A produção de petróleo e gás natural no Brasil atingiu um novo recorde em setembro de 2026, alcançando 6,116 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), segundo dados preliminares da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e BiocombustÃveis (ANP). O resultado representa crescimento de 1,93% em relação ao mês anterior e consolida a expansão da atividade de exploração e produção no paÃs, impulsionada principalmente pelos campos do pré-sal.
O volume de petróleo extraÃdo chegou a 4,708 milhões de barris por dia, enquanto a produção de gás natural alcançou 223,8 milhões de metros cúbicos diários. Na comparação com setembro de 2025, os aumentos foram de 20,3% e 17,5%, respectivamente, indicando avanço expressivo das duas atividades nos últimos 12 meses.
Os números preliminares de setembro superam os resultados consolidados de agosto, quando o Brasil havia produzido 6,002 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Naquele mês, conforme o boletim oficial da ANP, a produção de petróleo alcançou 4,615 milhões de barris diários e a de gás natural somou 220,55 milhões de metros cúbicos por dia.
A sequência de crescimento reforça a importância da produção offshore para o setor energético brasileiro, especialmente nos reservatórios localizados em águas profundas e ultraprofundas. O avanço ocorre em um perÃodo de ampliação da capacidade produtiva de plataformas e desenvolvimento de novos poços em campos estratégicos.
Pré-sal concentra 83,39% da produção nacional de petróleo e gás
O pré-sal permaneceu como principal responsável pela expansão da atividade petrolÃfera brasileira. Em setembro, os campos dessa região geológica produziram 5,100 milhões de barris de óleo equivalente por dia, correspondentes a 83,39% de toda a produção nacional.
O resultado representa crescimento de 2,85% em relação a agosto, quando a produção do pré-sal havia alcançado 4,959 milhões de boed. A participação dessa região na produção brasileira também aumentou, passando de aproximadamente 82,6% para 83,39% entre os dois meses.
A extração de petróleo nos campos do pré-sal chegou a 3,945 milhões de barris por dia em setembro. A produção de gás natural, por sua vez, alcançou 183,6 milhões de metros cúbicos diários.
Esses resultados demonstram a concentração da produção brasileira nos reservatórios do pré-sal, que oferecem elevados volumes de hidrocarbonetos e são responsáveis por parcela crescente da exploração nacional.
A expansão dessa atividade está relacionada à entrada de novas unidades de produção, à interligação de poços e ao aumento gradual da capacidade operacional das plataformas já instaladas.
Embora o pré-sal concentre a maior parte do volume extraÃdo, a produção brasileira também inclui campos do pós-sal e operações terrestres, que continuam desempenhando papel relevante na oferta nacional de petróleo e gás natural.
Produção de petróleo cresce mais de 20% em um ano
A produção de petróleo apresentou uma das maiores expansões do setor nos últimos 12 meses. O volume de 4,708 milhões de barris por dia registrado em setembro representa aumento de 20,3% em relação ao mesmo perÃodo de 2025.
Na comparação mensal, a extração avançou em aproximadamente 93 mil barris por dia, considerando o volume consolidado de agosto divulgado pela ANP.
A produção de gás natural também manteve trajetória de crescimento. O volume de 223,8 milhões de metros cúbicos por dia representa alta anual de 17,5% e expansão aproximada de 1,5% em relação a agosto.
O crescimento simultâneo dos dois indicadores amplia a disponibilidade potencial de hidrocarbonetos no paÃs, embora a produção total de gás natural não corresponda integralmente ao volume oferecido ao mercado consumidor.
Parte do gás produzido é reinjetada nos reservatórios, utilizada nas próprias operações ou destinada a outros processos operacionais. Por isso, a quantidade efetivamente disponÃvel para comercialização depende de fatores adicionais, como capacidade de processamento, escoamento e aproveitamento do produto.
Petrobras (PETR4) divulga produção do terceiro trimestre nesta quarta-feira
O recorde nacional de produção ocorre no mesmo dia em que a Petrobras (PETR4) está programada para apresentar seu relatório de produção e vendas referente ao terceiro trimestre de 2026.
A divulgação está prevista para depois do fechamento do mercado financeiro nesta quarta-feira (28), conforme calendário informado pela companhia aos investidores.
No segundo trimestre, a Petrobras registrou produção total de petróleo e gás natural de aproximadamente 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, um recorde operacional para a empresa naquele perÃodo.
A produção própria de petróleo no Brasil alcançou cerca de 2,7 milhões de barris diários, avanço de 15% em relação ao segundo trimestre de 2025.
O desempenho foi favorecido pela ampliação da eficiência operacional e pelo crescimento da produção em campos estratégicos, especialmente Búzios e Mero, localizados na Bacia de Santos.
Em maio, a Petrobras iniciou antecipadamente a produção da plataforma P-79, oitava unidade do campo de Búzios. O equipamento possui capacidade nominal de produzir até 180 mil barris de petróleo por dia, contribuindo para a expansão gradual da oferta nacional.
Os dados trimestrais da Petrobras permitirão avaliar quanto do crescimento nacional registrado pela ANP está associado diretamente à produção própria da estatal e quanto corresponde às operações de outras companhias.
É importante distinguir os indicadores: a produção nacional divulgada pela ANP inclui todas as empresas produtoras que atuam no Brasil, enquanto o relatório da Petrobras apresenta os volumes próprios e operados pela companhia, conforme suas respectivas metodologias.
Recorde pode ampliar exportações e arrecadação com petróleo
A expansão da produção de petróleo e gás natural tem implicações relevantes para a economia brasileira, especialmente nos segmentos de comércio exterior, arrecadação pública e investimentos em infraestrutura energética.
O crescimento da extração amplia o potencial de exportação de petróleo bruto, desde que haja demanda internacional e condições comerciais favoráveis. O resultado efetivo das vendas externas também depende das cotações internacionais, dos custos logÃsticos e da taxa de câmbio.
Outro efeito está relacionado à arrecadação de royalties e participações governamentais, que são pagos pelas empresas produtoras e distribuÃdos entre União, estados e municÃpios, de acordo com as regras previstas na legislação.
O aumento do volume produzido pode elevar essas receitas, mas a arrecadação efetiva também varia conforme o preço de referência do petróleo, os contratos de exploração e outros parâmetros definidos pela regulamentação.
Para as empresas do setor, a expansão pode representar maior geração de receitas e diluição de determinados custos operacionais. Entretanto, a rentabilidade depende de fatores como investimentos, despesas de produção, depreciação e preços de comercialização.
O aumento da produção doméstica, isoladamente, também não determina uma redução automática dos preços da gasolina e do diesel. Os valores dos combustÃveis dependem de uma combinação de custos de refino, cotações internacionais, margens de distribuição e revenda, impostos e decisões comerciais dos agentes do setor.
Expansão reforça importância dos investimentos em novas plataformas
A ampliação da produção nacional ocorre em um perÃodo de investimentos expressivos em exploração e produção de petróleo, com destaque para projetos offshore em águas profundas e ultraprofundas.
No Plano de Negócios 2026-2030, a Petrobras prevê investimentos totais de US$ 109 bilhões, dos quais US$ 69,2 bilhões estão direcionados à carteira de implantação de projetos de exploração e produção.
Desse montante, 62% estão associados ao pré-sal, refletindo a prioridade concedida pela companhia aos grandes reservatórios dessa região.
Entre os projetos previstos estão novas plataformas para o campo de Búzios e sistemas destinados à ampliação da produção em outros campos estratégicos.
O crescimento da atividade também exige investimentos em infraestrutura de escoamento, processamento de gás natural, logÃstica marÃtima e manutenção das unidades em operação.
A evolução dos volumes extraÃdos depende da continuidade desses projetos e da estabilidade operacional dos campos produtores, já que paradas de manutenção, alterações na produtividade dos poços e condições técnicas podem provocar oscilações de um mês para outro.
Brasil consolida novo patamar de produção de petróleo
Com a produção nacional acima de 6,1 milhões de barris de óleo equivalente por dia em setembro, o Brasil alcançou um novo patamar na exploração de petróleo e gás natural.
O avanço de 20,3% na extração de petróleo em relação ao ano anterior demonstra a dimensão do crescimento recente do setor, enquanto a participação superior a 83% do pré-sal evidencia a concentração dos principais investimentos produtivos nessa região.
Os números de setembro ainda são preliminares e poderão sofrer ajustes na consolidação mensal da ANP, conforme o processamento dos dados enviados pelas empresas operadoras.
A divulgação dos indicadores trimestrais da Petrobras, prevista para esta quarta-feira, deverá acrescentar informações sobre o desempenho da maior produtora do paÃs e permitir uma avaliação mais detalhada da contribuição de seus principais campos para o avanço da produção brasileira.
Fontes:
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e BiocombustÃveis (ANP) — Dados preliminares de produção nacional de petróleo e gás natural referentes a setembro de 2026, sujeitos à consolidação.
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e BiocombustÃveis (ANP) — Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural de agosto de 2026, divulgado em 1º de outubro.
Petrobras — Divulgação oficial dos resultados operacionais do segundo trimestre de 2026, de 6 de agosto.
Petrobras — Comunicado sobre o inÃcio da produção da plataforma P-79, em 1º de maio de 2026.
Petrobras — Comunicado aos investidores de 13 de outubro de 2026 sobre o calendário de divulgação dos resultados do terceiro trimestre.
Petrobras — Plano de Negócios 2026-2030.








