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Brasil volta ao topo do ranking mundial de investimentos chineses, diz CEBC

País recebeu 10,9% dos aportes chineses no mundo, impulsionado por energia limpa, mineração, setor automotivo e indústria

por Álvaro Lima - Repórter de Economia
07/05/2026 às 08h44 - Atualizado em 14/05/2026 às 22h08
em Economia, Destaque, Notícias
Brasil Volta Ao Topo Do Ranking Mundial De Investimentos Chineses, Diz Cebc - Gazeta Mercantil - Economia

O Brasil retomou em 2025 a primeira posição no ranking mundial de investimentos chineses no Brasil, ao receber US$ 6,1 bilhões em aportes distribuídos por dezenas de projetos, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira, 7 de maio, pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O volume representa 10,9% do total aplicado por empresas chinesas no exterior no período e recoloca o país à frente de destinos como Estados Unidos e Guiana, em um movimento associado à busca da China por diversificação produtiva, acesso a recursos naturais, energia limpa e expansão industrial na maior economia da América Latina.

O resultado marca uma alta de 45% em relação a 2024 e reforça a relevância do Brasil na estratégia internacional de companhias chinesas. De acordo com o CEBC, os Estados Unidos ficaram em segundo lugar no ranking global, com 6,8% dos aportes, enquanto a Guiana ocupou a terceira posição, com 5,7%.

A retomada da liderança ocorre em um cenário de reorganização dos fluxos globais de capital, avanço da transição energética e reposicionamento de empresas chinesas diante de tensões comerciais e geopolíticas. Para o Brasil, o avanço dos investimentos reforça o papel do país como plataforma de produção, consumo e fornecimento de insumos estratégicos.

Brasil recupera posição de destaque no fluxo global de capital chinês

Nos últimos cinco anos, o Brasil alternou posições entre o primeiro e o quinto lugar entre os principais destinos mundiais de investimento chinês. O país já havia ocupado a liderança em 2021 e voltou ao topo em 2025, segundo o CEBC.

A variação reflete tanto o ciclo de grandes projetos de infraestrutura e energia quanto a entrada de novos segmentos no radar das companhias chinesas. Historicamente concentrados em eletricidade, óleo e gás, logística e commodities, os investimentos chineses no Brasil passaram a avançar também sobre setores industriais, tecnologia, veículos eletrificados, mineração crítica, economia digital e serviços.

O movimento tem relação direta com características estruturais da economia brasileira. O país reúne grande mercado consumidor, oferta de recursos naturais, matriz elétrica majoritariamente renovável, disponibilidade de áreas industriais e uma moeda mais fraca em comparação com o dólar, o que tende a reduzir o custo relativo de aquisição de ativos e implantação de projetos para empresas estrangeiras.

Segundo Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, poucos países reúnem atualmente todos esses atrativos em uma mesma economia. A avaliação ajuda a explicar por que os investimentos chineses no Brasil ganharam força em um momento de maior seletividade global na alocação de capital.

Energia elétrica segue como principal destino dos aportes

O setor elétrico continuou a liderar a atração de investimentos chineses no Brasil em 2025. A presença chinesa nessa área não é nova. Empresas do país asiático já se consolidaram em transmissão, geração e distribuição de energia, com participação em ativos considerados estratégicos para a infraestrutura nacional.

A permanência do setor na liderança mostra que energia segue como eixo central da relação bilateral de investimentos. O Brasil combina demanda crescente por eletricidade, expansão de fontes renováveis e necessidade de modernização de redes, elementos que mantêm o país no radar de empresas chinesas especializadas em infraestrutura energética.

A transição energética também fortalece essa dinâmica. A busca global por descarbonização aumenta o valor estratégico de mercados capazes de produzir energia limpa em larga escala. Nesse contexto, os investimentos chineses no Brasil encontram espaço em projetos de geração renovável, redes elétricas, armazenamento, equipamentos e integração industrial.

Para investidores, o avanço chinês no setor elétrico pode ampliar a competição em leilões, acelerar projetos e influenciar cadeias de fornecedores. Ao mesmo tempo, o aumento da presença estrangeira em ativos sensíveis tende a manter o tema sob acompanhamento de órgãos reguladores, governo e Congresso.

Mineração volta ao centro da estratégia chinesa

A mineração foi um dos principais destaques do levantamento do CEBC. Os investimentos chineses no setor triplicaram em 2025, em um movimento que indica renovado interesse por recursos minerais brasileiros.

A expansão ocorre em meio à corrida global por insumos associados à transição energética, à eletrificação de frotas e à indústria de baterias. Minerais estratégicos, metais industriais e matérias-primas ligadas a tecnologias limpas ganharam relevância na política industrial de grandes economias.

Nesse ambiente, o Brasil se posiciona como fornecedor relevante pela escala de suas reservas, pela tradição mineral e pela capacidade de atender diferentes cadeias produtivas. A intensificação dos investimentos chineses no Brasil em mineração sinaliza que empresas da China buscam garantir acesso mais estável a insumos críticos para seus planos industriais de longo prazo.

O movimento também tem implicações para a economia brasileira. Novos aportes podem impulsionar projetos, ampliar exportações, gerar demanda por infraestrutura logística e elevar a competição em áreas de pesquisa mineral. Por outro lado, aumentam a necessidade de rigor ambiental, segurança operacional, licenciamento eficiente e governança sobre atividades de alto impacto territorial.

Setor automotivo chinês avança com fábricas e eletrificação

O setor automotivo ficou em terceiro lugar entre os principais destinos de investimentos chineses no Brasil em 2025, respondendo por 15,8% do total aplicado por corporações chinesas no país.

O dado confirma a transformação acelerada do mercado brasileiro de veículos, especialmente com a expansão de modelos elétricos e híbridos. Nos últimos anos, GWM e BYD adquiriram fábricas anteriormente pertencentes a montadoras ocidentais e passaram a converter essas estruturas em polos de produção de veículos eletrificados.

A estratégia combina ocupação de capacidade industrial já existente, adaptação ao mercado local e busca por escala em um país com uma das maiores frotas da América Latina. O crescimento das vendas de veículos chineses no Brasil mostra que as montadoras do país asiático deixaram de atuar apenas como importadoras e passaram a disputar espaço de forma mais estrutural.

Os investimentos chineses no Brasil no setor automotivo pressionam concorrentes tradicionais, alteram a dinâmica de preços e aceleram a transição tecnológica. Para o consumidor, o movimento pode ampliar a oferta de modelos eletrificados. Para a indústria nacional, o desafio está em elevar conteúdo local, fortalecer fornecedores, gerar empregos qualificados e integrar tecnologia à cadeia produtiva brasileira.

Capital chinês se espalha por tecnologia, logística e consumo

Embora energia, mineração e automóveis concentrem a maior parte dos valores, o CEBC aponta uma diversificação dos investimentos chineses no Brasil em 2025. O capital chinês avançou sobre tecnologia da informação, logística, manufatura de eletrônicos, serviços de economia digital e até fast food.

A ampliação setorial mostra que o Brasil deixou de ser visto apenas como destino de recursos naturais ou infraestrutura. O mercado consumidor brasileiro, a digitalização dos serviços e a escala de grandes centros urbanos passaram a atrair empresas interessadas em testar marcas, canais de distribuição e modelos de negócios.

Na indústria de eletrônicos, a produção de eletrodomésticos e smartphones recebeu novos aportes. Um dos exemplos citados é a chegada da marca Jovi, da Vivo Mobile, ao mercado brasileiro. A empresa vê o país como prioridade estratégica de longo prazo, em um segmento ainda concentrado em poucos participantes.

A presença chinesa em tecnologia e consumo pode elevar a concorrência, reduzir preços e acelerar a introdução de produtos. Ao mesmo tempo, impõe desafios para empresas locais e multinacionais já instaladas, que passam a enfrentar competidores com escala global, capacidade industrial e forte domínio de cadeias asiáticas de suprimentos.

Relação bilateral ganha dimensão industrial

O avanço dos investimentos chineses no Brasil reforça a mudança de perfil da relação econômica entre os dois países. Durante anos, o vínculo foi marcado sobretudo pelo comércio de commodities, com exportações brasileiras de soja, minério de ferro, petróleo e carnes para o mercado chinês.

A nova fase adiciona uma camada de investimento produtivo. Em vez de apenas comprar insumos brasileiros, empresas chinesas ampliam presença física no país, operam ativos, compram fábricas, estruturam linhas de produção e participam de cadeias locais.

Essa transformação pode trazer efeitos relevantes para política industrial, emprego, arrecadação e competitividade. A entrada de capital estrangeiro ajuda a financiar projetos de longo prazo, mas o benefício econômico tende a depender da capacidade de ampliar conteúdo nacional, desenvolver fornecedores, transferir tecnologia e gerar empregos qualificados.

Para o governo brasileiro, o crescimento dos investimentos chineses no Brasil também exige coordenação entre política externa, política industrial, regulação setorial e defesa da concorrência. A China é um parceiro comercial central, mas sua presença em setores estratégicos exige desenho institucional capaz de equilibrar atração de capital, segurança econômica e desenvolvimento produtivo.

Geopolítica e descarbonização influenciam decisões de investimento

O CEBC avalia que os investimentos chineses no Brasil continuarão sendo moldados por fatores domésticos e externos. Entre os elementos internos, estão políticas ligadas à transição energética, infraestrutura, mineração, indústria e regulação de novas tecnologias.

No plano internacional, tensões geopolíticas, disputas comerciais e a agenda global de descarbonização seguem influenciando a estratégia das empresas chinesas. Em um mundo de cadeias produtivas mais fragmentadas, companhias buscam diversificar geografias, reduzir riscos e se aproximar de mercados consumidores relevantes.

O Brasil se beneficia desse reposicionamento por reunir escala, estabilidade institucional relativa, recursos naturais e capacidade de absorver grandes projetos. Ainda assim, o país disputa capital com outras economias emergentes e precisa lidar com gargalos conhecidos, como complexidade tributária, custo de capital, insegurança regulatória, infraestrutura desigual e morosidade no licenciamento.

A continuidade dos investimentos chineses no Brasil dependerá da capacidade de transformar vantagens estruturais em projetos executáveis. Energia limpa e recursos naturais são atrativos relevantes, mas não eliminam a necessidade de previsibilidade, segurança jurídica e ambiente de negócios competitivo.

Aportes podem se intensificar em mineração, energia e indústria

Para os próximos anos, a tendência apontada pelo CEBC é de continuidade dos projetos já anunciados e possível intensificação em áreas como mineração, novas energias e indústria em geral. A avaliação é de que os investimentos chineses no Brasil devem seguir acompanhando a reorganização das cadeias globais e a expansão de setores ligados à economia de baixo carbono.

A mineração tende a permanecer no centro das atenções pela demanda internacional por insumos estratégicos. Novas energias também devem atrair capital, especialmente em projetos conectados à matriz renovável brasileira, eletrificação e infraestrutura associada.

Na indústria, a presença chinesa pode ganhar força com a instalação de fábricas, centros de distribuição e linhas de montagem. Esse movimento pode alterar a concorrência em segmentos de bens de consumo, eletrônicos, veículos, máquinas e equipamentos.

O avanço dos investimentos chineses no Brasil coloca o país em posição relevante no mapa global de capital produtivo da China. O desafio brasileiro será converter o fluxo de recursos em ganhos permanentes de produtividade, tecnologia, emprego e inserção industrial, evitando que a nova fase da relação bilateral se limite à ocupação de mercado ou à extração de recursos naturais.

Tags: BYDCEBCChinaEconomiaeconomia brasileiraenergia limpaGWMInvestimento estrangeiroinvestimentos chineses no BrasilMineraçãorelações Brasil-Chinasetor automotivo

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