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Bitcoin dispara e supera US$ 73 mil com avanço regulatório nos EUA

por Camila Braga
04/03/2026 às 21h43
em Criptomoedas
Bitcoin Cai Mais De Us$ 2 Mil Após Ataque Dos Eua E Israel Ao Irã

Foto: gerada por IA

Bitcoin ultrapassa US$ 73 mil com avanço regulatório nos EUA e adoção crescente no Brasil

O Bitcoin voltou ao centro das atenções dos mercados globais ao superar a marca de US$ 73 mil nesta quarta-feira (4), impulsionado por uma combinação de expectativas regulatórias favoráveis nos Estados Unidos e aumento da adoção institucional e no varejo, especialmente no Brasil. A valorização de mais de 7% no dia surpreendeu analistas após semanas de correção no preço, que chegou a colocar em risco o patamar dos US$ 60 mil. Agora, o ativo digital mais negociado do mundo mostra força renovada diante de um novo ciclo de valorização e amadurecimento do mercado cripto.

A movimentação de alta ocorre em um ambiente cada vez mais sensível a fatores geopolíticos, decisões de política monetária e, principalmente, marcos regulatórios. Para analistas do setor, o momento atual do Bitcoin representa uma virada de chave que pode consolidar a entrada definitiva de grandes investidores institucionais no universo dos criptoativos, com reflexos relevantes sobre volume, liquidez e estabilidade.

Leia também: Tesouro IPCA+ registra menor juro desde agosto com otimismo global após avanço nos EUA.

Avanço regulatório nos EUA reacende confiança no mercado

A recuperação do Bitcoin acima dos US$ 73 mil é atribuída em grande parte ao otimismo gerado pela tramitação do Market Clarity Act no Senado norte-americano. O projeto de lei, que visa oferecer diretrizes mais claras para o funcionamento do mercado de criptoativos nos EUA, tem, segundo analistas, cerca de 70% de chance de ser aprovado ainda em 2026.

Para Rony Szuster, Head de Research do MB (Mercado Bitcoin), esse avanço representa um marco no processo de institucionalização do setor. “Temos uma janela real de regulamentação favorável nos Estados Unidos, o que tende a destravar capital institucional represado há anos”, afirmou.

Leia também: Dólar hoje cai a R$ 5,3173 com Focus estável e avanço para encerrar shutdown nos EUA.

A proposta legislativa é vista como essencial para destravar investimentos de grandes fundos, gestoras e seguradoras, que historicamente evitam exposição a ativos sem ambiente regulatório consolidado. A perspectiva de aprovação também reacendeu expectativas de novos ETFs de Bitcoin, com impacto direto sobre demanda e precificação.

Impacto da política monetária e da transição no Federal Reserve

Outro fator que impulsiona a cotação do Bitcoin é a mudança na presidência do Federal Reserve, marcada para junho, quando Kevin Warsh assumirá o comando do banco central norte-americano. Warsh é considerado mais flexível em relação a ativos de risco, o que gera especulações sobre uma possível postura menos agressiva na política de juros.

Em paralelo, a desaceleração da inflação e sinais de moderação nos aumentos de taxa de juros nos EUA contribuem para um ambiente mais propício a ativos voláteis como o Bitcoin. Para analistas de criptoativos, esse novo cenário pode ser o gatilho para um movimento de longo prazo de valorização.

Contexto histórico: da máxima histórica à recuperação

Embora a cotação atual acima de US$ 73 mil impressione, o Bitcoin ainda está distante de sua máxima histórica de US$ 126 mil, registrada em outubro de 2025. Desde então, o ativo sofreu forte correção, influenciado por crises geopolíticas, aumento do risco regulatório durante a administração Trump e retração de liquidez global.

“A recuperação atual mostra que o mercado amadureceu. Mesmo com volatilidade, o interesse estrutural no Bitcoin segue firme, e a base de investidores continua crescendo”, explica Szuster. Ele destaca que a maturidade do Bitcoin, com 17 anos de existência, contrasta com a juventude de outras criptomoedas ainda em fase inicial de consolidação.

Brasil avança na adoção institucional e de varejo

No Brasil, o movimento de valorização do Bitcoin é acompanhado por mudanças significativas no perfil do investidor. Segundo dados do MB, o país registra um crescimento expressivo tanto entre investidores institucionais quanto no varejo.

Leia também: O que é uma empresa de tesouraria de bitcoin?

Entre as empresas que iniciaram alocações em Bitcoin, destacam-se Méliuz, com posição inicial modesta, e Orange BTC, que se tornou uma das principais acumuladoras privadas de criptoativos do país. O movimento é comparável ao de gigantes globais como a Strategy e a Metaplanet, que já colocaram parte de seus caixas em Bitcoin como proteção contra inflação e volatilidade cambial.

Para Szuster, o exemplo dessas empresas brasileiras abre espaço para uma nova lógica de tesouraria corporativa. “O Bitcoin passou a ser visto não apenas como ativo especulativo, mas também como reserva de valor e instrumento estratégico em carteira”, afirmou.

Interesse popular explode nas plataformas e buscas

A movimentação do varejo também sinaliza uma mudança de comportamento importante. Segundo dados do Mercado Bitcoin, fevereiro registrou um volume 2,7 vezes maior de compras em relação às vendas da criptomoeda, indicando retomada da confiança entre pequenos investidores.

Além disso, o termo “comprar Bitcoin” atingiu níveis recordes no Google Trends durante o mesmo mês, liderando pesquisas no Brasil, Argentina e Estados Unidos. Esse tipo de indicador é monitorado com atenção por analistas, por refletir o apetite do mercado de massa em momentos de virada.

“O mais relevante é que o varejo demonstra interesse mesmo quando o preço está em retração, o que mostra visão de longo prazo e maior maturidade do investidor comum”, destacou Szuster.

Bitcoin e o papel de reserva em tempos de crise

O comportamento do Bitcoin em cenários de tensão geopolítica também tem chamado a atenção de gestores e especialistas em finanças. Em momentos de conflito no Oriente Médio, como os recentes episódios envolvendo Irã e Israel, o Bitcoin foi procurado como alternativa a ativos tradicionais de proteção, como ouro e dólar.

A nova percepção de que o ativo digital pode atuar como reserva de valor em tempos de instabilidade política e econômica fortalece o argumento de que o Bitcoin tem papel a desempenhar em portfólios diversificados.

Expectativas para os próximos meses

Com o Bitcoin novamente superando os US$ 73 mil e com projeções regulatórias otimistas nos EUA, a expectativa é de que o mercado cripto entre em um novo ciclo de valorização e expansão institucional.

Investidores devem monitorar com atenção os desdobramentos no Congresso norte-americano sobre o Market Clarity Act, além das declarações de Warsh quando assumir o Federal Reserve. No Brasil, a movimentação de empresas e o comportamento do varejo seguirão como termômetros importantes da maturidade do mercado local.

A perspectiva é de que o Bitcoin continue sendo o principal protagonista entre os criptoativos, tanto por seu histórico quanto por sua capacidade de absorver fluxos financeiros em escala global.

A importância da regulamentação e da educação financeira

Analistas reforçam que a consolidação definitiva do Bitcoin dependerá da combinação entre regulamentação clara, educação financeira e infraestrutura robusta. No Brasil, os primeiros passos nessa direção já estão sendo dados com a atuação do Banco Central no desenvolvimento de um marco legal para ativos digitais e com iniciativas do setor privado para ampliar o acesso seguro à criptoeconomia.

O desafio será equilibrar inovação com segurança jurídica, de modo a permitir que o Bitcoin possa cumprir seu potencial como ativo financeiro de alta performance, sem abrir margem para práticas ilegais ou instabilidade sistêmica.

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