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Bitcoin (BTC) segura US$ 65 mil após ETFs receberem quase US$ 1 bilhão

Fundos negociados nos Estados Unidos receberam quase US$ 1 bilhão em sete sessões, enquanto tensões geopolíticas, ações de tecnologia e divergências no Senado mantêm o mercado de criptomoedas sob pressão.

por Camila Braga
23/07/2026 às 13h49
em Criptomoedas
Bitcoin (Btc) Em Alta (Imagem: Chatgpt)

O bitcoin (BTC) operava próximo de US$ 65,7 mil na manhã desta quinta-feira, 23 de julho, com leve queda de 0,3% em 24 horas, sustentado pela retomada das entradas de capital nos ETFs à vista dos Estados Unidos. O movimento institucional, porém, ainda não foi suficiente para desencadear uma alta mais consistente, diante da cautela nos mercados globais, da escalada das tensões no Oriente Médio e do impasse em torno da legislação que pretende definir as regras do setor de ativos digitais no país.

Na cotação registrada no início do dia, o bitcoin (BTC) era negociado a US$ 65.683,66. A maior criptomoeda do mundo acumulava valorização de 2,6% em sete dias e avanço de aproximadamente 5,4% em um mês, depois de oscilar abaixo dos níveis observados no início de 2026.

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O desempenho mostra um mercado apoiado por compras institucionais, mas ainda sem um catalisador forte o suficiente para romper a faixa recente de negociação. Investidores passaram a acompanhar mais de perto a consistência das entradas nos ETFs, o comportamento das ações de tecnologia, as perspectivas para os juros norte-americanos e as negociações políticas sobre a regulação das criptomoedas.

Os ETFs à vista de bitcoin listados nos Estados Unidos acumularam aproximadamente US$ 1 bilhão em entradas líquidas durante sete sessões consecutivas. Apenas na quarta-feira, os fundos receberam US$ 68,99 milhões, elevando o fluxo desde 14 de julho para US$ 999,38 milhões, segundo levantamento baseado nos dados da SoSoValue.

A sequência positiva representa uma mudança de direção depois de períodos de retirada de recursos. Ao permitir exposição ao preço do bitcoin por meio de produtos negociados em bolsas reguladas, os ETFs se transformaram em uma das principais pontes entre o mercado tradicional e os ativos digitais.

ETFs voltam a oferecer sustentação ao bitcoin

A retomada das entradas nos ETFs é o principal fator de sustentação do bitcoin (BTC) no curto prazo. O fluxo indica que gestores, investidores profissionais e clientes de plataformas tradicionais voltaram a ampliar a exposição à criptomoeda, ainda que de forma gradual.

Os fundos à vista foram autorizados pela Securities and Exchange Commission, a SEC, em janeiro de 2024. Esses produtos mantêm bitcoin como ativo subjacente e permitem que investidores negociem cotas em bolsas sem comprar diretamente a criptomoeda ou administrar carteiras digitais e chaves privadas.

A estrutura reduziu parte das barreiras operacionais enfrentadas por investidores institucionais. Fundos, consultores financeiros e clientes de corretoras passaram a acessar o bitcoin dentro de um ambiente mais próximo daquele utilizado para ações, títulos e outros produtos negociados em bolsa.

Entradas líquidas nos ETFs significam que os fundos receberam mais recursos do que perderam em resgates. Como novos aportes podem exigir a aquisição de bitcoin para lastrear as cotas emitidas, sequências positivas tendem a aumentar a demanda no mercado à vista.

O efeito não é automático nem garante valorização. A cotação também responde às operações com derivativos, à realização de lucros, à atividade de grandes detentores, à liquidez global e ao comportamento dos investidores nas principais plataformas de negociação.

A sequência de sete sessões positivas mostra melhora no sentimento, mas permanece abaixo de movimentos anteriores. Em abril, por exemplo, os ETFs registraram nove pregões consecutivos de entradas, com cerca de US$ 2,1 bilhões no período.

Essa diferença ajuda a explicar por que o bitcoin (BTC) permaneceu ao redor de US$ 65 mil mesmo com o retorno do capital institucional. O fluxo atual oferece suporte, mas ainda não alcançou intensidade suficiente para alterar de maneira decisiva o equilíbrio entre compradores e vendedores.

Bitcoin continua sensível às ações de tecnologia

O mercado de criptomoedas também acompanha a reação dos investidores aos balanços das grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Embora o bitcoin (BTC) não represente participação em companhias e não tenha ligação operacional direta com o setor, o ativo frequentemente responde às mesmas mudanças de apetite por risco que movimentam ações de crescimento.

Nesta quinta-feira, papéis de empresas de tecnologia apresentavam pressão após a divulgação de resultados corporativos. As preocupações estavam concentradas no aumento dos investimentos necessários para desenvolver infraestrutura de inteligência artificial, especialmente centros de dados, chips e capacidade computacional.

O crescimento dessas despesas pode fortalecer a posição estratégica das empresas no longo prazo. No curto prazo, entretanto, aportes elevados pressionam o fluxo de caixa e levam investidores a revisar expectativas de margem, rentabilidade e retorno sobre o capital.

Quando cresce a aversão ao risco nas bolsas norte-americanas, o bitcoin (BTC) pode perder força, sobretudo entre investidores que tratam a criptomoeda como um ativo de crescimento e alta volatilidade. Em períodos de recuperação das ações de tecnologia, o mercado cripto costuma encontrar um ambiente mais favorável.

Essa correlação não é estável. O bitcoin também pode reagir a eventos específicos do setor, como mudanças regulatórias, falências de empresas, lançamentos de produtos financeiros, movimentações de grandes carteiras e alterações no funcionamento das redes.

Ainda assim, a maior presença de investidores institucionais aproximou a criptomoeda das variáveis que orientam o mercado tradicional. Juros, inflação, liquidez e resultados de grandes companhias passaram a influenciar com mais intensidade a disposição para comprar ou vender bitcoin.

Oriente Médio e petróleo elevam cautela global

A escalada das tensões no Oriente Médio adicionou outra camada de incerteza. O risco de interrupções no fornecimento e no transporte de petróleo elevou as cotações da commodity e aumentou a preocupação com uma nova pressão inflacionária sobre as principais economias.

Uma alta persistente do petróleo encarece combustíveis, fretes, produção industrial e transporte. Se o choque alcançar os índices de preços, bancos centrais podem encontrar menos espaço para reduzir juros ou adotar uma política monetária mais flexível.

Esse ambiente tende a limitar ativos de maior risco. Taxas de juros elevadas aumentam a atratividade de títulos públicos e investimentos de renda fixa, ao mesmo tempo que reduzem o valor presente atribuído a ativos sem geração previsível de caixa.

O bitcoin (BTC) é por vezes apresentado como proteção contra perda de poder de compra das moedas tradicionais. Na prática, sua reação a choques geopolíticos e inflacionários varia conforme o momento do mercado.

Em episódios de busca imediata por segurança, investidores ainda costumam priorizar dólar, títulos soberanos e ouro. O bitcoin pode recuperar espaço posteriormente, mas permanece sujeito a oscilações mais acentuadas e liquidez desigual entre diferentes horários e plataformas.

A combinação entre petróleo em alta, cautela nas bolsas e dúvidas sobre os juros norte-americanos ajuda a explicar por que as entradas nos ETFs não produziram uma disparada da criptomoeda nesta quinta-feira.

Ethereum e Solana operam perto da estabilidade

O restante do mercado de ativos digitais também apresentava variações limitadas. O ethereum (ETH) subia aproximadamente 0,2% em 24 horas e era negociado próximo de US$ 1.927,90. Em sete dias, a segunda maior criptomoeda acumulava avanço de 2,4%.

A solana (SOL) também avançava cerca de 0,2%, cotada a US$ 77,81. No período de sete dias, o ganho alcançava 2,3%.

Entre os demais ativos de maior capitalização, o BNB (BNB) subia 0,1%, para US$ 570,25, enquanto o XRP (XRP) operava praticamente estável em US$ 1,14. O tron (TRX) avançava 0,4%, cotado a US$ 0,3279.

As stablecoins tether (USDT) e USD Coin (USDC) permaneciam próximas de US$ 1, como esperado para ativos desenhados para acompanhar o valor da moeda norte-americana.

A estabilidade das principais altcoins reforçava a ausência de um movimento direcional amplo. O mercado permanecia concentrado no bitcoin (BTC), nos ETFs e nas discussões políticas dos Estados Unidos.

O ethereum enfrenta ainda fatores próprios, como a demanda por aplicações descentralizadas, a atividade das redes de segunda camada e a competição com outras blockchains. A solana, por sua vez, depende do crescimento de seu ecossistema, da capacidade da rede e do volume de negociações em aplicações descentralizadas.

Clarity Act enfrenta resistência no Senado

O ambiente regulatório voltou ao centro das atenções depois que senadores democratas rejeitaram a versão atualizada do Clarity Act apresentada por republicanos.

Em declaração conjunta divulgada em 22 de julho, sete senadores afirmaram que o texto ainda apresenta deficiências em pontos relacionados à ética de autoridades eleitas, proteção ao consumidor, financiamento ilícito, conflitos de interesse e integridade do mercado.

Os parlamentares disseram que pretendem continuar as negociações, mas deixaram claro que a versão atual não reúne consenso suficiente para avançar sem alterações.

A resistência aumenta a incerteza sobre o calendário de votação. Para ser aprovado, o projeto precisará superar divergências entre republicanos e democratas sobre o alcance das regras e a distribuição das competências regulatórias.

A versão original do Digital Asset Market Clarity Act foi aprovada pela Câmara dos Representantes em julho de 2025, por 294 votos a 134, e encaminhada ao Comitê Bancário do Senado em setembro daquele ano. Desde então, os senadores trabalham em uma formulação própria para a estrutura regulatória dos ativos digitais.

O objetivo central é estabelecer critérios para determinar quando um ativo digital deve ser tratado como valor mobiliário e quando pode ser enquadrado como commodity digital.

Essa definição interfere diretamente na atuação da SEC e da Commodity Futures Trading Commission, a CFTC. A SEC supervisiona o mercado de valores mobiliários, enquanto a CFTC regula derivativos e mercados de commodities sob sua jurisdição.

A ausência de uma divisão suficientemente clara alimentou disputas judiciais, ações de fiscalização e divergências sobre os requisitos aplicáveis a corretoras, emissores e desenvolvedores de projetos.

Em março de 2026, SEC e CFTC publicaram uma interpretação conjunta para esclarecer a aplicação das leis federais a determinados criptoativos. As próprias agências reconheceram, porém, que uma estrutura abrangente depende de legislação aprovada pelo Congresso.

Regras mais claras podem ampliar participação institucional

Para empresas do setor, a aprovação de um marco regulatório pode reduzir custos jurídicos e aumentar a previsibilidade necessária para investimentos de longo prazo.

Corretoras, custodiante, emissores de tokens e plataformas de negociação precisam saber quais registros, controles e obrigações deverão cumprir. Sem essa definição, modelos de negócio podem ser questionados depois de já terem recebido investimentos e conquistado clientes.

Para instituições financeiras tradicionais, regras claras também podem facilitar a criação de produtos, serviços de custódia, infraestrutura de pagamentos e operações de tokenização.

A regulamentação, entretanto, não é vista apenas como um instrumento de estímulo. Parlamentares defendem exigências mais rigorosas para combater lavagem de dinheiro, manipulação, fraudes, conflitos de interesse e uso de informação privilegiada.

O debate sobre ética ganhou força devido às relações entre autoridades, campanhas políticas e empreendimentos ligados a criptomoedas. Senadores democratas querem regras capazes de evitar que ocupantes de cargos públicos obtenham vantagens financeiras a partir de decisões regulatórias.

A dificuldade consiste em criar controles sem impedir a inovação ou deslocar empresas para outras jurisdições. Os Estados Unidos disputam investimentos em blockchain com Europa, Ásia e centros financeiros que já adotaram estruturas específicas para ativos digitais.

Impasse regulatório mantém bitcoin preso à faixa dos US$ 65 mil

O comportamento do bitcoin (BTC) nesta quinta-feira refletia forças opostas. De um lado, a sequência de entradas nos ETFs demonstrava recuperação da demanda institucional. Do outro, o ambiente global permanecia marcado por riscos geopolíticos, cautela nas ações de tecnologia e indefinição legislativa.

A manutenção acima de US$ 65 mil preservava parte dos ganhos recentes, mas não confirmava uma nova tendência de alta. Para romper essa faixa de forma consistente, o mercado dependerá da continuidade dos aportes, da melhora das condições financeiras e de uma redução das incertezas políticas.

Uma interrupção das entradas nos fundos ou uma nova deterioração nas bolsas pode aumentar a pressão vendedora. Em sentido contrário, fluxos mais intensos e avanços no Congresso poderão fortalecer a demanda.

Os próximos movimentos também estarão ligados aos dados econômicos dos Estados Unidos e às expectativas para a política monetária. O bitcoin (BTC) tende a reagir a qualquer mudança na percepção sobre inflação, juros e liquidez.

A retomada institucional oferece uma base mais sólida do que movimentos apoiados exclusivamente por investidores de varejo. Ainda assim, o desempenho do bitcoin continuará sujeito a oscilações bruscas enquanto o mercado aguarda uma definição sobre juros, geopolítica e regulação.

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