A Danone (BN), multinacional francesa de alimentos e bebidas, registrou receita de € 7,233 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 5,2% em valores reportados e de 4% em bases comparáveis em relação ao mesmo período do ano passado. Os resultados, divulgados nesta quarta-feira (28), mostram que a expansão foi sustentada principalmente pelos reajustes de preços, enquanto o avanço dos volumes comercializados e da composição das vendas perdeu força.
Segundo o comunicado de resultados, os preços contribuíram com 3,6 pontos percentuais para o crescimento orgânico, enquanto o indicador de volume e mix acrescentou apenas 0,4 ponto percentual. Isso significa que aproximadamente 90% da expansão comparável das vendas no trimestre veio dos preços, proporção calculada a partir dos indicadores apresentados pela companhia.
O desempenho marca uma mudança em relação ao terceiro trimestre de 2025, quando a Danone havia registrado crescimento orgânico de 4,8%, impulsionado principalmente pelo aumento de 3,2% em volume e mix, diante de uma contribuição de 1,6% dos preços. Em um ano, portanto, a participação dos reajustes na expansão das receitas aumentou, enquanto o crescimento associado à quantidade e à composição dos produtos vendidos diminuiu.
Apesar da desaceleração dos volumes, a companhia manteve suas projeções para o encerramento de 2026, com expectativa de crescimento comparável das vendas entre 3% e 5% e avanço do lucro operacional recorrente superior ao da receita. A Danone também informou que pretende recomprar aproximadamente 3,5 milhões de ações até dezembro, com o objetivo de compensar efeitos de diluição relacionados aos programas de participação acionária dos funcionários.
Reajustes respondem por 90% do crescimento orgânico das vendas
A receita de € 7,233 bilhões representa um aumento nominal de € 357 milhões em relação aos € 6,876 bilhões registrados no terceiro trimestre de 2025. A variação reportada de 5,2% supera o crescimento orgânico de 4% porque incorpora efeitos cambiais, mudanças no perímetro de consolidação e ajustes relacionados à contabilidade de economias hiperinflacionárias.
As oscilações das moedas tiveram impacto positivo de 1,5 ponto percentual sobre as vendas reportadas, favorecidas principalmente pela valorização do renminbi chinês, do peso mexicano e do dólar americano em relação ao euro. Por outro lado, as alterações no perímetro de consolidação reduziram o crescimento em 0,5 ponto percentual.
O indicador de crescimento comparável, conhecido como like-for-like (LFL), permite avaliar o desempenho operacional excluindo determinados efeitos cambiais, contábeis e de mudanças na estrutura societária. É com base nessa metodologia que a empresa apresenta a contribuição dos preços e do indicador de volume e mix.
Os números revelam que a capacidade de repassar aumentos de preços teve papel central no desempenho do trimestre. Embora o crescimento orgânico total tenha permanecido positivo, o avanço de 0,4% em volume e mix ficou significativamente abaixo dos 3,2% observados no mesmo período do ano anterior.
A mudança também aparece na comparação sequencial. No segundo trimestre de 2026, a Danone havia apresentado crescimento comparável de 4,2%, composto por 2,3% de preços e 1,9% de volume e mix. Entre o segundo e o terceiro trimestres, a contribuição dos preços aumentou 1,3 ponto percentual, enquanto a de volume e mix diminuiu 1,5 ponto percentual.
O indicador de volume e mix não corresponde exclusivamente à quantidade física de produtos comercializados. Ele também incorpora alterações na composição das vendas, como mudanças na participação de diferentes categorias, embalagens e produtos. Por isso, a desaceleração não significa necessariamente uma redução generalizada no número de unidades vendidas.
Europa cresce 3,9%, com destaque para lácteos e bebidas vegetais
A região que reúne Europa, Oriente Médio e África (EMEA) registrou receita de € 3,215 bilhões no terceiro trimestre, avanço reportado de 3,5% e crescimento comparável de 3,9%.
Os reajustes responderam por 4,3 pontos percentuais da expansão orgânica regional, enquanto volume e mix apresentaram retração de 0,4%. O resultado mostra que a região também dependeu dos preços para sustentar o crescimento.
Na Europa, considerada separadamente, as vendas comparáveis avançaram 1,9%, com contribuição positiva de 3,2% dos preços e queda de 1,3% em volume e mix.
A divisão de produtos lácteos essenciais e de origem vegetal, identificada pela sigla EDP, apresentou desempenho positivo em países como França, Espanha e Reino Unido. A companhia destacou a contribuição das marcas Danone, Activia, Alpro e das linhas de produtos com alto teor de proteína.
Na categoria de águas, a Volvic apresentou crescimento de dois dígitos, contribuindo para o resultado regional. O segmento de Nutrição Especializada, por sua vez, continuou em processo de recuperação na Europa, enquanto as condições de abastecimento de fórmulas infantis voltaram à normalidade no Oriente Médio, segundo a empresa.
O desempenho europeu contrasta com o observado em algumas operações fora da região, nas quais dificuldades comerciais e redução dos volumes pressionaram o resultado.
Américas avançam 4,4%, mas operação norte-americana enfrenta dificuldades
Nas Américas, a Danone registrou receita de € 2,372 bilhões, crescimento de 5,3% em valores reportados e de 4,4% em bases comparáveis. Os preços contribuíram com 3,7 pontos percentuais para a expansão orgânica, enquanto volume e mix aumentaram 0,7%.
A Nutrição Especializada apresentou crescimento expressivo, impulsionada pelas marcas Aptamil, Neocate e Kate Farms. A categoria de produtos com alto teor de proteína também contribuiu para o desempenho dos lácteos e das alternativas vegetais, enquanto as vendas de águas foram favorecidas pelos resultados da Evian na América do Norte e pela melhora das operações mexicanas.
Entretanto, o mercado norte-americano apresentou sinais de fragilidade. As vendas comparáveis na região cresceram 2,4%, sustentadas por reajustes de preços de 3%, enquanto volume e mix recuaram 0,6%.
A deterioração do indicador levou a empresa a reforçar medidas de recuperação comercial, especialmente na divisão de lácteos e produtos de origem vegetal dos Estados Unidos.
Em sua apresentação a investidores, a Danone informou que está trabalhando para melhorar a disponibilidade dos produtos nas lojas, ampliar a eficiência operacional e recuperar sua capacidade de inovação. A companhia também anunciou uma mudança imediata na liderança dos negócios americanos, que passarão a se reportar a Henri Bruxelles.
O plano inclui a ampliação da oferta de produtos para além das linhas de alto teor de proteína, segmento que tem sustentado parte relevante do crescimento recente da empresa na região.
A recuperação da operação norte-americana dependerá da capacidade de melhorar o abastecimento, ampliar a presença comercial e transformar a inovação em maior demanda pelos produtos.
Águas recuam em volume e Mizone compromete desempenho na China
Na região da Ásia-Pacífico (APAC), a receita alcançou € 1,646 bilhão, com crescimento reportado de 8,6% e expansão comparável de 3,6%. O resultado orgânico contou com contribuição de 1,9% dos preços e 1,7% de volume e mix.
O desempenho, entretanto, apresentou diferenças importantes entre as categorias e os mercados.
Na região formada por China, Norte da Ásia e Oceania, o crescimento comparável foi de apenas 0,1%. O resultado refletiu queda de 1,6% em volume e mix, parcialmente compensada pela contribuição positiva de 1,7% dos preços.
O principal fator de pressão foi a operação de águas da marca Mizone na China. Segundo a Danone, condições climáticas desfavoráveis prejudicaram as vendas durante a temporada e levaram a companhia a adotar medidas de controle de estoques.
A empresa calculou que a redução das vendas da Mizone retirou aproximadamente um ponto percentual do crescimento orgânico consolidado no terceiro trimestre. Esse impacto é relevante porque o grupo registrou expansão comparável total de 4%.
Os dados por categoria mostram que as vendas de águas na Ásia-Pacífico caíram 7,5% em bases comparáveis, apesar do crescimento da mesma divisão nas Américas e na região EMEA.
Em contrapartida, a Nutrição Especializada manteve desempenho positivo na China, com contribuição das fórmulas infantis e de produtos destinados à nutrição médica. A empresa também destacou a evolução de suas operações na Indonésia e na Índia, além do crescimento de Activia e Oikos no Japão.
Nutrição Especializada tem maior crescimento entre as divisões
A análise das três grandes categorias de produtos mostra que a Nutrição Especializada apresentou a maior taxa de crescimento orgânico do grupo no trimestre.
A divisão alcançou receita de € 2,454 bilhões, alta reportada de 6,8% e avanço comparável de 4,7%. O indicador de volume e mix cresceu 0,9%, enquanto os preços contribuíram com 3,8 pontos percentuais.
As Américas registraram a maior expansão orgânica da categoria, de 12,4%, seguidas pela Ásia-Pacífico, com 7,9%. Na região EMEA, as vendas comparáveis da Nutrição Especializada recuaram 0,3%.
A divisão de lácteos essenciais e produtos de origem vegetal permaneceu como a maior fonte de receita da Danone, com € 3,409 bilhões no trimestre. O crescimento comparável foi de 3,6%, composto por aumento de 2,8% nos preços e 0,9% em volume e mix, conforme dados arredondados da companhia.
Considerando a receita consolidada, essa divisão representou aproximadamente 47,1% das vendas do terceiro trimestre, segundo cálculo realizado a partir dos valores divulgados. A Nutrição Especializada respondeu por 33,9%, enquanto águas representaram os 18,9% restantes.
A divisão de águas registrou receita de € 1,370 bilhão, crescimento reportado de 3,7% e avanço comparável de 3,6%. O resultado foi sustentado pelos preços, que contribuíram com 5,2 pontos percentuais, enquanto volume e mix recuaram 1,6%.
A diferença reforça a mudança no perfil de crescimento da empresa. Mesmo com faturamento maior, a categoria de águas apresentou retração no indicador que reúne volume comercializado e composição das vendas.
Receita acumulada chega a € 21,18 bilhões em nove meses
Entre janeiro e setembro de 2026, a Danone acumulou receita de € 21,176 bilhões, ante € 20,578 bilhões no mesmo período de 2025.
O aumento nominal foi de € 598 milhões, equivalente a 2,9%. Em bases comparáveis, as vendas cresceram 3,6%, com contribuição positiva de 1,3% do indicador de volume e mix.
Os resultados acumulados mostram que a expansão orgânica permanece dentro do intervalo estabelecido pela administração para o exercício completo, embora o desempenho do terceiro trimestre indique maior dependência dos reajustes.
Na distribuição regional dos nove primeiros meses, a EMEA respondeu por € 9,349 bilhões em receitas, seguida pelas Américas, com € 7,064 bilhões, e pela Ásia-Pacífico, com € 4,762 bilhões.
Por categoria, os produtos lácteos essenciais e de origem vegetal somaram € 10,089 bilhões. A Nutrição Especializada alcançou € 7,192 bilhões, enquanto a divisão de águas registrou € 3,895 bilhões.
A companhia manteve a expectativa de crescimento orgânico de vendas entre 3% e 5% para 2026, acompanhada de expansão do lucro operacional recorrente em ritmo superior ao do faturamento.
A Danone não divulgou, no comunicado trimestral de vendas, um novo valor de lucro líquido ou margem operacional referente exclusivamente ao período de julho a setembro.
Danone anuncia recompra de 3,5 milhões de ações até dezembro
Além da atualização operacional, a Danone informou que pretende recomprar aproximadamente 3,5 milhões de ações próprias até o encerramento de 2026.
A operação tem como objetivo compensar os efeitos de diluição decorrentes de aumentos de capital reservados aos funcionários e de programas de incentivos de longo prazo previstos para implementação em 2027.
Segundo a companhia, os papéis adquiridos serão destinados aos programas de participação acionária dos empregados. A recompra está vinculada às autorizações societárias existentes e não representa, necessariamente, uma redução definitiva do capital social.
A empresa também comunicou que Vikram Agarwal, diretor de Operações, decidiu se aposentar no início de 2027. O executivo permanecerá à frente da área até a transição, e a companhia informou que divulgará posteriormente os detalhes sobre sua sucessão.
As mudanças ocorrem em um período de reorganização de parte das operações internacionais da Danone. Em setembro, a companhia concluiu a aquisição da Huel, especializada em soluções de alimentação nutricionalmente completas, incorporando seus resultados a partir daquele mês.
Na Argentina, a criação de uma joint venture com a Arcor resultou na retirada da operação de lácteos do perímetro de consolidação integral da Danone a partir de agosto. A companhia mantém participação de 50% no empreendimento, contabilizado pelo método de equivalência patrimonial.
Essas operações ajudam a explicar parte das diferenças entre o crescimento orgânico e a variação das receitas reportadas.
Com a manutenção das metas anuais, a Danone encerra o terceiro trimestre registrando expansão em todas as grandes regiões e categorias, mas com menor contribuição de volume e mix do que no ano anterior. A evolução das vendas nos Estados Unidos, o desempenho das águas na China e a capacidade de sustentar o crescimento sem depender predominantemente dos reajustes de preços serão indicadores relevantes para avaliar o resultado do último trimestre de 2026.
Fontes:
Danone — comunicado oficial de resultados do terceiro trimestre de 2026, publicado em 28 de outubro, com receitas, crescimento comparável, desempenho regional, categorias e projeções anuais.
Danone — apresentação institucional de resultados do terceiro trimestre de 2026, com detalhamento da contribuição de preços, volume e mix e das condições operacionais na América do Norte e na Ásia-Pacífico.
Danone — comunicado oficial do terceiro trimestre de 2025, utilizado para comparação da evolução das vendas, dos reajustes de preços e do indicador de volume e mix.
Danone — memorando de informações financeiras do terceiro trimestre de 2026, publicado em 1º de outubro, com indicadores anteriores e dados do primeiro semestre.
Danone — documentação de Relações com Investidores sobre o programa de recompra de ações, a reorganização das operações internacionais e a estrutura societária.







