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Juros futuros recuam com queda do petróleo, dólar fraco e Treasuries em baixa

Taxas dos DIs cedem nesta quinta-feira, com alívio no exterior e menor pressão das commodities, enquanto ruído político doméstico perde força no pregão.

por Antônio Lima
14/05/2026 às 14h06
em Mercados
Juros Futuros Recuam Com Queda Do Petróleo, Dólar Fraco E Treasuries Em Baixa - Gazeta Mercantil

Os juros futuros recuam na manhã desta quinta-feira, 14, acompanhando o alívio no ambiente externo, com queda do petróleo, baixa do dólar e recuo dos rendimentos dos Treasuries. O movimento ocorre em meio à avaliação dos investidores sobre os desdobramentos do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, presidentes dos Estados Unidos e da China, em Pequim, e às sinalizações diplomáticas envolvendo o Irã.

A curva de juros brasileira opera em baixa depois de uma sessão anterior marcada por pressão nas taxas e aumento do ruído político doméstico. Nesta quinta-feira, porém, o mercado volta a dar mais peso aos fatores externos, especialmente à queda do petróleo, ao dólar mais fraco e ao recuo dos juros dos títulos americanos.

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Às 9h15, a taxa do DI para janeiro de 2027 caía para 14,165%, ante 14,210% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 recuava para 13,960%, contra 14,054% na véspera. Já o DI para janeiro de 2031 cedia para 14,040%, de 14,115% no ajuste de quarta-feira.

Petróleo em queda reduz pressão sobre inflação

A queda do petróleo é um dos principais vetores de alívio para os juros futuros nesta quinta-feira. A commodity aprofundava as perdas para mais de 1%, reduzindo parte das preocupações com inflação global e custos de energia.

Leia também: Brasileiro celebrará o Natal com a inflação mais baixa em 4 anos.

O preço do petróleo costuma influenciar diretamente a leitura do mercado sobre inflação, especialmente por causa do impacto potencial sobre combustíveis, transporte, cadeias produtivas e preços administrados. Quando a commodity recua, os investidores tendem a reduzir prêmios na curva de juros, principalmente em vencimentos intermediários e longos.

No Brasil, esse efeito é acompanhado de perto porque combustíveis têm peso relevante na dinâmica do IPCA e nas expectativas de inflação. Uma pressão menor do petróleo pode aliviar a percepção de risco inflacionário e abrir espaço para queda das taxas dos DIs.

O movimento desta quinta-feira também ocorre em um ambiente de maior atenção aos riscos geopolíticos. Como parte da alta recente das commodities esteve associada a tensões internacionais, qualquer sinal de acomodação no exterior tende a favorecer ativos de risco e reduzir a busca por proteção.

Dólar e Treasuries reforçam alívio na curva

Além do petróleo, a queda do dólar e dos rendimentos dos Treasuries contribui para o recuo dos juros futuros. Os títulos do Tesouro americano são referência para a precificação global de risco e influenciam diretamente as curvas de juros em mercados emergentes.

Quando os Treasuries sobem, investidores tendem a exigir retornos maiores para manter posições em países como o Brasil. Esse movimento pode pressionar o dólar, elevar prêmios de risco e puxar a curva de juros doméstica para cima.

Nesta quinta-feira, o recuo dos rendimentos americanos ajuda a aliviar essa pressão. A baixa do dólar também favorece a leitura de menor risco inflacionário, já que reduz o impacto de produtos importados, insumos dolarizados e commodities negociadas em moeda americana.

O conjunto formado por petróleo mais fraco, dólar em queda e Treasuries em baixa cria um ambiente favorável para realização de prêmios na curva brasileira, especialmente após a alta observada na sessão anterior.

Encontro entre Trump e Xi fica no radar dos mercados

Os investidores também acompanham os desdobramentos do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim. A reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e da China ocorre em um momento de atenção elevada a temas comerciais, geopolíticos e de segurança internacional.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Trump e Xi encontraram “um terreno em comum” em relação ao Irã. Segundo ele, Pequim, que mantém laços próximos com Teerã, reiterou oposição ao desenvolvimento de armas nucleares pelo país persa.

A sinalização foi lida como um elemento de alívio no curto prazo, ainda que o mercado continue avaliando a extensão prática das conversas. Em momentos de tensão geopolítica, qualquer indicação de coordenação entre Washington e Pequim tende a reduzir a aversão ao risco.

Para os juros futuros no Brasil, o efeito ocorre de forma indireta. Um ambiente externo menos tenso favorece moedas emergentes, reduz pressão sobre o dólar e permite queda dos prêmios embutidos na curva doméstica.

Ruído político doméstico perde força nesta quinta

No cenário doméstico, as notícias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não pareciam exercer impacto relevante sobre os juros futuros na manhã desta quinta-feira.

Na quarta-feira, 13, as taxas dos DIs aceleraram alta após a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Vorcaro para pagar despesas relacionadas ao filme sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O episódio adicionou ruído político ao pregão anterior, mas a leitura desta quinta-feira mostra que a curva voltou a responder principalmente a fatores externos. Ainda assim, o caso permanece no radar dos investidores por envolver um senador, um banqueiro e potenciais desdobramentos políticos e jurídicos.

Ruídos políticos podem afetar a percepção de risco local quando aumentam incertezas sobre estabilidade institucional, eleições, articulação no Congresso ou ambiente regulatório. Nesta sessão, porém, o mercado não atribui ao episódio força suficiente para anular o alívio vindo do exterior.

Vencimentos longos acompanham melhora externa

A queda dos juros futuros aparece em diferentes pontos da curva. O DI para janeiro de 2027, mais sensível às expectativas sobre a Selic e os próximos passos do Banco Central, opera em baixa moderada.

Os vencimentos mais longos, como janeiro de 2029 e janeiro de 2031, também recuam. Esses contratos incorporam fatores adicionais, como risco fiscal, inflação futura, câmbio, juros americanos, commodities e percepção de estabilidade política.

A baixa simultânea dos Treasuries e do petróleo tende a favorecer principalmente os vértices intermediários e longos, porque reduz prêmios associados ao exterior e à inflação. No curto prazo, a curva continua dependente das apostas sobre a política monetária brasileira.

Com a Selic ainda em patamar elevado, investidores seguem atentos a dados de inflação, atividade econômica, câmbio e comunicação do Banco Central. Qualquer sinal de inflação mais resistente pode limitar a queda das taxas, enquanto novos sinais de desaceleração podem reforçar apostas de alívio monetário à frente.

Mercado monitora Selic, IPCA e risco fiscal

Apesar do alívio desta quinta-feira, a curva de juros brasileira permanece sensível aos fundamentos domésticos. A trajetória da Selic, as expectativas para o IPCA e a percepção sobre o risco fiscal continuam no centro da precificação dos contratos futuros.

O mercado avalia se o Banco Central terá espaço para reduzir juros em ritmo mais intenso ou se precisará manter uma postura cautelosa diante de pressões inflacionárias, câmbio volátil e incertezas fiscais.

A queda do petróleo ajuda no curto prazo, mas não elimina a necessidade de monitorar serviços, alimentação, preços administrados e expectativas de inflação. O comportamento do dólar também seguirá relevante, principalmente se houver nova pressão sobre moedas emergentes.

No campo fiscal, investidores acompanham a capacidade do governo de cumprir metas, controlar despesas e preservar credibilidade da política econômica. Esses fatores influenciam principalmente os juros longos, que refletem a percepção sobre sustentabilidade da dívida pública.

Alívio externo sustenta baixa dos DIs

A queda dos juros futuros nesta quinta-feira reflete uma combinação favorável de fatores externos. Petróleo em baixa, dólar mais fraco e Treasuries em recuo reduzem a pressão sobre a curva brasileira e permitem ajuste depois da alta registrada na véspera.

O movimento mostra que, mesmo em um ambiente doméstico sujeito a ruídos políticos, a precificação dos DIs continua fortemente ligada ao exterior. Quando commodities e juros americanos aliviam ao mesmo tempo, o mercado encontra espaço para reduzir prêmios.

A continuidade desse movimento dependerá da manutenção do cenário global mais benigno e da ausência de novos choques no ambiente doméstico. Para os investidores, os próximos sinais sobre inflação, câmbio, política monetária e risco fiscal serão decisivos para definir se a queda das taxas representa apenas um ajuste pontual ou o início de uma recomposição mais ampla da curva.

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