quinta-feira, 29 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Mercados

Bolsa em queda e juros altos: como proteger seus investimentos e evitar perdas

Com a Selic em 13,75% ao ano e a Bolsa oscilando, agir por impulso pode custar caro. Antes de comprar, vender ou mudar a carteira, avalie prazo, liquidez, diversificação e tolerância a perdas.

por Camila Braga
29/10/2026 às 08h52
em Mercados
Mercado - Gazeta Mercantil

Juros altos e Bolsa em queda costumam testar a disciplina dos investidores. Com a Selic em 13,75% ao ano, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de setembro, a renda fixa segue oferecendo remuneração relevante. Ao mesmo tempo, a volatilidade das ações pode abrir oportunidades, mas também ampliar perdas para quem decide apenas com base no movimento recente dos preços.

O caminho mais seguro é evitar respostas automáticas. Comprar uma ação que caiu, vender uma posição desvalorizada ou aumentar a parcela de renda fixa pode fazer sentido em algumas situações. A decisão deve considerar objetivos, prazo, necessidade de resgate, situação financeira e capacidade de suportar oscilações.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) orienta que a escolha de produtos financeiros seja compatível com o perfil do investidor. Em períodos instáveis, essa avaliação ganha importância, pois movimentos de curto prazo podem alterar significativamente o valor das aplicações.

Queda das ações não significa necessariamente oportunidade de compra

Comprar ações depois de uma queda parece uma forma de aproveitar preços menores. Mas a desvalorização, sozinha, não prova que o papel esteja barato.

O preço pode ter recuado porque as expectativas de lucro pioraram, a dívida aumentou, a empresa perdeu competitividade ou suas condições financeiras se deterioraram. Antes de considerar uma compra, analise geração de caixa, rentabilidade, dívida líquida, capacidade de pagamento e perspectivas operacionais.

Também vale comparar o preço de mercado com os resultados esperados e os riscos do negócio. Uma ação que caiu pode continuar caindo se os fundamentos da companhia piorarem.

Considere um papel que passou de R$ 20 para R$ 14, após queda de 30%. Para voltar a R$ 20, ele precisará subir aproximadamente 42,86%. A recuperação percentual é maior porque passa a ser calculada sobre uma base menor.

Esse exemplo mostra o efeito matemático das perdas, mas não indica que o ativo necessariamente se recuperará. É preciso distinguir uma correção generalizada do mercado de um problema específico da empresa. Uma companhia sólida pode cair em um período de aversão ao risco; outra pode perder valor por dificuldades que comprometam seus resultados por anos.

Vender durante uma crise pode transformar uma perda temporária em definitiva

A venda após uma queda também exige análise. Enquanto o ativo não é vendido, há uma redução do patrimônio marcado a mercado. Quando a operação é encerrada, a perda passa a ser efetivamente realizada.

Isso não significa que manter a posição seja sempre melhor. Se os fundamentos da empresa mudaram de forma permanente ou o investimento deixou de ser adequado aos objetivos, vender pode ser coerente.

A pergunta central é: a venda responde a uma mudança concreta no investimento ou apenas ao medo de novas oscilações?

A aversão à perda, estudada pelas finanças comportamentais, ajuda a explicar por que muitas pessoas reagem mais intensamente a prejuízos do que a ganhos equivalentes. Em momentos de estresse, esse comportamento pode levar a vendas precipitadas e interromper estratégias de longo prazo.

Imagine uma aplicação de R$ 50 mil em ações que perde 15% de valor. A posição passa a valer R$ 42,5 mil. Para recuperar os R$ 7,5 mil perdidos, será necessária uma alta de aproximadamente 17,65% sobre o valor restante.

O cálculo ilustra a assimetria entre perdas e ganhos, mas não prevê a recuperação do investimento. O resultado dependerá do desempenho futuro dos ativos e das empresas.

Selic de 13,75% mantém a renda fixa atrativa, mas não elimina os riscos

Juros elevados influenciam a alocação dos recursos. Em setembro de 2026, o Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, mantendo a política monetária em território restritivo.

A taxa básica afeta a remuneração de diversas aplicações de renda fixa, especialmente as atreladas ao CDI ou à própria Selic.

Em um exemplo hipotético, R$ 10 mil aplicados a uma taxa anual de 13,75% gerariam rendimento bruto de R$ 1.375 após um ano, se essa remuneração permanecesse constante durante todo o período. O montante chegaria a R$ 11.375 antes de impostos, taxas e outros custos.

O cálculo é apenas ilustrativo. A rentabilidade efetiva depende do produto escolhido, do indicador utilizado, do prazo, das condições contratadas e da tributação.

Renda fixa também não é sinônimo de risco zero. Títulos públicos, certificados de depósito bancário, letras de crédito e debêntures diferem em liquidez, segurança e risco de crédito. Alguns contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), dentro dos limites e das condições previstos; outros não têm essa proteção.

Títulos prefixados e atrelados à inflação podem oscilar antes do vencimento por causa da marcação a mercado. Assim, uma venda antecipada pode resultar em perda, mesmo em um investimento classificado como renda fixa.

Ao aplicar R$ 100 mil, considere prazo, inflação e necessidade de resgate

A mesma quantia pode exigir decisões diferentes conforme o objetivo. Um investidor com R$ 100 mil e uma despesa prevista para os próximos seis meses precisa priorizar a possibilidade de resgate e a estabilidade do patrimônio.

Aplicações sujeitas a fortes oscilações de curto prazo podem não ser adequadas para recursos que serão usados em breve, ainda que ofereçam maior potencial de retorno no longo prazo.

A situação muda para quem pretende acumular patrimônio por 15 ou 20 anos, já possui uma reserva de emergência e consegue suportar oscilações sem comprometer despesas essenciais. Nesse caso, pode haver espaço para combinar diferentes classes de ativos, desde que a exposição ao risco seja compatível com sua capacidade financeira.

A inflação também deve entrar na conta. Uma aplicação pode apresentar retorno nominal positivo e, ainda assim, gerar ganho real pequeno ou perda de poder de compra se a alta dos preços superar sua rentabilidade líquida.

Para comparar alternativas, considere o retorno depois de impostos e custos e avalie quanto ele representa após o efeito da inflação.

Diversificação reduz a concentração, mas não impede perdas

Diversificar significa distribuir o patrimônio entre investimentos com características diferentes, reduzindo a dependência de um único ativo, emissor, setor ou fator de risco.

Na prática, a carteira pode combinar títulos públicos, produtos bancários, ações, fundos e outros instrumentos, conforme os objetivos e a capacidade financeira do investidor.

Mas ter muitos produtos não garante diversificação. Investimentos diferentes podem reagir da mesma forma a juros, inflação, crédito ou mudanças regulatórias.

Uma carteira com ações de várias empresas do mesmo setor, por exemplo, pode sofrer perdas simultâneas se uma mudança econômica afetar toda a atividade. O mesmo vale para aplicações de diferentes instituições expostas ao mesmo segmento de crédito privado.

Por isso, avalie a origem dos riscos e a relação entre os ativos, não apenas a quantidade de produtos.

O rebalanceamento pode ajudar a manter a estratégia definida. O processo consiste em revisar periodicamente a distribuição da carteira e verificar se cada classe continua representando o percentual planejado. Antes de rebalancear, considere custos operacionais, impostos e eventuais impactos da venda de ativos.

Esperar o momento perfeito também pode prejudicar o planejamento

Tentar comprar exatamente no ponto mínimo ou vender antes de uma queda exige previsões difíceis de repetir com consistência. Expectativas de juros, resultados corporativos, condições internacionais e decisões de política econômica podem mudar rapidamente os preços.

Acompanhar notícias é importante para revisar hipóteses e entender o cenário, mas não deve substituir uma estratégia de alocação previamente definida.

Para uma reserva de emergência ou uma despesa próxima, liquidez e preservação do capital podem ser mais importantes do que a busca por maior retorno. Para objetivos de longo prazo, manter todo o patrimônio em uma única classe de ativos pode limitar a diversificação e aumentar a dependência de um cenário específico.

Não existe regra universal para trocar renda fixa por ações ou fazer o movimento contrário. A decisão depende do objetivo, do prazo e da capacidade de suportar perdas.

CVM exige avaliação do perfil antes da recomendação

A Resolução CVM nº 30 disciplina a verificação da adequação de produtos, serviços e operações ao perfil do cliente, procedimento conhecido como suitability.

As instituições devem considerar objetivos, situação financeira e conhecimento sobre os riscos dos produtos oferecidos. Também precisam avaliar o prazo do investimento, a necessidade futura de utilizar os recursos e a capacidade de suportar perdas.

A regra busca evitar que produtos complexos ou arriscados sejam oferecidos a pessoas cujas necessidades não combinam com suas características.

O perfil pode mudar com alterações de renda, patrimônio, responsabilidades familiares ou objetivos, exigindo atualização das informações e eventual revisão da carteira.

A análise também deve incluir custos, tributação, liquidez, qualidade do emissor e concentração patrimonial. O retorno potencial é apenas uma parte da decisão.

Planejamento deve prevalecer sobre as oscilações de curto prazo

A Bolsa instável e os juros elevados não tornam uma classe de investimentos melhor para todos. O mesmo cenário pode exigir escolhas diferentes conforme o prazo e as necessidades de cada pessoa.

Para despesas imediatas, liquidez e proteção contra perdas podem ser prioritárias. Para objetivos distantes, a diversificação pode ajudar a equilibrar fontes de risco e retorno ao longo do tempo.

Uma revisão periódica permite acompanhar mudanças nos fundamentos dos ativos, na situação financeira e nas condições de mercado sem transformar cada oscilação em uma ordem automática de compra ou venda.

Os materiais de educação financeira da CVM recomendam que a adequação dos produtos aos objetivos do investidor esteja no centro do processo. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Antes de aplicar, avalie riscos, custos, liquidez e compatibilidade com seu planejamento.

Fontes:

Banco Central do Brasil — Comunicado nº 45.963, de 16 de setembro de 2026, com a decisão do Copom de reduzir a taxa Selic para 13,75% ao ano.

Banco Central do Brasil — ata da 281ª reunião do Copom, com avaliação da conjuntura econômica, das expectativas de inflação e dos riscos da política monetária.

Comissão de Valores Mobiliários — Resolução CVM nº 30 e orientações oficiais sobre adequação dos investimentos ao perfil de risco do cliente.

Comissão de Valores Mobiliários — Guia de Suitability, com critérios de análise dos objetivos, da situação financeira, dos conhecimentos e dos riscos dos investimentos.

LEIA MAIS

Ibovespa Hoje B3 - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

Pessoas físicas compram R$ 6,2 bilhões em ações enquanto estrangeiros vendem após eleição de Lula

Após eleição de Lula, pessoas físicas compram R$ 6,2 bilhões em ações na B3, enquanto estrangeiros registram vendas líquidas de R$ 2,8 bilhões.

Leia MaisDetails
Juros - Gazeta Mercantil
Economia

Juros mais altos reduzem em 17,2% valor presente de retorno projetado, mostra simulação

Simulação da Bossa Invest mostra que alta dos juros reduz em 17,2% o valor presente de retorno futuro de R$ 100 milhões em oito anos.

Leia MaisDetails
Jio Platafprms - Gazeta Mercantil
Empresas

Jio Platforms (JPL) dispara 27% em IPO histórica na bolsa da Índia e supera US$ 130 bilhões

Jio Platforms (JPL) dispara 27% em estreia na bolsa da Índia, após IPO recorde de US$ 3,2 bilhões, e supera US$ 130 bilhões em valor de mercado.

Leia MaisDetails
Pix - Gazeta Mercantil
Economia

Pix parcelado terá novas regras em 2027; Banco Central exige autorização prévia e espera de 24 horas

Pix parcelado terá novas regras em 2027. Banco Central exige autorização prévia de 24 horas, simulador de parcelas e alerta para endividamento.

Leia MaisDetails
Dolar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje oscila perto de R$ 5,35 antes de decisão do Fed e após tensão eleitoral

Dólar hoje oscila perto de R$ 5,35 nesta quarta-feira (28), após forte alta na semana. Mercado aguarda decisão do Fed e acompanha cenário econômico.

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

09:50:38
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Lula Pode Criar Ministério Do Idoso No Novo Governo; Paulo Paim Entra No Debate - Gazeta Mercantil - Política
Política

Lula pode criar Ministério do Idoso no novo governo; Paulo Paim entra no debate

Leia MaisDetails
Shell (Shel) Quase Dobra Lucro Para Us$ 10,8 Bilhões E Anuncia Recompra De Us$ 5 Bilhões - Gazeta Mercantil - Política
Empresas

Shell (SHEL) quase dobra lucro para US$ 10,8 bilhões e anuncia recompra de US$ 5 bilhões

Leia MaisDetails
Volkswagen Tem Prejuízo De € 5,9 Bilhões No 3º Trimestre E Acelera Corte De Custos - Gazeta Mercantil - Política
Economia

Volkswagen tem prejuízo de € 5,9 bilhões no 3º trimestre e acelera corte de custos

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje B3 - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

Pessoas físicas compram R$ 6,2 bilhões em ações enquanto estrangeiros vendem após eleição de Lula

Leia MaisDetails
Leilão De Imóveis - Gzt - Gazeta Mercantil
Economia

Santander (SANB11) leiloa 200 imóveis com descontos de até 80% e lances a partir de R$ 25 mil

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Lula pode criar Ministério do Idoso no novo governo; Paulo Paim entra no debate

Shell (SHEL) quase dobra lucro para US$ 10,8 bilhões e anuncia recompra de US$ 5 bilhões

Volkswagen tem prejuízo de € 5,9 bilhões no 3º trimestre e acelera corte de custos

Bolsa em queda e juros altos: como proteger seus investimentos e evitar perdas

Pessoas físicas compram R$ 6,2 bilhões em ações enquanto estrangeiros vendem após eleição de Lula

Santander (SANB11) leiloa 200 imóveis com descontos de até 80% e lances a partir de R$ 25 mil

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Últimas notícias da Gazeta Mercantil