Dólar hoje despenca mais de 1%, fecha a R$ 5,20 e atinge menor nível desde maio de 2024
O dólar hoje registrou uma forte queda no mercado brasileiro e encerrou a sessão desta terça-feira em R$ 5,20, no menor patamar desde maio de 2024. O movimento de desvalorização da moeda norte-americana ocorreu em meio a uma combinação de fatores externos e domésticos, incluindo o enfraquecimento global do dólar, a valorização das commodities, a força do real e a expectativa dos investidores em torno da chamada “Super Quarta”, quando Brasil e Estados Unidos decidem os rumos de suas políticas monetárias.
A queda expressiva do dólar hoje, superior a 1%, reforça a percepção de que o câmbio atravessa um momento de ajuste após meses de volatilidade elevada. O cenário externo mais benigno, somado a dados de inflação abaixo do esperado no Brasil, contribuiu para um ambiente de maior apetite por risco, favorecendo moedas de países emergentes.
Movimento global pressiona o dólar hoje
No mercado internacional, o dólar hoje acompanhou a tendência de enfraquecimento frente a uma cesta de moedas globais. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a divisas fortes como euro e libra, operou em queda consistente ao longo do dia. Esse movimento reflete a cautela dos investidores diante das incertezas geopolíticas e da expectativa em relação aos próximos passos da política econômica dos Estados Unidos.
O mercado manteve atenção redobrada às sinalizações vindas de Washington, especialmente em relação ao discurso do presidente norte-americano e às discussões sobre o desempenho da economia, custos de vida e riscos fiscais. Além disso, voltou ao radar a possibilidade de uma nova paralisação do governo dos Estados Unidos, fator que historicamente pressiona o dólar e aumenta a volatilidade nos mercados globais.
Iene forte e especulação de intervenção cambial
Outro elemento relevante para a queda do dólar hoje foi a forte valorização do iene. O mercado internacional passou a precificar uma possível intervenção cambial por parte do Japão, diante da rápida movimentação da moeda japonesa. Autoridades do país sinalizaram que podem adotar medidas para conter oscilações excessivas no câmbio, o que reforçou a busca por moedas alternativas ao dólar.
Esse movimento teve efeito direto sobre o mercado cambial global, pressionando ainda mais a moeda norte-americana. Em um ambiente de menor aversão ao risco, investidores tendem a reduzir posições defensivas em dólar e buscar ativos de maior retorno, beneficiando moedas emergentes como o real.
Super Quarta no radar dos investidores
A queda do dólar hoje também ocorreu na véspera da chamada “Super Quarta”, data considerada crucial para os mercados financeiros. Nesse dia, tanto o Federal Reserve quanto o Banco Central do Brasil divulgam decisões de política monetária, capazes de influenciar fortemente o câmbio, os juros e os preços dos ativos.
Nos Estados Unidos, a expectativa majoritária é de manutenção dos juros pelo Comitê Federal de Mercado Aberto. A leitura do mercado é de que o banco central norte-americano seguirá adotando postura cautelosa, aguardando novos dados econômicos antes de qualquer mudança mais significativa na taxa básica.
No Brasil, o foco está no Comitê de Política Monetária. A projeção predominante é de manutenção da Selic em 15% ao ano, mas com atenção especial ao tom do comunicado e a eventuais sinalizações sobre o início de um ciclo de afrouxamento monetário nos próximos meses. Essa expectativa contribui para sustentar o real e pressionar o dólar hoje.
Real ganha força com inflação abaixo do esperado
No cenário doméstico, o real se destacou como uma das moedas emergentes mais fortes do dia, impulsionado pela divulgação da prévia da inflação abaixo das expectativas. O IPCA-15, considerado um importante termômetro da inflação brasileira, apresentou alta moderada em janeiro, reforçando a percepção de controle inflacionário.
O resultado fortaleceu a leitura de que a política monetária restritiva começa a surtir efeito, reduzindo pressões sobre os preços. Esse ambiente favorece a moeda brasileira, já que juros elevados, combinados com inflação mais comportada, aumentam o diferencial de taxas em relação a outros países, atraindo capital estrangeiro.
Com isso, o dólar hoje sofreu pressão adicional no mercado local, refletindo tanto o cenário externo quanto a melhora dos fundamentos domésticos.
Commodities reforçam movimento de queda do dólar hoje
A valorização das commodities também teve papel relevante na dinâmica cambial. O petróleo, referência para o mercado internacional, registrou forte alta, beneficiando países exportadores de matérias-primas. O Brasil, como grande produtor e exportador de commodities, tende a se beneficiar desse movimento, com impacto positivo sobre o fluxo cambial.
Além do petróleo, outras commodities relevantes para a balança comercial brasileira mostraram recuperação, reforçando a entrada de dólares no país via exportações. Esse fluxo contribui para aumentar a oferta de moeda estrangeira no mercado doméstico, pressionando o dólar hoje para baixo.
Fluxo estrangeiro e apetite por risco
Outro fator que ajudou a explicar a queda do dólar hoje foi o aumento do fluxo estrangeiro para ativos brasileiros. Com a percepção de menor risco no curto prazo e a atratividade dos juros locais, investidores internacionais ampliaram posições em renda fixa e renda variável no Brasil.
Esse movimento é típico em momentos de maior estabilidade global e expectativa de manutenção de juros elevados em mercados emergentes. A entrada de capital estrangeiro fortalece o real e contribui para a desvalorização do dólar frente à moeda brasileira.
Mercado de trabalho e cautela do Copom
Apesar do alívio trazido pela inflação abaixo do esperado, analistas seguem atentos a alguns sinais de pressão estrutural, especialmente no mercado de trabalho. Itens mais sensíveis à mão de obra continuam mostrando aceleração, o que mantém o Banco Central em postura cautelosa.
Para a política monetária, o consenso é de que um único dado favorável não altera substancialmente o cenário, mas reforça a estratégia de prudência adotada pelo Copom. Ainda assim, a percepção de que o ciclo de alta de juros chegou ao fim é suficiente para sustentar o real no curto prazo e manter o dólar hoje em trajetória de ajuste.
Perspectivas para o dólar nos próximos dias
Após a forte queda registrada, o mercado passa a avaliar se o movimento do dólar hoje é pontual ou se pode se estender ao longo das próximas semanas. A resposta dependerá, em grande parte, das decisões da Super Quarta e do tom adotado pelas autoridades monetárias.
Caso o cenário externo permaneça favorável e o Banco Central sinalize confiança no controle da inflação, o real pode seguir fortalecido. Por outro lado, qualquer surpresa no discurso do Federal Reserve ou aumento das tensões geopolíticas pode trazer volatilidade de volta ao câmbio.
Impactos para empresas e investidores
A queda do dólar hoje traz efeitos distintos para diferentes setores da economia. Empresas importadoras tendem a se beneficiar de um câmbio mais baixo, com redução de custos. Já exportadoras podem enfrentar margens mais pressionadas, dependendo do nível de proteção cambial adotado.
Para investidores, o movimento reforça a importância da diversificação e da gestão de risco. A volatilidade cambial continua sendo um fator relevante no cenário macroeconômico, exigindo atenção redobrada às decisões de política monetária e aos dados econômicos.
Um novo patamar para o câmbio?
O fechamento do dólar hoje no menor nível desde maio de 2024 levanta a discussão sobre um possível novo patamar para a taxa de câmbio. Embora seja cedo para afirmar uma tendência estrutural, o movimento reflete uma combinação rara de fatores positivos, tanto no ambiente externo quanto no doméstico.
Se esse cenário se mantiver, o câmbio pode permanecer mais comportado no curto prazo, contribuindo para aliviar pressões inflacionárias e melhorar a previsibilidade econômica. Ainda assim, o histórico recente mostra que o mercado de câmbio segue sensível a choques e mudanças rápidas de humor.






