Condenação de Bolsonaro reacende tensão política e econômica; o que esperar do Ibovespa
Lula reage às pressões após decisão do STF
A condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) movimentou o cenário político e trouxe novos reflexos para a economia brasileira. O ex-presidente foi sentenciado a 27 anos e 3 meses de prisão em regime inicialmente fechado, após ser considerado culpado por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado em 2022.
Enquanto aliados do ex-presidente classificaram a decisão como perseguição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo brasileiro não teme retaliações dos Estados Unidos, liderados por Donald Trump, que se mostrou insatisfeito com o julgamento. Segundo Lula, eventuais medidas de reciprocidade podem ser adotadas, mas sem abrir mão do diálogo institucional.
Sanções e ambiente internacional
O governo norte-americano já havia imposto tarifas adicionais a produtos brasileiros e sanções a membros do STF, incluindo a revogação de vistos de ministros. O posicionamento de Trump, aliado de Bolsonaro, aumenta a pressão diplomática sobre o Brasil em um momento de fragilidade no comércio exterior.
Essa relação tensa entre Brasília e Washington tem potencial de afetar fluxos de investimento, além de gerar volatilidade no câmbio e nas bolsas. Ainda assim, Lula buscou transmitir calma ao afirmar que não trabalha com hipóteses de retaliações automáticas.
O impacto da condenação de Bolsonaro no mercado financeiro
A decisão do STF ocorre em um momento de alta sensibilidade no mercado. No último pregão, o Ibovespa subiu 0,56% e fechou a 143.150 pontos, com máxima de 144.012. No entanto, o cenário desta sexta-feira (12) aponta para cautela dos investidores.
O ETF iShares MSCI Brazil (EWZ), negociado em Nova Iorque, recuava 0,27% no pré-mercado, indicando que o humor externo pode pressionar os ativos brasileiros. Já o dólar à vista caiu 0,30%, encerrando a R$ 5,39, nível mais baixo em quase um mês.
Analistas avaliam que a condenação de Bolsonaro pode provocar ruídos políticos que se somam ao ambiente de instabilidade internacional, mas ressaltam que a reação imediata dos mercados dependerá da condução política e da sinalização do governo Lula.
Contexto da decisão do STF
Bolsonaro e outros sete réus foram acusados de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
O STF decidiu de forma contundente, estabelecendo penas que incluem 124 dias-multa, com cada dia calculado em dois salários mínimos. A condenação histórica representa um marco jurídico e político, sendo vista como sinal de fortalecimento das instituições democráticas.
Repercussão internacional
Na Ásia, as bolsas tiveram desempenho misto: alta em Tóquio e Xangai, queda em Hong Kong. Na Europa, Londres registrava leve alta, enquanto Paris e Frankfurt operavam em baixa. Nos EUA, os futuros de Wall Street recuavam em meio à expectativa de novas tensões políticas no Brasil e possíveis impactos nas relações bilaterais.
O petróleo tipo Brent era cotado a US$ 66, enquanto o WTI girava em torno de US$ 62, refletindo estabilidade no mercado de commodities. Já as criptomoedas mantinham trajetória de alta, com o bitcoin negociado a US$ 115 mil e o ethereum acima de US$ 4,5 mil.
Expectativas para o Ibovespa nesta sexta-feira
Com a condenação de Bolsonaro, o mercado aguarda uma sessão volátil. O Ibovespa deve oscilar entre a influência dos fatores externos — como bolsas internacionais e commodities — e a leitura política interna.
Investidores estarão atentos ao posicionamento de Lula, ao impacto das relações com os EUA e à percepção de risco político. A agenda econômica também contribui para o clima de cautela, com destaque para os dados de serviços no Brasil e indicadores de produção industrial no Japão e no Reino Unido.
Agenda do governo
A agenda presidencial desta sexta-feira inclui reuniões de Lula com ministros da Educação e da Saúde, além da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não teve compromissos divulgados até o momento.
Esses encontros podem trazer novos sinais sobre as prioridades do governo e sobre a articulação política em meio ao turbilhão gerado pela decisão do STF.
Condenação de Bolsonaro: divisor de águas
A condenação de Bolsonaro representa não apenas um desfecho jurídico, mas um divisor de águas para a política e a economia brasileiras. O caso testará a resiliência das instituições, a relação do governo com seus parceiros internacionais e a confiança dos investidores no futuro do país.
Embora a reação inicial dos mercados seja de cautela, a consolidação de políticas econômicas consistentes e a manutenção do equilíbrio institucional podem amenizar os efeitos da crise política e sustentar o crescimento.






