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BlackRock lucra US$ 1,66 bilhão e administra US$ 15,49 trilhões no trimestre

Receita avançou 19,1% em um ano e lucro ajustado por ação cresceu 38%, enquanto a captação líquida trimestral permaneceu praticamente estável.

por Lucas Correa
14/10/2026 às 16h40
em Empresas
Blackrock L - Gazeta Mercantil

BlackRock / Divulgação

A BlackRock (NYSE: BLK), maior gestora de ativos do mundo, encerrou o terceiro trimestre de 2026 com US$ 15,49 trilhões sob gestão, avanço de 15% em relação ao mesmo período do ano passado. Entre julho e setembro, a companhia registrou receita de US$ 7,75 bilhões e lucro líquido de US$ 1,66 bilhão, enquanto a entrada líquida de recursos dos clientes alcançou US$ 205,5 bilhões. Os resultados, divulgados nesta quarta-feira, 14 de outubro, refletem o aumento das receitas com administração de investimentos, o desempenho dos mercados e a ampliação da procura por diferentes estratégias financeiras.

O lucro líquido atribuível à BlackRock avançou aproximadamente 25% na comparação anual, de US$ 1,32 bilhão para US$ 1,66 bilhão. O lucro diluído por ação passou de US$ 8,43 para US$ 10,57. Considerando os ajustes apresentados pela companhia, o lucro líquido chegou a US$ 2,62 bilhões e o resultado diluído por ação atingiu US$ 15,93, crescimento de aproximadamente 38% sobre os US$ 11,55 registrados no terceiro trimestre de 2025.

A diferença entre os números contábeis e os ajustados é relevante para interpretar o resultado. No balanço segundo os princípios contábeis geralmente aceitos nos Estados Unidos, as despesas operacionais incluem uma variação de US$ 564 milhões no valor justo de obrigações contingentes ligadas a aquisições anteriores. A rubrica havia representado US$ 93 milhões no terceiro trimestre do ano passado. A BlackRock exclui esse efeito de seus indicadores ajustados, que procuram facilitar a comparação do desempenho operacional entre períodos.

A receita cresceu 19,1% em um ano, enquanto o lucro operacional contábil subiu de US$ 1,96 bilhão para US$ 2,33 bilhões. Na métrica ajustada, o lucro operacional aumentou 27%, para US$ 3,33 bilhões. A margem operacional ajustada passou de 44,6% para 47,8%, uma expansão de 3,2 pontos percentuais.

Patrimônio sob gestão cresce mais do que a captação trimestral

A dimensão dos ativos administrados é um dos principais indicadores do modelo de negócios da BlackRock. A companhia recebe receitas por serviços de administração e aconselhamento de investimentos, além de outras atividades, e parte importante dessas cobranças depende do volume de recursos mantidos em seus produtos.

O patrimônio sob gestão aumentou de US$ 13,46 trilhões em setembro de 2025 para US$ 15,49 trilhões em setembro de 2026. A diferença equivale a aproximadamente US$ 2,02 trilhões em valor absoluto. No mesmo intervalo, a captação líquida acumulada nos 12 meses anteriores chegou a US$ 869 bilhões.

Os dois indicadores medem fenômenos diferentes. A captação líquida corresponde à diferença entre os recursos que entram e saem dos produtos, enquanto o patrimônio sob gestão também varia com a valorização ou desvalorização dos ativos, as realizações de investimentos e os efeitos cambiais. Por isso, o aumento de 15% nos ativos administrados não pode ser atribuído exclusivamente à entrada de dinheiro novo.

O detalhamento divulgado pela empresa ajuda a dimensionar essa diferença. No terceiro trimestre, as entradas líquidas totais somaram US$ 205,47 bilhões, resultado praticamente estável em relação aos US$ 204,64 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O crescimento anual foi de aproximadamente 0,4%.

A comparação indica que a expansão da receita ocorreu em um período no qual o volume trimestral de novos recursos captados não apresentou aumento expressivo na base anual. A valorização dos ativos, o crescimento das receitas orgânicas e a composição dos produtos administrados também tiveram importância para o resultado.

Segundo a BlackRock, o crescimento orgânico anualizado das receitas básicas de administração atingiu 11% no trimestre. Em uma janela de 12 meses, a taxa orgânica de crescimento dessas receitas foi de 10%. Os indicadores procuram medir a contribuição da captação orgânica para a evolução das receitas recorrentes, separando-a de fatores como oscilações de mercado.

ETFs da iShares concentram a maior parcela das entradas

Os fundos negociados em bolsa, conhecidos pela sigla ETF, continuaram no centro da captação da gestora. Os produtos da iShares receberam US$ 134,5 bilhões em recursos líquidos entre julho e setembro, o equivalente a aproximadamente 65,5% de toda a captação líquida trimestral da BlackRock.

O percentual foi calculado a partir dos US$ 134,51 bilhões captados pelos ETFs e dos US$ 205,47 bilhões registrados pela companhia no conjunto de suas atividades. O dado mostra a importância dessa linha de negócios para a atração de recursos, embora os resultados também revelem entradas relevantes em outras modalidades de investimento.

Os ETFs permitem negociar cotas em bolsa e incluem estratégias que acompanham índices ou adotam diferentes métodos de gestão. A oferta da iShares abrange ações, títulos de renda fixa e outras classes de ativos, atendendo a investidores individuais e institucionais.

A captação da BlackRock, entretanto, não se limitou aos produtos indexados. As estratégias ativas receberam US$ 66,4 bilhões líquidos no trimestre. Nesse segmento, o gestor seleciona ou combina investimentos com o objetivo de alcançar determinado resultado, em vez de se restringir à reprodução de um índice de referência.

A renda fixa também apresentou entradas expressivas. Os produtos dessa classe registraram US$ 78,2 bilhões em captação líquida entre julho e setembro. O resultado sinaliza demanda relevante pelas estratégias de títulos em um período marcado pela incerteza em torno da trajetória dos juros nos Estados Unidos.

A captação por classe de ativo não deve ser confundida com a divisão por tipo de produto. Os números de renda fixa, ações e mercados privados classificam os investimentos pela natureza dos ativos, enquanto o volume destinado a ETFs identifica uma estrutura de distribuição e gestão. Como as categorias têm bases diferentes, não é adequado somar os indicadores sem considerar os critérios de classificação utilizados pela empresa.

Mercados privados ampliam a diversificação das receitas

Os mercados privados também contribuíram para o desempenho da gestora. A categoria inclui investimentos em infraestrutura, crédito privado, participações em empresas e imóveis, entre outras modalidades que normalmente não apresentam a mesma liquidez dos ativos negociados diariamente em bolsas.

Os mercados privados registraram US$ 15,3 bilhões em entradas líquidas no terceiro trimestre. Ao final de setembro, os ativos administrados nessa categoria somavam aproximadamente US$ 336 bilhões, acima dos US$ 320,9 bilhões registrados um ano antes.

A expansão desse segmento tem relevância para a diversificação dos negócios, pois permite à companhia ampliar a oferta de produtos para investidores institucionais e outros clientes interessados em estratégias de longo prazo. A receita, contudo, depende das condições específicas de cada investimento e pode incluir taxas de administração e remunerações associadas ao desempenho.

No trimestre, as receitas com taxas de performance totalizaram US$ 630 milhões, aumento de 22% na comparação com o terceiro trimestre de 2025. A companhia atribuiu grande parte da alta nas estratégias alternativas líquidas a um único fundo de hedge cujo período anual de mensuração de desempenho terminou no trimestre. O avanço foi parcialmente compensado por receitas menores em produtos de mercados privados.

Esse detalhe limita a interpretação do crescimento das taxas de performance como uma tendência necessariamente recorrente. Diferentemente das cobranças associadas à administração de ativos, a remuneração variável pode oscilar de acordo com o desempenho dos fundos e os períodos de apuração definidos nos contratos.

As receitas básicas de aconselhamento, administração e empréstimo de títulos alcançaram US$ 6,04 bilhões, alta de aproximadamente 19,6% em um ano. Essa linha respondeu por cerca de 78% da receita total do trimestre, o que reforça seu peso na geração de receitas da BlackRock. O resultado foi impulsionado pelo crescimento orgânico e pelo efeito do valor médio mais elevado dos ativos sob gestão.

Tecnologia sustenta uma frente adicional de crescimento

Além da administração de carteiras, a BlackRock mantém uma operação de tecnologia financeira voltada a ferramentas de análise de risco, gestão de investimentos e processamento de informações. A plataforma Aladdin é um dos principais componentes desse negócio e atende instituições que precisam integrar dados e sistemas relacionados às suas operações financeiras.

As receitas com serviços de tecnologia e assinaturas avançaram 14% na comparação anual, para US$ 588 milhões. O valor havia sido de US$ 515 milhões no terceiro trimestre de 2025. A companhia também informou crescimento de 12% no valor anualizado dos contratos de tecnologia, indicador que acompanha o valor dos compromissos comerciais firmados com os clientes.

O desempenho acrescenta uma fonte de receita ao modelo tradicional de administração de recursos. Enquanto parte importante das cobranças de gestão varia conforme o patrimônio administrado, os contratos de tecnologia e assinaturas estão relacionados à prestação de serviços e às soluções contratadas pelos clientes.

A combinação entre investimentos, financiamento e tecnologia foi destacada pelo presidente-executivo da BlackRock, Laurence D. Fink. Segundo o executivo, a integração dessas atividades permite à empresa atender clientes em diferentes frentes do mercado financeiro. Fink também atribuiu parte do desempenho à captação de recursos em diversas classes de ativos e regiões.

No entanto, a evolução da receita tecnológica não elimina a exposição da companhia às condições dos mercados. As receitas básicas de gestão continuam ligadas ao patrimônio médio administrado, e as taxas de performance dependem dos resultados de investimentos específicos. O conjunto desses fatores determina o ritmo de crescimento e a estabilidade da geração de receitas.

Juros americanos permanecem no radar dos investidores

A trajetória da política monetária dos Estados Unidos constitui um dos fatores que podem influenciar as decisões de alocação de recursos. Em 16 de setembro, o Federal Reserve elevou a faixa-alvo da taxa básica de juros para 3,75% a 4% ao ano, em decisão tomada pelo Comitê Federal de Mercado Aberto.

Juros mais elevados alteram o retorno oferecido por títulos públicos e outros instrumentos de renda fixa, influenciando a comparação entre diferentes classes de ativos. O efeito sobre os fluxos de investimento depende de fatores como inflação, expectativas econômicas, tolerância ao risco e desempenho relativo dos mercados.

Os dados da BlackRock mostram que a procura por renda fixa permaneceu relevante no terceiro trimestre, com US$ 78,2 bilhões em entradas líquidas nessa classe. Ao mesmo tempo, os ETFs receberam US$ 134,5 bilhões e as estratégias ativas registraram US$ 66,4 bilhões em captação líquida. Os resultados indicam demanda distribuída por diferentes modalidades, sem demonstrar que uma única variável macroeconômica tenha determinado as decisões dos investidores.

Para a gestora, um eventual período de maior volatilidade pode afetar tanto o valor dos ativos administrados quanto a distribuição dos recursos entre produtos. Uma queda nas bolsas, por exemplo, pode reduzir o patrimônio administrado mesmo que os clientes não realizem resgates. Já mudanças nas taxas de juros podem alterar o valor de mercado dos títulos e a atratividade relativa dos investimentos.

A companhia encerrou o trimestre com crescimento de receita, lucro e patrimônio administrado, mas os indicadores exigem acompanhamento separado. A expansão do lucro ajustado mostra a evolução da rentabilidade segundo os critérios adotados pela empresa; a captação líquida mede a diferença entre entradas e saídas; e o patrimônio sob gestão incorpora tanto os fluxos quanto as oscilações dos mercados.

A BlackRock também informou ter recomprado US$ 550 milhões em ações durante o trimestre. A operação integra a gestão de capital da companhia e pode reduzir o número de ações em circulação, embora a avaliação de seus efeitos para os investidores dependa das condições da recompra e dos demais componentes do desempenho financeiro.

O próximo período será acompanhado pelos investidores a partir da capacidade de manutenção da captação, da evolução das receitas recorrentes e do comportamento dos mercados de ações e títulos. Os resultados divulgados em 14 de outubro mostram que a companhia conseguiu ampliar a rentabilidade em relação ao ano anterior, apoiada por receitas de administração, tecnologia e desempenho dos investimentos, mesmo com a captação trimestral praticamente estável na comparação anual.

Fontes:

BlackRock – divulgação de resultados e demonstrações financeiras do terceiro trimestre de 2026, encerrado em 30 de setembro

BlackRock – suplemento de resultados do terceiro trimestre de 2026, com dados de patrimônio sob gestão, captação líquida, receitas e desempenho por classe de ativo

Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos – documento de resultados da BlackRock apresentado ao mercado em 14 de outubro de 2026

Federal Reserve – comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto de 16 de setembro de 2026 sobre a elevação da faixa-alvo da taxa básica de juros

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