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Moody’s rebaixa Cosan (CSAN3) para B1 e aumenta pressão sobre dívida da holding

por João Souza - Repórter de Negócios
17/07/2026 às 10h48
em Empresas,Destaque,Notícias
Moody’s Rebaixa Cosan (Csan3) Para B1 E Aumenta Pressão Sobre Dívida Da Holding - Gazeta Mercantil - Empresas

Agência rebaixa nota da holding para B1 e mantém perspectiva negativa; movimentação da Squadra no Inter (INBR32), JCP da Telefônica Brasil (VIVT3) e prévias de Lavvi (LAVV3) e Eneva (ENEV3) também entram no radar

A Cosan (CSAN3) iniciou esta sexta-feira, 17 de julho, sob pressão renovada no mercado de crédito após a Moody’s rebaixar a nota da holding de Ba3 para B1 e manter a perspectiva negativa. A decisão, anunciada na noite de quinta-feira, reflete a cobertura de juros considerada fraca, a redução dos dividendos provenientes da Raízen (RAIZ4) e a dependência de novas vendas de ativos para diminuir o endividamento. O movimento coloca a execução financeira da companhia no centro do pregão, em uma sessão que também reúne mudanças acionárias no Inter (INBR32), remuneração aos acionistas da Telefônica Brasil (VIVT3) e indicadores operacionais de Lavvi (LAVV3) e Eneva (ENEV3).

O rebaixamento da Cosan (CSAN3) é o fato de maior peso entre os comunicados corporativos do dia porque atinge diretamente a percepção de risco da holding e pode influenciar o custo de futuras captações. A classificação B1 permanece dentro do grau especulativo da escala internacional da Moody’s e sinaliza que a agência ainda vê fragilidades na relação entre os encargos financeiros da companhia e o caixa recebido de suas investidas.

A decisão encerra a revisão iniciada em 24 de fevereiro, quando a Raízen (RAIZ4) anunciou seu processo de reestruturação. Ao longo da análise, a Moody’s avaliou não apenas os possíveis efeitos da situação financeira da empresa sucroenergética, mas também a capacidade da Cosan (CSAN3) de reduzir a dívida no nível da holding sem comprometer sua liquidez.

A avaliação final reconhece avanços importantes na estrutura de capital, mas indica que eles ainda não foram suficientes para neutralizar os riscos. A Cosan (CSAN3) reduziu sua dívida corporativa de aproximadamente R$ 21,9 bilhões no fim de 2025 para cerca de R$ 12,4 bilhões em junho de 2026, em bases pro forma. Mesmo depois dessa redução, a Moody’s entende que a cobertura dos juros continua pressionada.

Moody’s prevê fluxo de caixa negativo por até 18 meses

A principal preocupação da agência está na capacidade da Cosan (CSAN3) de gerar recursos suficientes, no nível da holding, para pagar juros e cumprir outras obrigações sem depender continuamente da venda de participações ou ativos.

A Moody’s estima que o fluxo de caixa livre da holding permaneça negativo nos próximos 12 a 18 meses. O cenário considera despesas financeiras ainda elevadas e uma contribuição menor de dividendos das empresas do portfólio.

A Cosan (CSAN3) avançou em sua estratégia de desalavancagem durante 2025 e 2026. A capitalização concluída no fim do ano passado levantou R$ 10,5 bilhões. A holding também realizou uma oferta secundária de ações da Compass, que gerou R$ 2,3 bilhões, e anunciou a venda de parte do portfólio de terras da Radar, com R$ 586 milhões atribuíveis à Cosan por meio de dividendos.

Com esses recursos, a companhia antecipou aproximadamente R$ 9,3 bilhões em dívidas. Entre as operações liquidadas estão títulos com vencimentos previstos para 2029, 2030 e 2031, além de diferentes séries de debêntures.

A redução dos compromissos mais próximos diminuiu o risco de refinanciamento. Em março, a posição de caixa da holding era de R$ 7,7 bilhões, e a Cosan (CSAN3) não possuía vencimentos relevantes antes de 2029.

O problema, segundo a Moody’s, é que parte significativa da melhora dependeu de recursos extraordinários. Para que a estrutura financeira se torne sustentável, a Cosan (CSAN3) precisará aproximar os dividendos recorrentes recebidos de suas investidas do volume gasto com juros e despesas corporativas.

Essa diferença ajuda a explicar por que a perspectiva permaneceu negativa mesmo após a redução expressiva da dívida. A classificação poderá sofrer nova pressão se os próximos desinvestimentos demorarem, ocorrerem por valores inferiores ao projetado ou não forem integralmente destinados à diminuição do passivo.

Raízen reduz dividendos, mas agência não prevê contágio financeiro

A situação da Raízen (RAIZ4) é central para a análise porque a companhia deixou de representar uma fonte relevante de dividendos para a Cosan (CSAN3). A redução desses pagamentos diminui o caixa disponível na holding justamente em um período de juros altos e necessidade de desalavancagem.

A Moody’s, contudo, não espera que a reestruturação extrajudicial da Raízen (RAIZ4) provoque um contágio direto por meio da transferência de obrigações financeiras para a Cosan. A pressão decorre da perda de dividendos, e não da expectativa de que a holding assuma automaticamente as dívidas da investida.

O portfólio da Cosan (CSAN3) continua apoiado na Compass, na Moove, na Radar e na Rumo (RAIL3). Entre esses ativos, a Compass tornou-se a principal fonte de dividendos devido à previsibilidade do negócio de distribuição de gás e ao histórico de remuneração aos acionistas.

A menor diversificação, porém, torna a holding mais dependente do desempenho de um número reduzido de empresas. Qualquer deterioração operacional, queda de dividendos ou aumento de investimentos nessas companhias pode afetar o fluxo de recursos direcionado à controladora.

Para o acionista da Cosan (CSAN3), a decisão da Moody’s não representa uma recomendação de compra ou venda das ações. O rating mede risco de crédito. Ainda assim, uma nota mais baixa pode elevar o custo de novas emissões, restringir o universo de investidores dispostos a financiar a companhia e reduzir a flexibilidade para atravessar períodos de menor geração de caixa.

A reversão da perspectiva dependerá de novas reduções da dívida, melhora sustentada na cobertura de juros e manutenção de liquidez adequada. A recomposição dos dividendos recebidos das investidas também seria necessária para diminuir a dependência de operações extraordinárias.

Squadra reduz participação no Inter para 9,8%

Enquanto a Cosan (CSAN3) concentra as atenções no mercado de crédito, o Inter&Co (INBR32) informou uma mudança relevante em sua base acionária. Fundos e investidores não residentes administrados pela Squadra passaram a deter 31.924.236 valores mobiliários da companhia, equivalentes a 9,8% das ações ordinárias Classe A emitidas pelo grupo financeiro.

A posição é formada por 22.361.126 Brazilian Depositary Receipts negociados na B3 sob o código INBR32 e 9.563.110 ações Classe A mantidas diretamente. Do total de BDRs informado, 586.246 estavam cedidos em operações de empréstimo.

A divulgação foi necessária porque a participação da gestora caiu abaixo do patamar de 10%. A Resolução CVM nº 44 determina a comunicação ao mercado quando um investidor ultrapassa ou reduz sua posição em intervalos relevantes, como 5%, 10% e seus múltiplos.

A Squadra declarou que a movimentação não tem como objetivo alterar o controle ou a estrutura administrativa do Inter&Co (INBR32). O comunicado, portanto, deve ser interpretado inicialmente como uma alteração de posição de investimento, e não como parte de uma tentativa de interferência na governança.

Ainda assim, a redução da fatia de uma gestora institucional relevante tende a ser acompanhada pelos investidores. A negociação pode produzir pressão de curto prazo sobre a liquidez dos recibos, embora o documento não detalhe os motivos econômicos da decisão nem indique que toda a redução tenha ocorrido em uma única operação.

O próximo ponto de atenção para o Inter (INBR32) será a leitura do mercado sobre crescimento da carteira, qualidade do crédito, custo de captação e rentabilidade. Esses fatores são mais determinantes para o valor da companhia no longo prazo do que uma mudança isolada na posição de um acionista.

Telefônica Brasil aprova mais R$ 500 milhões em JCP

A Telefônica Brasil (VIVT3), controladora da Vivo, aprovou a distribuição de R$ 500 milhões brutos em juros sobre o capital próprio. O valor corresponde a aproximadamente R$ 0,156465 por ação.

Depois da retenção de 17,5% de Imposto de Renda na fonte, o montante líquido estimado é de R$ 412,5 milhões, ou cerca de R$ 0,129083 por ação para os investidores sujeitos à alíquota padrão.

Terão direito ao provento os acionistas posicionados ao fim do pregão de 27 de julho. As ações da Telefônica Brasil (VIVT3) passarão a ser negociadas na condição de ex-JCP em 28 de julho.

O pagamento será efetuado até 30 de abril de 2027, em data que ainda será definida pela diretoria. Os juros serão imputados ao dividendo obrigatório relativo ao exercício de 2026 e submetidos à ratificação da assembleia geral ordinária prevista para o próximo ano.

Com a nova deliberação, a Telefônica Brasil (VIVT3) acumula R$ 2,22 bilhões brutos em juros sobre o capital próprio aprovados desde fevereiro. A companhia já havia anunciado cinco distribuições ao longo de 2026, com valores individuais entre R$ 200 milhões e R$ 600 milhões.

A recorrência dos proventos reforça a posição da Telefônica Brasil (VIVT3) entre as companhias de perfil mais defensivo da Bolsa. O setor de telecomunicações combina receitas recorrentes, contratos mensais e elevada previsibilidade de fluxo de caixa, embora exija investimentos contínuos em fibra óptica, rede móvel e espectro.

Para o acionista, a distância entre a data de corte e o pagamento precisa ser incorporada à avaliação do retorno. O investidor adquire o direito ao JCP em julho, mas o dinheiro poderá ser desembolsado apenas em 2027.

Banco Pine cancela 2 milhões de ações preferenciais

O Banco Pine (PINE4) também promoveu uma alteração em sua estrutura de capital. O conselho de administração aprovou o cancelamento de 2 milhões de ações preferenciais que estavam mantidas em tesouraria e haviam sido adquiridas por meio de um programa de recompra.

A operação será feita sem redução do capital social, que permanece em R$ 1,270 bilhão. Depois do cancelamento, o capital passa a ser dividido em 257.888.724 ações nominativas, das quais 129.950.956 são ordinárias e 127.937.768 são preferenciais.

Como os papéis mantidos em tesouraria já não recebiam dividendos nem exerciam direitos políticos, o cancelamento não produz necessariamente uma mudança econômica imediata para os acionistas. A decisão, porém, elimina a possibilidade de recolocação dessas ações no mercado em uma operação futura.

A redução definitiva da quantidade de papéis pode favorecer indicadores por ação ao longo do tempo, desde que o Banco Pine (PINE4) mantenha ou amplie seus resultados. O efeito dependerá da evolução do lucro, do patrimônio e da política de distribuição da instituição.

Jardim da Hípica muda a escala dos lançamentos da Lavvi

Na construção civil, a prévia da Lavvi (LAVV3) mostrou uma forte aceleração comercial no segundo trimestre. A incorporadora lançou projetos com valor geral de vendas total de R$ 1,41 bilhão, crescimento de 8% sobre o mesmo período de 2025.

As vendas líquidas chegaram a R$ 875 milhões entre abril e junho, alta anual de 12%. A velocidade de vendas consolidada atingiu 22%, o dobro dos 11% registrados no primeiro trimestre.

A virada foi comandada pelo Jardim da Hípica, maior empreendimento já lançado pela Lavvi (LAVV3). O projeto possui VGV potencial estimado em aproximadamente R$ 2,6 bilhões e respondeu por mais de 64% das vendas do trimestre.

Somente no período, o Jardim da Hípica alcançou R$ 565 milhões em vendas, equivalentes a 44% do valor lançado na primeira fase. O desempenho contrasta com o primeiro trimestre, quando a companhia não reconheceu novos lançamentos e concentrou recursos na preparação comercial do empreendimento.

A velocidade inicial reduz parte do risco de absorção do projeto, mas também aumenta a concentração dos resultados da Lavvi (LAVV3) em um único ativo. O impacto sobre receita e lucro não será imediato, porque o setor imobiliário reconhece os resultados de acordo com o avanço financeiro das obras.

A rentabilidade dependerá do controle dos custos de construção, do nível de distratos, do ritmo de repasses e da manutenção das margens previstas no orçamento. Uma venda forte na largada melhora a visibilidade de receita futura, mas a geração de caixa acompanhará o cronograma de desenvolvimento do projeto.

Despacho térmico eleva geração da Eneva em 35%

No setor elétrico, a Eneva (ENEV3) registrou geração bruta de 2.537 gigawatts-hora no segundo trimestre, crescimento de 35% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

O avanço foi impulsionado pelo maior despacho termelétrico determinado no Sistema Interligado Nacional. A produção de gás natural alcançou 0,47 bilhão de metros cúbicos no período, sustentando o modelo integrado da companhia, que produz combustível próprio para abastecer parte de suas usinas.

O despacho das unidades movidas a gás próprio chegou a 47% no Complexo Parnaíba e a 60% na usina Jaguatirica II. A maior utilização dos ativos tende a ampliar a geração de receita variável e melhorar a diluição de custos fixos.

A tradução desse avanço operacional para o resultado financeiro dependerá das regras de remuneração de cada usina, da disponibilidade dos equipamentos e dos custos relacionados ao despacho. As térmicas são acionadas para complementar outras fontes, atender à demanda ou preservar a segurança do sistema elétrico.

A prévia reforça a importância da flexibilidade do portfólio da Eneva (ENEV3). A companhia combina geração contratada, produção de gás, comercialização de energia e ativos capazes de responder a períodos de maior necessidade do sistema.

Cosan chega à temporada de balanços pressionada por novas entregas

O radar corporativo desta sexta-feira é marcado por decisões que afetam diferentes componentes do valor das empresas: risco de crédito na Cosan (CSAN3), composição acionária no Inter (INBR32), remuneração do capital na Telefônica Brasil (VIVT3), estrutura acionária no Banco Pine (PINE4) e desempenho operacional na Lavvi (LAVV3) e na Eneva (ENEV3).

A maior pressão permanece sobre a Cosan (CSAN3). Depois de reduzir quase R$ 10 bilhões de dívida em poucos meses, a holding terá de demonstrar que consegue avançar na desalavancagem sem comprometer ativos estratégicos ou depender de vendas realizadas em condições desfavoráveis.

O mercado também acompanhará se Compass, Moove, Radar e Rumo (RAIL3) conseguirão sustentar um fluxo de dividendos compatível com as despesas financeiras da controladora. A recuperação da Raízen (RAIZ4), ainda que não envolva contágio direto de obrigações, será decisiva para reconstruir a diversificação de caixa do grupo.

Com perspectiva negativa, a Moody’s deixa claro que a execução continuará sendo avaliada. O próximo movimento na classificação da Cosan (CSAN3) dependerá menos dos anúncios já realizados e mais da capacidade da companhia de transformar desinvestimentos, dividendos e redução de juros em uma estrutura financeira duradoura.

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