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Ibovespa fecha em queda com Vale, Petrobras e bancos; dólar cai a R$ 5,13

Índice recuou 0,93%, aos 172.447,58 pontos, em sessão de baixo volume e pressão concentrada nas ações de maior peso da B3.

por Camila Braga
06/07/2026 às 18h37
em Ibovespa
Fechamento Ibovespa - Gazeta Mercantil

O Ibovespa fechou em queda de 0,93% nesta segunda-feira, 6 de julho de 2026, aos 172.447,58 pontos. A Bolsa brasileira devolveu parte dos ganhos da semana anterior, pressionada por Vale, Petrobras e bancos, em um pregão de baixo volume financeiro e sem força para acompanhar a alta dos principais índices de Nova York.

O índice começou o dia perto da estabilidade, chegou à máxima de 174.057,47 pontos, mas perdeu tração ainda pela manhã. Na mínima, marcou 171.621,70 pontos. O volume financeiro somou R$ 17,25 bilhões, abaixo do padrão observado em sessões de maior liquidez.

A queda foi concentrada em ações de grande peso na carteira teórica. Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e bancos recuaram em bloco e limitaram qualquer tentativa de recuperação do índice ao longo da tarde.

O dólar comercial também caiu. A moeda norte-americana encerrou o pregão em baixa de 0,71%, cotada a R$ 5,1320.

Ibovespa hoje em números

Fechamento: 172.447,58 pontos
Variação diária: queda de 0,93%
Máxima: 174.057,47 pontos
Mínima: 171.621,70 pontos
Volume financeiro: R$ 17,25 bilhões
Dólar comercial: R$ 5,1320, com queda de 0,71%
Taxa Selic: 14,25% ao ano

Blue chips pressionam a Bolsa

O desempenho negativo do Ibovespa passou, principalmente, pelas ações de maior peso do índice.

A Vale (VALE3) caiu 1,33%, a R$ 77,79. A mineradora recuou mesmo com o minério de ferro praticamente estável na China. O mercado também avaliou o noticiário corporativo envolvendo a renúncia do presidente do conselho de administração da companhia.

A Petrobras também fechou em baixa. As ações preferenciais (PETR4) recuaram 1,25%, a R$ 37,77, enquanto os papéis ordinários (PETR3) perderam 1,27%, a R$ 41,85.

O Brent para setembro fechou em leve queda, a US$ 71,99 por barril. O movimento reforçou a cautela com ações ligadas ao setor de óleo e gás.

O setor financeiro completou a pressão sobre o índice. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,05%. Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 0,42%. Santander Brasil (SANB11), BTG Pactual (BPAC11) e Bradesco (BBDC4) também terminaram o dia no vermelho.

Como bancos, Vale e Petrobras representam uma parcela expressiva do Ibovespa, a queda simultânea desses papéis teve impacto direto no fechamento da Bolsa.

Totvs, Renner e Yduqs lideram perdas

A maior queda do Ibovespa foi da Totvs (TOTS3), que recuou 4,97%, a R$ 28,51. O papel vinha de desempenho positivo recente e passou por uma realização mais forte nesta segunda-feira.

Lojas Renner (LREN3) caiu 4,80%, a R$ 14,09. A ação sentiu o tom mais cauteloso em empresas ligadas ao consumo doméstico, mesmo com o alívio parcial nas expectativas de inflação.

Yduqs (YDUQ3) perdeu 4,19%, a R$ 8,69. O setor de educação, mais sensível à renda das famílias e ao custo do crédito, também ficou pressionado.

A Ambev (ABEV3) recuou 2,52%. O papel esteve entre os mais negociados do dia e sofreu com ajustes após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo, que reduziu parte das expectativas de consumo adicional de bebidas durante o torneio.

O desempenho dessas ações reforçou a percepção de realização de lucros em setores que haviam reagido nos pregões anteriores com a queda dos juros futuros.

Maiores quedas do Ibovespa

Totvs (TOTS3): queda de 4,97%
Lojas Renner (LREN3): queda de 4,80%
Yduqs (YDUQ3): queda de 4,19%
Ambev (ABEV3): queda de 2,52%

Brava Energia lidera altas

Na ponta positiva, Brava Energia (BRAV3) subiu 3,29%, a R$ 18,50, e liderou os ganhos do Ibovespa.

RD Saúde (RADL3) avançou 2,77%, a R$ 17,44. A companhia teve um desempenho defensivo em uma sessão negativa para a maior parte da Bolsa.

Auren Energia (AURE3) ganhou 1,92%, a R$ 12,24. A ação se beneficiou da procura por empresas com fluxo de caixa mais previsível em meio ao pregão de menor apetite por risco.

As altas, porém, tiveram peso insuficiente para compensar o recuo das blue chips. O Ibovespa passou a maior parte do dia no campo negativo e não conseguiu acompanhar o sinal positivo do exterior.

Maiores altas do Ibovespa

Brava Energia (BRAV3): alta de 3,29%
RD Saúde (RADL3): alta de 2,77%
Auren Energia (AURE3): alta de 1,92%

Wall Street avança, mas B3 fica para trás

O Ibovespa destoou das bolsas norte-americanas.

Em Nova York, o Dow Jones avançou 0,29%, aos 53.055,91 pontos. O S&P 500 subiu 0,72%, aos 7.537,43 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 1,12%, aos 26.121,16 pontos.

A alta nos Estados Unidos foi sustentada por ações de tecnologia e semicondutores. O apetite por esse grupo de empresas continuou atraindo recursos globais e reduziu o interesse relativo por mercados emergentes.

No Brasil, o pregão foi marcado por fluxo menor e por concentração de pressão em ações de grande liquidez. Essa combinação ajudou a explicar o descolamento entre a B3 e Wall Street.

O avanço dos índices norte-americanos não foi suficiente para alterar o humor local, especialmente porque os investidores seguiram atentos ao cenário fiscal, às eleições e ao risco de novas tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Focus reduz projeção para inflação

No cenário doméstico, o mercado acompanhou a nova edição do Boletim Focus, divulgada pelo Banco Central.

A mediana das projeções para o IPCA de 2026 caiu de 5,33% para 5,30%. Foi a primeira redução após uma sequência de altas nas expectativas para a inflação deste ano.

Para 2027, a estimativa subiu de 4,17% para 4,18%. As projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 3,70% e 3,50%, respectivamente.

A previsão para a Selic ao fim de 2026 ficou estável em 14% ao ano. Para 2027, a mediana permaneceu em 12%.

O alívio na inflação projetada ajudou a reduzir parte da pressão sobre os juros futuros, mas não mudou a direção do Ibovespa. O mercado continuou mais sensível ao desempenho das ações de maior peso e ao baixo volume financeiro.

Tarifas dos EUA entram no radar

Outro ponto de atenção foi a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Começou nesta segunda-feira a audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos sobre práticas brasileiras analisadas sob a Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

O procedimento pode servir de base para a aplicação de tarifas de até 25% sobre determinados produtos brasileiros. Entre os temas citados no processo estão Pix, etanol, propriedade intelectual e questões ambientais.

O assunto passou a ser acompanhado de perto por investidores porque uma escalada comercial poderia afetar setores exportadores, o câmbio e a percepção de risco sobre ativos brasileiros.

A decisão norte-americana é esperada para os próximos dias. Até lá, qualquer sinal de acordo, endurecimento ou adiamento tende a influenciar a leitura do mercado sobre empresas com exposição ao comércio exterior.

Dólar cai apesar da Bolsa fraca

O dólar comercial fechou em queda de 0,71%, a R$ 5,1320.

A baixa ocorreu em um dia de melhora para moedas emergentes e de expectativa de que o Federal Reserve mantenha uma postura mais cautelosa após sinais recentes de desaceleração da economia norte-americana.

O real também continuou sustentado pelo diferencial de juros doméstico. Com a Selic em 14,25% ao ano, o Brasil ainda oferece remuneração elevada em relação a outros mercados, o que ajuda a manter demanda por ativos de renda fixa local.

A queda do dólar, no entanto, não se traduziu em alta da Bolsa. A sessão mostrou um mercado doméstico sem direção única: o câmbio teve alívio, enquanto a renda variável ficou pressionada por ações de maior peso e por menor participação dos investidores.

Ata do Fed e IPCA ficam no radar

A agenda da semana terá dois eventos importantes para os mercados.

Na quarta-feira, os investidores acompanharão a ata da última reunião do Federal Reserve. O documento poderá dar mais detalhes sobre a avaliação da autoridade monetária norte-americana a respeito da inflação, do emprego e da trajetória dos juros.

No Brasil, o destaque será o IPCA de junho, previsto para sexta-feira. O dado será decisivo para calibrar as apostas sobre os próximos passos do Banco Central.

Depois da queda desta segunda-feira, o Ibovespa volta a depender de uma reação das blue chips para tentar recuperar o patamar dos 174 mil pontos. Sem melhora em Vale, Petrobras e bancos, a Bolsa brasileira tende a seguir mais vulnerável ao baixo volume financeiro e às mudanças de humor no exterior.

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