A PRIO (PRIO3) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 521,1 milhões, crescimento de 468% em relação ao mesmo período do ano anterior, considerando o resultado sem os efeitos da norma contábil IFRS 16. O balanço divulgado nesta quarta-feira (4) mostra que a petroleira combinou um volume recorde de produção com a redução dos custos de extração, ampliando a rentabilidade de suas operações e diminuindo o endividamento financeiro.
Entre julho e setembro, a companhia produziu, em média, 191,6 mil barris de petróleo por dia e comercializou 17,2 milhões de barris, os maiores volumes trimestrais de sua história. O desempenho acompanhou o avanço das operações em campos marítimos, particularmente Peregrino, e contribuiu para elevar a receita líquida a US$ 1,37 bilhão, aumento de 146% sobre o terceiro trimestre de 2025 e de aproximadamente 12% em comparação com os três meses anteriores.
O crescimento operacional também aparece nos indicadores de geração de resultados. O Ebitda reportado alcançou US$ 1,135 bilhão, expansão anual de 268%, enquanto o Ebitda ajustado atingiu aproximadamente US$ 1,07 bilhão, avanço de 235%. A margem Ebitda ajustada ficou próxima de 78%, indicando que uma parcela elevada da receita foi convertida em resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, segundo os critérios utilizados pela empresa.
Produção recorde reduz custo de extração da PRIO
A expansão da produção permitiu distribuir as despesas operacionais por um volume maior de barris, fator relevante para a competitividade da companhia. O custo médio de extração, conhecido como lifting cost, caiu para US$ 7,90 por barril no terceiro trimestre, redução de 11% em relação ao segundo trimestre e de 55% na comparação anual.
A redução desse indicador representa uma mudança importante na estrutura operacional da PRIO, uma vez que o custo de extração influencia diretamente a rentabilidade dos campos e a capacidade de geração de caixa em diferentes cenários de preços internacionais do petróleo. O lifting cost, entretanto, não representa o custo total de cada barril comercializado, pois não inclui integralmente despesas de transporte, tributos, royalties, depreciação e encargos financeiros.
Parte dos ganhos de eficiência está relacionada às intervenções realizadas no campo de Peregrino. Durante o trimestre, a companhia iniciou a produção do poço A-13, localizado na área denominada Isolado, e concluiu o reparo do gasoduto utilizado para abastecer as instalações. A recuperação dessa infraestrutura tornou possível substituir o diesel pelo gás na geração de energia, com efeitos sobre o consumo de combustível e os custos operacionais.
A melhoria ocorreu em um ambiente de custos mais elevados para o transporte marítimo de petróleo. A PRIO informou ter comercializado sua produção com desconto médio de US$ 7,45 por barril em relação à referência utilizada nas negociações. Embora tenha preservado condições comerciais consideradas competitivas pela administração, a companhia permaneceu exposta às oscilações dos preços internacionais, dos fretes e das despesas associadas à exportação.
Lucro contábil também avança e inclui receita de seguro
As demonstrações financeiras da PRIO mostram que o lucro líquido contábil consolidado alcançou R$ 2,636 bilhões entre julho e setembro de 2026, ante R$ 348,7 milhões no mesmo intervalo de 2025. A diferença representa crescimento de aproximadamente 656% em reais, conforme os valores apresentados no documento trimestral da companhia.
Esse resultado não deve ser confundido com o lucro de US$ 521,1 milhões destacado nos indicadores gerenciais. O valor em dólares desconsidera os efeitos do IFRS 16, norma que disciplina o reconhecimento contábil dos contratos de arrendamento, enquanto as demonstrações financeiras apresentam o lucro segundo as regras contábeis aplicáveis. A distinção é relevante para evitar comparações entre indicadores calculados com critérios diferentes.
O balanço também revela a influência de receitas que não decorrem diretamente da venda recorrente de petróleo. Nas notas explicativas, a PRIO registra R$ 371,3 milhões em indenização de seguro relacionada aos danos estruturais sofridos pelo gasoduto do campo de Peregrino em 2023. O reconhecimento ocorreu no terceiro trimestre e contribuiu para o resultado contábil do período.
A presença dessa indenização exige atenção na avaliação da evolução dos lucros, pois o recebimento de seguros não constitui uma fonte permanente de receita operacional. Ao analisar a capacidade de geração recorrente de resultados, investidores precisam considerar separadamente os efeitos da maior produção, da redução dos custos e dos eventos extraordinários reconhecidos no balanço.
Dívida líquida diminui US$ 586 milhões em três meses
A situação financeira também apresentou melhora. A PRIO encerrou setembro com dívida líquida consolidada de aproximadamente US$ 3,46 bilhões, abaixo dos US$ 4,04 bilhões registrados ao final de junho. A redução de cerca de US$ 586 milhões em apenas um trimestre ocorreu simultaneamente à expansão das operações e aos investimentos realizados nos ativos de produção.
Com a diminuição do endividamento e o crescimento da geração operacional de resultados, a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado recuou de 1,5 vez para 1,1 vez. O indicador é utilizado pelo mercado para avaliar o peso das obrigações financeiras em relação à capacidade operacional de geração de recursos da companhia.
A melhora amplia a flexibilidade financeira da petroleira, embora não elimine os compromissos associados à expansão de sua carteira de ativos. Projetos de exploração e desenvolvimento marítimo exigem investimentos expressivos e estão sujeitos a riscos técnicos, cronogramas de implantação e variações no preço do petróleo. A manutenção de uma trajetória de redução da dívida dependerá, portanto, da geração futura de caixa e das decisões de alocação de capital.
Novos blocos na Bacia de Campos ampliam perspectivas de exploração
Depois do encerramento do trimestre, a PRIO também avançou em sua estratégia de expansão ao arrematar os blocos exploratórios de Magnetita e Hematita, localizados na Bacia de Campos, durante o quarto ciclo da Oferta Permanente de Partilha da Produção, realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 7 de outubro.
Os registros oficiais da agência mostram que a Prio Forte S.A. venceu as disputas pelos dois blocos com participação de 100% e condição de operadora. Em Magnetita, a proposta estabeleceu a destinação de 32,80% do excedente em óleo à União. Em Hematita, o percentual ofertado foi de 7,18%, conforme os resultados publicados pela ANP.
A aquisição dos direitos exploratórios ainda depende das etapas formais previstas no processo licitatório, incluindo a apresentação de documentos, o cumprimento das obrigações financeiras e a assinatura dos contratos, prevista pela agência para ocorrer até 26 de fevereiro de 2027. A classificação das áreas como blocos exploratórios significa que seu eventual aproveitamento comercial dependerá de avaliações técnicas e decisões posteriores de investimento.
A PRIO considera a possibilidade de desenvolver as áreas por meio de conexões submarinas com unidades flutuantes já existentes, modalidade conhecida como tieback. Essa alternativa pode permitir o aproveitamento de parte da infraestrutura instalada, mas sua viabilidade depende da confirmação dos recursos, das características dos reservatórios e das condições econômicas dos projetos.
Mercado acompanhará geração de caixa e continuidade da produção
Os resultados do terceiro trimestre colocam a evolução operacional da PRIO no centro das expectativas para os próximos meses. A combinação de maior produção, custo de extração mais baixo e endividamento menor fortaleceu os indicadores financeiros, mas a continuidade desse desempenho dependerá da estabilidade dos campos, do comportamento dos preços internacionais e da execução dos investimentos previstos.
A teleconferência de resultados está marcada para quinta-feira (5), às 15h, no horário de Brasília. O encontro com investidores e analistas deverá concentrar as discussões na geração de caixa, na manutenção dos níveis de produção, na evolução dos custos e no cronograma dos projetos que poderão sustentar o crescimento da companhia nos próximos trimestres.
Fontes:
PRIO S.A. — Informações Trimestrais (ITR) encerradas em 30 de setembro de 2026, com revisão da KPMG.
PRIO S.A. — Divulgação de Resultados do 3T26, Relações com Investidores, 4 de novembro de 2026.
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) — Resultados oficiais do 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da Produção, outubro de 2026.








