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Lula reage, chega a 49,7% e reduz vantagem de Flávio Bolsonaro a 0,6 ponto em pesquisa BTG/Nexus

Presidente recupera terreno na reta final do segundo turno e alcança empate na intenção espontânea; levantamento revela disputa apertada a cinco dias da eleição.

por Carlos Menezes
19/10/2026 às 18h58
em Política
Pesquisa Eleitoral - Gazeta Mercantil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperou parte da desvantagem em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e chegou à última semana das eleições presidenciais de 2026 em situação de empate técnico. A pesquisa BTG/Nexus, divulgada na segunda-feira (19), mostra Lula com 49,7% dos votos válidos, contra 50,3% do adversário. A diferença de apenas 0,6 ponto percentual representa uma redução expressiva em relação aos 3,2 pontos registrados na rodada anterior, realizada uma semana antes. O resultado evidencia uma aproximação numérica entre os candidatos, embora as oscilações individuais estejam dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

A mudança acontece em um momento decisivo da corrida presidencial. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, Lula passou a enfrentar a necessidade de reconquistar eleitores e ampliar sua mobilização política para tentar assegurar a reeleição em 25 de outubro. O novo levantamento sugere que a distância entre as duas candidaturas diminuiu, mas ainda não permite identificar uma vantagem estatisticamente comprovada para nenhum dos concorrentes.

O estudo também revela um empate exato na intenção espontânea de voto, modalidade em que os entrevistados respondem sem receber previamente os nomes dos candidatos. Lula e Flávio aparecem com 44,5% cada um. Na pesquisa divulgada em 13 de outubro, o senador registrava 46,3%, enquanto o presidente já tinha 44,5%. Nesse indicador, portanto, a aproximação ocorreu pela queda de 1,8 ponto percentual de Flávio, enquanto Lula permaneceu numericamente estável.

A pesquisa foi realizada pela Nexus, a pedido do BTG Pactual, entre os dias 16 e 18 de outubro, com 2.002 eleitores de 16 anos ou mais entrevistados por telefone em todas as unidades da Federação. O levantamento possui nível de confiança de 95%, margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04499/2026.

Lula recupera terreno e reduz diferença de 3,2 para 0,6 ponto percentual

A evolução dos números da Nexus permite identificar como a corrida presidencial mudou entre as duas pesquisas de outubro. Na rodada divulgada no dia 13, Flávio Bolsonaro aparecia com 51,6% dos votos válidos, enquanto Lula registrava 48,4%. Seis dias depois, o senador passou a 50,3%, e o presidente alcançou 49,7%.

A comparação mostra que Lula ganhou 1,3 ponto percentual, enquanto Flávio perdeu a mesma proporção. Como consequência, a distância entre os candidatos diminuiu 2,6 pontos percentuais, uma redução equivalente a aproximadamente 81% da vantagem numérica anteriormente observada. O cálculo dimensiona a aproximação, mas não deve ser interpretado como prova definitiva de transferência de votos entre as duas candidaturas.

Nos votos totais, que incluem todos os entrevistados, a pesquisa também mostra uma disputa praticamente equilibrada. Flávio aparece com 46,5%, enquanto Lula registra 45,9%. Outros 4,7% declararam intenção de votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos, e 2,9% não souberam ou preferiram não responder.

Na rodada anterior, o senador tinha 47,9% dos votos totais e Lula, 45,1%. A comparação indica crescimento de 0,8 ponto percentual para o presidente e recuo de 1,4 ponto para Flávio. Mais uma vez, os movimentos individuais permanecem dentro da margem de erro, recomendando cautela na interpretação de uma tendência consolidada.

A diferença entre votos totais e válidos é fundamental para compreender os resultados. Enquanto os primeiros incluem a totalidade das respostas, os votos válidos excluem as opções de voto branco, nulo e os eleitores que não indicaram candidato, seguindo o critério utilizado pela Justiça Eleitoral na apuração oficial.

A aproximação também aparece quando a pesquisa considera as respostas espontâneas. Em 13 de outubro, Flávio tinha vantagem de 1,8 ponto percentual sobre Lula. Na rodada mais recente, ambos chegaram a 44,5%, eliminando a diferença numérica nesse indicador.

O empate espontâneo possui relevância porque mede a preferência declarada sem apresentação de uma lista de candidatos. Entretanto, não constitui uma previsão mais precisa do resultado eleitoral do que a pesquisa estimulada. As duas modalidades investigam aspectos diferentes da intenção de voto e estão sujeitas a limitações estatísticas próprias.

Nordeste amplia vantagem de Lula, mas Flávio mantém força no Sul e Sudeste

A distribuição regional das intenções de voto revela que o equilíbrio nacional esconde diferenças expressivas entre as regiões. Segundo a Nexus, Lula ampliou sua vantagem no Nordeste, alcançando 66,2% das intenções de voto estimuladas, enquanto Flávio Bolsonaro registra 27,9%. A diferença de 38,3 pontos percentuais aumentou em relação aos 28,3 pontos observados na pesquisa anterior.

O Nordeste representa uma das principais bases eleitorais do presidente e permanece estratégico para sua tentativa de reeleição. O crescimento da vantagem regional indica maior concentração das preferências em torno da candidatura petista, embora o resultado nacional dependa da participação de eleitores de todas as regiões e do comparecimento efetivo às urnas.

O cenário é diferente no Sul, onde Flávio Bolsonaro aparece com 61% das intenções de voto, diante de 31,4% de Lula. A vantagem do senador alcança 29,6 pontos percentuais e também aumentou em relação à rodada anterior, quando estava em 21,6 pontos.

No Norte e Centro-Oeste, analisados conjuntamente pelo instituto, Flávio registra 56,8% das intenções de voto, enquanto o presidente aparece com 39,3%. A diferença é de 17,5 pontos percentuais, demonstrando uma predominância numérica do candidato do PL na região considerada pelo levantamento.

O Sudeste apresenta uma configuração especialmente relevante devido ao tamanho de seu eleitorado. Flávio Bolsonaro tem 49,2%, contra 40,8% de Lula, uma vantagem de 8,4 pontos percentuais. Embora permaneça à frente, o senador registrou uma redução da diferença em relação à pesquisa anterior, quando a distância alcançava dez pontos.

Os resultados regionais ajudam a explicar por que a disputa nacional permanece tão apertada. O desempenho expressivo de Lula no Nordeste compensa parcialmente as vantagens de Flávio em outras regiões, enquanto diferenças nas taxas de comparecimento podem alterar o peso relativo desses segmentos no resultado efetivo.

A análise também mostra que a recuperação nacional do presidente não foi homogênea. Parte importante da aproximação ocorreu simultaneamente à ampliação de sua liderança nordestina, enquanto outras regiões mantiveram preferência pelo candidato da oposição.

Lula lidera entre mulheres e eleitores de menor renda

O perfil socioeconômico dos entrevistados apresenta divisões igualmente relevantes para compreender o comportamento eleitoral. Entre as mulheres, Lula registra 52,6% das intenções de voto, contra 40,1% de Flávio Bolsonaro. A diferença de 12,5 pontos percentuais confirma a vantagem do presidente nesse segmento, embora tenha diminuído em comparação à rodada anterior.

Entre os homens, o resultado se inverte. Flávio aparece com 53,7%, enquanto Lula tem 38,3%, estabelecendo uma vantagem de 15,4 pontos percentuais para o senador. O contraste demonstra a importância da composição por sexo do eleitorado para o resultado nacional.

A renda familiar também influencia a distribuição das preferências. Entre os entrevistados que recebem até um salário mínimo, Lula alcança 59%, contra 31,4% do adversário. Na faixa de um a dois salários mínimos, o presidente mantém a liderança, com 55,4%, diante de 36,5% de Flávio.

Nas faixas superiores, a configuração muda. Entre aqueles com renda familiar de dois a cinco salários mínimos, Flávio registra 52% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 39,7%. Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, o senador chega a 56,9%, contra 38,9% do presidente.

Essas diferenças mostram que a eleição permanece fortemente segmentada por renda, região e características demográficas. A capacidade de cada candidato de ampliar seu apoio fora dos grupos tradicionais poderá influenciar os últimos dias de campanha, especialmente em uma disputa com diferença nacional inferior a um ponto percentual na pesquisa BTG/Nexus.

Rejeição a Lula cai e aprovação do governo apresenta recuperação

A reação numérica de Lula ocorre paralelamente a uma melhora em indicadores relacionados à avaliação de seu governo. Segundo a Nexus, a aprovação do trabalho presidencial passou de 45,3% para 47,2% entre as duas rodadas de outubro, avanço de 1,9 ponto percentual. No mesmo período, a desaprovação recuou de 49,9% para 48,8%.

Embora a desaprovação continue numericamente superior à aprovação, a diferença entre os dois indicadores diminuiu. Na rodada anterior, o saldo negativo era de 4,6 pontos percentuais. Agora, está em 1,6 ponto, uma redução de três pontos percentuais na distância entre aprovação e desaprovação.

Os dados de rejeição eleitoral apresentam comportamento semelhante. A parcela que afirma não votar em Lula de maneira alguma recuou de 50,6% para 47,8%, queda de 2,8 pontos percentuais. A rejeição a Flávio Bolsonaro passou de 47% para 46,8%, uma oscilação de apenas 0,2 ponto percentual.

A diferença entre as rejeições dos dois candidatos ficou em um ponto percentual, também dentro da margem de erro. Esse indicador é importante porque a resistência a cada candidatura pode limitar a capacidade de conquistar novos eleitores em um segundo turno polarizado.

Na avaliação qualitativa da administração federal, 32,4% classificam o governo como ótimo ou bom, enquanto 42,9% consideram a gestão ruim ou péssima. Outros 23,6% avaliam o desempenho como regular. A parcela de avaliação negativa apresentou redução em comparação à rodada anterior, mas permanece numericamente superior à positiva.

A melhora na aprovação não significa necessariamente que os entrevistados estejam modificando sua intenção de voto em favor do presidente. Um eleitor pode passar a avaliar o governo de maneira menos negativa e, ainda assim, permanecer favorável à candidatura de oposição. A pesquisa permite observar a coincidência temporal entre os movimentos, mas não comprova uma relação causal direta.

Maioria declara voto decidido, mas uma parcela ainda admite mudança

A possibilidade de conquistar eleitores adicionais diminui à medida que a eleição se aproxima. A pesquisa BTG/Nexus mostra que 90,9% dos entrevistados afirmam já ter decidido definitivamente seu voto e não pretendem mudar de candidato até domingo. Outros 8,4% admitem a possibilidade de alteração, enquanto 0,7% não souberam ou não responderam.

Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 94,5% dizem que sua decisão está consolidada. No grupo que declara voto em Lula, o percentual chega a 94%. Os números indicam bases de apoio com elevado grau de fidelidade, deixando uma parcela relativamente pequena dos eleitores declarados disponível para uma mudança de preferência.

A intenção de comparecimento também permanece elevada. Segundo o levantamento, 92,9% afirmam que votarão no segundo turno, incluindo eleitores que dizem ter decidido comparecer e aqueles que consideram provável sua participação.

O comparecimento efetivo, contudo, pode diferir das declarações registradas em pesquisas. Fatores como dificuldades de deslocamento, condições de saúde, compromissos pessoais e desmotivação podem interferir na participação dos eleitores, especialmente entre os que demonstram menor interesse pelo processo eleitoral.

O potencial de mobilização assume importância adicional porque o resultado do primeiro turno foi decidido por uma diferença relativamente pequena. Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, uma vantagem de 1,87 ponto percentual para o senador.

Na primeira votação, o candidato do PL recebeu aproximadamente 56,1 milhões de votos, contra 53,9 milhões do presidente. A distância foi de cerca de 2,2 milhões de votos, resultado que passou a orientar as estratégias das duas campanhas para a etapa final da eleição.

Outras pesquisas mostram disputa apertada, mas Flávio segue numericamente à frente

Embora a BTG/Nexus registre uma aproximação expressiva entre os candidatos, outros levantamentos apresentam diferenças maiores. A pesquisa PoderData/Aya divulgada em 19 de outubro, por exemplo, atribuiu 52% dos votos válidos a Flávio Bolsonaro e 48% a Lula.

O estudo foi realizado entre 16 e 18 de outubro, com 3 mil entrevistas telefônicas em 695 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, com nível de confiança de 95%, e o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-02586/2026.

Nesse instituto, a trajetória recente foi diferente daquela registrada pela Nexus. Depois de apresentar uma diferença de seis pontos percentuais favorável a Flávio na primeira pesquisa após o turno inicial, o PoderData identificou uma aproximação entre os candidatos, que chegaram a empatar numericamente em 50% dos votos válidos. Na rodada seguinte, o senador voltou a aparecer com quatro pontos de vantagem.

Outra pesquisa, realizada pelo Real Time Big Data e divulgada nesta terça-feira (20), também apontou Flávio com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. O levantamento ouviu 2 mil eleitores por telefone entre 15 e 19 de outubro, possui margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado sob o número BR-02952/2026.

As diferenças entre institutos precisam ser avaliadas considerando a metodologia, as datas de coleta, a composição das amostras e os procedimentos estatísticos empregados. Não é correto tratar a variação entre pesquisas de organizações distintas como se fosse uma série histórica uniforme.

Os resultados disponíveis mostram que a disputa permanece competitiva, mas não autorizam afirmar que Lula tenha assumido a liderança nacional. O presidente apresentou recuperação na pesquisa BTG/Nexus, enquanto Flávio Bolsonaro conserva vantagem numérica nos principais levantamentos divulgados na reta final.

Expectativa de vitória ainda favorece Flávio Bolsonaro

Um dos aspectos mais relevantes da pesquisa BTG/Nexus é a diferença entre intenção de voto e percepção sobre quem vencerá a eleição. Embora os candidatos apareçam praticamente empatados na preferência declarada, 53,7% dos entrevistados acreditam que Flávio Bolsonaro será eleito presidente. Outros 39,2% apostam na vitória de Lula, enquanto 7,1% não souberam ou não responderam.

A vantagem de Flávio nesse indicador alcança 14,5 pontos percentuais, muito superior à distância de 0,6 ponto observada nas intenções de voto estimuladas. O resultado mostra que o senador mantém uma percepção de favoritismo entre parte do eleitorado que vai além de sua base direta de apoiadores.

Esse indicador mede a expectativa dos entrevistados, não a probabilidade estatística real de vitória. Uma pessoa pode votar em Lula e acreditar que Flávio vencerá, ou apoiar o senador e avaliar que o presidente terminará reeleito. O resultado expressa a percepção social sobre o desfecho, influenciada por acontecimentos políticos, pesquisas anteriores e interpretações individuais sobre a força das campanhas.

A cinco dias da votação, o desafio das candidaturas envolve mobilizar seus eleitores, reduzir resistências e conquistar a parcela que ainda admite mudar de posição. As próximas pesquisas poderão indicar se a aproximação registrada pela Nexus representa uma tendência persistente ou uma oscilação dentro dos limites estatísticos do levantamento.

O segundo turno das eleições 2026 será realizado no domingo, 25 de outubro, com votação das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Até lá, novos levantamentos e acontecimentos de campanha poderão modificar as expectativas sobre a disputa. Por enquanto, os dados confirmam uma recuperação numérica de Lula na BTG/Nexus, mas mostram que o resultado presidencial permanece indefinido e que nenhum dos candidatos possui vantagem estatisticamente demonstrada nessa pesquisa.

Fontes:

Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados — Relatório integral da 18ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgado em 19 de outubro de 2026, registro BR-04499/2026.

Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados — Divulgação oficial da 17ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, de 13 de outubro de 2026, registro BR-07997/2026.

Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados — Levantamentos originais sobre distribuição regional das intenções de voto e percepção de vitória eleitoral, divulgados em 19 de outubro de 2026.

PoderData/Aya — Relatório original da pesquisa presidencial realizada de 16 a 18 de outubro de 2026, registro BR-02586/2026.

Tribunal Superior Eleitoral — Calendário das Eleições 2026, Resolução nº 23.759/2026 e informações oficiais sobre o segundo turno presidencial.

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