A Localiza (RENT3) aprovou a distribuição de R$ 614,914 milhões em juros sobre capital próprio (JCP) aos acionistas, em decisão tomada pelo Conselho de Administração em 22 de setembro. O valor bruto corresponde a R$ 0,556580414 por ação ordinária, e o pagamento está programado para 18 de novembro de 2026.
Terá direito ao provento quem estiver na posição acionária da companhia em 25 de setembro. A partir de 28 de setembro, os papéis serão negociados sem o direito a essa distribuição. A companhia informou ainda que o valor por ação poderá sofrer alteração caso haja movimentação nas ações mantidas em tesouraria, seja por alienação vinculada a planos de incentivo, seja por novas recompras.
O anúncio amplia a remuneração já aprovada pela companhia ao longo de 2026 e ocorre em um momento de expansão das receitas e do lucro, mas também de elevado investimento na renovação da frota e de manutenção de uma estrutura relevante de dívida.
JCP supera distribuição anterior e eleva valor pago no ano
O novo JCP é maior do que a distribuição aprovada em junho. Naquele mês, a Localiza havia anunciado R$ 591,1 milhões, equivalentes a R$ 0,535127 por ação. A comparação mostra alta de aproximadamente 4% tanto no valor total quanto no valor por papel.
Em relação ao JCP anunciado em setembro de 2025, a diferença é mais ampla. O provento do ano passado somou R$ 543,4 milhões, com valor de R$ 0,515365 por ação. Pela comparação dos montantes, a nova distribuição é 13,2% maior. No valor por ação, o avanço chega a cerca de 8%.
Considerando os dois JCP já distribuídos em 2026, de R$ 571,8 milhões em março e R$ 591,1 milhões em junho, o novo pagamento leva para aproximadamente R$ 1,78 bilhão o volume bruto de JCP aprovado pela companhia no ano até agora. O valor é 52,9% superior à soma das duas distribuições anteriores.
A série histórica mantida pela própria Localiza mostra que o pagamento de juros sobre capital próprio é recorrente na política de remuneração dos acionistas. A empresa informa que sua distribuição obrigatória corresponde, em regra, a 25% do lucro líquido apurado no exercício anterior e pode ser realizada por meio de dividendos, JCP ou combinação das duas modalidades.
O valor atual, portanto, não representa uma mudança isolada na política de remuneração. Ele se insere em um fluxo de distribuições que vem ocorrendo em diferentes momentos do ano.
Data de corte determina quem terá direito ao pagamento
A referência para o direito ao JCP é a posição acionária de 25 de setembro. O investidor que constar da base acionária nessa data terá direito ao pagamento previsto para novembro, enquanto as compras realizadas a partir de 28 de setembro ocorrerão sem esse direito específico.
A mudança entre as duas datas é o que define o chamado período “ex-JCP”. A partir de 28 de setembro, o preço de mercado da ação passa a refletir a negociação sem o direito ao provento que estava incorporado ao papel até a data de corte.
O pagamento será realizado automaticamente, na proporção da quantidade de ações registrada na data-base. Assim, mantida a cotação e desconsideradas eventuais alterações do valor por ação, um acionista com 100 ações teria direito a aproximadamente R$ 55,66 em valor bruto. Para 1.000 ações, o montante chegaria a cerca de R$ 556,58.
Como o valor por ação ainda pode ser alterado em função da movimentação da posição em tesouraria, esses exemplos devem ser tratados como referências com base no valor atualmente divulgado pela companhia.
A possibilidade de ajuste decorre da própria dinâmica da base acionária. Quando uma empresa vende ações mantidas em tesouraria ou compra novos papéis no mercado, muda a quantidade de ações sobre a qual determinado montante pode ser distribuído, afetando o valor individual por ação.
Imposto de Renda reduz valor líquido do JCP
O JCP está sujeito à retenção de Imposto de Renda na fonte. Desde 1º de janeiro de 2026, a alíquota incidente sobre esse tipo de remuneração passou de 15% para 17,5%, de acordo com a legislação tributária vigente.
Aplicada ao valor atualmente anunciado pela Localiza, a retenção representa R$ 0,097401573 por ação. O valor líquido estimado, para o beneficiário sujeito à retenção integral, fica em aproximadamente R$ 0,459178841 por ação.
No total, sobre os R$ 614,9 milhões brutos, o Imposto de Renda corresponde a cerca de R$ 107,6 milhões. Considerando a retenção de 17,5%, o valor líquido destinado aos beneficiários sujeitos a essa tributação seria de aproximadamente R$ 507,3 milhões.
As regras possuem exceções para acionistas que comprovadamente sejam imunes ou isentos, conforme informado pela própria companhia. Por isso, o valor líquido efetivamente recebido pode variar conforme a condição tributária do investidor.
A mudança da alíquota também altera a comparação com distribuições realizadas em anos anteriores. O JCP aprovado pela Localiza para setembro de 2025, por exemplo, estava submetido a uma alíquota menor, de 15%. O novo regime tributário reduz o valor líquido proporcional de cada JCP, ainda que o montante bruto aprovado pela companhia tenha aumentado.
Resultado cresce, mas empresa mantém forte necessidade de capital
A nova distribuição ocorre após um segundo trimestre de 2026 de expansão operacional. A Localiza registrou receita líquida consolidada de R$ 12,3 bilhões no período, crescimento de 24,5% sobre o segundo trimestre de 2025.
O crescimento foi acompanhado por aumento de 14,1% no Ebitda, para R$ 3,8 bilhões, enquanto o lucro líquido chegou a R$ 1,003 bilhão, alta de 30,6% na comparação com o lucro ajustado do segundo trimestre do ano anterior.
O desempenho não veio apenas da atividade de aluguel de veículos. A receita líquida de Seminovos avançou 38,9%, para R$ 7,2 bilhões, enquanto a operação de Aluguel de Carros apresentou alta de 11,2% na receita líquida, para R$ 2,736 bilhões. Em Gestão de Frotas, a receita aumentou 5,8%, alcançando R$ 2,379 bilhões.
No mercado de veículos usados, a companhia vendeu 92 mil unidades no trimestre, ante 68 mil um ano antes. O aumento do volume faz parte da estratégia de renovação da frota e de redução do ciclo de permanência dos veículos.
Ao mesmo tempo, a expansão operacional exige desembolsos elevados. No segundo trimestre, a Localiza adquiriu 120.626 veículos e vendeu 92.043. O investimento líquido para renovação e crescimento da frota somou R$ 4,454 bilhões no trimestre.
Esse valor ajuda a dimensionar a diferença entre a remuneração ao acionista e as necessidades de capital da operação. O novo JCP de R$ 614,9 milhões equivale a cerca de 13,8% do investimento líquido em frota realizado apenas no segundo trimestre.
No primeiro semestre, o caixa gerado pelas atividades de aluguel alcançou R$ 5,211 bilhões, mas foi consumido por R$ 5,248 bilhões de capex líquido de carros e R$ 161 milhões em outros investimentos, parcialmente compensados pelo aumento de R$ 2,030 bilhões em contas a pagar a fornecedores de veículos.
Dívida líquida passa de R$ 32 bilhões no fim do semestre
A estrutura financeira da companhia também faz parte do contexto do novo pagamento. Em 30 de junho, a dívida líquida da Localiza totalizava R$ 32,352 bilhões, alta de 4,2% em relação aos R$ 31,052 bilhões registrados no fim de 2025.
A empresa encerrou o segundo trimestre com R$ 11,390 bilhões em caixa. No mesmo período, mantinha R$ 8,870 bilhões de dívida exposta à variação do CDI. Outros R$ 23,482 bilhões estavam protegidos por operações de swap que transformavam a parcela indexada ao CDI em uma taxa prefixada.
A companhia também informou que, em julho, concluiu uma operação de troca de aproximadamente R$ 7 bilhões em dívidas. A transação alongou vencimentos e alterou o perfil do passivo, em uma estratégia de gestão de liquidez que ocorre paralelamente aos investimentos na frota e à distribuição de recursos aos acionistas.
Esse conjunto de movimentos mostra que a aprovação do JCP ocorre dentro de uma estrutura de alocação de capital com três frentes relevantes: expansão e renovação dos ativos operacionais, gestão do endividamento e remuneração dos acionistas.
Próximos pagamentos dependem da posição em setembro
Para o investidor, o próximo marco da distribuição é 25 de setembro, quando será definida a posição acionária que dará direito ao JCP. Três dias depois, em 28 de setembro, as ações passam a ser negociadas ex-JCP.
O crédito está previsto para 18 de novembro, na proporção da participação de cada acionista. Até lá, o valor individual divulgado pela Localiza poderá ser ajustado conforme ocorram operações envolvendo ações mantidas em tesouraria.
A sequência também coloca o novo JCP em perspectiva dentro do histórico recente da companhia. O valor por ação vem aumentando nas distribuições anunciadas em 2026: R$ 0,522118 em março, R$ 0,535127 em junho e agora R$ 0,556580414, sempre em valores brutos. Entre março e setembro, a elevação acumulada chega a aproximadamente 6,6%.
A combinação entre crescimento do resultado, expansão operacional, investimentos elevados em frota e distribuição recorrente aos acionistas será observada nas próximas divulgações financeiras da companhia. O calendário da Localiza prevê a publicação dos resultados do terceiro trimestre em 5 de novembro, antes do pagamento do novo JCP, marcado para 18 de novembro.
Fontes:
Localiza&Co – fato relevante sobre a aprovação de juros sobre capital próprio em 22 de setembro de 2026, com valor bruto, data-base, data ex e data de pagamento
Localiza&Co – histórico de dividendos e juros sobre capital próprio e política de distribuição aos acionistas
Localiza&Co – release de resultados do segundo trimestre de 2026, com dados de receita, Ebitda, lucro, frota, investimentos, geração de caixa e dívida
Receita Federal – Nota Técnica CETAD/COEST nº 009/2026 sobre a alíquota de Imposto de Renda incidente sobre juros sobre capital próprio










