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Economia do México cresce 1,2% no 2º trimestre e surpreende o mercado mesmo com tensões comerciais

por Gabriel Monteiro
30/07/2025 às 15h30
em Mundo
Economia Do México Cresce 1,2% No 2º Trimestre E Surpreende O Mercado Mesmo Com Tensões Comerciais Gazeta Mercantil - Mundo

Economia do México cresce 1,2% no 2º trimestre de 2025 mesmo diante de tensão comercial com os EUA

A economia do México demonstrou resiliência ao registrar um crescimento de 1,2% no segundo trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi). O desempenho superou as expectativas do mercado e ocorreu em um momento de incertezas no cenário internacional, especialmente com os Estados Unidos, seu maior parceiro comercial.

Esse crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) representa um sinal positivo para a economia do México, mesmo em meio a possíveis mudanças no cenário tarifário entre os dois países. Neste artigo, vamos detalhar os principais setores responsáveis por esse resultado, analisar os desafios atuais e apontar as perspectivas futuras.

Leia também: CNH do Brasil cresce 360% em emissão de habilitações e transforma mercado de mobilidade.


O que impulsionou a economia do México no segundo trimestre

De acordo com o Inegi, a economia do México cresceu 0,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Esse desempenho foi impulsionado, principalmente, pelo avanço da indústria e dos serviços.

O setor industrial teve alta de 0,8%, refletindo um aumento na produção manufatureira e nos investimentos em infraestrutura. Já os serviços, que representam a maior parte do PIB mexicano, cresceram 0,7%, apoiados pelo varejo, transporte, comunicações e atividades financeiras.

Leia também: Relatório de empregos nos EUA e tensões no Oriente Médio dominam cenário econômico global.

Por outro lado, o setor primário, que engloba agricultura, pecuária e pesca, apresentou queda de 1,3% no trimestre. Apesar da retração, a base anual das atividades primárias registrou crescimento de 4,5%, o que mostra uma recuperação consistente em relação ao mesmo período de 2024.


Crescimento anual reflete recuperação gradual

Na comparação com o segundo trimestre de 2024, a economia do México expandiu 1,2%. Essa taxa representa uma recuperação gradual, após um período de crescimento moderado nos últimos anos, marcado por desafios externos e internos.

Leia também: Intelbras (INTB3) dispara 12% após lucro crescer 16% e margem surpreender no 2º trimestre.

Em termos de variação anual por setor:

  • As atividades primárias cresceram 4,5%;

  • As atividades terciárias (serviços) aumentaram 1,7%;

  • As atividades secundárias (indústria) recuaram 0,2%.

Esse desempenho indica que a força da economia do México está concentrada, neste momento, nos setores de serviços e na recuperação da produção agrícola.


Impacto das relações comerciais com os Estados Unidos

Os Estados Unidos são o principal destino das exportações mexicanas, absorvendo mais de 80% dos produtos enviados ao exterior. Qualquer alteração nas políticas comerciais dos EUA pode afetar diretamente a economia do México, seja por meio de tarifas, barreiras técnicas ou mudanças regulatórias.

Apesar da pressão por ajustes comerciais, o governo mexicano manteve uma posição firme de negociação, buscando garantir que os fluxos comerciais sigam operando com normalidade e dentro dos termos estabelecidos no Acordo T-MEC (Tratado México-Estados Unidos-Canadá).

Esse tratado de livre comércio tem sido essencial para proteger setores-chave da economia do México, como o automotivo, eletrônico, têxtil e agrícola. O compromisso com o T-MEC também fortalece a posição do país como destino estratégico para investimentos estrangeiros.


Reações do governo mexicano ao crescimento do PIB

A presidente Claudia Sheinbaum celebrou o avanço da economia do México e afirmou que os dados refletem uma base econômica sólida. Para o governo, o crescimento é um sinal de que as medidas adotadas para estimular a economia interna e atrair investimentos estrangeiros estão surtindo efeito.

O secretário da Economia, Marcelo Ebrard, afirmou que a administração mantém uma “perspectiva positiva” para o restante de 2025, destacando os esforços contínuos para preservar a estabilidade macroeconômica e garantir a segurança jurídica para investidores nacionais e estrangeiros.


Revisão da projeção de crescimento para 2025

Apesar dos dados positivos do segundo trimestre, o Banco do México revisou para baixo sua estimativa de crescimento para o ano. A nova projeção indica um avanço de apenas 0,1%, ante os 0,6% previstos anteriormente. A revisão reflete a cautela diante do cenário externo, incluindo possíveis desacelerações em grandes economias e o impacto das decisões de política monetária internacional.

Em contrapartida, o governo federal mantém uma previsão mais otimista, esperando que a economia do México cresça entre 1,5% e 2,3% ao longo de 2025. A expectativa está ancorada em uma recuperação mais robusta da indústria, maior consumo interno e crescimento sustentado no setor de serviços.


Setores que devem sustentar o crescimento no segundo semestre

A projeção de continuidade no crescimento da economia do México depende do desempenho de setores-chave. Entre os mais promissores estão:

  • Manufatura de alta tecnologia: com o aumento da demanda global por eletrônicos e componentes automotivos, o México se consolida como hub industrial estratégico;

  • Energia e infraestrutura: investimentos em energias renováveis e em obras públicas devem estimular empregos e impulsionar a cadeia de produção;

  • Comércio varejista: o consumo interno tem mostrado sinais de recuperação, refletindo maior confiança do consumidor;

  • Turismo: com a recuperação do setor após a pandemia, o México volta a atrair turistas internacionais, principalmente dos EUA e da Europa.


México e a estratégia de nearshoring

Uma das tendências que mais beneficiam a economia do México é o chamado nearshoring — estratégia de empresas globais que transferem parte de suas operações para países mais próximos de seus mercados consumidores.

O México se destaca nesse cenário por sua localização estratégica, infraestrutura logística avançada e mão de obra qualificada. Várias empresas norte-americanas e asiáticas já anunciaram investimentos em fábricas e centros de distribuição em território mexicano.

Essa tendência pode ser determinante para a consolidação de uma nova fase de industrialização, mais sofisticada e integrada com cadeias globais de valor.


Riscos e desafios à frente

Apesar do cenário de crescimento, a economia do México ainda enfrenta desafios importantes. Entre os principais riscos estão:

  • Instabilidade econômica global: oscilações nos mercados internacionais e crises em grandes economias podem afetar o México indiretamente;

  • Inflação e juros: embora a inflação esteja controlada, choques de oferta e decisões de política monetária nos EUA podem impactar os preços internos;

  • Investimentos públicos: o ritmo de execução dos investimentos em infraestrutura precisa se manter para sustentar o crescimento.

Além disso, a capacidade de manter relações comerciais estáveis com os EUA será essencial para evitar impactos negativos no setor exportador.


Perspectiva de longo prazo para a economia mexicana

Com base nos dados recentes e nas tendências de mercado, a economia do México apresenta potencial de crescimento sustentável. O fortalecimento de cadeias produtivas locais, a atração de investimentos e a modernização da infraestrutura posicionam o país como um dos mais promissores da América Latina.

As políticas voltadas à digitalização, inovação e educação também são vistas como estratégicas para aumentar a produtividade e competitividade da economia mexicana no cenário global.


Crescimento com cautela

O crescimento de 1,2% da economia do México no segundo trimestre de 2025 é um indicativo claro de resiliência. Mesmo com incertezas externas e oscilações nas expectativas do mercado, o país conseguiu manter o ritmo de expansão econômica.

O desafio agora é sustentar esse crescimento diante de um ambiente internacional volátil, mantendo o equilíbrio entre política fiscal, comércio exterior e estímulo ao setor produtivo. Se conseguir preservar esse caminho, o México pode consolidar-se como uma das economias mais dinâmicas da região nos próximos anos.

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