quarta-feira, 28 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Juros futuros caem mais de 130 pontos após 1º turno das eleições

Reprecificação derrubou taxas longas e o dólar, enquanto o Ibovespa avançou 7,70% com a revisão das expectativas para a política econômica.

por Álvaro Lima
06/10/2026 às 08h59
em Economia
Juros - Gazeta Mercantil

A reação mais intensa do mercado financeiro ao primeiro turno das eleições presidenciais não ocorreu na Bolsa nem no dólar. Foi na curva de juros que apareceu com maior clareza a dimensão da mudança de percepção dos investidores sobre o Brasil. Contratos de Depósito Interfinanceiro com vencimentos mais longos chegaram a recuar mais de 130 pontos-base nesta segunda-feira, 5 de outubro, movimento excepcional para uma única sessão e forte o suficiente para levar a B3 a ampliar os limites de oscilação durante o pregão.

O DI para janeiro de 2035 terminou na região de 12,8% ao ano, depois de um ajuste anterior de 14,131%, queda de aproximadamente 1,33 ponto percentual. Nos vencimentos intermediários, o movimento também foi expressivo: o contrato para janeiro de 2028 encerrou próximo de 12,67%, ante 13,51%, enquanto taxas para 2029 chegaram a cair mais de um ponto percentual ao longo da sessão.

Leia também: Day trade hoje: Ágora indica Minerva para compra e BB Seguridade para venda.

A reprecificação ocorreu no primeiro pregão depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%. Os dois voltarão às urnas em 25 de outubro.

O resultado levou investidores a revisar expectativas para a política econômica a partir de 2027, sobretudo em relação às contas públicas. A reação, porém, antecede qualquer medida concreta: o segundo turno ainda será realizado e os programas econômicos continuam sujeitos a detalhamento. O movimento desta segunda-feira mostra, portanto, uma mudança de expectativa, e não o efeito de um ajuste já implementado.

Leia também: Paes acusa Garotinho e Douglas Ruas de articulação para encerrar eleição no 1º turno no RJ.

Por que a expectativa fiscal mexe tanto com os juros

Os contratos de DI refletem expectativas para Selic, inflação, atividade econômica, contas públicas e o retorno exigido pelos investidores para manter recursos aplicados no país ao longo do tempo. Quando cresce a preocupação com a trajetória da dívida, as taxas mais longas tendem a incorporar uma compensação maior.

A discussão ganhou peso porque a Dívida Bruta do Governo Geral alcançou R$ 11,1 trilhões em agosto, equivalentes a 82,9% do Produto Interno Bruto. Nos oito primeiros meses de 2026, a relação avançou 4,2 pontos percentuais do PIB.

O custo financeiro do setor público também permanece elevado. Em agosto, foram apropriados R$ 105,9 bilhões em juros nominais. No acumulado de 12 meses, a conta chegou a R$ 1,182 trilhão, ou 8,86% do PIB. Somados os juros ao resultado primário, o déficit nominal atingiu R$ 1,264 trilhão, equivalente a 9,48% do PIB.

Nesse contexto, a queda abrupta das taxas longas mostra o quanto as cotações estavam sensíveis à possibilidade de uma mudança de direção na política fiscal. A campanha de Flávio Bolsonaro tem sinalizado intenção de maior disciplina nas contas públicas, mas ainda não apresentou um conjunto detalhado de medidas que permita projetar com precisão a evolução de receitas, despesas e dívida.

O mercado negociou, assim, uma expectativa sobre a direção futura da política econômica. A sustentabilidade dessa queda dos juros dependerá de propostas mais concretas e, posteriormente, da capacidade política de implementá-las.

Queda dos juros ajuda a explicar Bolsa em recorde e bancos em alta

O fechamento da curva de juros produz efeitos que vão além do financiamento do governo. As taxas dos títulos públicos servem de referência para a economia e entram nos modelos usados para avaliar ações, empresas, projetos de investimento e operações de crédito.

Quando os juros longos caem, o valor presente dos resultados futuros das empresas tende a aumentar. Essa foi uma das razões pelas quais o Ibovespa disparou 7,70% nesta segunda-feira e terminou aos 206.911,89 pontos, maior fechamento de sua história. O dólar, ao mesmo tempo, recuou 4,12% e encerrou próximo de R$ 5.

As ações mais sensíveis aos juros estiveram entre as maiores altas. Magazine Luiza avançou mais de 24%, enquanto B3 e BTG Pactual subiram mais de 22%. Bradesco ganhou 13,57%, Banco do Brasil avançou 11% e Itaú teve valorização superior a 10%.

A reação dos bancos pode parecer contraditória à primeira vista, já que essas instituições cobram juros em suas operações de crédito. O resultado bancário, porém, depende da diferença entre custo de captação e taxas cobradas dos clientes, além da qualidade da carteira, inadimplência, crescimento do crédito, receitas de serviços e resultados de tesouraria.

Um ambiente de taxas menos pressionadas pode aliviar o comprometimento financeiro de famílias e empresas, reduzir perdas com inadimplência e favorecer a expansão do crédito. Também pode estimular maior movimentação de investimentos, beneficiando instituições com operações de gestão de recursos, corretagem e mercado de capitais.

Para B3, XP e BTG, essa relação é ainda mais direta. Uma eventual migração de recursos hoje concentrados em aplicações atreladas ao CDI para ações, fundos e outros ativos tende a elevar os volumes negociados e a atividade financeira.

Mercado antecipou um cenário que ainda precisa ser confirmado

A velocidade da reação mostra uma característica central dos mercados: os preços mudam antes que as políticas sejam implementadas. Entre sexta-feira e segunda-feira, a estrutura da economia brasileira permaneceu a mesma. O que se alterou foi a probabilidade atribuída pelos investidores aos diferentes cenários depois da eleição.

O JPMorgan, por exemplo, elevou sua recomendação para as ações brasileiras de neutra para overweight depois do primeiro turno, relacionando a mudança ao novo ambiente político e à possibilidade de uma trajetória econômica mais favorável.

Essa antecipação também funciona no sentido contrário. Se as propostas apresentadas durante o segundo turno não confirmarem as expectativas criadas depois da votação, ou se surgirem dúvidas sobre a capacidade de execução das medidas, parte do movimento pode ser revertida.

O Congresso terá papel importante nesse processo. Mesmo uma composição considerada mais favorável a determinado governo não garante a aprovação automática de cortes de despesas, revisões de benefícios ou outras medidas com custo político. A execução depende de negociações com parlamentares, interesses regionais e diferentes grupos econômicos.

Além disso, a curva de juros continuará respondendo a fatores que independem da eleição, como inflação, atividade econômica, decisões do Banco Central, juros americanos e ambiente internacional.

Por isso, a sessão desta segunda-feira deve ser lida como uma forte revisão de preços diante de um novo cenário eleitoral, e não como confirmação de que a trajetória econômica já mudou. O próximo passo será observar se as propostas apresentadas pelos candidatos conseguem sustentar a expectativa que derrubou as taxas em mais de um ponto percentual em alguns vencimentos.

Até 25 de outubro, a curva de juros deve permanecer como um dos principais termômetros dessa avaliação. Depois de uma queda dessa magnitude, novos detalhes sobre política econômica poderão tanto consolidar parte da reprecificação quanto devolver aos contratos uma parcela do movimento observado no primeiro pregão após a eleição.

Fontes

Tribunal Superior Eleitoral — resultado oficial do primeiro turno das Eleições 2026
Banco Central do Brasil — Estatísticas Fiscais de agosto de 2026
Tesouro Nacional — Resultado do Tesouro Nacional e Relatório Mensal da Dívida
B3 — contratos de Depósito Interfinanceiro e dados do pregão de 5 de outubro de 2026
Reuters — mercado de juros, câmbio e ações após o primeiro turno
JPMorgan — avaliação sobre ações brasileiras após o resultado eleitoral

Leia também

  • Ibovespa hoje cai 1,54% e perde os 174 mil pontos com bancos em forte queda
  • Investidores estrangeiros colocam R$ 10,06 bilhões na B3 após primeiro turno

LEIA MAIS

Ibovespa Hoje B3 - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

Pessoas físicas compram R$ 6,2 bilhões em ações enquanto estrangeiros vendem após eleição de Lula

Após eleição de Lula, pessoas físicas compram R$ 6,2 bilhões em ações na B3, enquanto estrangeiros registram vendas líquidas de R$ 2,8 bilhões.

Leia MaisDetails
Leilão De Imóveis - Gzt - Gazeta Mercantil
Economia

Santander (SANB11) leiloa 200 imóveis com descontos de até 80% e lances a partir de R$ 25 mil

Santander (SANB11) leiloa cerca de 200 imóveis em 3 de novembro, com lances a partir de R$ 25.272, descontos de até 80% e financiamento em até 420 meses.

Leia MaisDetails
Bpc - Gzt - Gazeta Mercantil
Economia

Governo abre crédito de R$ 5,17 bilhões para BPC e SUS; veja como serão distribuídos os recursos

Governo abre crédito de R$ 5,17 bilhões para reforçar o BPC e o SUS em 2026. Portaria destina R$ 4,73 bilhões à assistência social e R$ 388 milhões...

Leia MaisDetails
Flávio Bolsonaro Retira Título De Presidente Eleito De Carta, Mas Mantém Contestação À Vitória De Lula
Política

Flávio Bolsonaro retira título de presidente eleito de carta, mas mantém contestação à vitória de Lula

Flávio Bolsonaro retira da carta o título de presidente eleito, mas mantém alegação de vitória sobre Lula e anuncia oposição a partir dos Estados Unidos.

Leia MaisDetails
Flavio Bolsonaro - Gazeta Mercantil
Política

Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito do Brasil após derrota e anuncia oposição dos EUA

Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito após derrota para Lula, nega fuga do Brasil e anuncia oposição dos EUA. TSE mantém resultado oficial das urnas.

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

21:32:52
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Ibovespa Hoje B3 - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

Pessoas físicas compram R$ 6,2 bilhões em ações enquanto estrangeiros vendem após eleição de Lula

Leia MaisDetails
Leilão De Imóveis - Gzt - Gazeta Mercantil
Economia

Santander (SANB11) leiloa 200 imóveis com descontos de até 80% e lances a partir de R$ 25 mil

Leia MaisDetails
Bpc - Gzt - Gazeta Mercantil
Economia

Governo abre crédito de R$ 5,17 bilhões para BPC e SUS; veja como serão distribuídos os recursos

Leia MaisDetails
Flávio Bolsonaro Retira Título De Presidente Eleito De Carta, Mas Mantém Contestação À Vitória De Lula
Política

Flávio Bolsonaro retira título de presidente eleito de carta, mas mantém contestação à vitória de Lula

Leia MaisDetails
Flavio Bolsonaro - Gazeta Mercantil
Política

Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito do Brasil após derrota e anuncia oposição dos EUA

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Pessoas físicas compram R$ 6,2 bilhões em ações enquanto estrangeiros vendem após eleição de Lula

Santander (SANB11) leiloa 200 imóveis com descontos de até 80% e lances a partir de R$ 25 mil

Governo abre crédito de R$ 5,17 bilhões para BPC e SUS; veja como serão distribuídos os recursos

Flávio Bolsonaro retira título de presidente eleito de carta, mas mantém contestação à vitória de Lula

Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito do Brasil após derrota e anuncia oposição dos EUA

Fed mantém juros nos EUA entre 3,75% e 4%, mas divergência abre caminho para nova alta em dezembro

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Últimas notícias da Gazeta Mercantil