXM11, entretanto, não foi substituÃdo imediatamente. Segundo a nova gestora, a alteração do ticker deverá ocorrer nas semanas seguintes, respeitando os procedimentos e prazos da B3.
A diferença entre nome jurÃdico e código de negociação é importante para os investidores. Enquanto a alteração da denominação identifica a nova estrutura do fundo, o ticker é o sÃmbolo utilizado nas negociações em Bolsa e nos sistemas das corretoras.
Até a comunicação formal de uma mudança, os investidores devem utilizar o código vigente para acompanhar as cotas. A troca de nome não representa emissão automática de novos ativos nem exige, por si só, que o cotista venda ou recompre sua posição.
Fundo possui participação de 15,8% no Shopping Vitória
O principal ativo imobiliário diretamente detido pelo fundo é uma participação de 15,8169% no Shopping Vitória, localizado na capital do EspÃrito Santo.
O percentual foi detalhado pela antiga gestora em comunicado de 25 de agosto, que identificou a fração ideal registrada em nome do fundo. O documento também esclareceu que os direitos econômicos associados à participação envolvem percentuais especÃficos sobre os resultados das diferentes áreas do empreendimento.
A estrutura demonstra que o Vinci Malls II não é proprietário integral do Shopping Vitória. Trata-se de uma participação minoritária em um ativo imobiliário compartilhado com outros investidores.
Essa caracterÃstica possui implicações para a gestão. Decisões relacionadas a investimentos, ampliações e operações do shopping podem depender de regras de governança do empreendimento e de entendimentos com os demais participantes.
A participação minoritária também limita a capacidade do fundo de alterar unilateralmente determinados aspectos operacionais. Embora a nova gestora possa definir estratégias para sua carteira, a execução de iniciativas relacionadas ao shopping precisa considerar os direitos dos demais coproprietários.
Catuaà Shopping Cascavel integra carteira por participação indireta
O segundo ativo relevante está localizado no Paraná. O fundo possui participação indireta no Catuaà Shopping Cascavel por meio de uma sociedade de propósito especÃfico denominada APXM Cascavel Participações.
Segundo comunicado da BRM Carbyne, essa empresa detém ações correspondentes a 16% do capital social da Proeste Empresas Reunidas do Oeste do Paraná, sociedade proprietária do empreendimento.
A estrutura é diferente daquela utilizada no Shopping Vitória. Em vez de deter diretamente uma fração do imóvel, o fundo participa de uma empresa que possui direitos sobre o shopping.
Essa distinção influencia a forma de exercÃcio dos direitos econômicos e societários. A administração precisa observar os instrumentos de investimento, a governança da sociedade e as regras aplicáveis à participação indireta.
A concentração da carteira em apenas dois empreendimentos também representa um fator importante de risco. Mudanças relevantes no desempenho de qualquer um dos shoppings podem produzir efeitos proporcionais significativos sobre os resultados do fundo.
A diversificação geográfica entre EspÃrito Santo e Paraná reduz a dependência de uma única região, mas não elimina a concentração em poucos ativos. O desempenho dependerá de fatores como ocupação comercial, receitas de locação, despesas operacionais e eventuais investimentos necessários.
Vinci propõe impedir emissões abaixo do valor patrimonial
Uma das principais propostas da nova gestora é estabelecer uma restrição expressa à emissão de cotas por valor inferior ao patrimônio lÃquido por cota.
O valor patrimonial é calculado pela divisão do patrimônio lÃquido do fundo pelo número de cotas emitidas. Ele funciona como uma referência contábil para a participação de cada investidor nos ativos lÃquidos da carteira.
A emissão de novas cotas abaixo desse valor pode provocar diluição patrimonial dos investidores que não participarem da oferta. Isso ocorre porque o fundo passa a incorporar novos recursos em condições que podem reduzir o valor patrimonial proporcional das cotas existentes.
A proposta da Vinci busca limitar esse risco. A gestora também pretende assegurar direito de preferência aos atuais cotistas, com possibilidade de negociação e cessão desses direitos.
Esses mecanismos podem ampliar a proteção dos investidores em futuras captações. Entretanto, uma proibição rÃgida também pode reduzir a flexibilidade financeira do fundo caso seja necessário captar recursos em um momento no qual as cotas estejam negociadas abaixo do valor patrimonial.
Essa relação constitui um dos principais pontos de atenção da proposta. Regras mais restritivas podem evitar determinadas formas de diluição, mas também exigem planejamento financeiro para situações de investimento, necessidade de liquidez ou reorganização da carteira.
A implementação dependerá de aprovação dos cotistas em nova assembleia ou consulta formal.
Compra e venda de ativos também dependerão de autorização dos investidores
Outra alteração proposta pela Vinci prevê que aquisições e vendas de ativos sejam submetidas previamente à assembleia de cotistas, com quórum qualificado.
Na prática, o fundo não poderia modificar livremente sua composição imobiliária sem obter autorização dos investidores. A exigência abrangeria operações que resultassem na alteração das atuais participações concentradas no Shopping Vitória e no Catuaà Shopping Cascavel.
A medida amplia o controle dos cotistas sobre decisões capazes de transformar a estratégia do investimento. A venda de participação em um shopping, por exemplo, pode alterar a composição de receitas, a exposição geográfica e as perspectivas de distribuição de rendimentos.
Por outro lado, a exigência de aprovação prévia pode tornar determinadas negociações mais complexas. Transações imobiliárias possuem prazos comerciais e condições que podem exigir rapidez na tomada de decisões.
A necessidade de convocação e votação poderá influenciar esse processo, especialmente quando houver oportunidades com perÃodos limitados de negociação.
A proposta estabelece, portanto, uma escolha de governança: aumentar o controle direto dos investidores sobre os ativos, mesmo que isso possa restringir a autonomia operacional da gestora.
Operações com outros fundos da Vinci terão regras contra conflitos de interesses
A Vinci também anunciou que pretende submeter transações entre o Vinci Malls II e outros fundos sob sua gestão à aprovação prévia dos cotistas.
A exigência terá quórum qualificado e deverá ser acompanhada de laudos independentes de avaliação dos ativos negociados.
O objetivo é estabelecer mecanismos especÃficos para operações que possam envolver conflitos de interesses. Como a Vinci administra diferentes carteiras imobiliárias, existe a possibilidade de surgirem oportunidades de compra e venda entre veÃculos geridos pelo mesmo grupo.
Essas operações não são necessariamente irregulares, mas exigem cuidados para assegurar que cada fundo seja tratado de acordo com os interesses de seus próprios cotistas.
A utilização de avaliações independentes pode contribuir para reduzir divergências sobre preços e condições comerciais. Entretanto, um laudo não substitui a análise dos riscos e benefÃcios econômicos da operação.
A aprovação dos investidores passaria a funcionar como uma etapa adicional de controle. A existência da proposta não significa que uma transação dessa natureza já tenha sido realizada ou que exista negociação especÃfica em andamento.
Comitê consultivo poderá acompanhar a gestão trimestralmente
Entre os compromissos anunciados está a criação de um comitê consultivo com até cinco integrantes.
A proposta prevê reuniões trimestrais e a possibilidade de apresentação de recomendações à gestora. As manifestações teriam caráter não vinculante, ou seja, não substituiriam as competências formais da Vinci ou das assembleias de cotistas.
A estrutura poderá funcionar como um canal adicional de acompanhamento das decisões relacionadas à carteira. Também está prevista a definição de um limite para despesas suportadas pelo fundo no exercÃcio das atividades do comitê.
A criação do órgão representa uma tentativa de ampliar a participação dos investidores no acompanhamento da gestão, sem transferir a responsabilidade pelas decisões executivas.
A eficácia do modelo dependerá de fatores como composição, acesso a informações e qualidade das recomendações produzidas. A existência do comitê, isoladamente, não garante melhora no desempenho financeiro dos ativos.
Relatórios mensais deverão detalhar indicadores dos shoppings
A nova gestora informou que pretende integrar o fundo à sua plataforma de relacionamento com investidores.
O plano inclui a publicação de relatórios gerenciais mensais com indicadores operacionais individualizados dos dois shopping centers. Também estão previstos canais de atendimento por correio eletrônico e WhatsApp.
A divulgação periódica de informações poderá ampliar a capacidade dos cotistas de acompanhar o desempenho da carteira.
Entre os indicadores relevantes para fundos imobiliários de shopping centers estão a taxa de ocupação, a evolução das vendas dos lojistas, as receitas de locação, a inadimplência e as despesas operacionais.
Essas informações permitem compreender se eventuais alterações na distribuição de rendimentos estão relacionadas ao desempenho dos empreendimentos, à estrutura financeira do fundo ou a fatores extraordinários.
A abertura de dados por shopping também é importante porque a carteira reúne somente dois ativos, com estruturas de participação diferentes.
A polÃtica anunciada, entretanto, ainda deverá ser implementada conforme os procedimentos e a periodicidade definidos pela gestora.
Novas regras precisam de aprovação de pelo menos 25% das cotas emitidas
Embora a substituição da gestora tenha sido concluÃda, as mudanças adicionais de governança ainda precisam ser aprovadas.
A Vinci informou que convocará uma assembleia extraordinária ou consulta formal para submeter as propostas aos investidores.
De acordo com o regulamento do fundo, a alteração exige aprovação por maioria dos votos representados na assembleia e o atendimento ao quórum qualificado aplicável. Como o fundo possui mais de cem cotistas, a deliberação precisa contar também com votos favoráveis que representem pelo menos 25% das cotas emitidas.
Esse requisito estabelece uma participação mÃnima do capital total nas decisões mais relevantes. Portanto, não basta uma maioria simples de um grupo muito reduzido de investidores quando a matéria está sujeita ao quórum qualificado.
A votação anterior demonstrou capacidade de mobilização dos cotistas, com participação equivalente a aproximadamente 83,678% das cotas. Isso não garante, porém, que haverá o mesmo comparecimento ou o mesmo consenso nas próximas deliberações.
Os investidores precisarão avaliar os benefÃcios e as limitações das regras propostas, especialmente nos temas relacionados à emissão de cotas, venda de ativos e operações com outros fundos da gestora.
Recuperação judicial da Apex envolve dÃvidas preliminares de R$ 985,6 milhões
A substituição da gestão ocorre em meio à crise financeira enfrentada pela Apex Partners.
O grupo apresentou pedido de recuperação judicial em 14 de setembro de 2026, na Justiça do EspÃrito Santo, depois de recorrer a medidas cautelares no mês anterior. O endividamento preliminar informado pelas empresas alcançou aproximadamente R$ 985,6 milhões.
O valor foi examinado pelo Ministério Público do Estado do EspÃrito Santo, que solicitou esclarecimentos sobre a situação econômico-financeira das sociedades envolvidas.
Em manifestação institucional divulgada em 10 de setembro, o MPES apontou problemas na documentação contábil apresentada. Segundo o órgão, das 177 sociedades examinadas no laudo de constatação prévia, apenas 23 haviam apresentado demonstrações financeiras, equivalentes a 12,9% das empresas analisadas.
O Ministério Público também destacou a ausência de determinadas informações necessárias à compreensão da situação financeira, incluindo projeções de fluxo de caixa, extratos bancários e relação completa das contas mantidas pelas sociedades.
A análise registrou aproximadamente R$ 452,1 milhões em obrigações relacionadas a debêntures e resgates. Também identificou passivo tributário de aproximadamente R$ 92 milhões no laudo examinado, acima dos R$ 35,2 milhões inicialmente informados pelas requerentes.
Outra parcela relevante do endividamento estava associada a operações descritas como cashback, estimadas em R$ 309,8 milhões e relacionadas a aproximadamente 1.600 posições de clientes.
Os números apresentados são preliminares e estão sujeitos à verificação no processo judicial. A existência de um pedido de recuperação também não significa, por si só, que o processamento tenha sido deferido ou que todos os valores declarados tenham sido reconhecidos pela Justiça.
Patrimônio do APXM11 não se confunde com dÃvidas da Apex Partners
Uma das questões centrais para os investidores é a separação entre a situação financeira da Apex Partners e o patrimônio do fundo imobiliário.
O APXM11 possui patrimônio próprio, constituÃdo de acordo com as regras aplicáveis aos fundos de investimento. Seus ativos não se confundem automaticamente com o patrimônio das empresas que prestam serviços de gestão ou consultoria.
A medida cautelar concedida no contexto da crise da Apex estabeleceu limites para a proteção judicial das sociedades envolvidas, sem estendê-la indistintamente aos patrimônios dos fundos de investimento.
Essa distinção impede concluir que o pedido de recuperação judicial da Apex alcance automaticamente as participações imobiliárias do Vinci Malls II.
Entretanto, a separação patrimonial não elimina todos os riscos associados às relações comerciais anteriores.
Em comunicado de 25 de agosto, a BRM Carbyne informou que a carteira do fundo não possuÃa exposição à s debêntures do Grupo Apex mencionadas nos episódios recentes de mercado. Segundo a avaliação técnica divulgada pela então gestora, não havia necessidade de provisionamento relacionado à quela exposição.
O mesmo documento, contudo, identificou uma obrigação financeira envolvendo uma empresa do grupo.
Fundo reconheceu saldo de aproximadamente R$ 2 milhões com empresa ligada à Apex
No comunicado de agosto, a BRM Carbyne informou que a BRM Apex Realty havia participado como garantidora de uma operação relacionada ao investimento no Catuaà Shopping Cascavel.
A operação foi estruturada por meio de acordo celebrado em julho de 2024, envolvendo a sociedade utilizada pelo fundo para deter sua participação no empreendimento paranaense.
Segundo o documento, existia um saldo a pagar de R$ 1.997.593,16 à BRM Apex Realty, com base na posição de julho de 2026.
A antiga gestora informou que o valor não sofria incidência de juros nem atualização monetária e já estava integralmente refletido no patrimônio lÃquido do fundo.
O dado merece atenção porque demonstra que duas afirmações precisam ser distinguidas. A primeira é que o fundo declarou não possuir exposição à s debêntures vinculadas à crise da Apex. A segunda é que existia uma obrigação especÃfica com uma empresa do mesmo grupo, decorrente de operação imobiliária anterior.
A existência dessa obrigação não comprova irregularidade. Também não significa que os ativos do fundo tenham sido incorporados à recuperação judicial.
Entretanto, o registro evidencia a importância de acompanhar as relações contratuais remanescentes com empresas vinculadas à antiga estrutura de gestão.
A nova administração deverá avaliar essas obrigações no contexto de suas responsabilidades sobre a carteira, respeitando os contratos e a regulamentação aplicável.
Troca de gestora não elimina riscos operacionais dos shopping centers
A substituição da BRM Carbyne pela Vinci modifica a estrutura de gestão, mas não altera automaticamente o desempenho econômico dos imóveis.
As receitas do fundo continuam relacionadas às participações no Shopping Vitória e no Catuaà Shopping Cascavel.
Em fundos imobiliários de shopping centers, os resultados dependem de fatores como ocupação, vendas, renegociação de contratos, inadimplência e despesas de manutenção.
Além disso, participações minoritárias podem limitar a influência direta do fundo sobre decisões operacionais dos empreendimentos.
A experiência da Vinci no segmento imobiliário poderá contribuir para a definição de estratégias comerciais e financeiras. Entretanto, não há garantia de valorização das cotas ou aumento de rendimentos como consequência da mudança.
Outra questão relevante será a polÃtica de distribuição de resultados. Os pagamentos aos cotistas dependem da geração de caixa e das normas aplicáveis, e não apenas da identidade da gestora.
A reorganização poderá melhorar a percepção de governança, mas sua efetividade deverá ser avaliada a partir de decisões concretas, prestação de contas e desempenho dos ativos.
O que muda para quem possui cotas do APXM11?
Para os investidores, a principal mudança imediata é a identificação da Vinci como responsável pela gestão da carteira.
O BTG Pactual permanece como administrador fiduciário. A denominação do fundo foi alterada para Vinci Malls II, enquanto o ticker APXM11 continua válido até a formalização de eventual substituição na B3.
As participações imobiliárias continuam vinculadas ao próprio fundo. Não houve anúncio de venda automática do Shopping Vitória ou do investimento indireto no Catuaà Shopping Cascavel como consequência da eleição da nova gestora.
As propostas adicionais de governança deverão ser submetidas a nova votação. Até que sejam aprovadas e incorporadas ao regulamento, não podem ser apresentadas como regras definitivas em vigor.
O calendário de reuniões, os relatórios gerenciais e os procedimentos de comunicação deverão ser acompanhados pelos canais oficiais do fundo.
A mudança também não assegura recuperação imediata de preços no mercado secundário. A cotação das cotas depende de oferta e demanda, percepção de risco, liquidez e expectativas dos investidores sobre os resultados futuros.
Nova gestão enfrentará desafio de recuperar confiança dos investidores
A saÃda da BRM Carbyne e da BRM Apex Nazca representa um dos principais desdobramentos da crise da Apex Partners no mercado de fundos imobiliários.
O resultado da consulta formal demonstra a capacidade dos cotistas de reorganizar a estrutura de gestão diante de mudanças relevantes no ambiente empresarial. A participação expressiva na votação também reforça a importância dos mecanismos de deliberação previstos na regulamentação dos fundos.
A chegada da Vinci inaugura uma etapa marcada por compromissos de governança mais rigorosos. A exigência de aprovação para operações relevantes, as restrições propostas às emissões e o planejamento de relatórios mensais indicam uma estratégia voltada à ampliação do controle dos investidores.
Ao mesmo tempo, a carteira continuará concentrada em dois empreendimentos e sujeita aos riscos próprios do setor de shopping centers. A separação jurÃdica entre o patrimônio do fundo e as dÃvidas do Grupo Apex constitui um elemento relevante, mas não substitui o acompanhamento das obrigações contratuais existentes.
O próximo teste para a Vinci será transformar os compromissos anunciados em regras aprovadas e procedimentos efetivamente implementados. Para isso, precisará mobilizar os cotistas, administrar os ativos e demonstrar transparência sobre as operações do fundo.
A mudança de gestão já foi concluÃda. A reconstrução da confiança, entretanto, dependerá da qualidade das informações apresentadas, do cumprimento das novas propostas e dos resultados econômicos obtidos nos próximos perÃodos.
Fontes
BTG Pactual Serviços Financeiros — Fato relevante do Apex Malls Fundo de Investimento Imobiliário, divulgado em 16 de outubro de 2026, sobre a destituição da BRM Carbyne e da BRM Apex Nazca e a eleição da Vinci Real Estate.
BTG Pactual Serviços Financeiros — Termo de apuração da consulta formal iniciada em 21 de setembro de 2026, divulgado em 16 de outubro, com os percentuais de votação e identificação das gestoras candidatas.
BTG Pactual Serviços Financeiros — Regulamento do Vinci Malls II Fundo de Investimento Imobiliário, divulgado em 16 de outubro de 2026.
Vinci Real Estate e BTG Pactual Serviços Financeiros — Comunicado ao mercado de 16 de outubro de 2026, com os compromissos de governança, informações sobre a nova gestão e previsão de alteração do código de negociação.
BRM Carbyne Gestão de Recursos — Comunicado aos cotistas do Apex Malls, de 25 de agosto de 2026, sobre a composição dos ativos imobiliários, a ausência de exposição às debêntures mencionadas do Grupo Apex e a obrigação registrada com a BRM Apex Realty.
Ministério Público do Estado do EspÃrito Santo — Manifestação institucional de 10 de setembro de 2026 sobre o endividamento e as inconsistências documentais apresentadas no processo envolvendo o Grupo Apex.
Ministério Público do Estado do EspÃrito Santo — Manifestação institucional de 17 de agosto de 2026 sobre o acompanhamento judicial da crise da Apex Partners.










