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Setor energético: Carlos Slim lucra US$ 540 milhões com petroleiras em 2026

por Álvaro Lima - Repórter de Economia
18/04/2026 às 11h06 - Atualizado em 14/05/2026 às 22h05
em Economia, Destaque, Notícias
Carlos Slim - Gzt - Gazeta Mercantil

A Estratégia de Carlos Slim: Arbitragem e Expansão no Setor Energético Global

O cenário geopolítico de 2026, marcado por tensões crescentes entre Washington e Teerã e a volatilidade persistente nos mercados de commodities, serviu de pano de fundo para uma das manobras financeiras mais expressivas da década. Carlos Slim, o homem mais rico da América Latina e titã das telecomunicações, reafirmou sua posição como um mestre dos ciclos econômicos ao capitalizar centenas de milhões de dólares sobre a valorização recorde dos ativos de petróleo e gás. Por meio de seu veículo de investimentos, a Control Empresarial de Capitais, o magnata mexicano executou uma saída estratégica parcial em refinarias e exploradoras norte-americanas, aproveitando o zênite dos preços da gasolina e do óleo bruto.

A movimentação de Slim não é meramente um exercício de realização de lucros; é uma aula de arbitragem em um setor energético que se tornou o epicentro das atenções dos investidores globais. Com a escalada militar no Oriente Médio e o fechamento intermitente de rotas comerciais vitais, as ações de empresas petrolíferas nos Estados Unidos experimentaram uma ascensão meteórica, permitindo que investidores posicionados na baixa realizassem ganhos assimétricos que definem o balanço de 2026.

O Desinvestimento Estratégico na PBF Energy e Talos Energy

O volume das transações realizadas pela família Slim este ano impressiona pela precisão cirúrgica. O principal movimento concentrou-se na PBF Energy, uma das maiores refinarias independentes de petróleo dos EUA. Registros regulatórios indicam que a Control Empresarial de Capitais liquidou aproximadamente US$ 497 milhões em ações da companhia, reduzindo sua participação em mais de um terço. O timing da venda coincidiu com o momento em que os papéis da PBF praticamente dobraram de preço, impulsionados pela escassez de oferta de combustíveis e pelo aumento das margens de refino global.

Simultaneamente, o setor energético viu Slim reduzir sua exposição na Talos Energy, operadora com sede em Houston. Foram cerca de US$ 40 milhões em ações vendidas em um período em que a companhia atingiu seu maior valor de mercado em três anos. Essas operações marcam o maior volume de desinvestimento da família Slim em ativos de energia nos últimos anos, sinalizando que, para o magnata, o prêmio de risco atual justifica a proteção do capital acumulado. No entanto, mesmo após essas vendas, o valor residual das participações de Slim na Talos e na PBF ainda supera a marca de US$ 1,3 bilhão, mantendo-o como um player de peso inquestionável na indústria.

Ciclos de Commodities: A Compra na Baixa e a Resiliência de Slim

A fortuna de Carlos Slim, atualmente estimada em US$ 130 bilhões pelo Índice de Bilionários da Bloomberg, não foi construída apenas sobre o monopólio das telecomunicações com a América Móvil. Sua habilidade em navegar pelas águas turvas do setor energético remonta ao início da década. Durante o colapso da demanda causado pela pandemia de COVID-19, quando o barril de petróleo chegou a patamares negativos e a gasolina era um ativo em desuso, Slim aproveitou a aversão ao risco generalizada para adquirir participações agressivas em refinarias e empresas de exploração.

Essa estratégia de “comprar ao som de canhões” provou-se correta. Com a recuperação econômica global pós-pandemia e o choque de oferta decorrente da invasão russa na Ucrânia, os ativos adquiridos por Slim valorizaram-se de forma exponencial. Em 2026, com o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, o magnata mexicano apenas colheu os frutos de uma aposta feita no momento de maior pessimismo do mercado. É o exemplo clássico da escola de investimento em valor, aplicada à escala monumental de um império transnacional.

Diversificação e a Nova Fronteira do Setor Energético no México

Embora tenha realizado lucros nos ativos norte-americanos, Carlos Slim não abandonou o setor energético. Pelo contrário, sua estratégia parece estar migrando para uma consolidação mais profunda em mercados estratégicos, como o México e o Mar do Norte. Recentemente, a Control Empresarial de Capitais adquiriu uma participação relevante na Harbour Energy, gigante baseada em Londres com operações significativas no México.

Essa movimentação sugere que Slim está reposicionando seu capital de ativos de refino puro (como a PBF) para empresas de exploração e produção (E&P) que possuem vantagens geográficas e operacionais de longo prazo. No México, Slim consolidou-se como o maior investidor privado em petróleo e gás, preenchendo o vácuo deixado por majors internacionais em meio às mudanças regulatórias do país. O setor energético mexicano, sob a influência de Slim, ganha um fôlego financeiro que mistura interesses nacionais com eficiência privada, uma característica marcante de todos os seus empreendimentos.

O Impacto das Tensões Geopolíticas no Barril de Petróleo

A volatilidade que permitiu os lucros milionários de Slim é fruto de um mundo em transe. O impasse diplomático entre Washington e Teerã, aliado a bloqueios navais e sanções cruzadas, transformou o mercado de energia em um tabuleiro de xadrez de alto risco. O aumento dos preços da gasolina nos postos americanos não é apenas um problema doméstico para a Casa Branca; é um catalisador de lucros para o setor energético.

Empresas como a PBF Energy e a Talos Energy tornaram-se alvos prediletos de investidores que buscam proteção contra a inflação e exposição direta ao risco geopolítico. Ao vender parte de suas ações agora, Slim demonstra acreditar que o mercado pode estar próximo de um teto técnico ou que o custo de oportunidade para novos investimentos, talvez em infraestrutura ou tecnologia verde, tornou-se mais atrativo. De qualquer forma, o fluxo de caixa gerado por essas vendas reforça a liquidez de seu conglomerado para novas aquisições em setores menos expostos à volatilidade militar.

Fortuna em Ascensão: Os Números de Slim em 2026

O ano de 2026 tem sido particularmente generoso para o patriarca da família Slim. Em apenas doze meses, seu patrimônio líquido cresceu aproximadamente US$ 19 bilhões, consolidando sua posição entre os dez maiores bilionários do planeta. Embora a gigante de telecomunicações continue sendo a espinha dorsal de sua riqueza, a contribuição do setor energético foi o diferencial para que ele superasse outros titãs da tecnologia no ranking de ganhos anuais.

A diversificação para além das antenas e fibras ópticas reflete uma visão de mundo onde a energia e a conectividade são os dois pilares da soberania econômica. O Grupo Financeiro Inbursa, braço bancário do império Slim, atua como o motor que financia essas incursões no setor energético, criando um ecossistema autossustentável de crédito e ativos reais. Para o investidor que observa os passos de Slim, a mensagem é clara: a riqueza resiliente é construída na intersecção entre a necessidade básica de comunicação e a dependência global de fontes de energia.

Refino e Exploração: O Futuro da Matriz sob a Ótica de Slim

O debate global sobre a transição energética não impediu Carlos Slim de dobrar suas apostas em ativos de combustíveis fósseis quando o preço estava descontado. Sua visão parece ser a de que, embora as renováveis sejam o futuro, a economia global do presente ainda é movida a hidrocarbonetos, e a infraestrutura de refino existente — cada vez mais rara devido a restrições ambientais para novas plantas — torna-se um ativo escasso e, portanto, extremamente valioso.

A manutenção de mais de US$ 1,3 bilhão no setor energético norte-americano, mesmo após as vendas milionárias, mostra que Slim ainda vê valor residual e potencial de dividendos nessas operações. A PBF Energy, em particular, beneficia-se de uma complexidade de refino que permite processar petróleos pesados, muitas vezes mais baratos, transformando-os em produtos de alto valor, como combustível de aviação e gasolina premium. É a eficiência operacional maximizada pela visão estratégica de longo prazo.

Hegemonia Financeira no México e Expansão para Londres

A aquisição de participação na Harbour Energy é um marco na internacionalização dos investimentos de Slim fora das Américas. Ao focar em uma empresa sediada em Londres, mas com forte atuação no México, ele cria uma ponte de capital que facilita a transferência de tecnologia e know-how para o desenvolvimento das reservas mexicanas. O setor energético é, para Slim, uma ferramenta de influência geopolítica e proteção cambial, visto que as receitas são majoritariamente dolarizadas.

O magnata também tem se mostrado atento às oportunidades no Mar do Norte, onde a Harbour Energy possui ativos estratégicos. Essa diversificação geográfica protege seu portfólio contra instabilidades regionais específicas, mantendo o fluxo de receitas estável mesmo que o cenário político no México ou nos EUA sofra alterações bruscas. O pragmatismo de Slim, que ignora ruídos ideológicos em favor da matemática financeira, é o que mantém sua fortuna em crescimento constante há mais de quatro décadas.

Inbursa e a Engenharia Financeira de Energia

O Grupo Financeiro Inbursa desempenha um papel fundamental na gestão dos investimentos da Control Empresarial de Capitais. Através de operações estruturadas e derivativos, o banco de Slim protege suas posições contra quedas abruptas, enquanto aproveita a alta para realizar lucros, como visto na venda das ações da PBF e Talos. O setor energético exige uma sofisticação financeira que Slim domina como poucos, integrando a operação física do petróleo com a complexidade dos mercados de capitais de Nova York e Londres.

A habilidade em manejar taxas regulatórias e as complexas leis fiscais para grandes investidores estrangeiros contribui para que as vendas líquidas sejam tão proveitosas. Cada dólar retirado do mercado norte-americano é reinvestido com eficiência em áreas onde Slim possui controle operacional ou influência estratégica direta, mantendo a engrenagem de sua fortuna sempre em movimento.

O Papel de Slim na Infraestrutura e Telecomunicações

Embora esta análise foque no êxito de Slim no setor energético, é impossível dissociar seu sucesso da base sólida que possui em telecomunicações. A América Móvil continua gerando o fluxo de caixa necessário para que ele possa ser paciente em suas apostas no petróleo. No mundo dos negócios, a paciência é um luxo que apenas os mais líquidos podem se dar, e Carlos Slim transformou essa paciência em uma ciência exata de compra e venda de ativos.

O mercado global observa agora para onde o magnata de US$ 130 bilhões direcionará os quase US$ 540 milhões recém-arrecadados com as vendas da PBF e Talos. Analistas especulam que o reinvestimento pode ocorrer em infraestrutura digital ou na expansão de sua presença em energia renovável, setor onde o magnata tem começado a ensaiar movimentos mais ambiciosos através de parcerias e novas divisões em suas empresas de construção.

Dinâmicas de Mercado e o Legado de um Estrategista

Carlos Slim é frequentemente comparado a Warren Buffett por sua abordagem disciplinada ao capital. No entanto, sua atuação no setor energético revela um perfil mais agressivo e conectado às realidades políticas do Sul Global e da fronteira energética dos EUA. Seu legado em 2026 será lembrado como o do investidor que não apenas previu a crise, mas que teve a coragem de financiar a infraestrutura energética quando o mundo parecia desistir dela.

O lucro de US$ 19 bilhões em um único ano é o testemunho final de que a diversificação estratégica e a compreensão profunda dos ciclos de mercado são as únicas defesas reais em um mundo de incertezas. Enquanto os preços do petróleo continuarem a ser o termômetro das tensões globais, Carlos Slim continuará a ser o árbitro silencioso de onde o capital deve fluir para garantir segurança e rentabilidade.

Arbitragem Energética como Pilar da Fortuna Latina

A trajetória recente de Slim reafirma a tese de que o setor energético é a última fronteira dos grandes lucros assimétricos. Ao contrário da tecnologia pura, onde a inovação pode tornar um ativo obsoleto da noite para o dia, a energia é uma necessidade biológica e industrial da civilização. Slim entende que quem controla o refino e a exploração controla a base da pirâmide econômica.

As vendas de US$ 497 milhões e US$ 40 milhões são apenas capítulos de uma narrativa maior de acumulação e redistribuição de ativos. Com um olhar atento para o México e uma mão firme nos mercados globais, Carlos Slim segue como o arquiteto de uma fortuna que sobrevive a governos, guerras e pandemias, ancorada na realidade inalienável da dependência energética global.

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Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. 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A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. 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Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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