quarta-feira, 19 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Fazenda projeta crescimento do PIB em 2026 e inflação mais baixa apesar da Selic elevada

por Álvaro Lima
06/02/2026 às 09h43
em Economia
Fazenda Projeta Crescimento Do Pib Em 2026 E Inflação Mais Baixa Apesar Da Selic Elevada - Gazeta Mercantil

Fazenda projeta crescimento do PIB em 2026 e reforça cenário de inflação em queda apesar dos juros elevados

O Ministério da Fazenda revisou suas expectativas para a economia brasileira e passou a projetar um crescimento do PIB em 2026 de 2,3%, sinalizando confiança na resiliência da atividade econômica mesmo em um ambiente de juros elevados. A avaliação consta no Boletim Macrofiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica, documento que reúne as principais projeções oficiais do governo para os indicadores macroeconômicos e serve de referência tanto para o mercado quanto para o debate público sobre os rumos da economia.

A nova estimativa indica que a equipe econômica não enxerga mais uma desaceleração relevante do ritmo de crescimento no curto prazo, contrariando parte das expectativas do mercado financeiro. Apesar da taxa Selic em 15% ao ano — o maior patamar em duas décadas —, a Fazenda avalia que a combinação entre mercado de trabalho ainda aquecido, investimentos setoriais e expansão dos serviços deve sustentar o crescimento do PIB em 2026, ainda que em um nível inferior ao observado em anos anteriores.

Revisão das projeções sinaliza mudança de percepção

A projeção para o crescimento da economia brasileira em 2025 foi revisada de 2,2% para 2,3%, segundo o Boletim Macrofiscal. Embora o dado oficial do IBGE ainda não tenha sido divulgado, a revisão reforça a leitura de que a atividade econômica manteve um desempenho mais robusto do que o inicialmente esperado.

Para 2026, a estimativa também foi ajustada de 2,4% para 2,3%, indicando estabilidade no ritmo de expansão entre um ano e outro. Na prática, o Ministério da Fazenda passou a trabalhar com a premissa de que o crescimento do PIB em 2026 não será significativamente inferior ao de 2025, mesmo em um contexto marcado por política monetária restritiva e maior cautela dos agentes econômicos.

O mercado financeiro, por sua vez, adota uma postura mais conservadora. As projeções apontam para um crescimento de cerca de 1,80% em 2026, o que revela uma divergência relevante entre a visão oficial e a leitura predominante entre analistas privados.

Comparação com anos anteriores reforça desaceleração estrutural

Caso as projeções da Fazenda se confirmem, a economia brasileira apresentará uma desaceleração expressiva quando comparada a 2024, ano em que o PIB cresceu 3,4%. Ainda assim, o resultado projetado para 2025 e para o crescimento do PIB em 2026 ficaria acima de períodos críticos recentes.

O desempenho esperado também representaria a menor taxa de crescimento desde 2020, quando o país enfrentou uma retração de 3,3% em meio à pandemia da Covid-19. Essa comparação histórica é importante para contextualizar o momento atual: embora o ritmo seja mais moderado, o cenário projetado está distante de uma recessão e aponta para uma economia em expansão, ainda que em velocidade reduzida.

Juros altos não impedem expansão da atividade, avalia Fazenda

Um dos pontos centrais do Boletim Macrofiscal é a avaliação de que os juros elevados não serão suficientes para provocar uma desaceleração abrupta da economia. A Selic em 15% ao ano impõe custos significativos ao crédito e ao investimento, mas, segundo a Fazenda, seus efeitos são parcialmente compensados por outros vetores de crescimento.

Entre esses fatores estão a recomposição da renda das famílias, a continuidade de investimentos em setores estratégicos e a expansão do setor de serviços. Na leitura oficial, esses elementos ajudam a sustentar o crescimento do PIB em 2026, mesmo com a política monetária atuando de forma contracionista.

Essa avaliação reflete uma mudança relevante de tom em relação a projeções anteriores, que indicavam maior preocupação com os impactos dos juros elevados sobre o consumo e a produção.

Análise setorial aponta indústria e serviços como motores

O Boletim Macrofiscal detalha que o desempenho da economia nos próximos anos deverá variar de acordo com os setores produtivos. A agropecuária, que teve papel central no crescimento recente, tende a apresentar desaceleração, em parte devido à base de comparação elevada e à normalização da produção.

Por outro lado, a indústria e o setor de serviços devem ganhar protagonismo. A expectativa é de maior expansão dessas áreas, compensando o desempenho mais fraco do campo. Essa recomposição setorial é vista como fundamental para sustentar o crescimento do PIB em 2026, reduzindo a dependência de choques positivos pontuais e ampliando a base da atividade econômica.

No caso dos serviços, o avanço é impulsionado pelo mercado de trabalho mais resiliente e pela retomada gradual de segmentos ligados ao consumo interno. Já a indústria se beneficia de investimentos específicos e de uma demanda ainda consistente em determinados nichos.

Ano eleitoral adiciona complexidade ao cenário econômico

O ano de 2026 será marcado por eleições presidenciais, fator que tradicionalmente adiciona incertezas ao ambiente econômico. Ainda assim, o Ministério da Fazenda avalia que o calendário político não será suficiente para comprometer o crescimento do PIB em 2026.

Segundo a leitura da equipe econômica, a previsibilidade das regras fiscais e a continuidade das políticas macroeconômicas tendem a reduzir os impactos negativos do ciclo eleitoral sobre decisões de consumo e investimento. Essa visão contrasta com a cautela do mercado, que costuma precificar maior volatilidade em anos de eleição.

A diferença de percepções reforça a importância do acompanhamento contínuo dos dados econômicos ao longo do ano, especialmente em um contexto de expectativas divergentes.

Governo projeta nova queda da inflação

Além das projeções para o PIB, o Boletim Macrofiscal trouxe atualizações importantes sobre a inflação. O Ministério da Fazenda manteve a estimativa de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuará para 3,6%, sinalizando continuidade do processo de desinflação.

Em 2025, a inflação acumulou 4,26%, acima do centro da meta, mas já em trajetória de desaceleração. Para 2026, a expectativa oficial é de que a inflação permaneça em patamar mais comportado, criando condições macroeconômicas mais favoráveis ao crescimento do PIB em 2026.

O mercado financeiro também projeta queda da inflação, embora em ritmo mais lento, com estimativas em torno de 3,99%. Ainda assim, há consenso quanto à tendência de arrefecimento dos preços.

Fatores que explicam o recuo do IPCA

De acordo com a Secretaria de Política Econômica, a inflação de bens industriais e de serviços deve continuar em queda, refletindo uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. Entre eles estão o excesso de oferta em alguns segmentos, os efeitos defasados do enfraquecimento do dólar e o impacto acumulado da política monetária restritiva.

Esses elementos ajudam a explicar por que o governo acredita em um cenário de inflação mais baixa, mesmo com a economia ainda em expansão. A desaceleração dos preços é vista como compatível com o crescimento do PIB em 2026, desde que o avanço da atividade ocorra de forma gradual e equilibrada.

Divergência entre governo e mercado chama atenção

A diferença entre as projeções oficiais e as expectativas do mercado financeiro tem sido um dos aspectos mais observados por analistas. Enquanto a Fazenda projeta estabilidade no ritmo de crescimento entre 2025 e 2026, o mercado antecipa uma desaceleração mais acentuada.

Essa divergência reflete leituras distintas sobre os efeitos dos juros elevados, a sustentabilidade do consumo e a capacidade de investimento da economia brasileira. Para o governo, os fundamentos atuais são suficientes para sustentar o crescimento do PIB em 2026 em torno de 2,3%. Já para o mercado, os riscos associados ao cenário fiscal e monetário justificam uma postura mais cautelosa.

Implicações para políticas públicas e investimentos

As projeções divulgadas no Boletim Macrofiscal têm impacto direto sobre o desenho das políticas públicas e sobre as decisões de investimento. Um cenário de crescimento do PIB em 2026 combinado com inflação em queda amplia a margem de manobra do governo e melhora as perspectivas para o equilíbrio macroeconômico.

Para investidores, o quadro sugere oportunidades, mas também exige seletividade. A combinação de juros elevados e crescimento moderado tende a favorecer estratégias mais defensivas, ao mesmo tempo em que setores específicos podem se beneficiar da expansão projetada.

Perspectivas para a economia brasileira no médio prazo

O cenário traçado pelo Ministério da Fazenda aponta para uma economia em transição, deixando para trás taxas de crescimento mais elevadas e caminhando para um ritmo mais sustentável. O crescimento do PIB em 2026, embora inferior ao de anos anteriores, é apresentado como compatível com inflação controlada e maior estabilidade macroeconômica.

Esse equilíbrio é visto como essencial para reduzir volatilidades e criar condições para um ciclo mais consistente de desenvolvimento. O acompanhamento dos próximos dados de atividade, inflação e política monetária será determinante para avaliar se as projeções oficiais se confirmarão ao longo do tempo.

Tags: Boletim Macrofiscalcrescimento do PIB em 2026Economiaeconomia brasileira 2026inflação IPCA 2026PIB Brasil 2026projeção PIB Fazenda

LEIA MAIS

Risco-País Da Argentina Volta Aos 511 Pontos E Mercado Aumenta Cautela Com Milei - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

A Argentina encerrou esta terça-feira (18) com uma mudança importante no humor dos mercados. O risco-país avançou para 511 pontos-base, alta de 4,5% em relação aos 489 pontos...

Leia MaisDetails
Projeto Permite Deduzir Academia E Personal Trainer Do Imposto De Renda - Gazeta Mercantil
Economia

Projeto permite deduzir academia e personal trainer do Imposto de Renda

Mensalidades de academia, contratação de personal trainer e até a compra de esteiras, bicicletas ergométricas, halteres e outros equipamentos para exercícios físicos poderão ser abatidas da base de...

Leia MaisDetails
Governo Volta A Discutir Tributação De Lci E Lca E Reacende Alerta Sobre Custo Do Crédito Imobiliário-Gazeta Mercantil
Economia

Governo volta a discutir tributação de LCI e LCA e reacende alerta sobre custo do crédito imobiliário

O debate sobre o fim da isenção de Imposto de Renda para Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) voltou ao centro da...

Leia MaisDetails
Brasil Pode Ter Deflação Em Agosto; Entenda Por Que Inflação Ainda Deve Fechar 2026 Em 5,02% - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Brasil pode ter deflação em agosto; entenda por que inflação ainda deve fechar 2026 em 5,02%

O Brasil pode registrar deflação em agosto de 2026, com queda média dos preços ao consumidor pela primeira vez em um ano. O movimento, porém, não significa que...

Leia MaisDetails
Bancários Aprovam Paralisação De 24 Horas Em 20 De Agosto
Economia

Bancários aprovam paralisação de 24 horas em 20 de agosto

Bancários de algumas das principais bases sindicais do país aprovaram uma paralisação de 24 horas para quinta-feira, 20 de agosto, depois de rejeitarem a proposta apresentada pela Federação...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

03:25:33
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

Crise Na Propaganda Eleitoral: Dança Das Cadeiras Atinge Marqueteiros Políticos Em 2026 - Gazeta Mercantil
Política

Crise na propaganda eleitoral: dança das cadeiras atinge marqueteiros políticos em 2026

Leia MaisDetails
Risco-País Da Argentina Volta Aos 511 Pontos E Mercado Aumenta Cautela Com Milei - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

Leia MaisDetails
3 Funções Do Celular Que Você Deve Desligar Quando Não Estiver Usando - Gazeta Mercantil - Economia
Tecnologia

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Leia MaisDetails
Renan Santos - Gazeta Mercantil
Política

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Leia MaisDetails
Valuation: O Que É, Como Calcular E Quais Métodos Definem O Valor De Uma Empresa - Gazeta Mercantil
Negócios

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Crise na propaganda eleitoral: dança das cadeiras atinge marqueteiros políticos em 2026

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP