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Haddad diz que fraude no Banco Master é muito grave e cobra recuperação de bilhões

por Carlos Menezes
04/02/2026 às 00h10
em Política
Fernando Haddad - Ministro Da Fazenda - Gazeta Mercantil Política

Haddad diz que fraude no Banco Master é muito grave e defende rastreamento de bilhões

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (3) que a fraude no Banco Master é “muito grave” e defendeu a necessidade de rastrear e recuperar os recursos desviados. A declaração ocorre após a liquidação extrajudicial da instituição financeira, decretada pelo Banco Central (BC) em novembro, em meio à identificação de irregularidades consideradas sem precedentes no sistema bancário brasileiro.

Segundo Haddad, o Ministério da Fazenda tomou conhecimento da real dimensão do problema apenas no ano passado, quando Gabriel Galípolo assumiu a presidência do Banco Central. Para o ministro, a crise já estava instalada e exigiu medidas imediatas por parte da autoridade monetária.

Leia também: Caso Master expõe rombo de R$ 3,7 bilhões no Rioprevidência e pressiona Tesouro do Rio.

As investigações em curso apontam para um rombo bilionário, envolvendo operações de crédito sem lastro e transações que podem ter provocado prejuízos significativos a outras instituições financeiras, incluindo um banco público. O caso passou a ser tratado, nos bastidores do governo e do mercado, como a maior fraude bancária já registrada no país.

Perplexidade com a dimensão do rombo

Em entrevista à Band News, Haddad declarou estar perplexo com a proporção alcançada pela crise. Segundo o ministro, o tamanho do problema extrapola qualquer parâmetro usual do sistema financeiro nacional, tanto pelo volume de recursos envolvidos quanto pela fragilidade operacional identificada no Banco Master.

Leia também: Raízen (RAIZ4) faz assembleias decisivas com credores sobre recuperação extrajudicial.

Na avaliação do chefe da equipe econômica, a fraude no Banco Master não pode ser tratada como um evento isolado ou meramente administrativo. Para ele, trata-se de um caso que exige resposta firme do Estado, com responsabilização dos envolvidos, transparência nas investigações e, sobretudo, a recuperação dos valores desviados.

Haddad ressaltou que é fundamental esclarecer como operações de grande vulto puderam ocorrer sem garantias adequadas e sem que os mecanismos de controle internos e externos detectassem, a tempo, a deterioração financeira da instituição.

Banco Central herdou crise já instalada

O ministro da Fazenda também saiu em defesa da atuação do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e empossado em janeiro de 2025. Segundo Haddad, Galípolo assumiu o comando da autoridade monetária em um cenário já comprometido, herdando uma crise profunda no Banco Master.

De acordo com Haddad, o novo presidente do BC adotou as medidas necessárias assim que teve acesso às informações completas sobre a situação da instituição. Ele destacou que a atuação do Banco Central se deu dentro dos limites legais, respeitando seu papel de supervisor do sistema financeiro.

O ministro enfatizou que, nos casos em que há indícios de crime, cabe ao Ministério Público e à Polícia Federal conduzirem as investigações, enquanto o Banco Central atua no âmbito regulatório e prudencial.

Liquidação revelou colapso financeiro

A decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master foi tomada após a constatação de uma grave crise de liquidez. Na prática, a instituição não possuía recursos suficientes para honrar compromissos básicos com clientes, investidores e credores.

Durante depoimento prestado às autoridades, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que, no momento da liquidação, o Banco Master possuía apenas R$ 4 milhões em caixa. O valor foi considerado absolutamente incompatível com o porte da instituição, classificada como banco de médio porte.

Esse dado reforçou a percepção de que a fraude no Banco Master não foi um evento pontual, mas resultado de práticas financeiras irregulares acumuladas ao longo do tempo, com agravamento progressivo da situação patrimonial.

Operações de crédito ampliam alcance da crise

Um dos aspectos mais sensíveis do caso envolve operações realizadas com o Banco de Brasília (BRB). Segundo as investigações, o BRB adquiriu cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consideradas problemáticas, que não pertenciam ao Banco Master e não possuíam garantias financeiras adequadas.

De acordo com Ailton de Aquino, o impacto dessas operações pode exigir um aporte superior a R$ 5 bilhões para cobrir o prejuízo potencial. A revelação elevou o nível de preocupação no mercado financeiro e entre autoridades econômicas, sobretudo pelo envolvimento de uma instituição controlada pelo setor público.

Analistas avaliam que essas transações ampliam significativamente o alcance da fraude no Banco Master, ao indicar que o problema extrapolou os limites da instituição liquidada e passou a afetar terceiros.

Risco institucional e impacto sobre bancos públicos

O envolvimento do BRB trouxe novos desdobramentos para o caso. Por se tratar de um banco público, eventuais necessidades de reforço de capital podem gerar repercussões fiscais e políticas, além de acender alertas sobre governança e controles internos.

Embora o governo federal evite, até o momento, discutir impactos diretos sobre o orçamento, técnicos da área econômica admitem que o desdobramento do caso será acompanhado com atenção redobrada. A prioridade, segundo Haddad, é evitar que prejuízos adicionais recaiam sobre o sistema financeiro e sobre os contribuintes.

Nesse contexto, a recuperação dos valores desviados passou a ser tratada como eixo central da resposta institucional à crise.

Investigação criminal avança em paralelo

A condução das investigações criminais envolve atuação conjunta do Ministério Público e da Polícia Federal, a partir das informações encaminhadas pelo Banco Central. Haddad destacou que o BC cumpriu seu papel ao identificar irregularidades e comunicar os órgãos competentes.

A expectativa é que a apuração avance sobre gestores, operadores financeiros e eventuais beneficiários das operações irregulares. O objetivo é mapear a cadeia de responsabilidades, identificar fluxos financeiros e apurar possíveis crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e falsificação de ativos.

Juristas especializados em direito financeiro avaliam que a fraude no Banco Master pode se tornar um marco jurídico, com potencial de gerar precedentes relevantes para o tratamento de crimes financeiros de grande escala.

Efeitos sobre confiança e ambiente de negócios

Além dos prejuízos diretos, o caso provoca efeitos relevantes sobre a confiança no sistema bancário. A solidez do setor financeiro brasileiro é frequentemente citada como um diferencial do país, e episódios dessa magnitude tendem a afetar a percepção de risco entre investidores.

No curto prazo, analistas descartam risco sistêmico imediato, mas alertam que a repetição de casos semelhantes pode elevar o custo de captação das instituições financeiras e pressionar o crédito. Para o governo, demonstrar rigor na apuração e na punição dos responsáveis é fundamental para preservar a credibilidade do sistema.

A postura adotada por Haddad busca sinalizar que não haverá tolerância com práticas irregulares, especialmente quando envolvem volumes bilionários.

Posicionamento anterior do Ministério da Fazenda

Esta não foi a primeira manifestação de Haddad sobre o episódio. No mês anterior, o ministro já havia defendido a atuação do Banco Central e cobrado providências rigorosas diante das irregularidades identificadas no Banco Master.

Na ocasião, Haddad ressaltou que o arcabouço regulatório brasileiro é robusto, mas que casos como esse evidenciam a necessidade de aprimorar mecanismos de supervisão, transparência e governança no sistema financeiro.

A recorrência do tema na agenda pública reforça a gravidade da situação e indica que o governo pretende acompanhar o caso até seus desdobramentos finais.

Crise do Master expõe fragilidades do sistema

O colapso do Banco Master expôs vulnerabilidades relevantes no sistema financeiro, especialmente no monitoramento de operações complexas e na avaliação de riscos de crédito. A combinação de liquidez praticamente inexistente e operações bilionárias sem lastro reforça a necessidade de revisão de práticas de supervisão.

Para especialistas, a fraude no Banco Master deve impulsionar debates sobre mudanças regulatórias e aprimoramento dos mecanismos de fiscalização, a fim de evitar a repetição de episódios semelhantes.

Rastreamento de recursos entra no centro da agenda econômica

A prioridade agora, segundo Haddad, é rastrear os recursos desviados e recuperar o dinheiro. Essa etapa é considerada uma das mais complexas, pois envolve análise detalhada de transações financeiras, cooperação institucional e eventual bloqueio de bens.

O governo aposta que uma resposta firme, transparente e técnica ajudará a reduzir os danos econômicos e reputacionais causados pela fraude no Banco Master, além de reforçar a confiança nas instituições responsáveis pela supervisão do sistema financeiro.

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