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B3 e Wall Street fechadas: Europa, petróleo, PIB do Japão e STF ficam no radar

Feriados no Brasil e nos EUA reduzem a liquidez, enquanto investidores acompanham dados europeus, petróleo e os próximos passos do STF.

por Camila Braga
07/09/2026 às 11h48
em Mercados
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Os mercados começam a segunda-feira, 7 de setembro, com uma configuração incomum de liquidez. A B3 não realiza pregão por causa do feriado da Independência do Brasil, enquanto as bolsas de Nova York permanecem fechadas pelo Labor Day nos Estados Unidos. O mesmo ocorre no Canadá, onde a Bolsa de Toronto não funciona nesta segunda-feira. Com três importantes mercados das Américas fora das negociações, os investidores concentram a atenção na Europa e na Ásia e acumulam referências que deverão ser incorporadas aos preços brasileiros quando o Ibovespa voltar a negociar na terça-feira, 8.

A agenda internacional já produziu surpresas importantes pela manhã. A produção industrial alemã caiu 1,1% em julho na comparação com junho, contrariando a expectativa de crescimento apresentada antes da divulgação. Na zona do euro, entretanto, o Produto Interno Bruto do segundo trimestre foi revisado para alta de 0,6% sobre os três primeiros meses do ano e de 1,2% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho superou as estimativas anteriores e mostrou uma atividade europeia mais resistente do que se imaginava.

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O cenário externo continua sendo pressionado pelo petróleo. O Brent operava nesta segunda-feira próximo de US$ 97 por barril em meio às tensões no Golfo e às preocupações com a oferta, enquanto as ações europeias apresentavam leve queda. A alta da energia reforça o debate sobre inflação e juros justamente em uma semana na qual o Banco Central Europeu volta ao centro das atenções dos investidores.

No Brasil, embora não exista formação de preço na B3 nesta segunda-feira, o mercado também acompanha os desdobramentos políticos e institucionais. A crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal ganhou um novo capítulo depois de André Mendonça liberar para análise do plenário o caso relacionado ao relatório da Polícia Federal sobre mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin, decidir os próximos passos e quando o assunto será submetido aos demais ministros.

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B3 volta a negociar apenas na terça-feira

A B3 confirmou a suspensão das negociações nesta segunda-feira em todos os principais mercados por causa do feriado nacional.

Não há pregão de ações, fundos imobiliários, ETFs, BDRs, derivativos e renda fixa privada. Também ficam suspensos registro, compensação, liquidação, movimentação de garantias e atividades da Central Depositária. O Tesouro Direto também não realiza negociação nem confirmação de investimentos.

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A operação regular será retomada na terça-feira, 8 de setembro.

O fechamento ocorre justamente depois de uma semana de forte valorização do mercado acionário brasileiro. Na sexta-feira, o Ibovespa encerrou praticamente estável, aos 185.147 pontos segundo dados do fechamento utilizados por diferentes plataformas de mercado, mas acumulou avanço de 5,4% na semana.

O dólar terminou a sexta-feira perto de R$ 5,13, pressionado por números mais fortes do mercado de trabalho americano, que reduziram a expectativa de flexibilização monetária nos Estados Unidos. Na semana, porém, a moeda americana acumulou queda frente ao real.

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A ausência de negociação nesta segunda-feira cria uma situação em que acontecimentos externos ocorridos durante o feriado poderão ser incorporados de uma única vez às cotações brasileiras na abertura de terça.

Essa defasagem costuma tornar especialmente relevantes movimentos expressivos em petróleo, minério de ferro, juros internacionais, dólar e bolsas estrangeiras.

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Wall Street também não funciona pelo Labor Day

Nos Estados Unidos, a New York Stock Exchange não realiza negociações nesta segunda-feira por causa do Labor Day, um dos feriados oficiais previstos no calendário de 2026.

O mercado americano volta a funcionar normalmente na terça-feira.

A coincidência entre os feriados brasileiro e americano reduz ainda mais a liquidez global e retira do mercado duas das principais referências utilizadas diariamente pelos investidores brasileiros.

O efeito é especialmente relevante porque a sexta-feira havia produzido mudanças nas expectativas para a política monetária americana. Dados do mercado de trabalho superiores às projeções reforçaram a percepção de que o Federal Reserve poderá manter uma postura restritiva diante da persistência da inflação.

O petróleo acrescenta outra variável.

Com o Brent negociado na região de US$ 97 por barril nesta segunda-feira, a elevação dos combustíveis passou a ser novamente observada como potencial fonte de pressão inflacionária. Nos Estados Unidos, o comportamento dos preços de energia será uma das variáveis importantes para os próximos indicadores de inflação e para a decisão do Fed.

Indústria alemã cai 1,1% e frustra expectativa

O primeiro grande indicador da segunda-feira veio da Alemanha e apresentou resultado pior do que o esperado.

A produção industrial recuou 1,1% em julho na comparação mensal, após ajuste sazonal e de calendário. Em relação a julho de 2025, a queda foi de 1,6%.

O resultado contrariou a expectativa de avanço mensal de aproximadamente 0,2% presente nas agendas econômicas antes da divulgação.

A indústria automobilística foi a principal responsável pelo desempenho negativo. A produção do segmento caiu 9,2% em relação a junho. Segundo o órgão estatístico alemão, paralisações prolongadas da produção contribuíram para o resultado.

A energia caminhou na direção contrária e cresceu 4,7%.

Excluindo energia e construção, a produção industrial alemã caiu 2,2% no mês. A produção de bens de capital recuou 3,4%.

O indicador mostra que a maior economia da Europa ainda enfrenta dificuldades no setor industrial, mesmo enquanto outros números do bloco apresentam melhora.

PIB da zona do euro surpreende com alta de 0,6%

Se a Alemanha trouxe uma surpresa negativa, a leitura revisada da economia da zona do euro apontou na direção oposta.

O PIB avançou 0,6% no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses do ano. A estimativa anterior indicava crescimento de 0,4%.

Na comparação anual, a economia da zona do euro cresceu 1,2%. No primeiro trimestre, o crescimento anual havia sido de 0,6%.

O resultado foi sustentado principalmente pelo setor externo. Exportações menos importações contribuíram com 0,9 ponto percentual para o crescimento trimestral. O consumo das famílias acrescentou 0,2 ponto.

A formação bruta de capital fixo teve contribuição praticamente neutra, enquanto a variação dos estoques retirou 0,5 ponto percentual da atividade.

O dado fortalece a percepção de que a economia europeia demonstrou maior resistência durante o segundo trimestre, embora os números industriais da Alemanha mostrem que essa recuperação continua desigual.

Emprego permanece praticamente estável

A Eurostat também divulgou nesta segunda-feira os dados de emprego referentes ao segundo trimestre.

O número de pessoas empregadas cresceu 0,1% na zona do euro e também 0,1% no conjunto da União Europeia em relação ao trimestre anterior.

Na comparação anual, o emprego avançou 0,5% na zona do euro.

O bloco tinha aproximadamente 176,4 milhões de pessoas empregadas no segundo trimestre. Considerando toda a União Europeia, eram cerca de 221,4 milhões.

O avanço pequeno do emprego contrasta com a aceleração do PIB, indicando aumento da produção sem expansão equivalente do número de trabalhadores no período.

Confiança do investidor europeu melhora

Outro dado divulgado nesta segunda-feira apresentou sinal mais favorável.

O índice de confiança do investidor Sentix da zona do euro avançou para 5,1 pontos em setembro, ante 0,9 em agosto, alcançando o nível mais elevado em mais de quatro anos.

O movimento ajuda a compor uma fotografia europeia menos homogênea do que a simples queda da indústria alemã sugeriria.

De um lado, a maior economia do bloco enfrenta dificuldades importantes na manufatura. Do outro, o PIB da zona do euro foi revisado para cima e a confiança dos investidores melhorou.

Esse conjunto de informações ganha importância antes da próxima decisão do Banco Central Europeu, especialmente porque a inflação da zona do euro voltou a acelerar e os preços de energia permanecem elevados.

Japão divulga revisão do PIB durante a noite

A agenda continua depois do fechamento dos mercados europeus.

Às 20h50 pelo horário de Brasília, já na manhã de terça-feira no Japão, o governo japonês divulga a segunda leitura do PIB do segundo trimestre.

A primeira estimativa mostrou crescimento de 0,3% em relação ao trimestre anterior e expansão anualizada de 1,1%, resultado abaixo das expectativas existentes antes daquela divulgação. Dados posteriores de investimento empresarial, entretanto, aumentaram a possibilidade de revisão para cima.

O número será acompanhado especialmente pela relação com a política monetária do Banco do Japão.

O mercado aumentou as apostas em novo aperto monetário, e autoridades próximas ao governo passaram a admitir publicamente a possibilidade de uma elevação de juros ainda em setembro.

Uma revisão mais forte do PIB reforçaria a tese de que a economia possui espaço para suportar juros mais elevados. Um resultado decepcionante acrescentaria cautela à discussão.

STF permanece entre os riscos domésticos

No Brasil, a política e o Judiciário permanecem como referências importantes para a reabertura dos mercados.

André Mendonça liberou no domingo, 6 de setembro, para análise do plenário do STF o processo relacionado ao relatório da Polícia Federal que contém mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro dirigidas a Alexandre de Moraes.

A próxima decisão cabe a Edson Fachin. O presidente do STF deverá definir como o caso prosseguirá e quando será submetido ao colegiado.

O episódio ampliou uma crise interna no Supremo e ganhou dimensão política às vésperas da eleição presidencial.

Nesta segunda-feira, o 7 de Setembro também é marcado por manifestações políticas em diferentes cidades. Em São Paulo, atos organizados por integrantes da oposição têm entre seus principais temas críticas ao governo Lula e ao ministro Alexandre de Moraes.

Para o mercado financeiro, o impacto não decorre apenas das manifestações em si, mas da possibilidade de alterações na percepção sobre o cenário eleitoral, estabilidade institucional e risco político.

Terça-feira pode concentrar ajuste de preços no Brasil

Com B3, Wall Street e Toronto fora das negociações nesta segunda-feira, boa parte das informações produzidas hoje será incorporada aos ativos brasileiros apenas na terça.

Até lá, investidores acompanharão principalmente petróleo, mercados europeus, moedas, juros globais e os indicadores asiáticos que serão divulgados durante a noite.

A primeira referência econômica importante já mostrou sinais contraditórios: a Alemanha apresentou uma queda industrial bem pior do que a esperada, enquanto o PIB da zona do euro surpreendeu positivamente e a confiança dos investidores atingiu o maior nível em mais de quatro anos.

No ambiente doméstico, a ausência de pregão não reduz a relevância da política. Os desdobramentos no STF e as manifestações do 7 de Setembro poderão interferir na percepção de risco antes da reabertura.

A terça-feira, portanto, tende a ser mais importante para o Ibovespa do que esta segunda-feira sem negócios. A Bolsa brasileira voltará após três dias sem formar preços e terá de incorporar simultaneamente os movimentos internacionais do feriado, a trajetória do petróleo, a revisão do PIB japonês e eventuais novidades no ambiente político e institucional brasileiro.

Fontes:

B3 – calendário oficial de negociação e funcionamento dos mercados no feriado da Independência do Brasil

New York Stock Exchange – calendário oficial de feriados e suspensão das negociações no Labor Day

TMX Group – calendário de funcionamento da Bolsa de Toronto no feriado do Labour Day

Destatis – produção industrial da Alemanha referente a julho de 2026

Eurostat – PIB e dados de emprego da zona do euro e da União Europeia no segundo trimestre de 2026

Sentix – índice de confiança dos investidores da zona do euro de setembro de 2026

Gabinete do Governo do Japão – dados do PIB japonês do segundo trimestre e calendário de revisão

Supremo Tribunal Federal – informações processuais relacionadas ao caso envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça e Daniel Vorcaro

B3 e dados de mercado – fechamento do Ibovespa e desempenho acumulado na semana

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