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Flávio Bolsonaro é o mais rejeitado entre presidenciáveis, com 51%, mostra pesquisa

Pesquisa Indexa/Broadcast mostra que rejeição ao senador passou de 49% para 51% na reta final antes do primeiro turno das eleições de 2026.

por Júlia Campos
30/09/2026 às 19h12
em Política
Flávio Bolsonaro É O Mais Rejeitado Entre Presidenciáveis, Com 51%, Mostra Pesquisa - Gazeta Mercantil - Política

O senador Flávio Bolsonaro (PL) registra a maior rejeição entre os candidatos à Presidência da República avaliados pela pesquisa Indexa/Broadcast divulgada nesta quarta-feira, 30 de setembro. Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados afirmam que jamais votariam nele. O percentual era de 49% na rodada anterior, realizada em 15 de setembro, o que representa uma oscilação de dois pontos percentuais para cima na reta final da campanha presidencial.

A pesquisa chega a quatro dias do primeiro turno das eleições, marcado para domingo, 4 de outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece logo atrás de Flávio no indicador de rejeição, com 50% dos entrevistados afirmando que jamais votariam nele. Na rodada anterior, o percentual era de 49%. Como a diferença entre os dois candidatos é de apenas um ponto percentual e a margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos para mais ou para menos, os números não permitem estabelecer uma diferença estatisticamente significativa entre as rejeições de Flávio e Lula, embora o senador apresente o maior percentual nominal na pesquisa.

Leia também: Pesquisa Quaest 2026: Lula, Flávio Bolsonaro e Caiado entram em nova fase decisiva da eleição.

Os resultados mostram uma característica marcante da disputa presidencial de 2026: os dois candidatos que concentram as maiores parcelas do eleitorado também enfrentam resistência elevada. Flávio e Lula são conhecidos por praticamente toda a amostra e, ao mesmo tempo, acumulam os maiores contingentes tanto de eleitores dispostos a escolhê-los quanto daqueles que descartam completamente essa possibilidade. Isso reduz o peso do desconhecimento sobre os dois principais nomes e aumenta a importância da disputa pelos eleitores que ainda admitem votar em mais de uma candidatura.

Flávio tem 33% de voto certo e 14% de voto possível

Quando os entrevistados são questionados sobre a possibilidade de votar em cada candidato, 33% afirmam que certamente votariam em Flávio Bolsonaro. Outros 14% dizem que poderiam votar no senador. Somados, os dois grupos correspondem a um potencial eleitoral de 47%. Apenas 1% responde que ainda não conhece Flávio suficientemente para formar uma opinião.

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Na comparação com a pesquisa de 15 de setembro, o grupo que declara voto certo em Flávio permaneceu em 33%, enquanto a parcela que admite a possibilidade de escolhê-lo continuou em 14%. A alteração mais relevante ocorreu justamente na rejeição: o percentual dos que dizem que jamais votariam no candidato passou de 49% para 51%.

Esse conjunto de respostas não deve ser confundido com a intenção de voto tradicional. Na mesma rodada da Indexa/Broadcast, quando a pergunta é sobre em quem o eleitor votaria para presidente no primeiro turno, Flávio aparece com 34%. A diferença existe porque as perguntas medem comportamentos distintos. Dizer que certamente votaria ou poderia votar em determinado candidato mede o campo potencial daquela candidatura, enquanto a intenção de voto procura registrar a escolha feita pelo entrevistado naquele momento.

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A distinção se torna ainda mais importante quando são somados os eleitores que admitem votar em determinado candidato. Uma mesma pessoa pode considerar mais de um nome como opção possível antes de tomar sua decisão definitiva. Por isso, os chamados potenciais eleitorais dos diferentes candidatos não podem ser somados como se representassem uma distribuição convencional de votos.

Lula registra rejeição de 50%

Lula aparece com 50% de rejeição, um ponto percentual abaixo dos 51% registrados por Flávio Bolsonaro. O índice do presidente também aumentou em relação à rodada anterior, quando 49% afirmavam que jamais votariam nele. A variação foi, portanto, de um ponto percentual.

No outro extremo, 36% dos entrevistados afirmam que votariam com certeza em Lula, percentual igual ao registrado na pesquisa anterior. Outros 12% dizem que poderiam votar no presidente, contra 14% na rodada de 15 de setembro. A soma desses dois grupos chega a 48%, também muito próxima dos 47% observados para Flávio Bolsonaro.

Assim como ocorre com o candidato do PL, apenas 1% afirma não conhecer Lula suficientemente para responder. O elevado grau de conhecimento dos dois ajuda a explicar por que seus níveis de rejeição e de voto consolidado são muito maiores do que os encontrados entre candidatos menos conhecidos nacionalmente.

Na pergunta convencional sobre intenção de voto no primeiro turno, a pesquisa Indexa/Broadcast registra Lula com 39% e Flávio com 34%. Esses números não substituem nem contradizem os índices de voto certo, voto possível ou rejeição. Cada pergunta procura identificar uma dimensão diferente da decisão eleitoral.

Outros candidatos têm rejeição menor, mas são menos conhecidos

Entre os demais nomes avaliados, Renan Santos (Missão) registra rejeição de 41%. Romeu Zema (Novo) aparece com 40%, Ronaldo Caiado (PSD) tem 36% e Augusto Cury (Avante), 30%. Os percentuais são inferiores aos registrados por Flávio Bolsonaro e Lula, mas a comparação precisa considerar uma diferença importante: uma parcela significativamente maior do eleitorado declara não conhecer suficientemente esses candidatos.

O desconhecimento varia de 18% a 33% entre esses nomes. Caiado tem 18% de entrevistados que dizem não conhecê-lo o bastante para formar opinião, Zema registra 22%, Renan Santos aparece com 23% e Augusto Cury chega a 33%. Flávio e Lula, em contraste, registram apenas 1% nesse indicador.

Essa diferença interfere diretamente na interpretação da rejeição. Quanto mais conhecido um candidato, maior é a parcela do eleitorado que já possui alguma opinião formada sobre ele, favorável ou desfavorável. Para nomes com níveis elevados de desconhecimento, parte relevante dos entrevistados ainda não se posiciona nem pela possibilidade de voto nem pela rejeição definitiva.

No indicador de potencial eleitoral, obtido pela soma dos que dizem que certamente votariam em determinado candidato com aqueles que admitem essa possibilidade, Caiado chega a 42%. Augusto Cury registra 35%, Zema aparece com 33% e Renan Santos, com 32%. No caso de Caiado, 2% afirmam que certamente votariam nele e 40% dizem que poderiam escolhê-lo.

Temor de novo mandato de Lula chega a 40%

O levantamento também procurou identificar os temores associados ao resultado da eleição. Entre os entrevistados, 40% afirmam ter receio de um novo mandato de Lula, percentual que era de 38% na rodada anterior. Outros 39% dizem temer a volta da família Bolsonaro ao poder, ante 36% na pesquisa de 15 de setembro.

Há ainda 8% que demonstram preocupação com as duas possibilidades, enquanto 10% afirmam não temer nenhum dos dois resultados. Outros 3% não souberam ou preferiram não responder. A distribuição soma 100% dos entrevistados.

A pergunta não equivale a uma intenção de voto. Um eleitor pode demonstrar preocupação com determinado resultado e, ainda assim, considerar diferentes alternativas no momento de votar. O indicador ajuda, no entanto, a dimensionar o peso da rejeição aos principais grupos políticos na reta final da disputa presidencial.

Outro recorte da pesquisa reforça essa característica. Quando questionados sobre os motivos que determinam a escolha eleitoral, 38% afirmam votar principalmente no candidato de que mais gostam. Outros 22% dizem escolher uma candidatura para impedir que outro concorrente seja eleito, enquanto 32% atribuem o voto às duas razões ao mesmo tempo. Há ainda 5% que não decidiram e 3% que não souberam responder.

Os percentuais mostram que o componente de rejeição participa da decisão eleitoral de uma parcela relevante do eleitorado, mas não é a única motivação apontada pelos entrevistados. Para mais de um terço, a preferência por determinado candidato aparece como principal razão da escolha, enquanto outro grupo expressivo combina identificação com um nome e rejeição aos adversários.

54% dizem que Lula não merece mais quatro anos

A pesquisa perguntou ainda se Lula merece permanecer na Presidência por mais quatro anos. Para 54% dos entrevistados, a resposta é negativa, mesmo percentual observado na rodada anterior. Outros 40% dizem que o presidente merece um novo mandato, ante 39% em 15 de setembro, enquanto 6% não souberam responder.

Esse indicador também precisa ser analisado separadamente da intenção de voto. Considerar que o atual presidente não merece mais quatro anos não significa necessariamente optar por Flávio Bolsonaro, já que o eleitor pode escolher outro candidato, votar em branco, anular o voto ou ainda mudar de posição. Da mesma forma, responder positivamente à pergunta sobre a continuidade de Lula não constitui, isoladamente, uma declaração definitiva de voto.

A leitura conjunta dos dados mostra, sobretudo, uma eleição com níveis elevados de rejeição aos dois candidatos que concentram a maior parte das intenções de voto. Flávio alcança 51% entre aqueles que dizem que jamais votariam nele, enquanto Lula registra 50%. Em sentido inverso, Lula reúne 48% entre voto certo e possível e Flávio, 47%.

Diferença entre Flávio e Lula está dentro da margem de erro

Embora Flávio Bolsonaro apareça como o candidato de maior rejeição no resultado nominal da pesquisa, com 51%, contra 50% de Lula, a distância de um ponto percentual é inferior à margem de erro de 2,2 pontos. Isso significa que não é possível utilizar essa diferença isoladamente para afirmar que existe uma distância estatisticamente comprovada entre os dois.

O dado objetivo permanece: entre os percentuais obtidos na amostra, Flávio Bolsonaro apresenta o maior índice de rejeição entre os candidatos avaliados pela Indexa/Broadcast. A pesquisa mostra ainda que seu percentual passou de 49% para 51% entre as duas rodadas, enquanto Lula passou de 49% para 50%.

A proximidade dos números reforça a importância de distinguir o resultado nominal registrado pela pesquisa da interpretação estatística desse resultado. Pesquisas eleitorais representam estimativas obtidas a partir de uma amostra da população e estão sujeitas à margem de erro informada pelo instituto. Elas constituem um retrato do período de coleta e não uma previsão do resultado das urnas.

A Indexa/Broadcast entrevistou 2.000 eleitores por telefone entre 27 e 29 de setembro de 2026. O levantamento possui margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-00698/2026. O primeiro turno das eleições gerais será realizado no domingo, 4 de outubro.

Fontes

Indexa Pesquisas — levantamento nacional realizado entre 27 e 29 de setembro de 2026.

Broadcast — divulgação da pesquisa Indexa/Broadcast em 30 de setembro de 2026.

Tribunal Superior Eleitoral — registro BR-00698/2026 e calendário oficial das Eleições Gerais de 2026.

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