Ibovespa fecha em alta após dados fracos de emprego nos EUA e inflação comportada no Brasil
O mercado financeiro brasileiro encerrou a sessão desta sexta-feira em tom positivo, com o índice de referência da Bolsa avançando em um ambiente de maior apetite ao risco no cenário internacional. O Ibovespa fecha em alta de 0,27%, aos 163.370,31 pontos, impulsionado principalmente pela divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos abaixo do esperado, fator que reforçou as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve ao longo de 2026.
Durante o pregão, o principal indicador do mercado acionário nacional oscilou entre a mínima de 162.637,86 pontos e a máxima de 164.263,24 pontos, refletindo a cautela dos investidores diante de uma agenda carregada de indicadores econômicos. O volume financeiro movimentado somou R$ 22,3 bilhões, sinalizando participação relevante de investidores institucionais em um dia marcado por ajustes finos de posição.
O desempenho positivo do mercado brasileiro acompanhou o humor observado no exterior, onde os investidores reagiram de forma construtiva aos números do mercado de trabalho americano, considerados o principal termômetro para as decisões futuras do banco central dos Estados Unidos.
Dados de emprego nos EUA explicam por que o Ibovespa fecha em alta
O destaque do dia foi o relatório de emprego divulgado pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. Segundo os dados oficiais, a economia americana criou 50 mil vagas em dezembro, número inferior à expectativa de 60 mil postos projetada por economistas. Embora a taxa de desemprego tenha recuado para 4,4%, abaixo da estimativa de 4,5%, o conjunto dos dados foi interpretado como sinal de desaceleração gradual do mercado de trabalho.
Esse equilíbrio entre geração de vagas mais fraca e desemprego controlado foi suficiente para aliviar os temores de um superaquecimento da economia americana. O receio predominante até então era de que dados muito robustos pudessem afastar a possibilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve, movimento que já vinha sendo precificado pelos mercados globais.
Ao reduzir a pressão inflacionária associada ao emprego, o relatório abriu espaço para a manutenção das apostas em um ciclo de flexibilização monetária ao longo do ano, cenário que favorece ativos de risco em economias emergentes, como o Brasil. Esse contexto ajuda a explicar por que o Ibovespa fecha em alta, mesmo em um dia de volatilidade moderada.
Expectativa de cortes de juros pelo Fed sustenta o mercado
Analistas destacam que o relatório de emprego, embora misto, reforça a leitura de que o banco central americano ainda dispõe de margem para iniciar um processo gradual de redução dos juros. A expectativa predominante no mercado segue sendo de dois a três cortes ao longo de 2026, dependendo da evolução da inflação e da atividade econômica.
A simples manutenção dessa perspectiva já é suficiente para sustentar o fluxo de capital para mercados acionários, especialmente em países que oferecem juros reais elevados e fundamentos macroeconômicos relativamente estáveis. Nesse ambiente, o Brasil surge como destino natural de parte dos recursos globais, contribuindo para o movimento de alta do Ibovespa.
Além disso, os investidores começam a direcionar atenção para a futura composição da diretoria do Federal Reserve, fator que também pode influenciar a condução da política monetária nos próximos trimestres.
Wall Street em alta reforça cenário externo favorável
O desempenho positivo do mercado brasileiro foi acompanhado por ganhos relevantes nas bolsas de Nova York. O índice S&P 500 encerrou o dia em alta de 0,68%, refletindo o mesmo alívio observado nos mercados globais após os dados de emprego.
A valorização dos principais índices americanos reforçou o apetite por risco e contribuiu para um ambiente mais construtivo para ativos de mercados emergentes. A correlação entre Wall Street e o Ibovespa segue elevada, sobretudo em momentos de definição de expectativas sobre juros e crescimento global.
Esse alinhamento internacional foi um dos fatores determinantes para que o Ibovespa fecha em alta, mesmo diante de um cenário doméstico ainda marcado por incertezas fiscais e desafios estruturais.
Inflação no Brasil abaixo do esperado reforça leitura positiva
No cenário interno, os investidores também repercutiram os dados de inflação divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo registrou alta de 0,33% em dezembro, após avanço de 0,18% em novembro, encerrando 2025 com inflação acumulada de 4,26%.
O resultado veio ligeiramente abaixo das projeções de mercado, que apontavam para altas de 0,35% no mês e 4,30% no acumulado do ano. Apesar de a inflação permanecer acima do centro da meta de 3% perseguida pelo Banco Central, o índice segue dentro do intervalo de tolerância, cujo teto é de 4,50%.
Esse comportamento dos preços reforçou a percepção de que o processo inflacionário segue relativamente controlado, o que sustenta expectativas de flexibilização da política monetária ao longo do ano. Esse fator doméstico contribuiu para o movimento de valorização dos ativos de risco, ajudando a explicar por que o Ibovespa fecha em alta no encerramento da semana.
Política monetária brasileira no radar dos investidores
A leitura mais benigna da inflação fortalece a avaliação de que o Comitê de Política Monetária poderá avançar no ciclo de redução da Selic, desde que o cenário fiscal não se deteriore de forma significativa. Para o mercado, a combinação de inflação comportada e atividade econômica moderada cria espaço para uma política monetária menos restritiva.
Esse ambiente tende a beneficiar setores sensíveis ao custo do crédito, como varejo, construção civil e consumo discricionário, além de sustentar a atratividade relativa da Bolsa frente à renda fixa. Mesmo com juros ainda elevados, o potencial de valorização das ações volta a ganhar relevância nas estratégias dos investidores.
Acordo Mercosul-UE entra no radar e reforça perspectiva positiva
Outro fator que contribuiu para o bom humor do mercado foi a confirmação da aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A notícia, divulgada no início da tarde, foi recebida de forma positiva pelos agentes financeiros, que veem no acordo um potencial catalisador de crescimento de médio e longo prazo para a economia brasileira.
Embora os efeitos práticos do acordo dependam de etapas adicionais de ratificação e implementação, a sinalização política é considerada relevante. A expectativa de maior integração comercial, ampliação de mercados e estímulo a investimentos estrangeiros reforça a atratividade do Brasil no cenário internacional.
Esse pano de fundo contribuiu para sustentar o movimento de alta e reforçou a leitura de que o Ibovespa fecha em alta em um contexto mais amplo de melhora das expectativas.
Setores e ações influenciados pelo cenário do dia
O ambiente externo mais favorável e os dados domésticos benignos favoreceram ações ligadas ao ciclo econômico, especialmente aquelas mais sensíveis a juros e crescimento. Papéis de empresas do setor financeiro, consumo e infraestrutura apresentaram desempenho positivo ao longo do pregão.
Ao mesmo tempo, a ausência de choques negativos no noticiário permitiu que os investidores mantivessem posições em ativos de maior risco, evitando movimentos defensivos mais intensos. O comportamento do mercado refletiu um ajuste fino de portfólios, típico de períodos de transição na política monetária global.
Perspectivas para o curto prazo
O encerramento positivo da sessão consolida uma semana marcada por elevada atenção aos indicadores macroeconômicos. Para os próximos dias, o mercado seguirá monitorando novos dados de inflação, atividade e emprego, tanto no Brasil quanto no exterior.
A trajetória do Ibovespa dependerá, em grande medida, da confirmação das expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve e pelo Banco Central brasileiro, além da evolução do cenário fiscal doméstico. Qualquer frustração nessas frentes pode reacender a volatilidade.
Ainda assim, o movimento observado nesta sexta-feira indica que, no curto prazo, o mercado segue disposto a assumir risco de forma seletiva, especialmente em um ambiente de juros globais potencialmente mais baixos.
Um fechamento que sintetiza o momento do mercado
Ao final do pregão, o fato de que o Ibovespa fecha em alta sintetiza a combinação de fatores que hoje orientam as decisões dos investidores: dados econômicos que aliviam pressões inflacionárias, expectativas de política monetária mais acomodatícia e avanços institucionais no campo do comércio internacional.
O resultado reflete um mercado atento aos sinais vindos do exterior, mas igualmente sensível à dinâmica doméstica, em especial à inflação e à condução da política econômica. Esse equilíbrio entre cautela e otimismo tende a continuar ditando o ritmo dos negócios nas próximas sessões.






