A Saudi Aramco (2222) registrou lucro líquido de US$ 36,25 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 34,6% em relação aos US$ 26,94 bilhões apurados no mesmo período de 2025. O resultado divulgado nesta terça-feira (3) foi impulsionado pela valorização do petróleo, pela recuperação das margens de refino e por um ganho extraordinário com a venda de participação em uma empresa de petroquímica na Malásia, apesar das restrições à produção e ao transporte de petróleo provocadas pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O lucro líquido ajustado, que exclui determinados efeitos extraordinários e não recorrentes, alcançou US$ 31,2 bilhões, avanço de 9% na comparação anual. A diferença entre o resultado contábil e o ajustado reflete, entre outros fatores, o reconhecimento de ganhos associados à reorganização do portfólio internacional da companhia.
A Aramco também anunciou a distribuição de US$ 21,9 bilhões em dividendos referentes ao terceiro trimestre, valor 3,5% superior ao registrado um ano antes. O pagamento está programado para o quarto trimestre e reforça a relevância da petrolífera para a arrecadação e o financiamento das atividades do governo da Arábia Saudita, seu principal acionista.
Preço do petróleo e venda de ativos impulsionam lucro da Aramco
O preço médio realizado pela Aramco nas vendas de petróleo bruto atingiu US$ 95,20 por barril entre julho e setembro, ante US$ 70,10 no terceiro trimestre de 2025. A valorização contribuiu para compensar a redução dos volumes comercializados e sustentar o crescimento das receitas.
A receita operacional da companhia alcançou aproximadamente US$ 123,8 bilhões, frente a US$ 103 bilhões no mesmo período do ano anterior, aumento de cerca de 20,2%.
Além dos preços mais elevados do petróleo e de produtos refinados e petroquímicos, o balanço foi beneficiado pela venda da participação da Aramco na PRefChem, empreendimento de refino e petroquímica desenvolvido em parceria com a Petronas, na Malásia.
A conclusão da operação, em setembro, gerou um ganho contábil de aproximadamente US$ 6,91 bilhões, segundo as demonstrações financeiras da petrolífera.
Esse efeito ajuda a explicar por que o lucro líquido total cresceu em ritmo significativamente superior ao lucro ajustado. A operação representa uma reorganização de ativos e não deve ser interpretada como aumento recorrente da rentabilidade operacional.
Refino registra crescimento de 234% no resultado operacional
O segmento de refino, petroquímica, distribuição e comercialização de combustíveis, conhecido como downstream, apresentou uma das maiores expansões de rentabilidade no balanço trimestral.
O lucro operacional ajustado antes de juros e tributos (EBIT) dessa divisão atingiu US$ 10,3 bilhões, ante US$ 3,09 bilhões no terceiro trimestre de 2025, crescimento de 234%.
De acordo com a Aramco, o resultado foi sustentado principalmente pelo fortalecimento das margens de refino, que compensou parcialmente as dificuldades enfrentadas nas atividades de exploração e produção.
No segmento de upstream, responsável pela produção de petróleo e gás natural, o EBIT ajustado recuou de US$ 51,49 bilhões para US$ 46,81 bilhões na comparação anual.
A retração foi atribuída à redução dos volumes de petróleo comercializados e ao aumento dos royalties de produção, parcialmente compensados pela valorização internacional do barril.
Produção de petróleo da Aramco cai em meio à crise no Oriente Médio
A produção total de hidrocarbonetos da Aramco alcançou aproximadamente 11,05 milhões de barris de óleo equivalente por dia no terceiro trimestre, abaixo dos 13,27 milhões registrados no mesmo período de 2025.
A produção de líquidos, que inclui petróleo bruto, condensado e líquidos de gás natural, ficou em 8,7 milhões de barris diários, ante 10,82 milhões um ano antes.
A redução ocorreu em um ambiente marcado por restrições logísticas, ataques contra instalações energéticas e interrupções no fluxo regional de petróleo.
O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para exportação de energia do Golfo Pérsico, permanece no centro das preocupações sobre a segurança do abastecimento internacional.
A companhia informou que algumas de suas instalações e de empresas afiliadas foram alvo de ataques durante o trimestre e após seu encerramento. Até 30 de setembro, a avaliação da administração era de que esses episódios não deveriam provocar impactos materiais sobre sua posição financeira, seus resultados ou seu fluxo de caixa.
A petrolífera ressalvou, entretanto, que continuará avaliando os efeitos operacionais e financeiros dos acontecimentos.
Oleoduto Leste-Oeste ajuda Aramco a manter exportações
Para reduzir a exposição às dificuldades de navegação no Golfo Pérsico, a Aramco intensificou a utilização de sua infraestrutura de transporte terrestre, especialmente o Oleoduto Leste-Oeste.
O sistema conecta regiões produtoras do leste da Arábia Saudita às instalações de exportação na costa do Mar Vermelho, permitindo o escoamento de petróleo por rotas alternativas ao Estreito de Ormuz.
Segundo o relatório trimestral, o oleoduto enfrentou interrupções durante o período, mas a configuração de múltiplas linhas permitiu restabelecer rapidamente os carregamentos na região ocidental do país.
A companhia registrou índice de confiabilidade no fornecimento de 97,8% no terceiro trimestre. O indicador mede a proporção dos volumes contratados que foram entregues dentro do intervalo previsto, considerando os critérios operacionais utilizados pela empresa.
O diretor-presidente da Aramco, Amin H. Nasser, afirmou que a empresa continua avaliando novas instalações de armazenamento no exterior e rotas alternativas de exportação para fortalecer sua rede internacional de abastecimento.
A estratégia busca ampliar a capacidade de resposta da companhia diante de interrupções prolongadas no transporte de energia e reduzir sua dependência de corredores logísticos sujeitos a riscos geopolíticos.
Aramco anuncia US$ 21,9 bilhões em dividendos e melhora geração de caixa
A Aramco declarou dividendos básicos de aproximadamente US$ 21,9 bilhões referentes ao terceiro trimestre, aumento de 3,5% em relação ao pagamento equivalente do ano anterior.
O fluxo de caixa proveniente das atividades operacionais atingiu US$ 38,7 bilhões, comparado a US$ 36,1 bilhões no terceiro trimestre de 2025.
Já o fluxo de caixa livre, indicador que considera os recursos disponíveis após os investimentos de capital, cresceu de US$ 23,6 bilhões para US$ 28,2 bilhões, avanço próximo de 20%.
O índice de endividamento líquido utilizado pela companhia, denominado gearing, recuou de 6,2% no encerramento de junho para 5,5% em setembro.
Nos primeiros nove meses de 2026, a Aramco acumulou lucro líquido de US$ 101,5 bilhões, enquanto o fluxo de caixa livre somou US$ 59,1 bilhões.
O desempenho reforça a capacidade de distribuição de dividendos e financiamento de investimentos, embora os resultados permaneçam expostos à volatilidade dos preços internacionais do petróleo e às condições de operação no Oriente Médio.
Investimentos em gás natural ganham importância na estratégia da Aramco
Paralelamente às operações de petróleo, a Aramco mantém projetos para ampliar a produção de gás natural e diversificar seu portfólio energético.
A empresa pretende elevar sua capacidade de produção de gás comercializável em aproximadamente 80% até 2030, tomando como referência os níveis de 2021, conforme as condições de demanda e a execução de projetos ainda sujeitos a decisões de investimento.
Um dos principais empreendimentos é o campo de Jafurah, cuja segunda fase está prevista para conclusão em 2027. A expectativa da companhia é alcançar produção sustentável de 2 bilhões de pés cúbicos diários de gás comercializável nesse projeto até 2030, além de volumes adicionais de etano, condensado e líquidos de gás natural.
A expansão da planta de Fadhili também continua em andamento, com previsão de acrescentar capacidade de processamento de 1,5 bilhão de pés cúbicos diários de gás bruto em 2027.
No segmento de petróleo, a Aramco iniciou em outubro a produção associada ao projeto de expansão de Zuluf. A instalação deverá alcançar capacidade de processamento de até 600 mil barris diários de petróleo bruto até o encerramento de 2026.
Os investimentos fazem parte da estratégia de preservar a capacidade produtiva da companhia e ampliar a flexibilidade operacional diante de mudanças na demanda por energia.
A combinação de preços internacionais mais elevados, maior rentabilidade no refino e resultados extraordinários permitiu à Aramco ampliar o lucro no terceiro trimestre, mesmo com a produção abaixo dos níveis observados um ano antes. A evolução dos conflitos regionais, a segurança das exportações e a capacidade de manter os fluxos de fornecimento permanecem entre os principais fatores para o desempenho da companhia nos próximos trimestres.
Fontes
Saudi Aramco — Comunicado oficial de resultados do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 3 de novembro de 2026.
Saudi Aramco — Third Quarter and Nine Months Interim Report 2026, demonstrações financeiras consolidadas e informações operacionais.
Saudi Aramco — Relações com Investidores, indicadores financeiros, produção de hidrocarbonetos e dividendos do terceiro trimestre de 2026.










