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Nubank inicia operação nos EUA com conta remunerada e cartão sem anuidade

Operação começa com banco parceiro, enquanto o grupo aguarda etapas regulatórias para obter sua própria licença bancária nacional no país.

por João Souza
10/09/2026 às 15h49
em Empresas
Nubank Inicia Operação Nos Eua Com Conta Remunerada E Cartão Sem Anuidade-Gazeta Mercantil

O Nubank inicia nesta quinta-feira (10) sua operação nos Estados Unidos com uma oferta voltada ao relacionamento bancário cotidiano, combinando conta remunerada em dólar, cartão de crédito sem anuidade, cashback e transferências domésticas e internacionais. A entrada ocorre inicialmente por meio de uma instituição bancária parceira, enquanto a companhia avança no processo para estabelecer uma operação bancária própria no país.

A conta Nu Account terá rendimento anual de 3,50% sobre os depósitos em dólar. Os recursos serão mantidos no Lead Bank, instituição parceira com depósitos protegidos pelo Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC). O pacote inclui ainda cartão de débito de metal, ferramentas para criação de metas de economia, pagamento de contas e transferências sem tarifas.

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No cartão de crédito, emitido em parceria exclusiva com a Mastercard, o Nubank oferecerá cashback de 1,5% nas compras, sem cobrança de anuidade. A empresa prevê possibilidade de elevar o retorno para 2% conforme critérios de elegibilidade. A oferta inclui benefícios associados à categoria Mastercard World Elite.

A expansão americana ocorre em uma etapa de forte crescimento financeiro do grupo. No segundo trimestre de 2026, a Nu Holdings (NYSE: NU) registrou lucro líquido de US$ 1,061 bilhão, alta de 67% sobre os US$ 637 milhões do mesmo período de 2025. A receita total chegou a US$ 5,876 bilhões, avanço de 56%, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido alcançou 33%.

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Licença própria ainda depende de etapas regulatórias

A chegada aos Estados Unidos não significa que o Nubank já opere como banco nacional independente no país. O Escritório do Controlador da Moeda dos Estados Unidos (OCC) concedeu em janeiro uma aprovação condicional preliminar para a criação do Nubank, National Association, com sede proposta em McLean, na Virgínia.

O processo foi protocolado em setembro de 2025. Na decisão de 29 de janeiro de 2026, o OCC deixou explícito que a autorização era preliminar e condicionada ao cumprimento de requisitos antes da abertura efetiva da instituição. Entre as exigências está a obtenção de seguro de depósitos do FDIC e a adesão ao Federal Reserve Bank.

Essa diferença é relevante para entender a estrutura atual do negócio. O Nubank pode começar a conquistar clientes e testar seus produtos nos Estados Unidos utilizando o modelo de parceria bancária, mas a instituição própria continuará sujeita às etapas necessárias para a autorização definitiva.

A documentação apresentada ao regulador prevê uma instituição exclusivamente digital, sem agências físicas. O projeto contempla contas de depósito, cartões de crédito, empréstimos pessoais sem garantia e serviços relacionados a ativos digitais.

O modelo permite que o Nubank acumule experiência com consumidores americanos antes de assumir diretamente todas as funções de uma instituição bancária nacional.

Conta global amplia estratégia para além dos Estados Unidos

Junto com a estreia americana, o grupo apresentou a Nu Global, conta digital multimoeda destinada a clientes com necessidades financeiras internacionais. O produto começa a ser disponibilizado para usuários nos Estados Unidos e também poderá ser utilizado por clientes do Brasil, México e Colômbia.

A proposta é concentrar em uma mesma experiência operações que normalmente exigem diferentes contas, cartões e serviços de câmbio. A companhia informou que a solução permitirá transferências internacionais sem tarifas e terá disponibilidade em mais de 35 países.

A iniciativa também amplia a estratégia de internacionalização do Nubank. Em vez de tratar os Estados Unidos apenas como um novo mercado doméstico, o grupo procura construir uma infraestrutura financeira capaz de conectar seus clientes em diferentes países.

Esse movimento acompanha a expansão da própria base internacional. No fim do segundo trimestre, a companhia contabilizava 138,9 milhões de clientes globalmente, contra 122,7 milhões um ano antes. O aumento foi de aproximadamente 16,2 milhões de clientes em 12 meses, ou 13%.

O Brasil continua sendo o principal mercado, com quase 118 milhões de clientes ao fim de junho. O México tinha 15,8 milhões e alcançou 16 milhões em julho, enquanto a operação colombiana ultrapassou 5 milhões de clientes.

Crescimento da base sustenta estratégia americana

O avanço para o mercado americano acontece depois de uma sequência de resultados que aumentou a capacidade financeira do grupo para financiar novas frentes.

No segundo trimestre, a Nu Holdings adicionou aproximadamente 4 milhões de clientes. O volume total de depósitos atingiu US$ 45,3 bilhões, crescimento de 23,8% em relação aos US$ 36,6 bilhões registrados um ano antes. A carteira combinada de cartão de crédito e empréstimos chegou a US$ 39,4 bilhões, alta de 44% em 12 meses.

A receita também acelerou. O faturamento gerencial de US$ 5,876 bilhões representou crescimento de 39% sobre os US$ 3,772 bilhões do segundo trimestre de 2025, em termos apresentados pela companhia. O lucro líquido de US$ 1,061 bilhão avançou 49% na comparação anual.

O desempenho indica uma mudança importante de escala em relação ao início do ano. No primeiro trimestre, o Nubank havia registrado lucro líquido de US$ 871 milhões, receita superior a US$ 5 bilhões e mais de 135 milhões de clientes.

Entre o primeiro e o segundo trimestre, portanto, o número de clientes aumentou em 3,7 milhões, enquanto o lucro líquido cresceu US$ 189,7 milhões, uma expansão de aproximadamente 21,8% em apenas três meses.

A companhia chega aos Estados Unidos, assim, depois de construir uma operação latino-americana com escala suficiente para sustentar investimentos em novos mercados.

Modelo busca competir com bancos tradicionais

A estratégia americana parte de uma premissa diferente da simples reprodução do modelo brasileiro. Nos Estados Unidos, o Nubank entra em um mercado bancário de grande escala, mas também com forte presença de instituições tradicionais e diferentes níveis de relacionamento financeiro entre os consumidores.

A companhia citou estimativas do Boston Consulting Group segundo as quais as receitas do varejo bancário americano cresceram a uma taxa composta de 7% ao ano entre 2019 e 2024. O mercado teria alcançado aproximadamente US$ 1,2 trilhão em receitas e poderá chegar a US$ 1,4 trilhão até 2029.

Outro ponto destacado pela empresa é o volume de tarifas cobradas dos consumidores. Segundo estimativa apresentada pelo Nubank, bancos e outras instituições financeiras nos Estados Unidos arrecadam cerca de US$ 82 bilhões por ano em tarifas.

Nesse ambiente, a ausência de mensalidade e de anuidade aparece como uma das principais ferramentas de aquisição do novo banco. A remuneração automática dos depósitos também procura estabelecer uma relação mais direta entre a conta corrente e a poupança do cliente.

A companhia terá ainda de adaptar seu modelo de crédito ao mercado americano. O histórico construído no Brasil e em outros países latino-americanos fornece dados e experiência para análise de risco, mas não elimina as diferenças de comportamento, regulamentação e estrutura de crédito entre os mercados.

Inteligência artificial entra na estratégia de escala

A expansão internacional também está apoiada nos investimentos do Nubank em tecnologia e inteligência artificial.

No segundo trimestre, a companhia informou que agentes de inteligência artificial já respondiam por mais de 60% das conversas de atendimento ao cliente no Brasil, com desempenho considerado equivalente ao humano pela empresa. O grupo também utiliza modelos próprios para decisões relacionadas a crédito, depósitos e crescimento.

A tecnologia é parte importante da tentativa de manter baixo o custo de atendimento enquanto a base de usuários cresce. No segundo trimestre, o custo médio mensal para atender cada cliente ativo ficou em aproximadamente US$ 1, segundo os indicadores gerenciais divulgados pela companhia.

A experiência acumulada nesses mercados poderá ser aplicada à operação americana, embora a escala inicial nos Estados Unidos seja muito menor que a observada na América Latina.

A empresa também informou que pretende ampliar gradualmente a oferta americana. Entre as possibilidades estão investimentos, seguros, contas para pequenas empresas e negociação de ativos digitais. O lançamento atual, portanto, representa a primeira etapa de uma estratégia mais ampla de serviços financeiros.

Expansão aumenta potencial, mas também eleva exigência regulatória

O mercado americano oferece ao Nubank uma oportunidade de diversificação geográfica, mas também impõe uma estrutura regulatória mais complexa. A aprovação condicional do OCC mostra que a construção do banco próprio dependerá do cumprimento de requisitos adicionais antes da autorização definitiva.

A estrutura inicial com o Lead Bank reduz essa dependência no momento do lançamento. Os depósitos dos clientes serão mantidos na instituição parceira, enquanto o Nubank desenvolve sua própria estrutura regulatória e operacional.

A companhia passa, portanto, a administrar duas frentes simultâneas: conquistar clientes em um novo mercado e concluir a infraestrutura necessária para operar com uma licença bancária nacional própria.

O desempenho financeiro da operação latino-americana dá ao grupo capacidade para financiar essa expansão. Mas o mercado americano também representa um teste diferente para o modelo de negócios, porque o Nubank terá de transformar sua vantagem de custo e sua experiência digital em participação de mercado em um dos sistemas financeiros mais desenvolvidos do mundo.

A estreia nos Estados Unidos amplia ainda o alcance internacional da marca. Com Brasil, México, Colômbia e agora Estados Unidos, o grupo passa a combinar mercados latino-americanos já estabelecidos com uma operação voltada ao consumidor americano e uma plataforma multimoeda destinada a conectar diferentes geografias.

Fontes:

Office of the Comptroller of the Currency – aprovação condicional preliminar para a criação do Nubank, National Association

Office of the Comptroller of the Currency – registro do processo de autorização bancária do Nubank nos Estados Unidos

Nu Holdings – resultados financeiros e operacionais do segundo trimestre de 2026, incluindo clientes, receita, lucro, depósitos e carteira de crédito

Nu Holdings – resultados financeiros e operacionais do primeiro trimestre de 2026

Nubank – informações institucionais sobre a estratégia internacional e a plataforma Nu

Reuters – informações sobre o lançamento da operação do Nubank nos Estados Unidos e os produtos oferecidos no mercado americano

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