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Lula concentra reta final em SP, MG e RJ, que reúnem 39,9% do eleitorado nacional

Presidente fará atos no Rio e em Belo Horizonte na sexta-feira e encerra a campanha em São Paulo no sábado; os três estados somam 63,3 milhões de eleitores

por Carlos Menezes
01/10/2026 às 13h55
em Política
Presidente Fará Atos No Rio E Em Belo Horizonte Na Sexta-Feira E Encerra A Campanha Em São Paulo No Sábado; Os Três Estados Somam 63,3 Milhões De Eleitores-Gazeta Mercantil

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai concentrar os dois últimos dias antes do primeiro turno das eleições de 2026 nos três maiores colégios eleitorais do país. Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo somam 63,34 milhões de eleitores, o equivalente a 39,9% do eleitorado brasileiro, segundo cálculo a partir das estatísticas mais recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O roteiro prevê uma caminhada na região da Candelária, no Centro do Rio, na manhã de sexta-feira (2), seguida por um ato na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, marcado para a tarde. No sábado (3), último dia permitido para atos de campanha, Lula encerra sua agenda eleitoral em São Paulo. A votação do primeiro turno ocorrerá no domingo (4).

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A escolha dos três estados coloca o encerramento da campanha na região com maior concentração de eleitores. O Sudeste reúne 66,33 milhões de pessoas aptas a votar, ou 41,78% do eleitorado nacional. São Paulo responde sozinho por 34,10 milhões de eleitores, Minas Gerais por 16,38 milhões e o Rio de Janeiro por 12,86 milhões. Somados, os três representam cerca de 95,5% do eleitorado de todo o Sudeste.

Geografia eleitoral orienta os últimos atos

O peso eleitoral ajuda a explicar a concentração da agenda. São Paulo tem 21,48% do eleitorado brasileiro, Minas Gerais representa 10,32% e o Rio de Janeiro, 8,10%. A soma chega a pouco mais de quatro em cada dez eleitores do país.

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Além da dimensão absoluta, os três estados têm características políticas distintas e concentram parcelas relevantes dos eleitores que podem definir a distribuição final dos votos entre os candidatos que lideram a disputa. A pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro mostrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% de Flávio Bolsonaro (PL), com margem de erro de dois pontos percentuais. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, houve empate numérico em 42% para cada candidato. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro.

O quadro regional, portanto, torna o Sudeste especialmente relevante na reta final. O calendário eleitoral impede novas atividades de campanha no domingo, e o TSE estabeleceu 3 de outubro como último dia para atos públicos antes da votação do dia seguinte.

O planejamento também deve ser lido em conjunto com a ampliação da mobilização partidária. Segundo levantamento do Poder360 sobre a última semana da campanha, o PT promoveu em 27 de setembro uma mobilização nacional com mais de 500 atividades, entre caminhadas, carreatas, panfletagens e ações nas redes sociais. A agenda de Lula foi acelerada posteriormente, com deslocamentos por diferentes regiões do país e concentração do encerramento no Sudeste.

A estratégia descrita pela campanha envolve, ainda, tentar ampliar a votação entre eleitores que não estão vinculados de forma permanente ao eleitorado petista. O Poder360 relatou que a coordenação da campanha passou a trabalhar também com a transferência de votos de candidatos que aparecem abaixo dos dois primeiros colocados nas pesquisas, em um movimento associado à disputa pelo chamado voto útil.

São Paulo concentra mais de um quinto do eleitorado

Entre os três estados, São Paulo tem importância quantitativa distinta. Os 34,1 milhões de eleitores paulistas equivalem a mais de um quinto de todo o eleitorado nacional. Isso significa que, isoladamente, o estado reúne uma quantidade de votantes superior à de qualquer outra unidade da Federação.

Minas Gerais aparece em segundo lugar, com 16,38 milhões de eleitores, enquanto o Rio de Janeiro ocupa a terceira posição, com 12,86 milhões. A soma dos três é de 63,34 milhões de pessoas aptas a votar. O número representa quase 40% do eleitorado brasileiro de 158,77 milhões registrado pelo TSE para o pleito deste ano.

A concentração também reduz a distância entre a estratégia estadual e a nacional. Uma campanha presidencial que amplie alguns pontos percentuais em qualquer um desses grandes colégios eleitorais pode alterar de forma relevante sua distribuição territorial de votos, embora o impacto final dependa do comportamento do eleitorado em todas as unidades da Federação.

No caso de São Paulo, o estado ganhou importância adicional nas últimas pesquisas divulgadas antes da eleição. Levantamento do Datafolha realizado em setembro indicou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno no estado, enquanto Minas Gerais aparecia em situação de equilíbrio. Esses resultados são recortes estaduais de pesquisas realizadas em determinado período e não representam o resultado da votação.

Agenda combina presença de Lula e mobilização partidária

A programação de sexta-feira concentra dois atos em um único dia. Lula começa no Rio de Janeiro, passa por Belo Horizonte e, no sábado, faz sua última atividade eleitoral em São Paulo. A agenda fecha o roteiro de viagens da campanha antes do período em que a propaganda e os atos eleitorais deixam de ser permitidos.

Em Minas Gerais, o ato na Praça da Liberdade deverá reunir integrantes da chapa apoiada pelo presidente no estado. Em São Paulo, a escolha da capital para o encerramento preserva a presença do candidato no maior colégio eleitoral brasileiro até as últimas horas permitidas para a campanha. A agenda divulgada para sexta e sábado foi confirmada por veículos que acompanham os compromissos dos presidenciáveis.

A mobilização eleitoral não se restringe, porém, aos eventos com presença física do presidente. O PT tem mantido ações de rua e atividades digitais nos estados, com participação de diretórios, candidaturas e movimentos aliados. Na última semana, a estrutura partidária foi orientada a intensificar o contato direto com eleitores, segundo a cobertura da estratégia de campanha.

Esse componente ganha relevância porque o eleitorado não é homogêneo. O TSE registra 83,8 milhões de mulheres entre as pessoas aptas a votar em 2026, contra 74,8 milhões de homens. A distribuição demográfica amplia a importância de campanhas segmentadas por faixa etária, renda, região e perfil político, embora a decisão individual de voto não possa ser antecipada apenas por características demográficas.

Outra informação incorporada ao ambiente eleitoral nos últimos dias envolve os beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O órgão informou em setembro que o comparecimento às urnas pode ser utilizado como registro automático para a prova de vida, procedimento que alcança cerca de 40 milhões de beneficiários ativos. A medida foi divulgada pelo governo antes da votação e passou a integrar o conjunto de informações disponíveis aos eleitores.

Primeiro turno encerra campanha em 4 de outubro

A eleição de 2026 terá 158,77 milhões de eleitores aptos em todo o país. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, das 8h às 17h no horário de Brasília. Caso seja necessário segundo turno para presidente ou governador, a votação seguinte ocorrerá em 25 de outubro.

O TSE confirmou o registro da candidatura de Lula e Geraldo Alckmin pela chapa do PT e do PSB, assim como o registro de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar pelo PL. Os registros foram aprovados pela Corte Eleitoral em setembro, dentro do calendário oficial das eleições.

Com a votação a três dias do fechamento deste calendário, a campanha de Lula chega ao fim concentrando recursos políticos e presença física nos estados que, juntos, representam quase 40% do eleitorado nacional. A matemática eleitoral explica a prioridade dada ao Sudeste: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reúnem 63,34 milhões de eleitores, enquanto apenas os três representam aproximadamente 95,5% do eleitorado de toda a região.

O encerramento em São Paulo, no sábado, marcará a última atividade pública de Lula antes da votação. No domingo, o candidato votará em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, onde construiu parte central de sua trajetória política. A partir do fim da campanha, a disputa passa da mobilização eleitoral para a votação e a apuração do primeiro turno.

Fontes:

Tribunal Superior Eleitoral – estatísticas do eleitorado das Eleições 2026, distribuição por estados e calendário oficial do primeiro turno

Tribunal Superior Eleitoral – registros das candidaturas à Presidência da República nas Eleições 2026

Instituto Nacional do Seguro Social – regra que permite utilizar o comparecimento às urnas como prova de vida automática

Poder360 – agenda da campanha de Lula na última semana e mobilização partidária antes do primeiro turno

Estado de Minas – programação dos atos de Lula no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em São Paulo nos últimos dias da campanha

Quaest – pesquisa nacional sobre intenção de voto realizada entre 24 e 27 de setembro de 2026

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