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Goldman Sachs projeta Brent a US$ 85 em 2026 com riscos geopolíticos e alta global do petróleo

por Álvaro Lima
23/03/2026 às 23h13
em Economia
Goldman Sachs Projeta Brent A Us$ 85 Em 2026 Com Riscos Geopolíticos E Alta Global Do Petróleo - Gazeta Mercantil

Goldman Sachs eleva projeção do Brent para US$ 85 em 2026 e sinaliza alta global do petróleo

O Goldman Sachs revisou nesta segunda-feira (23) suas projeções para o preço do petróleo em 2026, elevando a estimativa do Brent de US$ 77 para US$ 85 por barril, refletindo tensões geopolíticas, restrições na oferta e movimentos estratégicos do mercado. A previsão para o WTI também foi ajustada, passando de US$ 72 para US$ 79 no mesmo período.

Para o quarto trimestre de 2025, o banco norte-americano já havia revisado o Brent de US$ 71 para US$ 80 por barril, enquanto o WTI passou de US$ 67 para US$ 75, mostrando uma percepção de risco mais elevada e uma expectativa de forte volatilidade no curto prazo.

Leia também: Mercados chineses têm maior alta em 32 dias, enquanto Tóquio cai.


Estrutura das novas projeções

Segundo o relatório do Goldman Sachs, a nova estimativa do Brent considera múltiplos fatores econômicos e geopolíticos. Entre os componentes da previsão:

  • US$ 62 por barril relacionados a fundamentos do mercado, desvinculados do conflito no Irã;
  • US$ 9 associados ao aumento dos estoques comerciais;
  • Dinâmica entre preços à vista e futuros, que contribui com US$ 4;
  • US$ 5 referentes ao posicionamento estratégico do mercado diante de riscos geopolíticos e rotação de ativos.

O estudo ressalta que tais fatores são decisivos para a formação de preços no mercado internacional, em especial diante de eventos extraordinários como a tensão no Estreito de Ormuz.

Leia também: Falha na AWS causa prejuízo bilionário e expõe riscos da dependência global da nuvem.


Impactos do Estreito de Ormuz

O Goldman Sachs destacou que passou a considerar um período mais prolongado de restrição nos fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz, operando a apenas 5% de sua capacidade por cerca de seis semanas. Esse estreito é responsável por transportar aproximadamente 20% do petróleo global, tornando qualquer interrupção uma ameaça significativa à oferta mundial.

Após o período crítico, o banco prevê uma recuperação gradual em torno de um mês, porém os impactos sobre a oferta global ainda devem ser relevantes. A instituição também aponta que a concentração da produção e a limitação da capacidade ociosa incentivam maior estocagem estratégica, reforçando a volatilidade do preço do Brent e do WTI.


Projeções de curto prazo

No curto prazo, a expectativa do Goldman Sachs é de que o Brent atinja uma média de US$ 110 por barril em março e abril de 2026, acima da previsão anterior de US$ 98. Para abril especificamente, o banco elevou a estimativa para US$ 115, ante os US$ 85 anteriormente projetados.

Em cenários adversos, caso a restrição do fluxo pelo Estreito de Ormuz se prolongue por até dez semanas, os preços podem variar entre US$ 105 e US$ 135 por barril, evidenciando a sensibilidade do mercado frente a fatores geopolíticos.


Cenários negativos e positivos

O relatório do Goldman Sachs apresenta também cenários contrastantes:

  • Cenário negativo: com perda persistente de produção no Oriente Médio, o Brent poderia disparar antes de convergir para cerca de US$ 115 no quarto trimestre de 2026;
  • Cenário positivo: redução das tensões geopolíticas ou eventual interrupção de ações militares pelos Estados Unidos poderia gerar queda nos preços;
  • Riscos adicionais: restrições às exportações americanas de petróleo, que poderiam ampliar ainda mais a diferença entre os preços do WTI e do Brent, tornando o mercado internacional ainda mais volátil.

Segundo analistas do banco, esses cenários mostram como o mercado global de petróleo está altamente correlacionado a riscos externos e a decisões estratégicas de grandes produtores.


Repercussões no mercado brasileiro

A alta projetada para o Brent impacta diretamente o mercado nacional, especialmente para empresas do setor de óleo e gás listadas na B3, como Petrobras (PETR4). Com o aumento do preço do petróleo no mercado internacional, a companhia pode registrar ganhos operacionais expressivos, ainda que o efeito sobre os combustíveis domésticos seja limitado por políticas internas de preços.

Além disso, o cenário reforça a importância de investidores acompanharem indicadores globais, contratos futuros e relatórios de instituições como o Goldman Sachs, pois pequenas mudanças nas expectativas de oferta podem gerar grandes oscilações nos ativos locais.


Estratégias de investidores e traders

Diante da projeção de alta do Brent para US$ 85 em 2026, investidores institucionais e traders no mercado de commodities já ajustam suas estratégias. Entre as principais ações adotadas:

  • Aumento da posição em contratos futuros de Brent e WTI para proteção contra alta de preços;
  • Revisão de portfólios de ações de empresas do setor energético;
  • Monitoramento do Estreito de Ormuz e análise de riscos geopolíticos como fator determinante de volatilidade;
  • Diversificação de ativos para mitigar exposição em caso de alta extrema ou queda inesperada.

Especialistas destacam que a volatilidade do Brent deve permanecer elevada, com movimentos impulsionados tanto por fundamentos de oferta e demanda quanto por fatores geopolíticos e especulação financeira.


Análise de fundamentos do petróleo

O relatório do Goldman Sachs detalha que os fundamentos do mercado global de petróleo incluem oferta limitada, estoques estratégicos, baixa capacidade ociosa e tensão geopolítica no Oriente Médio. O banco calcula que US$ 62 da previsão do Brent estão vinculados diretamente a esses fundamentos, reforçando que mesmo sem crises externas, o preço do barril deve permanecer elevado.

Os estoques comerciais, que contribuem com US$ 9 por barril, também influenciam a liquidez do mercado. O ajuste entre preços à vista e futuros, somado ao posicionamento estratégico de investidores, adiciona complexidade ao cenário, justificando a necessidade de monitoramento contínuo.


Perspectivas para 2026

Para 2026, o Goldman Sachs projeta um ano de alta volatilidade, com Brent entre US$ 85 e US$ 115 por barril dependendo do cenário geopolítico. O banco enfatiza que, enquanto persistirem riscos externos e restrições de oferta, os preços tendem a se manter elevados, pressionando países importadores e beneficiando produtores estratégicos.

No caso de normalização das tensões, é esperado que os preços recuem, mas a base elevada deve permanecer, sustentando margens de lucro das empresas produtoras de petróleo.

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