A BB Seguridade (BBSE3) registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,432 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 5,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O balanço, divulgado na terça-feira, 3 de novembro, mostrou redução da contribuição dos negócios de seguros e corretagem, ao mesmo tempo que a companhia revisou para baixo suas projeções de prêmios emitidos pela Brasilseg para o encerramento do ano.
A retração anual corresponde a R$ 129,8 milhões, considerando o lucro de R$ 2,562 bilhões obtido entre julho e setembro de 2025. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, entretanto, houve recuperação de 13%, equivalente a aproximadamente R$ 280,4 milhões. A melhora trimestral foi favorecida pelo desempenho das operações de previdência e pela maior contribuição financeira da holding.
A principal mudança anunciada pela companhia ocorreu nas expectativas para a Brasilseg. A projeção anterior admitia uma variação dos prêmios emitidos entre queda de 3% e crescimento de 2% em 2026. O novo intervalo prevê retração de 11% a 15%, refletindo a deterioração das vendas de seguros rurais, prestamistas e de vida.
A revisão representa uma redução de 12 a 13 pontos percentuais nos limites da projeção original. O ajuste é relevante porque os prêmios emitidos constituem uma das principais referências para acompanhar a atividade comercial da seguradora e a formação das receitas de períodos posteriores.
Apesar da retração trimestral, a BB Seguridade acumulou lucro recorrente de R$ 6,804 bilhões entre janeiro e setembro, praticamente estável em relação aos R$ 6,798 bilhões registrados nos primeiros nove meses de 2025. O crescimento acumulado foi de apenas 0,1%, resultado de desempenhos distintos entre as empresas que compõem o grupo.
Brasilseg perde R$ 101,2 milhões de contribuição para o lucro
O negócio de seguros foi o principal responsável pela redução do resultado consolidado da BB Seguridade. A contribuição da Brasilseg para o lucro recorrente da holding diminuiu de R$ 949,8 milhões no terceiro trimestre de 2025 para R$ 848,6 milhões no mesmo período deste ano.
A queda de 10,7% corresponde a aproximadamente R$ 101,2 milhões. O desempenho foi afetado pela redução dos prêmios ganhos, pela piora do índice combinado e pela menor contribuição dos rendimentos financeiros.
Considerando o resultado gerencial individual da Brasilseg, antes da ponderação pela participação societária da BB Seguridade, o lucro líquido alcançou R$ 1,138 bilhão, retração de 10,6% na comparação anual.
O volume de prêmios emitidos apresentou redução ainda mais acentuada. A companhia comercializou R$ 3,574 bilhões em seguros no terceiro trimestre, diante de R$ 4,413 bilhões registrados um ano antes. A diferença representa uma contração de aproximadamente R$ 839,5 milhões, ou 19%.
Os prêmios ganhos retidos, que consideram a parcela da receita de seguros reconhecida no período e os efeitos das operações de resseguro, diminuíram 4,5%, para R$ 3,547 bilhões.
Essa diferença entre a queda dos prêmios emitidos e a dos prêmios ganhos está relacionada à maneira como os contratos de seguros são contabilizados. A emissão registra a contratação, enquanto o reconhecimento da receita ocorre ao longo do período de cobertura dos riscos.
Dessa forma, o enfraquecimento das vendas no trimestre pode continuar afetando o volume de receitas reconhecidas nos períodos seguintes, mesmo que determinadas despesas apresentem comportamento mais favorável.
Seguro rural cai 24,3% e prestamista recua 26,9%
A composição das vendas da Brasilseg mostra que a retração esteve concentrada em segmentos relevantes para a atuação da companhia no mercado bancário.
Os prêmios emitidos em seguros rurais totalizaram R$ 1,680 bilhão no terceiro trimestre, queda de 24,3% em relação aos R$ 2,220 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Dentro dessa categoria, o seguro agrícola apresentou retração de 32,3%, enquanto o penhor rural recuou 24,6%. O seguro de vida do produtor rural também registrou redução, de 20,8%.
O seguro prestamista, utilizado para oferecer cobertura a obrigações financeiras em determinadas situações previstas em contrato, apresentou diminuição de 26,9% nos prêmios emitidos. O faturamento desse segmento passou de R$ 921,3 milhões para R$ 673,2 milhões.
Já os seguros de vida registraram queda de 8,9%, com emissão de R$ 864,6 milhões no trimestre.
O comportamento foi diferente no segmento residencial. Os prêmios emitidos cresceram 28,6%, alcançando aproximadamente R$ 171 milhões. Apesar da expansão, a modalidade ainda representa uma parcela relativamente pequena das vendas totais da Brasilseg.
No acumulado dos nove primeiros meses, os seguros rurais apresentaram redução de 13% nos prêmios emitidos, enquanto o prestamista recuou 10,3% e o seguro de vida diminuiu 6,5%. O seguro residencial avançou 25% no mesmo intervalo.
A concentração da retração nas modalidades rural e prestamista ajuda a explicar a revisão das projeções da companhia. São produtos relacionados a operações de crédito e à comercialização por canais bancários, cuja demanda pode ser afetada pelas condições de financiamento e pelas decisões dos clientes de contratar novas coberturas.
Índice combinado sobe para 65,1% e reduz margem operacional
Além da diminuição das vendas, a Brasilseg enfrentou aumento proporcional dos custos associados às operações de seguros.
O índice combinado, que reúne sinistros, despesas de comercialização e outros custos operacionais em relação aos prêmios ganhos, passou de 63,5% no terceiro trimestre de 2025 para 65,1% no mesmo período de 2026.
O aumento de 1,6 ponto percentual significa que a companhia passou a consumir uma parcela maior das receitas reconhecidas para cobrir despesas relacionadas à sua atividade.
A sinistralidade atingiu 22,5%, ante 22,1% um ano antes. Já o índice de comissionamento avançou de 31,1% para 32,7%, refletindo maior peso proporcional dos custos de aquisição e distribuição.
O resultado operacional não decorrente de juros da Brasilseg caiu 9%, para R$ 1,231 bilhão. A redução ocorreu apesar de as despesas administrativas apresentarem queda de 5,6% na comparação anual.
No acumulado de janeiro a setembro, o índice de sinistralidade ficou em 22,7%, abaixo dos 23,2% observados no mesmo período de 2025. Isso demonstra que a piora do indicador no terceiro trimestre não se reproduziu integralmente na comparação dos nove meses.
O resultado financeiro da Brasilseg também recuou. O indicador atingiu R$ 268,8 milhões no trimestre, diminuição de 17,8%, pressionado pelo menor rendimento das aplicações e pelo aumento de despesas financeiras.
A combinação entre receitas menores, maior proporção de custos operacionais e redução dos ganhos financeiros explica a deterioração do lucro da seguradora.
BB Corretora registra queda de 6,2% no lucro trimestral
A BB Corretora também contribuiu para a redução do resultado da BB Seguridade. A empresa, responsável pela distribuição de seguros, previdência, capitalização e outros produtos, registrou lucro líquido de R$ 884,2 milhões no terceiro trimestre, queda de 6,2% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
A diferença representa aproximadamente R$ 58,9 milhões a menos de contribuição para a holding.
As receitas de corretagem diminuíram 4,9%, passando de R$ 1,481 bilhão para R$ 1,409 bilhão. A contração foi influenciada principalmente pela redução das comissões obtidas com seguros e títulos de capitalização.
No segmento de seguros, as receitas de corretagem caíram 3,8%, para R$ 1,151 bilhão. As comissões provenientes de capitalização tiveram retração de 28,6%, chegando a R$ 96,7 milhões.
Em contrapartida, a corretagem de planos de previdência apresentou crescimento de 6,7%, alcançando R$ 151,9 milhões. A expansão foi favorecida pelo maior volume de contribuições em produtos que oferecem remuneração superior à obtida com determinadas modalidades de aportes recorrentes.
A empresa conseguiu reduzir despesas gerais e administrativas em 9,2%, movimento que contribuiu para elevar a margem operacional. Entretanto, a queda de 17,3% no resultado financeiro limitou os efeitos positivos da contenção de custos.
O desempenho mostra que a redução das receitas de distribuição não foi integralmente compensada pelo crescimento das operações de previdência e pela economia administrativa.
Brasilprev recupera captação e registra lucro de R$ 710,8 milhões
As operações de previdência apresentaram comportamento diferente dos negócios de seguros e corretagem. A Brasilprev registrou lucro líquido gerencial de R$ 710,8 milhões no terceiro trimestre, crescimento de 0,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Embora o avanço anual tenha sido limitado, o resultado mais que dobrou em relação ao segundo trimestre de 2026, quando o lucro havia sido de R$ 337,4 milhões.
O resultado operacional não decorrente de juros cresceu 10% na comparação anual. A expansão foi sustentada pelo aumento de 5,8% das receitas com taxas de gestão e pela redução de 8,3% das despesas administrativas.
Outro destaque foi a recuperação da captação líquida. A Brasilprev recebeu R$ 1,7 bilhão a mais do que o volume resgatado ou transferido pelos clientes durante o trimestre, revertendo a saída líquida de R$ 3,9 bilhões registrada no mesmo período de 2025.
A diferença entre os dois resultados representa uma melhora de aproximadamente R$ 5,6 bilhões no fluxo líquido de recursos.
As contribuições aos planos de previdência cresceram 4,7%, alcançando R$ 13,9 bilhões. A companhia também identificou redução nos índices de resgate e portabilidade, que ficaram entre os menores níveis observados nos últimos cinco anos.
No acumulado de janeiro a setembro, a captação líquida foi positiva em R$ 4,5 bilhões, diante de uma saída líquida de R$ 9,1 bilhões no mesmo período do ano passado.
As reservas de previdência superaram R$ 514 bilhões, segundo o comunicado de resultados, enquanto o indicador utilizado nas projeções da companhia, referente às reservas PGBL e VGBL, apresentou expansão de 12,6% na comparação anual.
O desempenho contribuiu para compensar parte da retração observada nos negócios de seguros, embora o resultado financeiro da Brasilprev ainda tenha apresentado pressão na comparação com o terceiro trimestre de 2025.
Resultado financeiro cai para R$ 655,7 milhões
O resultado financeiro combinado da BB Seguridade e de suas investidas totalizou R$ 655,7 milhões no terceiro trimestre, após impostos. O valor representa redução de 8,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A companhia atribuiu o movimento principalmente à diminuição de 4,9% no saldo médio das aplicações financeiras, ao recuo da taxa média Selic no trimestre e ao aumento do custo de determinadas obrigações da Brasilprev.
A taxa Selic média considerada no relatório passou de 14,90% no terceiro trimestre de 2025 para 13,96% no mesmo intervalo de 2026.
A redução dos juros influencia o rendimento de parte dos títulos pós-fixados mantidos pelas empresas do grupo. Seus efeitos, entretanto, dependem também da composição das aplicações e da maneira como os passivos financeiros são atualizados.
Na Brasilprev, houve constituição de uma provisão complementar de cobertura de R$ 65,6 milhões, enquanto no terceiro trimestre de 2025 havia ocorrido uma reversão de R$ 43,6 milhões.
A mudança corresponde a uma diferença desfavorável de R$ 109,2 milhões entre os períodos, considerada isoladamente. O cálculo ajuda a dimensionar o efeito da alteração das provisões sobre os resultados financeiros.
O custo dos passivos da previdência também foi influenciado pela variação do IGP-M com defasagem de um mês. O índice considerado passou de deflação de 2,1% no terceiro trimestre de 2025 para deflação de 1,9% em 2026.
Em setembro, 47,7% das aplicações consolidadas estavam vinculadas a títulos pós-fixados, enquanto 38,4% eram indexadas à inflação e 13,9% estavam em títulos prefixados.
Apesar da redução trimestral, o resultado financeiro combinado acumulado até setembro alcançou R$ 1,565 bilhão, crescimento de 4,4% em relação aos nove primeiros meses de 2025.
BB Seguridade mantém duas projeções e corta estimativa da Brasilseg
A revisão das projeções divulgada em fato relevante constitui uma das principais informações do balanço para acompanhar o desempenho da companhia no encerramento de 2026.
A BB Seguridade passou a prever retração dos prêmios emitidos pela Brasilseg entre 11% e 15%, substituindo a faixa anterior, que admitia variação entre queda de 3% e crescimento de 2%.
O ajuste ocorre depois de os prêmios emitidos acumularem redução de 9,2% nos nove primeiros meses do ano. Para que a variação anual alcance o novo intervalo projetado, o último trimestre precisará refletir um desempenho suficientemente fraco para aprofundar a retração observada até setembro.
Em contrapartida, a companhia manteve a projeção de variação do resultado operacional não decorrente de juros, excluída a holding, entre queda de 3% e 7%.
Nos nove primeiros meses, esse indicador apresentou retração de apenas 1,2%, desempenho superior ao intervalo originalmente previsto para o exercício completo.
Também foi mantida a expectativa de crescimento das reservas de previdência PGBL e VGBL da Brasilprev entre 8% e 11%. Até setembro, a expansão havia alcançado 12,6%, superando o limite superior da projeção anual.
No fato relevante, a administração atribuiu o desempenho operacional melhor do que o esperado à sinistralidade favorável nas operações de seguros e ao aumento das receitas com taxas de gestão na previdência.
A decisão de manter duas projeções e revisar apenas a estimativa de prêmios mostra que as pressões comerciais da Brasilseg não se traduziram de maneira uniforme em todos os indicadores financeiros do grupo.
Lucro acumulado permanece próximo de R$ 6,8 bilhões
A BB Seguridade encerrou os nove primeiros meses de 2026 com lucro líquido gerencial recorrente de R$ 6,804 bilhões, crescimento de 0,1% em relação ao mesmo período de 2025.
O resultado das participações societárias caiu 1,2%, passando de R$ 6,769 bilhões para R$ 6,691 bilhões. A retração foi compensada principalmente pela expansão do resultado financeiro da holding, que aumentou de R$ 63,3 milhões para R$ 196,3 milhões no acumulado do ano.
Na Brasilseg, o lucro líquido gerencial recorrente dos nove primeiros meses foi de R$ 3,482 bilhões, queda de 4,2%. A Brasilprev, por sua vez, registrou lucro de R$ 1,586 bilhão, crescimento de 7,1%.
A Brasilcap apresentou lucro acumulado de R$ 269,9 milhões, avanço de 23,2%. Parte desse crescimento decorre de um efeito tributário reconhecido no início do ano. Excluído esse impacto, a expansão teria sido de 12,6%, segundo a companhia.
Os resultados demonstram que a estabilidade do lucro consolidado foi sustentada por fontes diferentes de receita, enquanto as atividades de seguros e distribuição enfrentaram redução de rentabilidade.
Vendas de seguros e juros serão determinantes para o fechamento de 2026
As informações divulgadas pela BB Seguridade deixam três variáveis centrais para o acompanhamento do desempenho no último trimestre de 2026: a evolução dos prêmios emitidos pela Brasilseg, a continuidade da recuperação da captação de previdência e o comportamento dos resultados financeiros.
No segmento de seguros, o novo intervalo de projeção estabelece uma expectativa mais baixa para a atividade comercial. A queda das vendas de produtos rurais e prestamistas também poderá influenciar o reconhecimento de receitas em períodos posteriores, conforme a duração e as condições dos contratos.
Na previdência, a recuperação da captação líquida e o crescimento das reservas sustentam a evolução das receitas com taxas de gestão. O desempenho financeiro, contudo, continuará sujeito às condições dos mercados de juros e inflação e à atualização das obrigações dos planos.
A companhia realizará nesta quarta-feira, 4 de novembro, às 11h, sua reunião virtual de resultados com investidores e analistas. O encontro deverá permitir esclarecimentos adicionais sobre as projeções revisadas, o comportamento das vendas de seguros e as perspectivas das diferentes empresas do grupo.
Fontes:
BB Seguridade — Análise do Desempenho do terceiro trimestre de 2026, divulgada em 3 de novembro, com resultados gerenciais da holding e de suas participações.
BB Seguridade — fato relevante de 3 de novembro de 2026 sobre a revisão das projeções empresariais, incluindo prêmios emitidos pela Brasilseg e reservas da Brasilprev.
BB Seguridade — comunicado oficial de resultados dos nove primeiros meses de 2026, com indicadores de seguros, previdência, capitalização e corretagem.
BB Seguridade Relações com Investidores — demonstrações contábeis do terceiro trimestre de 2026 e calendário da reunião de apresentação dos resultados.







