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Banco do Brasil (BBAS3) lucra R$ 3,9 bilhões, Vale (VALE3) antecipa projeto e Braskem (BRKM5) entra no radar

Banco do Brasil melhora o lucro no 2T26, Vale antecipa expansão de Salobo e situação financeira da Braskem segue sob atenção dos investidores.

por João Souza
13/08/2026 às 13h01
em Mercados
Banco Do Brasil (Bbas3) Lucra R$ 3,9 Bilhões, Vale (Vale3) Antecipa Projeto E Braskem (Brkm5) Entra No Radar - Gazeta Mercantil - Mercados

O Banco do Brasil (BBAS3), a Vale (VALE3) e a Braskem (BRKM5) concentram parte das atenções do mercado corporativo brasileiro nesta quinta-feira, 13 de agosto. O banco estatal apresentou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, enquanto a Vale Base Metals decidiu antecipar em cerca de um ano a entrada em operação de um projeto que ampliará a capacidade de produção de cobre no Pará. Na Braskem, a deterioração financeira mantém investidores atentos a uma possível reestruturação de passivos, embora não haja, até a consulta aos documentos corporativos acessíveis nesta quinta-feira, confirmação oficial de pedido de recuperação extrajudicial.

Os acontecimentos surgem na reta final da temporada de balanços do segundo trimestre e colocam no mesmo radar empresas expostas a fatores distintos: crédito e inadimplência no Banco do Brasil, crescimento da produção de metais estratégicos na Vale e pressão financeira e de liquidez na Braskem.

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No Banco do Brasil, o lucro ajustado avançou 3,3% em relação ao segundo trimestre de 2025. O resultado também representa melhora frente ao início do ano, período em que o desempenho da carteira de crédito, especialmente no agronegócio, vinha pressionando os indicadores do banco. A instituição informou ainda crescimento anual de 9,6% da margem financeira bruta e retorno sobre o patrimônio líquido de 8,3%.

Banco do Brasil tenta consolidar recuperação

O desempenho do Banco do Brasil é acompanhado com atenção porque o banco atravessou uma deterioração mais intensa da qualidade de crédito nos últimos trimestres, principalmente nas operações ligadas ao agronegócio. A combinação entre provisões maiores para perdas, inadimplência elevada e menor rentabilidade reduziu significativamente o lucro em etapas anteriores do ciclo.

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O resultado de abril a junho sugere uma melhora gradual, ainda que os indicadores permaneçam abaixo de níveis observados antes da piora da carteira. O lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões ficou 3,3% acima do apurado um ano antes, segundo divulgação oficial do próprio Banco do Brasil.

A margem financeira bruta, uma das principais medidas de geração de receitas das instituições bancárias, avançou 9,6% na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio líquido alcançou 8,3%, indicador que relaciona o lucro gerado pelo banco ao capital mantido pelos acionistas.

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Mesmo com a melhora, a trajetória da qualidade da carteira continua sendo um dos elementos centrais para os próximos balanços. Bancos precisam constituir provisões quando identificam aumento do risco de não receber empréstimos concedidos. Quanto maior a deterioração do crédito, maior tende a ser o impacto sobre o resultado, mesmo quando receitas financeiras permanecem elevadas.

O desempenho do segundo trimestre ganha importância, portanto, menos pela variação isolada do lucro e mais pela possibilidade de indicar uma inflexão depois de um período de maior pressão. Para confirmar uma recuperação consistente, o Banco do Brasil precisará manter a geração de receitas e, ao mesmo tempo, estabilizar indicadores de inadimplência e custo de crédito nos próximos períodos.

Vale antecipa expansão de Salobo para 2028

Na mineração, a Vale (VALE3) anunciou por meio da Vale Base Metals, sua operação de metais básicos, a decisão de seguir com o projeto de Flotação de Partículas Grossas, conhecido pela sigla CPF, no Complexo de Cobre de Salobo, em Carajás, no Pará.

A entrada em operação está prevista para o primeiro semestre de 2028, aproximadamente um ano antes do cronograma inicialmente projetado. A companhia já recebeu do Ibama a licença de construção necessária para iniciar a implementação.

O projeto acrescentará 6 milhões de toneladas por ano à capacidade de processamento de minério de Salobo. Com isso, a capacidade total do complexo deverá atingir 42 milhões de toneladas anuais.

A Vale Base Metals estima que a expansão possa acrescentar até aproximadamente 30 mil toneladas de cobre por ano à produção, além de cerca de 15 mil onças anuais de ouro como subproduto.

O investimento estimado foi reduzido de uma faixa originalmente prevista entre US$ 225 milhões e US$ 275 milhões para aproximadamente US$ 215 milhões. A Wheaton Precious Metals concordou em aportar US$ 40 milhões no projeto, o que deve limitar o desembolso da Vale Base Metals a aproximadamente US$ 175 milhões, considerando as premissas apresentadas pela companhia.

A expansão será realizada dentro de uma operação existente, modalidade conhecida na mineração como projeto brownfield. Esse modelo permite utilizar infraestrutura já instalada e tende a exigir menos capital do que o desenvolvimento de uma mina inteiramente nova.

Tecnologia reduz gargalos no processamento

A flotação de partículas grossas modifica parte do processo de beneficiamento do minério. A tecnologia permite retirar rochas sem valor econômico em uma fase mais inicial, antes que todo o material passe pelas etapas mais intensivas de moagem.

Segundo a Vale Base Metals, o sistema deverá reduzir gargalos existentes na moagem, elevar as recuperações metalúrgicas e permitir maior volume de processamento. A companhia também projeta redução do consumo médio de energia e água em comparação com métodos convencionais.

Salobo é a maior operação de cobre do Brasil e um dos principais ativos do portfólio da Vale Base Metals. A estratégia da companhia prevê ampliar a produção de cobre para aproximadamente 700 mil toneladas por ano até 2035, apoiada principalmente em ativos e projetos localizados no Brasil.

O cobre tornou-se um dos minerais prioritários para empresas globais de mineração por causa da expansão das redes elétricas, veículos eletrificados, armazenamento de energia, data centers e outras atividades intensivas em eletrificação.

Nesse contexto, antecipar a expansão de uma operação existente permite aumentar a oferta sem enfrentar integralmente os prazos mais longos associados à abertura de novas minas.

Braskem continua sob forte pressão financeira

Enquanto Banco do Brasil e Vale divulgam avanços operacionais, a situação da Braskem (BRKM5) permanece marcada por incerteza financeira.

A página de relações com investidores da petroquímica mostra que as agências de classificação de risco reduziram de forma significativa os ratings da companhia após a obtenção, em junho, de proteção cautelar contra credores. A S&P classificou a Braskem como “D” na escala global e “brD” na escala nacional, enquanto a Fitch atribuiu “C” e “C(bra)”, respectivamente. As classificações foram registradas em 26 de junho de 2026.

A própria área de relações com investidores da Braskem registra comunicado da S&P relacionado à obtenção de proteção contra credores e o consequente rebaixamento da classificação de risco. Esse histórico confirma que a companhia atravessa um processo de estresse financeiro relevante.

O que não está confirmado documentalmente, até a consulta realizada nesta quinta-feira, é um eventual pedido formal de recuperação extrajudicial.

A hipótese circula no mercado, mas a documentação disponível nas áreas de fatos relevantes e documentos enviados à Comissão de Valores Mobiliários consultadas para esta reportagem não apresentava confirmação oficial de que o procedimento tenha sido protocolado. Por esse motivo, a eventual recuperação extrajudicial deve ser tratada como possibilidade, e não como fato consumado.

A distinção é importante. Uma recuperação extrajudicial envolve negociação estruturada com determinados grupos de credores e pode posteriormente ser submetida à homologação judicial. O simples fato de uma empresa negociar sua dívida, contratar assessores ou obter proteção cautelar não significa, por si só, que uma recuperação extrajudicial já tenha sido requerida.

Balanço da Braskem permanece no radar

A Braskem também está no calendário de divulgação de resultados do segundo trimestre. A página oficial de relações com investidores indica a divulgação do balanço nesta quinta-feira, 13 de agosto, após o fechamento do mercado.

Os números deverão oferecer uma leitura atualizada sobre geração operacional de caixa, endividamento, liquidez e capacidade da petroquímica de administrar suas obrigações financeiras.

A empresa opera em um setor altamente cíclico, no qual preços de resinas, custos de matérias-primas, utilização das plantas e spreads petroquímicos exercem impacto direto sobre margens e geração de caixa. Em períodos prolongados de spreads comprimidos, companhias muito alavancadas podem sofrer deterioração rápida dos indicadores financeiros.

Por isso, mais do que o lucro ou prejuízo isolado do trimestre, investidores deverão observar a disponibilidade de caixa, os vencimentos de dívida e eventuais informações fornecidas pela administração sobre negociações com credores.

Temporada de balanços expõe situações muito diferentes

Os três casos mostram como a temporada de resultados pode revelar empresas em estágios financeiros completamente distintos.

O Banco do Brasil tenta demonstrar que consegue sair de um ciclo de deterioração do crédito e recuperar rentabilidade. O resultado de R$ 3,9 bilhões representa avanço na comparação anual e melhora da margem financeira, mas ainda deixa a qualidade da carteira como variável decisiva para os próximos trimestres.

A Vale, por sua vez, utiliza uma operação já existente para acelerar o crescimento no cobre, metal considerado estratégico dentro da expansão global da infraestrutura elétrica. A antecipação de Salobo para 2028 e a redução do investimento necessário reforçam a estratégia de crescimento com projetos de menor intensidade de capital.

Já a Braskem chega ao fim da temporada de balanços sob pressão de dívida e com classificações de crédito em patamares extremamente baixos. A existência de proteção cautelar está documentada, assim como os rebaixamentos de rating. Uma recuperação extrajudicial, porém, somente poderá ser tratada como fato quando houver comunicação oficial da empresa ou documento formal apresentado às autoridades competentes.

Nesta quinta-feira, portanto, o radar corporativo combina recuperação bancária, expansão mineral e risco financeiro. Os próximos movimentos dependerão menos das expectativas de mercado e mais da capacidade de cada companhia de transformar seus anúncios e balanços em geração sustentável de caixa.

Fontes:

Banco do Brasil — Resultado do segundo trimestre de 2026
https://www.bb.com.br/pbb/pagina-inicial/imprensa/n/69236/BB%20registra%20lucro%20l%C3%ADquido%20ajustado%20de%20R%24%203%2C9%20bilh%C3%B5es%20no%20segundo%20trimestre%20de%202026

Vale Base Metals — Projeto de Flotação de Partículas Grossas em Salobo
https://valebasemetals.com/news/vale-base-metals-to-proceed-with-coarse-particle-flotation-at-salobo-increasing-and-accelerating-projected-copper-production/

Braskem — Ratings corporativos
https://www.braskem-ri.com.br/informacoes-financeiras/rating/

Braskem — Comunicados e fatos relevantes
https://www.braskem-ri.com.br/divulgacoes-documentos/avisos-comunicados-ao-mercado-e-fatos-relevantes/

Braskem — Documentos enviados à CVM
https://www.braskem-ri.com.br/divulgacoes-documentos/documentos-enviados-a-cvm/

Braskem — Relações com Investidores
https://www.braskem-ri.com.br/

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