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Copa do Mundo 2026: carnes, bares e streaming sobem acima da inflação e pesam no bolso do torcedor

Estudo da FGV aponta que itens consumidos durante os jogos acumulam altas superiores ao IPC-BR, com destaque para carnes bovinas e restaurantes.

por Camila Braga
11/06/2026 às 12h15
em Economia
Copa Do Mundo 2026: Carnes, Bares E Streaming Sobem Acima Da Inflação E Pesam No Bolso Do Torcedor-Gazeta Mercantil

A Copa do Mundo de 2026 começa nesta quinta-feira (11), mas para milhões de brasileiros o impacto financeiro do torneio já chegou antes do apito inicial. Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) revela que diversos produtos e serviços associados ao consumo durante os jogos registraram aumentos superiores à inflação média do país nos últimos 12 meses, elevando o custo para acompanhar a competição em casa, em bares ou em restaurantes.

Segundo os dados compilados a partir do Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-BR), a inflação acumulada no período até abril de 2026 foi de 3,84%. No entanto, itens tradicionalmente ligados aos hábitos de consumo durante partidas de futebol avançaram bem acima desse percentual, especialmente alimentos, bebidas e serviços de alimentação fora do domicílio.

Leia também: Salário Mínimo 2025: Valor Atual, Reajustes Até 2029 e Impactos no Bolso do Trabalhador.

As carnes bovinas, principal ingrediente dos churrascos organizados durante grandes eventos esportivos, lideram a lista de altas, com valorização acumulada de 8,24%. Em seguida aparecem doces e salgados, com aumento de 7,78%, e refeições em restaurantes, que registraram elevação de 7,28%.

O levantamento mostra que o custo para acompanhar os jogos da Copa do Mundo tornou-se mais elevado independentemente do formato escolhido pelo consumidor, embora a intensidade da pressão inflacionária varie conforme os hábitos de consumo.

Carnes bovinas lideram pressão inflacionária durante a Copa

Entre os produtos analisados pela FGV, as carnes bovinas foram apontadas como o principal vetor de pressão sobre o orçamento das famílias durante o período da Copa do Mundo.

Com alta acumulada superior ao dobro da inflação oficial medida pelo IPC-BR, o produto tornou-se o maior desafio para consumidores que pretendem manter a tradição dos churrascos em encontros entre amigos e familiares durante os jogos da seleção brasileira.

O aumento das carnes ocorre em um cenário de ajustes na cadeia pecuária, mudanças nos custos de produção e variações na oferta interna, fatores que vêm influenciando os preços ao consumidor ao longo dos últimos meses.

Além das carnes bovinas, itens frequentemente presentes em reuniões esportivas também registraram aumentos expressivos. Doces e salgados avançaram 7,78%, enquanto sanduíches tiveram alta de 5,74%.

A combinação desses reajustes torna mais cara a preparação de encontros domésticos para assistir às partidas, mesmo para consumidores que optam por evitar gastos em estabelecimentos comerciais.

Assistir aos jogos em bares ficou mais caro

A pesquisa indica que os maiores impactos da inflação estão concentrados no consumo fora de casa.

Restaurantes registraram alta acumulada de 7,28%, percentual significativamente superior ao índice geral de preços. Também ficaram acima da inflação média os gastos com refrigerantes e água mineral consumidos fora do domicílio, que avançaram 5,08%.

As cervejas e os chopes servidos em bares acumularam elevação de 4,76%, reforçando o encarecimento das tradicionais reuniões para acompanhar partidas em estabelecimentos comerciais.

Na avaliação do coordenador dos Índices de Preços do FGV IBRE, André Braz, o cenário evidencia que acompanhar os jogos em bares e restaurantes tende a exigir desembolso maior do que assistir às partidas em casa.

A análise sugere que os serviços ligados à alimentação continuam entre os segmentos mais pressionados pela inflação, refletindo custos operacionais mais elevados, reajustes salariais e despesas relacionadas à manutenção dos negócios.

Para consumidores que pretendem acompanhar a competição em locais públicos, o impacto da inflação deverá ser percebido tanto nas refeições quanto nas bebidas consumidas ao longo do torneio.

Streaming e entretenimento também registram reajustes

A digitalização do consumo esportivo não escapou dos efeitos da inflação.

Os serviços de streaming, amplamente utilizados para acompanhar transmissões esportivas e conteúdos relacionados à Copa do Mundo, acumularam alta de 4,21% nos últimos 12 meses, percentual superior à inflação média medida pelo IPC-BR.

Embora o reajuste seja menor que o observado em alimentos e restaurantes, ele demonstra que o custo do entretenimento doméstico também vem aumentando.

O estudo mostra ainda que produtos tradicionais do consumo dentro de casa registraram elevações moderadas. O milho de pipoca acumulou alta de 4,50%, enquanto os biscoitos avançaram 4,73%.

Já as cervejas compradas para consumo doméstico apresentaram aumento de 3,75%, abaixo dos preços observados em bares e restaurantes.

Refrigerantes e água mineral adquiridos para consumo em casa tiveram alta de 2,97%, percentual inferior ao índice geral de inflação.

Os números indicam que assistir aos jogos no ambiente doméstico continua sendo a alternativa menos onerosa para grande parte das famílias brasileiras, embora a pressão sobre determinados itens permaneça relevante.

Quatro cenários revelam diferentes impactos sobre o consumidor

A análise elaborada pela FGV organizou os hábitos de consumo da Copa do Mundo em quatro cenários distintos para identificar como a inflação afeta cada perfil de torcedor.

No chamado cenário da “Copa no sofá”, que contempla consumidores que acompanham os jogos em casa utilizando streaming e consumindo salgadinhos, biscoitos e pipoca, o impacto existe, mas tende a ser mais moderado.

Já a “Copa no churrasco” aparece como uma das modalidades mais pressionadas pelos preços, principalmente devido à forte valorização das carnes bovinas.

O cenário da “Copa no bar” foi identificado como o mais afetado pela inflação. Restaurantes, bebidas consumidas fora de casa, sanduíches e lanches apresentaram aumentos acima da média nacional, tornando essa opção mais custosa para os torcedores.

Por fim, a chamada “Copa conectada” reúne consumidores que utilizam intensamente serviços digitais e internet para acompanhar as partidas. Nesse grupo, alguns itens ajudam a reduzir o impacto inflacionário, embora os serviços de streaming permaneçam em trajetória de alta.

Segundo André Braz, a leitura geral dos dados mostra que a escolha do local e da forma de acompanhar os jogos influencia diretamente o peso da inflação no orçamento familiar.

Queda de alguns preços ajuda a compensar parte das altas

Apesar do avanço observado em diversos produtos, o levantamento identificou itens que apresentaram redução de preços e ajudam a amenizar o impacto sobre os consumidores.

A maior queda registrada foi a do queijo prato, que acumulou recuo de 8,77% nos últimos 12 meses.

Também apresentaram redução as mensalidades de internet, com queda de 2,14%, o presunto, que recuou 0,67%, e as carnes suínas, com diminuição de 0,60%.

Os artigos esportivos registraram retração de 0,27%, enquanto os aparelhos de televisão apresentaram alta de apenas 0,91%, percentual significativamente inferior à inflação acumulada no período.

Os dados indicam que alguns segmentos vêm enfrentando dinâmicas distintas de oferta e demanda, permitindo estabilidade ou até redução de preços mesmo em um ambiente de inflação positiva.

Para as famílias, esses movimentos funcionam como mecanismo parcial de compensação diante das altas mais intensas observadas em alimentos e serviços.

Consumo da Copa reforça desafios da inflação para as famílias brasileiras

Os números divulgados pela FGV mostram que a inflação continua afetando de forma desigual diferentes categorias de consumo, especialmente aquelas associadas ao lazer, à alimentação e à convivência social.

Embora o índice geral de preços tenha permanecido abaixo de 4% no acumulado de 12 meses até abril, produtos amplamente consumidos durante a Copa do Mundo registraram aumentos substancialmente superiores, pressionando o orçamento das famílias justamente em um dos períodos de maior mobilização popular do calendário esportivo.

O levantamento reforça que alimentos, bebidas e refeições fora de casa seguem entre os grupos mais sensíveis à inflação, enquanto serviços digitais e itens de conectividade apresentam comportamento mais moderado.

Com a competição iniciada e a expectativa de forte engajamento dos torcedores brasileiros ao longo das próximas semanas, os gastos relacionados à Copa do Mundo devem continuar refletindo uma realidade em que o lazer permanece sujeito às oscilações dos preços e ao poder de compra das famílias.

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