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Bitcoin recupera os US$ 77 mil após tensão global diminuir e mercado volta ao risco

Criptomoeda reage ao otimismo sobre acordo entre EUA e Irã, enquanto investidores acompanham inflação e juros nos Estados Unidos.

por Camila Braga
25/05/2026 às 16h08
em Criptomoedas
Bitcoin Recupera Os Us$ 77 Mil Após Tensão Global Diminuir E Mercado Volta Ao Risco - Gazeta Mercantil - Criptomoedas

O Bitcoin (BTC) voltou a operar acima da faixa de US$ 77 mil nesta segunda-feira, recuperando parte das perdas registradas no fim de semana e devolvendo fôlego ao mercado global de criptomoedas. A recuperação ocorre em meio à melhora do sentimento internacional em relação aos ativos de risco, impulsionada pela expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e pela redução temporária das tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do comércio mundial de petróleo.

Leia também: Ibovespa Sobe Hoje: Alívio no Irã e Queda do Petróleo Impulsionam a Bolsa

Na manhã desta segunda-feira, o Bitcoin (BTC) era negociado a US$ 77.351,14, com valorização de 0,19% em 24 horas, segundo dados do CoinMarketCap. Apesar da recuperação diária, a principal criptomoeda do mundo ainda acumula desvalorização de 11,61% em 2026, refletindo um cenário mais desafiador para ativos digitais diante dos juros elevados e da menor liquidez global.

Leia também: Dólar hoje supera R$ 5 com tensão global e mercado projeta novos movimentos.

O movimento do Bitcoin (BTC) acontece após dias de forte volatilidade no mercado cripto. Na semana passada, liquidações de posições alavancadas pressionaram o setor e levaram a criptomoeda a operar próxima da faixa de US$ 74 mil, reacendendo preocupações sobre a fragilidade do apetite por risco em um ambiente internacional marcado por inflação persistente e política monetária restritiva.

Mesmo com a recuperação desta segunda-feira, analistas observam que o mercado segue sem uma direção clara. O volume financeiro reduzido, provocado pelo feriado nos Estados Unidos, limita a formação de tendência consistente e aumenta o potencial de oscilações bruscas ao longo da semana.

Leia também: Elon Musk X Brasil: acusações contra STF e risco de crise diplomática com os EUA.

Baixa liquidez amplia volatilidade no mercado cripto

O fechamento das bolsas americanas nesta segunda-feira reduziu significativamente a liquidez global, cenário que tradicionalmente aumenta a volatilidade de ativos de risco, incluindo criptomoedas.

Com menos participantes institucionais ativos no mercado, movimentos relativamente pequenos de compra ou venda tendem a produzir oscilações mais intensas nos preços do Bitcoin (BTC) e de outros criptoativos relevantes.

O mercado europeu iniciou a semana em alta, enquanto as bolsas asiáticas encerraram o pregão no campo positivo, contribuindo para uma melhora parcial do sentimento global dos investidores.

Ainda assim, operadores seguem cautelosos diante da agenda econômica americana dos próximos dias, especialmente com a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos e do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), considerado o principal indicador de inflação monitorado pelo Federal Reserve.

Os dados são vistos como decisivos para recalibrar as expectativas sobre juros americanos, variável que segue no centro das atenções do mercado de criptomoedas.

Historicamente, o Bitcoin (BTC) apresenta forte correlação com a política monetária dos Estados Unidos. Ambientes de juros elevados reduzem liquidez global e diminuem o fluxo para ativos considerados mais arriscados, como ações de tecnologia e criptoativos.

Mercado acompanha impacto do acordo entre EUA e Irã

Parte da recuperação desta segunda-feira foi impulsionada pelo avanço das expectativas em torno de um possível entendimento diplomático entre Estados Unidos e Irã.

Investidores acompanham principalmente os desdobramentos relacionados ao Estreito de Ormuz, corredor marítimo responsável por parcela significativa do fluxo global de petróleo.

A percepção de redução do risco geopolítico contribuiu para melhora temporária do humor internacional e ajudou a impulsionar ativos de risco, incluindo o Bitcoin (BTC).

Embora ainda não exista definição concreta sobre um eventual acordo, o mercado passou a interpretar os sinais diplomáticos recentes como um fator de alívio parcial para a economia global.

A diminuição das tensões no Oriente Médio tende a reduzir pressão sobre petróleo, inflação internacional e custos logísticos globais, variáveis diretamente acompanhadas por bancos centrais e investidores institucionais.

No mercado financeiro, movimentos ligados à geopolítica passaram a exercer influência crescente sobre criptomoedas, especialmente após a entrada mais intensa de investidores institucionais no setor nos últimos anos.

Analistas observam que o Bitcoin (BTC) deixou de reagir apenas a fatores internos da indústria cripto e passou a refletir movimentos mais amplos do cenário macroeconômico global.

Ethereum, Solana e XRP seguem sem força consistente

Apesar da recuperação do Bitcoin (BTC), o restante do mercado de criptomoedas apresentou desempenho misto nesta segunda-feira.

O Ethereum (ETH), segunda maior criptomoeda do mundo, operava em queda de 0,39%, negociado a US$ 2.113,52. No acumulado do ano, o ativo registra desvalorização superior a 28%.

A Solana (SOL) também apresentava recuo, negociada a US$ 85,92, enquanto o XRP (XRP) operava em baixa de 0,39%.

O desempenho mais fraco das altcoins reforça a avaliação de que o movimento atual ainda representa uma recuperação pontual do Bitcoin (BTC), sem entrada consistente de capital em todo o mercado cripto.

Entre os principais ativos digitais, um dos destaques positivos seguia sendo a Hyperliquid (HYPE), que acumulava valorização anual de 148,52%, refletindo o aumento da demanda especulativa em determinados segmentos do setor.

Já o TRON (TRX) mantinha desempenho positivo em 2026, com alta acumulada de 28,73%, destoando do comportamento mais fraco observado em grande parte das criptomoedas relevantes.

O mercado também segue acompanhando o comportamento das stablecoins, como Tether (USDT) e USDC (USDC), devido à importância desses ativos para a liquidez do ecossistema digital.

Juros elevados seguem pressionando criptomoedas

Apesar da recuperação parcial desta segunda-feira, o pano de fundo do mercado cripto continua sendo marcado por preocupação com liquidez internacional e política monetária restritiva.

A reprecificação dos títulos soberanos americanos e o avanço persistente da inflação global seguem pressionando expectativas para cortes de juros nos principais mercados do mundo.

Investidores avaliam que bancos centrais devem manter postura cautelosa por mais tempo, especialmente diante da resistência inflacionária observada nos Estados Unidos e na Europa.

Esse ambiente reduz a disposição para ativos de maior volatilidade, como o Bitcoin (BTC), e aumenta a preferência por aplicações consideradas mais seguras, incluindo títulos públicos americanos.

Além disso, o aumento dos rendimentos dos Treasuries americanos amplia o custo de oportunidade para investimentos em criptomoedas, setor que não oferece fluxo de caixa tradicional nem proteção convencional contra juros elevados.

Nos últimos meses, o mercado passou a monitorar com intensidade crescente qualquer sinal relacionado à trajetória futura do Federal Reserve.

Mudanças nas expectativas para juros americanos costumam produzir impactos imediatos sobre o preço do Bitcoin (BTC), especialmente em momentos de baixa liquidez ou aumento das tensões geopolíticas.

Institucionais ampliam influência sobre o mercado digital

O comportamento recente do Bitcoin (BTC) também evidencia a transformação estrutural vivida pelo mercado cripto nos últimos anos.

A entrada crescente de investidores institucionais, fundos de investimento e grandes gestoras aumentou a correlação das criptomoedas com outros ativos globais de risco.

Hoje, o Bitcoin (BTC) reage não apenas a eventos específicos do setor digital, mas também a indicadores econômicos, decisões de bancos centrais, conflitos internacionais e oscilações nos mercados tradicionais.

Essa mudança alterou significativamente o perfil do mercado cripto, que passou a conviver com maior sensibilidade ao cenário macroeconômico global.

Ao mesmo tempo, o avanço da tokenização e das negociações em blockchain envolvendo ativos tradicionais ampliou o interesse institucional pelo setor.

Recentemente, empresas privadas ligadas ao setor de tecnologia, como SpaceX e Anthropic, passaram a ter participações negociadas em estruturas digitais tokenizadas antes mesmo de eventuais aberturas de capital, reforçando a expansão das aplicações financeiras baseadas em blockchain.

Mesmo diante da volatilidade elevada, analistas avaliam que o mercado de criptomoedas continua em processo de amadurecimento institucional, embora ainda enfrente desafios regulatórios, riscos operacionais e forte dependência das condições globais de liquidez.

Inflação global mantém Bitcoin sob pressão em 2026

O comportamento do Bitcoin (BTC) em 2026 reflete um ambiente significativamente diferente daquele observado nos ciclos anteriores de forte valorização das criptomoedas.

Desta vez, o setor enfrenta simultaneamente inflação persistente, juros elevados, desaceleração econômica global e maior escrutínio regulatório em diferentes países.

Esse conjunto de fatores reduziu parte do fluxo especulativo que impulsionou o mercado digital nos últimos anos e aumentou a seletividade dos investidores.

Mesmo assim, gestores especializados observam que o Bitcoin (BTC) segue sendo tratado por parte do mercado como um ativo alternativo de proteção contra deterioração monetária e riscos sistêmicos.

A capacidade da criptomoeda de sustentar a faixa dos US$ 77 mil nas próximas sessões deve depender principalmente do comportamento dos indicadores econômicos americanos e da evolução das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Com o mercado operando em ambiente de baixa liquidez e elevada sensibilidade macroeconômica, investidores permanecem atentos a novos episódios de volatilidade ao longo da semana.

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