O BTG Pactual estreou, em outubro, uma carteira mensal dedicada exclusivamente a criptoativos com nove ativos e uma concentração de metade do portfólio em bitcoin. A outra metade foi distribuída entre ether, solana, XRP, Hyperliquid, Aave, Sky, Uniswap e Ondo, com uma divisão que combina ativos de maior capitalização e protocolos ligados às finanças descentralizadas (DeFi).
A estrutura mostra uma estratégia baseada em três blocos. O bitcoin representa 50% da carteira como ativo de reserva de valor. Outros 36% estão alocados em redes associadas à execução de contratos inteligentes — ether, solana e XRP — enquanto os cinco ativos classificados pelo banco como DeFi somam 14%.
A concentração também aparece quando os dois maiores pesos são observados em conjunto: bitcoin e ether correspondem a 72% da carteira. Já a parcela destinada a DeFi equivale a 28% de toda a exposição que não está em bitcoin, cálculo que dimensiona o espaço concedido pelo banco ao segmento na composição inaugural.
Carteira combina ativos tradicionais do mercado cripto com cinco nomes de DeFi
O bitcoin recebeu peso de 50% e é tratado pelo BTG como a principal posição de reserva de valor. O ether ficou com 22%, seguido por solana, com 8%, e XRP, com 6%. Esses quatro ativos concentram 86% do portfólio.
Os 14% restantes foram distribuídos igualmente entre cinco projetos de finanças descentralizadas, à exceção da posição de 6% em Hyperliquid. O token da plataforma recebeu a maior alocação dentro do bloco de DeFi. Aave, Sky, Uniswap e Ondo receberam 2% cada.
A composição, portanto, não é apenas uma lista de ativos de grande capitalização. Ela incorpora uma aposta mais diversificada sobre a geração de atividade dentro do ecossistema cripto. Em vez de concentrar a parcela complementar ao bitcoin exclusivamente em redes de contratos inteligentes, o banco reservou espaço para protocolos cuja tese depende diretamente da utilização de serviços financeiros baseados em blockchain.
Na prática, os cinco tokens de DeFi somam 14% e representam mais da metade do número de ativos da carteira. Ainda assim, seu peso financeiro é menor que o destinado a cada um dos dois principais ativos, indicando uma exposição pulverizada ao segmento.
O BTG apontou que setembro foi o melhor mês para a geração de receitas por protocolos DeFi desde outubro de 2025, alcançando US$ 514,65 milhões. A leitura do banco é que a recuperação da atividade permite diferenciar projetos com utilização efetiva e mecanismos mais claros de captura de valor.
Regulamentação dos Estados Unidos passa a integrar a tese para os criptoativos
A composição da carteira também ocorre em um momento de mudanças na estrutura regulatória norte-americana para ativos digitais. O BTG citou como fatores favoráveis ao mercado os movimentos de reguladores dos Estados Unidos, os fluxos para ETFs de criptoativos e o avanço da tokenização.
Parte desse movimento pode ser observada em atos recentes da Securities and Exchange Commission (SEC). Em 17 de setembro, a autarquia concedeu uma isenção temporária e condicional para determinadas plataformas negociarem ações tokenizadas em ambientes on-chain, mantendo a iniciativa sujeita a condições específicas e a um processo de evolução regulatória.
Em 1º de outubro, a SEC também apresentou uma proposta para estabelecer regras específicas para a custódia de criptoativos por consultores de investimentos registrados e fundos regulados. A medida ainda é uma proposta e não equivale a uma regra definitiva, mas amplia o conjunto de instrumentos regulatórios em discussão para permitir maior participação institucional no mercado.
A agenda regulatória havia avançado em outras frentes ao longo de 2026. Em março, a SEC publicou uma interpretação sobre a aplicação das leis federais de valores mobiliários a determinados criptoativos e transações. Em agosto, a comissão propôs o chamado “Regulation Crypto Assets”, com um regime específico de ofertas para determinados contratos de investimento relacionados ao setor.
O ponto relevante para a carteira do BTG é que essas medidas não significam que todo o mercado tenha passado a contar com regras definitivas ou tratamento regulatório uniforme. Algumas iniciativas permanecem em consulta ou em fase de proposta, enquanto outras possuem caráter temporário e condicionado. O ambiente, portanto, combina avanços regulatórios concretos com etapas ainda pendentes.
Cinco posições menores dão ao portfólio exposição pulverizada a DeFi
A distribuição escolhida pelo BTG reduz o peso individual dos projetos de DeFi, mas aumenta o número de teses presentes na carteira. Hyperliquid concentra 6%, enquanto Aave, Sky, Uniswap e Ondo têm 2% cada.
Esse desenho produz uma característica importante: nenhum dos quatro menores ativos isoladamente representa mais de 2% do patrimônio da carteira. Se um investidor considerar apenas o bloco de DeFi formado por Aave, Sky, Uniswap e Ondo, cada posição corresponde a aproximadamente 14,3% desse segmento de 14% — uma concentração bastante inferior à registrada nos ativos principais.
A comparação ajuda a explicar a arquitetura do portfólio. O BTG manteve uma âncora de 50% em bitcoin e direcionou outros 36% para ativos classificados como redes de contratos inteligentes, enquanto utilizou posições menores para buscar participação em segmentos específicos da economia on-chain.
No conjunto, oito ativos representam os 50% que ficam fora do bitcoin. Ether é responsável por quase metade dessa parcela, com 22 pontos percentuais, enquanto os demais sete ativos dividem os 28 pontos restantes. A estrutura faz com que o desempenho geral da carteira continue fortemente condicionado aos dois maiores componentes.
Ether concentra quase metade da parcela fora do bitcoin
O segundo maior peso, de 22%, foi atribuído ao ether. Somado ao bitcoin, o ativo eleva a concentração dos dois principais componentes a 72%, deixando 28% para as sete demais criptomoedas.
Essa distribuição cria uma diferença importante entre número de ativos e peso financeiro. Sete das oito posições fora do bitcoin têm participação individual igual ou inferior a 8%, enquanto ether sozinho responde por mais da metade dos 36% destinados às três redes classificadas nessa categoria.
Solana recebeu 8% e XRP, 6%. O desenho coloca as três redes de contratos inteligentes — ether, solana e XRP — com peso combinado de 36%, exatamente 14 pontos percentuais acima de toda a exposição conjunta aos cinco ativos de DeFi.
A concentração em bitcoin e ether também estabelece uma hierarquia clara entre as teses consideradas pelo banco. O portfólio não distribui o risco de maneira uniforme entre os nove criptoativos, mas utiliza pesos maiores nos ativos considerados estruturais e menores em posições associadas a segmentos específicos.
Carteira começa em meio a recuperação da atividade em protocolos
A decisão de incluir cinco ativos de DeFi está relacionada à percepção do BTG sobre a recuperação operacional dos protocolos do setor. Segundo a análise divulgada pelo banco, o avanço das receitas em setembro sugere que a atividade voltou a ganhar relevância depois de um período mais fraco.
O dado de US$ 514,65 milhões citado pelo BTG, contudo, representa uma fotografia mensal da atividade dos protocolos e não constitui, por si só, uma medida de rentabilidade dos tokens que compõem a carteira. Receita de protocolo, valorização de criptoativo e retorno de uma carteira são métricas diferentes.
Essa distinção é importante porque os pesos definidos para outubro representam uma estratégia de alocação, e não uma garantia de desempenho. Em um mercado de elevada volatilidade, os movimentos de preço podem divergir significativamente da evolução dos indicadores operacionais dos protocolos.
Além disso, a carteira foi estruturada com horizonte mensal, o que implica possibilidade de alterações nas posições em atualizações futuras. A distribuição de outubro, portanto, deve ser interpretada como o retrato inicial da estratégia e não como uma alocação permanente.
Tokenização reforça espaço para aplicações financeiras on-chain
Outro componente da tese do banco é a expansão da tokenização. O tema ganhou respaldo institucional nos Estados Unidos com a decisão da SEC de setembro, que criou uma isenção temporária para determinadas estruturas de negociação de ações tokenizadas em plataformas on-chain. A própria autarquia destacou a possibilidade de evolução de processos de emissão, negociação, transferência e registro de ativos nesse formato.
A exposição a Ondo, por exemplo, posiciona a carteira dentro dessa frente de desenvolvimento do mercado de ativos digitais. Já Aave, Sky, Uniswap e Hyperliquid estão ligados a diferentes mecanismos de funcionamento do ecossistema DeFi, oferecendo ao portfólio teses que não dependem exclusivamente da valorização das maiores criptomoedas.
O resultado é uma carteira em que a tese de mercado não está limitada à alta do bitcoin. Metade do portfólio permanece concentrada no principal ativo, mas a outra metade contempla infraestrutura de contratos inteligentes, negociação e aplicações financeiras descentralizadas.
A primeira carteira mensal de criptoativos do BTG chega, assim, com uma estrutura de forte concentração nos dois maiores pesos e exposição complementar a segmentos de maior especificidade. A principal característica da composição é a combinação entre uma âncora de 50% em bitcoin e uma parcela de 14% dedicada diretamente a DeFi, em um ambiente no qual a atividade dos protocolos e a evolução regulatória nos Estados Unidos passaram a ter peso crescente na tese de investimento.
Fontes:
BTG Pactual Research – informações sobre carteiras de criptoativos, critérios de seleção e estratégias do banco para ativos digitais
Exame – publicação de 2 de outubro de 2026 com a composição, pesos e teses da carteira recomendada de criptomoedas do BTG para outubro
Securities and Exchange Commission – proposta de 1º de outubro de 2026 sobre custódia de criptoativos por consultores de investimentos e fundos regulados
Securities and Exchange Commission – ordem de 17 de setembro de 2026 sobre isenção temporária e condicional para negociação de ações tokenizadas em ambientes on-chain









