A Gerdau (GGBR4) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro lÃquido ajustado de R$ 1,523 bilhão, alta de 39,7% em relação ao mesmo perÃodo do ano passado, sustentada principalmente pela rentabilidade das operações na América do Norte. A companhia também elevou a geração de caixa livre para R$ 1,439 bilhão, reduziu a alavancagem financeira e anunciou R$ 667 milhões em dividendos. O desempenho, entretanto, ocorreu em um perÃodo de retração anual nas vendas fÃsicas de aço e de enfraquecimento da atividade no mercado brasileiro.
O Ebitda ajustado, indicador de resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 3,771 bilhões entre julho e setembro, crescimento de 37,8% na comparação anual e de 9,9% sobre o segundo trimestre. A margem Ebitda ajustada avançou para 20,2%, ante 15,2% um ano antes e 19,2% no trimestre imediatamente anterior. Segundo a empresa, tanto o valor do indicador quanto a margem alcançaram seus maiores nÃveis desde o segundo trimestre de 2023.
A receita lÃquida somou R$ 18,691 bilhões, avanço de 3,9% em 12 meses e de 4,6% em relação ao segundo trimestre. O aumento do faturamento ocorreu apesar da redução de 5,6% no volume de aço comercializado na comparação anual, para 2,914 milhões de toneladas. A combinação indica que a melhora dos preços realizados, a composição das vendas e os efeitos cambiais compensaram a retração dos embarques, especialmente no Brasil.
Os resultados mostram, assim, uma diferença importante entre crescimento financeiro e expansão fÃsica da atividade. A companhia conseguiu aumentar a rentabilidade mesmo sem elevar o volume total vendido na comparação anual, mas o avanço dependeu fortemente de uma região especÃfica, enquanto parte das operações sul-americanas enfrentou custos maiores e condições de mercado menos favoráveis.
América do Norte responde pela maior parte da rentabilidade
A operação norte-americana foi o principal componente da evolução dos resultados consolidados. O segmento registrou Ebitda ajustado de R$ 2,912 bilhões no terceiro trimestre, alta de 60% sobre o mesmo perÃodo de 2025 e de 12% na comparação com o segundo trimestre. A margem operacional chegou a 27,7%, contra 19,8% um ano antes e 25,7% no trimestre anterior.
A participação do segmento no resultado consolidado evidencia a diferença de rentabilidade entre as regiões. Embora a América do Norte tenha respondido por 44,2% dos embarques totais de aço, sua contribuição alcançou 55,6% da receita lÃquida e 76,4% do Ebitda ajustado da Gerdau. O Brasil, por sua vez, respondeu por 45,4% do volume comercializado, proporção próxima à norte-americana, mas com contribuição financeira significativamente inferior.
Em termos absolutos, os R$ 2,912 bilhões gerados na América do Norte representaram mais de três quartos do Ebitda consolidado de R$ 3,771 bilhões. O resultado ajuda a explicar por que a companhia conseguiu expandir sua margem mesmo com a perda de vendas no mercado doméstico e a contração da rentabilidade na América do Sul.
A receita lÃquida norte-americana atingiu R$ 10,512 bilhões, aumento de 14,4% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Os embarques chegaram a 1,313 milhão de toneladas, crescimento anual de 1,5%, embora tenham recuado 2,5% na comparação trimestral. O aumento do faturamento, portanto, refletiu principalmente condições comerciais mais favoráveis, e não uma expansão expressiva da quantidade vendida.
De acordo com a administração, a região contou com demanda robusta, carteira de pedidos elevada e condições favoráveis para incorporar os reajustes de preços implementados ao longo do ano. Esses fatores ajudaram a compensar os custos operacionais mais altos e o efeito das paradas programadas de manutenção realizadas em unidades industriais.
Os preços realizados tiveram importância decisiva no resultado. A Gerdau atribuiu aproximadamente R$ 2,3 bilhões da variação anual positiva do Ebitda consolidado à melhora dos preços obtidos no perÃodo de 12 meses. Esse efeito superou as pressões provocadas pelo aumento de determinados custos, pela redução dos volumes comercializados e pelas oscilações cambiais.
A diferença entre preços e volumes também aparece na comparação trimestral. O Ebitda consolidado cresceu R$ 341 milhões em relação ao segundo trimestre. Desse incremento, R$ 312 milhões vieram da América do Norte, enquanto o Brasil contribuiu com R$ 36 milhões. A América do Sul, em sentido oposto, registrou uma redução de R$ 45 milhões.
Os números mostram que o desempenho norte-americano não apenas sustentou a expansão consolidada como compensou parte das dificuldades nas demais regiões. Essa concentração de resultado também torna o balanço mais sensÃvel à s condições comerciais e industriais dos Estados Unidos e do Canadá.
Mercado brasileiro combina recuperação trimestral e retração anual
No Brasil, a Gerdau registrou Ebitda ajustado de R$ 741 milhões, queda de 2,8% em relação ao terceiro trimestre de 2025, mas aumento de 5,2% sobre o segundo trimestre deste ano. A margem avançou de 9,9% para 10,7% na comparação anual, indicando melhora relativa da rentabilidade, apesar do menor nÃvel de atividade.
A receita lÃquida brasileira somou R$ 6,948 bilhões, recuo de 9,7% em 12 meses. Os embarques de aço totalizaram 1,351 milhão de toneladas, volume 14,6% inferior ao registrado no mesmo perÃodo do ano passado. A retração foi influenciada tanto pela fraqueza das vendas internas quanto pela redução das exportações.
As vendas destinadas ao mercado doméstico alcançaram 1,179 milhão de toneladas, queda de 5,8% na comparação anual. Já as exportações recuaram 47,9%, para 172 mil toneladas. A participação das vendas externas nos embarques brasileiros diminuiu de 21% no terceiro trimestre de 2025 para 13% neste ano, movimento associado à estratégia da companhia de aumentar a parcela destinada ao mercado interno.
A composição regional das vendas é relevante para interpretar a queda do volume total. A redução das exportações não deve ser confundida integralmente com perda de demanda, pois parte do movimento decorre da reorganização comercial da empresa. Ainda assim, o recuo das vendas domésticas confirma que a atividade brasileira permaneceu pressionada em termos anuais.
O quadro é particularmente evidente no segmento de aços longos, utilizado em aplicações como construção civil e infraestrutura. Os embarques brasileiros desses produtos caÃram 20,7% em relação ao terceiro trimestre de 2025, para 886 mil toneladas. Consideradas apenas as vendas domésticas de aços longos, o volume recuou 12%, de 862 mil para 759 mil toneladas. As exportações da categoria caÃram 50,2%.
Os aços planos apresentaram comportamento distinto. Seus embarques domésticos cresceram 7,7% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, para 420 mil toneladas, enquanto o volume total da categoria permaneceu praticamente estável, em 465 mil toneladas. Esse desempenho, contudo, não eliminou as dificuldades gerais do segmento brasileiro.
O balanço também aponta aumento da pressão competitiva provocada pelas importações. Segundo dados do Instituto Aço Brasil citados pela companhia, o consumo aparente de aço no paÃs cresceu 6,3% na comparação com o segundo trimestre, puxado principalmente pelos produtos planos. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, entretanto, o indicador apresentou queda de 4,6% em relação ao mesmo perÃodo de 2025.
As importações totais de aço aumentaram 19,8% sobre o trimestre anterior, enquanto as entradas de produtos planos cresceram 33,8%. O avanço da oferta importada ampliou a competição no mercado interno e limitou as condições de comercialização das siderúrgicas nacionais.
A administração também apontou os juros elevados como um fator de pressão sobre a atividade industrial e relatou maior cautela dos clientes diante das incertezas econômicas e polÃticas. Na construção civil, a atividade continuou sustentada principalmente pela construção residencial voltada à s faixas de menor renda. No setor automotivo, houve sinais de recuperação na produção de veÃculos leves, mas a fabricação de veÃculos pesados permaneceu abaixo do nÃvel de um ano antes.
América do Sul registra queda de rentabilidade
O segmento de América do Sul, que reúne operações na Argentina, no Peru e no Uruguai, apresentou o resultado operacional mais fraco na comparação trimestral. O Ebitda ajustado foi de R$ 160 milhões, queda de 22% sobre o segundo trimestre e de 31,8% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A margem recuou de 16% para 11,1% em três meses.
A redução da rentabilidade ocorreu apesar do aumento dos embarques. O segmento comercializou 309 mil toneladas de aço, alta de 9,7% na comparação trimestral e de 7,1% em relação ao mesmo perÃodo do ano passado. A receita lÃquida também avançou, para R$ 1,440 bilhão, crescimento de 12,6% sobre o segundo trimestre.
A evolução divergente entre vendas e Ebitda mostra que o aumento dos volumes não se converteu proporcionalmente em resultado operacional. Os custos das mercadorias vendidas cresceram 17,7% em relação ao segundo trimestre, para R$ 1,304 bilhão, ritmo superior ao avanço da receita lÃquida.
A companhia atribuiu parte da pressão às paradas programadas de manutenção, concentradas principalmente na Argentina, que reduziram a produção e elevaram os custos unitários pela menor diluição dos gastos fixos. A demanda fraca no mercado argentino e disputas trabalhistas no setor de construção civil do Uruguai também afetaram o ambiente de negócios.
No Peru, em contraste, a operação apresentou evolução positiva, impulsionada pela construção civil. A produção e os embarques alcançaram nÃveis elevados durante o trimestre, ajudando a sustentar o volume comercializado do segmento. O resultado peruano, contudo, não foi suficiente para neutralizar a pressão de custos nas demais operações sul-americanas.
A comparação entre as regiões reforça que o crescimento consolidado não foi uniforme. Enquanto a América do Norte ampliou volumes anuais e elevou significativamente a rentabilidade, o Brasil enfrentou retração das vendas e a América do Sul sofreu com custos e interrupções operacionais.
Geração de caixa melhora e alavancagem recua
A geração de caixa livre foi outro destaque do balanço. A Gerdau registrou fluxo de caixa livre positivo de R$ 1,439 bilhão no terceiro trimestre, ante R$ 237 milhões no segundo trimestre e R$ 1,008 bilhão no mesmo perÃodo de 2025. O resultado trimestral superou em R$ 1,202 bilhão o valor registrado entre abril e junho.
A melhora foi favorecida pelo avanço do Ebitda ajustado, pela redução do consumo de capital de giro e pelo menor desembolso com juros em relação ao trimestre anterior. O efeito do capital de giro sobre o fluxo de caixa foi negativo em R$ 272 milhões, abaixo do consumo de R$ 933 milhões registrado no segundo trimestre.
No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a geração de caixa livre totalizou R$ 1,692 bilhão. No mesmo intervalo de 2025, a companhia havia registrado fluxo negativo de R$ 1,018 bilhão. A diferença de R$ 2,710 bilhões entre os perÃodos reflete a melhora operacional, a menor necessidade de recursos para investimentos e mudanças no comportamento do capital de giro.
A relação entre dÃvida lÃquida e Ebitda ajustado caiu para 0,58 vez, comparada a 0,69 vez no segundo trimestre e 0,81 vez um ano antes. O indicador mostra que a dÃvida lÃquida corresponde a menos de um ano de resultado operacional ajustado na proporção utilizada pela empresa, embora não represente, isoladamente, o prazo efetivo de pagamento das obrigações financeiras.
A companhia encerrou o trimestre com saldo de caixa de aproximadamente R$ 5,7 bilhões. No perÃodo, também desembolsou R$ 300 milhões na aquisição de participação societária na Dona Francisca Energética S.A., operação relacionada à estratégia de ampliar a geração própria de energia.
A melhora dos indicadores financeiros ocorreu em paralelo à revisão das perspectivas de crédito da empresa. Fitch Ratings e S&P Global Ratings passaram a atribuir perspectiva positiva à Gerdau, mantendo as classificações de crédito informadas pela companhia. A Moody’s, em avaliação divulgada anteriormente, mantinha perspectiva estável. Essas avaliações consideram, entre outros fatores, a capacidade de geração de recursos e a disciplina financeira.
Investimentos avançam, com projetos previstos para o quarto trimestre
Os investimentos totalizaram R$ 955 milhões no terceiro trimestre. No acumulado de janeiro a setembro, o montante chegou a aproximadamente R$ 3,1 bilhões, equivalente a 66% do plano de investimentos de R$ 4,7 bilhões previsto para 2026.
A diferença entre o orçamento anual e o montante já aplicado corresponde a cerca de R$ 1,6 bilhão, ou 34% do total planejado, a ser executado no último trimestre caso a previsão original seja mantida. Trata-se de uma estimativa calculada a partir dos valores divulgados e arredondados pela companhia, não de um novo guidance.
Do investimento realizado no terceiro trimestre, 55% foram destinados à competitividade e 45% à manutenção. As operações brasileiras receberam 79% do total aplicado no perÃodo, em contraste com a participação predominante da América do Norte na geração de resultado operacional.
Entre os projetos em andamento, a unidade de processamento de sucata de Pindamonhangaba, em São Paulo, iniciou suas operações. A instalação amplia a capacidade de fornecimento de matéria-prima metálica e integra os esforços para aumentar a competitividade das operações brasileiras.
Outro projeto em fase avançada é a plataforma de mineração sustentável de Miguel Burnier, cujo inÃcio de operação permanece previsto para o quarto trimestre de 2026. Na América do Norte, a expansão da unidade de Midlothian, no Texas, também entrou em etapa final, com a conclusão dos trabalhos prevista para o fim do ano.
O projeto de Midlothian deverá acrescentar aproximadamente 150 mil toneladas anuais à capacidade de produção de aço bruto da unidade. A conclusão envolve paradas programadas no setor de aciaria, inclusive durante o quarto trimestre. A empresa informou que não espera impacto relevante nos volumes comercializados, apoiada pelos estoques de produtos semielaborados formados nos trimestres anteriores.
A execução dos projetos ocorre simultaneamente à remuneração dos acionistas. Em 26 de outubro, o conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 0,34 por ação da Gerdau S.A., totalizando R$ 667 milhões, com pagamento previsto para 15 de dezembro de 2026. O valor se refere à companhia listada sob o código GGBR4 e não deve ser confundido com a distribuição aprovada separadamente pela Metalúrgica Gerdau.
O programa de recompra de ações de 2026 também permaneceu em andamento. Até o encerramento do trimestre, a empresa havia investido R$ 344,1 milhões na aquisição de ações próprias, alcançando 32% do volume autorizado.
Os próximos resultados dependerão da capacidade de preservar as margens norte-americanas durante as paradas de manutenção, executar os investimentos previstos e enfrentar a concorrência das importações e a demanda ainda fraca no Brasil. O balanço do terceiro trimestre mostra que a Gerdau dispõe de geração de caixa e rentabilidade crescentes, mas também evidencia que a contribuição desproporcional da América do Norte se tornou central para o desempenho consolidado.
Fontes:
Gerdau S.A. – comunicado oficial de resultados do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 26 de outubro, com lucro, receita, Ebitda, dividendos e investimentos.
U.S. Securities and Exchange Commission – formulário 6-K da Gerdau S.A., de 26 de outubro de 2026, com relatório trimestral, demonstrações financeiras, desempenho por segmento, fluxo de caixa e indicadores de endividamento.










