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IGP-M de janeiro sobe 0,41% e inicia 2026 com pressão de commodities e educação

por Camila Braga - Repórter de Economia
29/01/2026 às 16h30 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h02
em Economia, Destaque, Notícias
Igp-Di 2025 Fecha Ano Com Deflação De 1,20% Após Alta Moderada Em Dezembro - Gazeta Mercantil

IGP-M de janeiro acelera 0,41% e marca início de 2026 com reversão de tendência e pressão de commodities

O cenário inflacionário brasileiro iniciou o ano de 2026 com uma mudança significativa de trajetória em um de seus principais termômetros. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), registrou uma aceleração de 0,41% no primeiro mês do ano. Este resultado do IGP-M de janeiro representa uma reversão técnica importante frente ao mês anterior, quando o indicador havia apresentado uma leve deflação de 0,01% em dezembro de 2025.

A divulgação realizada nesta quinta-feira (29) joga luz sobre as novas dinâmicas de preços que devem permear a economia nacional ao longo do primeiro trimestre. Com este avanço, o IGP-M de janeiro coloca o índice em terreno positivo no acumulado do ano, marcando 0,41%. No entanto, ao observarmos a janela mais ampla de 12 meses, o indicador ainda acumula uma retração de 0,91%, refletindo o período de descompressão de preços ocorrido ao longo do ano anterior.

Para analistas de mercado, gestores de fundos e economistas, o comportamento do IGP-M de janeiro funciona como um alerta antecipado. Conhecido historicamente como a “inflação do aluguel”, o índice possui uma sensibilidade maior aos preços no atacado e às variações cambiais, servindo muitas vezes como um indicador antecedente para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). A alta observada neste início de 2026 foi disseminada entre seus três componentes — IPA, IPC e INCC —, revelando pressões que vão desde a extração mineral até a mensalidade escolar.

A composição do índice e a influência do atacado

Para compreender a magnitude do IGP-M de janeiro, é fundamental dissecar sua estrutura. O índice é composto por três indicadores distintos, cada um com pesos diferentes: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), com peso de 60%; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30%; e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com peso de 10%. A aceleração observada foi sistêmica, atingindo todas as etapas desta cadeia de mensuração.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que monitora os preços no estágio anterior ao consumo final — ou seja, no atacado —, foi o grande motor da virada. O IPA avançou 0,34% na leitura do IGP-M de janeiro, saindo de uma queda de 0,12% em dezembro. Esta inversão de sinal é crucial para o entendimento da política de preços industriais e agrícolas.

Dentro do IPA, a pressão altista não foi homogênea, mas concentrada em itens de grande peso na balança comercial e na indústria de base. O destaque absoluto foi o minério de ferro. A commodity, essencial para a siderurgia global e para as exportações brasileiras, viu seus preços acelerarem de 2,42% para 4,47%. Esse movimento reflete, em parte, a dinâmica da demanda internacional e a recomposição de estoques, impactando diretamente o cálculo do IGP-M de janeiro.

Além do setor extrativo mineral, o agronegócio também contribuiu para a alta. O tomate e a carne bovina figuraram entre os vilões do atacado. A volatilidade climática típica do verão brasileiro, que afeta a colheita de perecíveis, somada ao ciclo pecuário, pressionou os custos no campo, que inevitavelmente foram repassados para a formação do índice.

Analisando os estágios de processamento dentro do IPA, observa-se que os Bens Intermediários subiram 0,61% e as Matérias-Primas Brutas avançaram 0,55%. Em contrapartida, os Bens Finais recuaram 0,22%, o que sugere que, por enquanto, a indústria conseguiu absorver parte dos custos ou que houve uma demanda mais fraca na ponta final, evitando o repasse imediato para o varejo de todos os aumentos de insumos.

O peso da sazonalidade no bolso do consumidor

Enquanto o atacado respondia às commodities, o varejo sentiu o peso do calendário. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), responsável por 30% do IGP-M de janeiro, registrou uma alta de 0,51%, uma aceleração considerável em relação aos 0,24% observados em dezembro.

Historicamente, o mês de janeiro carrega o ônus dos reajustes de preços administrados e sazonais. O grupo Educação, Leitura e Recreação foi o principal vetor dessa alta. As mensalidades escolares, tradicionalmente reajustadas no início do ano letivo, impactaram severamente o orçamento das famílias e, consequentemente, o indicador. Esse movimento é esperado, mas sua magnitude em 2026 contribuiu decisivamente para que o IGP-M de janeiro se afastasse do terreno negativo.

Outros grupos que pressionaram o IPC foram Transportes e Alimentação. No caso dos transportes, a gasolina voltou a pesar no bolso do motorista, refletindo ajustes na cadeia de distribuição e na política de preços. Já na alimentação, o tomate, que já havia aparecido como vilão no atacado, repetiu o feito no varejo, encarecendo a cesta básica. Em contrapartida, os grupos Habitação e Comunicação apresentaram desaceleração, atuando como âncoras que impediram uma alta ainda mais expressiva do IPC dentro do IGP-M de janeiro.

Essa dinâmica do IPC reforça a percepção de que a inflação de serviços e de itens básicos continua resiliente. Para o Banco Central, que monitora a contaminação dos preços de atacado para o varejo, o resultado acende uma luz amarela, embora o foco da autoridade monetária seja o IPCA. No entanto, o IGP-M de janeiro serve como um termômetro da temperatura econômica real sentida pelas famílias de renda média e alta.

Construção Civil: Mão de obra mais cara pressiona custos

O terceiro pilar do índice, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), não ficou imune à tendência de alta. Com peso de 10% na composição geral, o INCC avançou 0,63% no cálculo do IGP-M de janeiro, uma aceleração robusta frente à alta de 0,21% registrada no mês anterior.

A análise detalhada do INCC revela que o aumento não foi impulsionado primordialmente por materiais e equipamentos, mas sim pelo fator humano. O grupo Mão de Obra disparou 1,03%. Este movimento é reflexo direto do início do ano, período marcado pela entrada em vigor do novo salário mínimo nacional e por dissídios coletivos de categorias importantes da construção civil.

O relatório da FGV IBRE destaca especificamente os reajustes salariais ocorridos em Minas Gerais como um dos fatores de pressão regional que acabaram influenciando o índice nacional. O custo da mão de obra na construção civil é um componente rígido — diferentemente de materiais como cimento ou aço, que podem flutuar conforme a oferta e demanda global, os salários, uma vez reajustados, estabelecem um novo piso de custos para o setor.

Isso significa que o avanço do INCC dentro do IGP-M de janeiro aponta para um encarecimento estrutural dos projetos imobiliários e de infraestrutura ao longo de 2026. Para as construtoras e incorporadoras, esse aumento de custo pressiona as margens e pode resultar em repasses para os preços finais dos imóveis na planta.

Análise Macroeconômica: O que o IGP-M de janeiro sinaliza?

A leitura do IGP-M de janeiro de 2026 oferece insights valiosos sobre a saúde macroeconômica do Brasil. O fato de o índice ter revertido a queda de dezembro e acelerado para 0,41% demonstra que a economia não está em processo de inércia deflacionária. Pelo contrário, há vetores de pressão ativos, especialmente aqueles ligados ao setor externo (commodities) e ao mercado de trabalho (serviços e mão de obra).

Matheus Dias, economista do FGV IBRE, ressaltou em sua análise que o comportamento do IGP-M de janeiro mostra uma pressão concentrada em produtos básicos. A indústria extrativa e o setor alimentício são a base da pirâmide de preços. Quando o minério de ferro e a carne bovina sobem, há um efeito cascata potencial. O minério afeta o aço, que afeta a construção e a indústria automobilística (bens duráveis). A carne e o tomate afetam a alimentação no domicílio e fora dele (serviços).

Além disso, a influência dos “serviços associados ao início do ano”, como educação, mostra a resiliência do setor de serviços, que tem sido o grande motor do PIB brasileiro nos últimos anos, mas também o principal foco de preocupação quanto à inércia inflacionária.

Embora o acumulado em 12 meses ainda esteja negativo (-0,91%), a tendência da curva é de aproximação do terreno positivo nos próximos meses, caso as altas mensais se mantenham no patamar observado no IGP-M de janeiro. O “efeito base” estatístico começará a jogar a favor de números mais altos no acumulado anual à medida que as deflações fortes de 2025 saírem da janela de cálculo de 12 meses.

Impactos nos contratos e no mercado financeiro

O IGP-M é amplamente utilizado como indexador de contratos de aluguel, tarifas de energia elétrica, planos de saúde corporativos e alguns contratos de prestação de serviços educacionais. O resultado do IGP-M de janeiro traz um alívio parcial para inquilinos, pois o acumulado de 12 meses negativo (-0,91%) teoricamente permitiria reajustes negativos ou a manutenção dos valores atuais, sem aumento.

No entanto, a aceleração mensal de 0,41% sinaliza que, para novos contratos ou para reajustes que ocorrerão no segundo semestre de 2026, o cenário pode mudar. Se o ritmo do IGP-M de janeiro se perpetuar, o índice voltará a ser um fator de correção positiva (aumento) nos contratos. Proprietários e inquilinos devem ficar atentos a essa virada de tendência.

Para o mercado financeiro, a divulgação do IGP-M de janeiro impacta a curva de juros futuros. A pressão no atacado pode levar o Banco Central a manter uma postura cautelosa em relação à taxa Selic, uma vez que choques de oferta (como o do minério de ferro e alimentos) podem contaminar as expectativas de inflação futura. Investidores que operam títulos atrelados à inflação (NTN-B) e contratos futuros de DI monitoram de perto esses componentes para ajustar suas posições.

Perspectivas para os próximos meses

Olhando para a frente, a questão central é se a alta do minério de ferro e dos alimentos é um choque temporário ou uma tendência estrutural para 2026. A China, grande consumidora de commodities, continua sendo a variável chave para o IPA e, consequentemente, para o IGP-M de janeiro e meses subsequentes. Estímulos na economia asiática tendem a elevar o preço das matérias-primas, pressionando o índice brasileiro.

No fronte interno, a safra agrícola será determinante. Se as condições climáticas se estabilizarem, a pressão dos alimentos in natura (como tomate) deve arrefecer, aliviando tanto o IPA quanto o IPC. Por outro lado, a pressão de mão de obra no INCC deve ser absorvida gradualmente, embora os dissídios continuem ocorrendo ao longo do primeiro semestre.

A próxima divulgação, referente a fevereiro, será crucial para confirmar se o IGP-M de janeiro foi um ponto fora da curva impulsionado pela sazonalidade ou o início de um novo ciclo de alta. A FGV IBRE agendou a próxima divulgação para o dia 26 de fevereiro. Até lá, o mercado trabalhará com as projeções derivadas deste resultado de 0,41%, ajustando modelos e expectativas.

O IGP-M de janeiro de 2026, com sua alta de 0,41%, marca o fim de um breve período de deflação mensal e recoloca a inflação de atacado e varejo no radar de prioridades econômicas. Impulsionado pela trinca minério de ferro, educação e mão de obra, o índice reflete um Brasil que continua altamente sensível às oscilações das commodities globais e aos ciclos de reajustes internos de início de ano.

Embora o acumulado de 12 meses permaneça em território deflacionário, oferecendo um respiro momentâneo para contratos indexados, a “fumaça” levantada pelo IGP-M de janeiro sugere que há fogo — ou pelo menos brasas quentes — na formação de preços básicos da economia. A atenção redobrada aos desdobramentos do setor agropecuário e mineral será a tônica para investidores e analistas que buscam antecipar os movimentos da inflação brasileira no decorrer deste ano. O dado de janeiro não é apenas um número; é a primeira peça do quebra-cabeça econômico de 2026.

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Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. O Site Da Empresa Não Informa Quem Ocupa Cargos De Comando, Quais São Os Responsáveis Pela Operação, Qual É A Estrutura Societária Ou Quais Executivos Responderiam Pelo Processo De Aquisição Da Naskar. Em Uma Operação Que Envolveria Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão E A Assunção De Passivos Com Milhares De Investidores, A Ausência De Dados Públicos Sobre Governança Amplia A Incerteza. Para Investidores E Credores, A Identificação Dos Responsáveis Pela Empresa É Elemento Básico Para Avaliar Capacidade Financeira, Histórico, Experiência E Responsabilidade Sobre Compromissos Assumidos. Outro Ponto Citado No Texto-Base Envolve O Endereço Físico Informado Pela Azara Capital. A Localização Indicada Em Miami Aparece Associada Ao Ocean Bank, Não A Uma Sede Própria Identificável Da Empresa. Buscas Por “Azara Capital” Em Aplicativos E Sites De Geolocalização Também Não Retornariam Resultados Consistentes. A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. Uma Publicação Que Mencionava “Capital Rápido Para Negócios Imobiliários” Teria Sido Arquivada. A Conta, Que Seguia 18 Perfis, Deixou De Seguir Todos Eles. A Opção De Comentários Nas Publicações Também Foi Bloqueada. O Perfil Da Empresa Não Teria Conta Correspondente No Linkedin, Plataforma Normalmente Usada Por Instituições Financeiras, Gestoras E Empresas De Serviços Corporativos Para Apresentar Equipe, Histórico, Área De Atuação E Estrutura De Negócios. As Alterações Nas Redes Sociais Não Significam, Isoladamente, Irregularidade. No Entanto, Em Um Contexto De Crise Envolvendo Quase R$ 1 Bilhão Em Recursos De Investidores, Mudanças Rápidas Em Canais Públicos De Comunicação Tendem A Reforçar A Pressão Por Transparência. Para Os Clientes Da Naskar, A Principal Preocupação É Saber Quem Assumirá A Responsabilidade Pelos Valores Aplicados, De Onde Virão Os Recursos Para Eventual Devolução E Qual Será O Prazo Real Para O Início Dos Pagamentos. Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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