A mineradora australiana Oceana Metals anunciou nesta segunda-feira (19) a conclusão da aquisição do projeto Serra Negra, de terras raras e nióbio, localizado nos municípios de Patrocínio e Guimarânia, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais. A transação envolve a compra de 100% da Songeo Mineração, empresa brasileira detentora dos direitos minerários do empreendimento, mediante pagamento de US$ 2,95 milhões em dinheiro e emissão de aproximadamente 15,54 milhões de ações da companhia australiana. A operação amplia a presença de investidores estrangeiros na exploração de minerais críticos brasileiros e transfere à Oceana o controle de um complexo geológico com aproximadamente 10 quilômetros de diâmetro.
A conclusão da aquisição ocorreu em 16 de outubro, após o cumprimento ou a dispensa das condições contratuais necessárias à transferência societária. A empresa informou que mantém quatro sondas em operação e desenvolve uma campanha de aproximadamente 20 mil metros de perfurações, destinada a dimensionar a mineralização identificada em pesquisas anteriores. O objetivo é produzir a primeira estimativa formal de recursos minerais de Serra Negra, etapa necessária para determinar a extensão, os teores e a continuidade geológica das concentrações de terras raras e nióbio.
O investimento acontece em um momento de crescente interesse internacional pelas reservas brasileiras desses minerais, utilizados na fabricação de equipamentos industriais, sistemas de energia, veículos elétricos e componentes tecnológicos. Minas Gerais concentra importantes ocorrências geológicas de nióbio e terras raras, incluindo depósitos associados aos complexos carbonatíticos de Araxá, Serra Negra e outras áreas do Alto Paranaíba. A presença desses elementos aumenta o interesse comercial pela região, embora a transformação de ocorrências minerais em operações economicamente viáveis dependa de estudos técnicos, investimentos e autorizações regulatórias.
Apesar dos resultados considerados promissores pela Oceana, Serra Negra ainda não possui uma estimativa de recursos minerais publicada segundo os padrões internacionais utilizados pela companhia. Os dados disponíveis demonstram a existência de mineralização em diferentes pontos da área pesquisada, mas não permitem calcular a quantidade total de material economicamente recuperável. Essa distinção será determinante para avaliar o potencial financeiro do empreendimento nos próximos anos.
Oceana Metals paga US$ 2,95 milhões e emite 15,5 milhões de ações
A aquisição foi estruturada por meio de um acordo de compra de participação societária firmado inicialmente em abril de 2026. O contrato original previa pagamento de US$ 2,95 milhões em dinheiro e emissão de 20 milhões de ações da Oceana Metals, avaliadas a 0,36 dólar australiano por papel. Na conclusão da operação, foram efetivamente emitidas 15.537.600 ações, enquanto outra parcela prevista na estrutura inicial continua sujeita a ajustes contratuais.
Do total de ações emitidas, 14.537.600 foram destinadas aos vendedores da Songeo Mineração e 1 milhão a um intermediário envolvido na operação. A diferença de 4.462.400 ações em relação à previsão original está associada a direitos de um terceiro decorrentes de um acordo anterior com a empresa brasileira. A Oceana informou que negocia a possibilidade de liquidar essa obrigação mediante pagamento em dinheiro em condições diferidas, mas os documentos definitivos ainda não haviam sido formalizados no anúncio de conclusão.
O acordo também estabelece pagamentos adicionais de até US$ 2,25 milhões, condicionados ao cumprimento de metas relacionadas à exploração. A primeira parcela, de US$ 750 mil, será devida quando a companhia divulgar uma estimativa inicial de recursos minerais preparada segundo o Código JORC, padrão australiano de divulgação de resultados de exploração e recursos. A segunda, de US$ 1,5 milhão, dependerá da identificação de pelo menos 100 milhões de toneladas de material com teor médio de 4% de óxidos totais de terras raras, ou parâmetro econômico equivalente previsto no contrato.
As parcelas condicionais são relevantes porque vinculam parte do custo da aquisição à comprovação de resultados geológicos. Caso as metas sejam alcançadas, o compromisso adicional em dinheiro poderá elevar a soma dos desembolsos previstos nessa modalidade para US$ 5,2 milhões, sem considerar o componente acionário, possíveis ajustes e outras despesas. O valor total da transação, portanto, não deve ser confundido com os US$ 2,95 milhões pagos inicialmente.
O contrato ainda prevê remuneração futura aos antigos proprietários vinculada à eventual produção mineral. Os vendedores terão direito a uma participação de 2,5% sobre a receita líquida de fundição dos minerais produzidos, com exclusão do minério de ferro. Outro direito de 1% foi concedido à Karri Capital, relacionado aos serviços prestados na estruturação da aquisição.
Essas obrigações representam custos potenciais de longo prazo, caso o empreendimento avance para a exploração comercial. A existência de royalties não significa que haja produção em andamento ou receita já gerada pelo projeto. Sua relevância financeira dependerá da quantidade de minerais extraídos, das condições comerciais e da estrutura definitiva de processamento e venda.
Serra Negra possui complexo geológico com 10 quilômetros de diâmetro
O projeto adquirido pela Oceana está localizado na Província Ígnea do Alto Paranaíba, região conhecida pela presença de intrusões alcalinas e carbonatíticas associadas à formação de depósitos minerais. O complexo de Serra Negra apresenta aproximadamente 10 quilômetros de diâmetro, dimensão que o coloca entre as grandes estruturas geológicas desse tipo identificadas na região. A companhia considera a área relevante por apresentar características semelhantes às encontradas em depósitos de nióbio e terras raras já pesquisados no Brasil.
As estruturas carbonatíticas são formadas por processos geológicos específicos e podem concentrar diferentes elementos químicos, incluindo terras raras, nióbio, fosfato e outros minerais. A ocorrência desses elementos, entretanto, não é uniforme ao longo de todo o complexo, pois depende de processos de formação, alteração e enriquecimento mineral. Por essa razão, o tamanho da estrutura geológica não corresponde diretamente à quantidade de recursos que poderão ser aproveitados comercialmente.
A Oceana destaca a proximidade de Serra Negra com Patrocínio, município que oferece acesso a rodovias, infraestrutura elétrica, serviços especializados e mão de obra ligada à atividade mineral. A região também possui tradição em operações industriais e projetos de exploração de fosfato, nióbio e outros minerais. A disponibilidade dessa infraestrutura poderá influenciar os custos de desenvolvimento, caso a empresa confirme condições técnicas e econômicas para instalar uma futura operação.
Os títulos minerários vinculados à Songeo abrangem aproximadamente 5,8 mil hectares, distribuídos entre Patrocínio e Guimarânia. Essa área corresponde a cerca de 58 quilômetros quadrados, embora nem toda sua extensão apresente mineralização comprovada. A dimensão territorial oferece possibilidades de pesquisa em diferentes setores do complexo, mas também amplia a necessidade de planejamento das sondagens e de identificação das regiões prioritárias.
Área conhecida de terras raras mais que dobra e supera 4,5 quilômetros quadrados
A reavaliação de dados geológicos históricos permitiu à Oceana ampliar significativamente a área identificada com ocorrências de terras raras em Serra Negra. Em setembro, a empresa informou que a distribuição conhecida da mineralização havia mais que dobrado, superando 4,5 quilômetros quadrados. O avanço ocorreu principalmente após novas análises de amostras provenientes de perfurações realizadas anteriormente, quando a exploração estava direcionada a outros minerais.
A descoberta de novas ocorrências fora da área inicialmente priorizada levou a companhia a revisar a distribuição dos alvos de pesquisa. Parte das amostras analisadas revelou concentrações de terras raras em setores que não haviam recebido atenção específica nas campanhas históricas. O resultado amplia as possibilidades de investigação, mas não demonstra que toda a superfície identificada contenha mineralização economicamente aproveitável ou contínua.
O levantamento anterior incluía 102 furos de sondagem, totalizando aproximadamente 13,8 mil metros perfurados. A maior parte desse trabalho havia sido direcionada à identificação de fosfato, titânio e outros elementos, sem análises sistemáticas voltadas às terras raras e ao nióbio. Com a disponibilidade de aproximadamente 8 mil metros de testemunhos históricos preservados, a Oceana conseguiu iniciar uma nova investigação laboratorial sem depender exclusivamente de perfurações adicionais.
A estratégia permite aproveitar informações geológicas já existentes e direcionar novos investimentos aos setores considerados mais promissores. A companhia informou ter reamostrado os 68 furos históricos disponíveis para essa etapa, com resultados laboratoriais ainda pendentes para 45 deles, equivalentes a aproximadamente 4.750 metros. A análise desses materiais poderá contribuir para definir a continuidade da mineralização e identificar áreas que exijam perfurações mais próximas.
A expansão da superfície mineralizada é um indicador de potencial geológico, mas precisa ser interpretada com cautela. Uma área maior pode indicar distribuição mais extensa das ocorrências, sem necessariamente apresentar os mesmos teores ou espessuras em todos os pontos. Para transformar esses resultados em recursos minerais, será necessário construir um modelo geológico apoiado em informações suficientes de profundidade, continuidade e concentração.
Sondagens identificam intervalos com até 4,7% de óxidos de terras raras
Os resultados de pesquisas apresentados pela Oceana incluem intervalos mineralizados com concentrações consideradas relevantes de óxidos de terras raras. Entre os registros divulgados estão 50 metros com teor médio de 4% de óxidos totais de terras raras, identificados em uma zona mais ampla de mineralização. Outra interseção apresentou 22 metros com concentração média de 4,7%, demonstrando a presença de material enriquecido em determinados setores pesquisados.
Os percentuais são expressos pela sigla TREO, correspondente ao total de óxidos de elementos de terras raras presentes nas amostras. Um teor de 4% indica, em termos analíticos, que aproximadamente 4% da massa avaliada corresponde aos óxidos considerados na medição. Isso não significa que a mesma proporção poderá ser comercializada ou recuperada industrialmente, pois o aproveitamento depende das características mineralógicas e dos processos de beneficiamento.
A empresa também divulgou resultados pontuais de amostras de testemunhos históricos com concentrações superiores a 8% de óxidos totais de terras raras. No furo identificado como LG26, uma amostra atingiu 8,41%, enquanto análises do furo LG42 apresentaram resultados superiores a 6%. Esses valores demonstram enriquecimento localizado, mas não podem ser tratados como teor médio de todo o depósito.
A própria Oceana ressalta que determinadas amostras foram coletadas seletivamente de materiais preservados nas caixas de testemunhos. Esse procedimento permite confirmar a presença dos elementos químicos, mas pode não representar de maneira adequada toda a extensão dos intervalos perfurados. A definição de teores médios confiáveis exige amostragem sistemática e continuidade suficiente para sustentar os cálculos geológicos.
Quatro sondas trabalham em campanha de 20 mil metros
A Oceana intensificou a campanha de exploração iniciada em setembro, passando a operar quatro sondas diamantadas em Serra Negra. O programa prevê aproximadamente 20 mil metros de perfurações, com prioridade para uma área central de 1,5 quilômetro por 1,5 quilômetro. A região foi selecionada por reunir resultados anteriores de mineralização e apresentar informações consideradas suficientes para orientar um programa de investigação mais detalhado.
A campanha utiliza uma malha nominal de aproximadamente 100 metros entre os pontos de perfuração, com profundidades planejadas próximas de 150 metros. Essa configuração busca produzir dados sobre a distribuição espacial dos minerais e permitir a construção de modelos geológicos tridimensionais. As informações também poderão orientar perfurações adicionais, caso sejam identificadas extensões relevantes fora dos limites inicialmente pesquisados.
O programa de 20 mil metros representa uma metragem aproximadamente 45% superior aos 13,8 mil metros executados nas campanhas históricas do projeto. A comparação demonstra a dimensão do investimento atual em levantamento geológico, mas não significa que o novo programa necessariamente produzirá aumento proporcional dos recursos identificados. A diferença fundamental está no objetivo das perfurações, agora direcionadas especificamente à caracterização de terras raras e nióbio.
A companhia pretende divulgar novos resultados laboratoriais ao longo do quarto trimestre de 2026. Os dados serão utilizados para avaliar os teores, a geometria das zonas mineralizadas e a consistência das ocorrências identificadas. A elaboração da primeira estimativa oficial dependerá do volume e da qualidade das informações obtidas.
A campanha também inclui levantamentos geofísicos e estudos mineralógicos destinados a melhorar a identificação dos alvos prioritários. Essas ferramentas podem ajudar a compreender a distribuição das estruturas geológicas e orientar futuras decisões de pesquisa. Entretanto, medições geofísicas não substituem análises laboratoriais e perfurações necessárias à confirmação dos recursos.
Estimativa de 100 milhões de toneladas é meta contratual, não reserva comprovada
Um dos principais desafios da Oceana será transformar os resultados de exploração em uma estimativa formal de recursos minerais. O contrato de aquisição prevê remuneração adicional caso o projeto alcance pelo menos 100 milhões de toneladas com teor médio de 4% de óxidos totais de terras raras, ou parâmetro equivalente. Esse número constitui uma condição para pagamento futuro aos vendedores, não uma estimativa já comprovada de Serra Negra.
A distinção é importante porque volumes apresentados em contratos de aquisição ou projeções empresariais não equivalem a recursos minerais certificados. Para classificar uma ocorrência segundo o Código JORC, a empresa precisa apresentar dados técnicos suficientes sobre quantidade, teor, continuidade geológica e perspectivas razoáveis de eventual extração econômica. As informações são submetidas a critérios de classificação que refletem diferentes níveis de confiança.
Uma ocorrência mineral pode ser classificada inicialmente como recurso inferido, indicado ou medido, dependendo da qualidade das evidências disponíveis. A conversão desses recursos em reservas minerais exige etapas adicionais, incluindo estudos técnicos e econômicos que demonstrem a viabilidade de extração. Portanto, a divulgação de recursos não representa automaticamente a decisão de construir uma mina.
Caso fosse identificada uma massa de 100 milhões de toneladas com concentração média de 4% de TREO, o cálculo geológico indicaria aproximadamente 4 milhões de toneladas de óxidos de terras raras contidos no material. Esse exercício corresponde exclusivamente à relação entre volume e teor estabelecida como referência no contrato. Não representa um cálculo de produção comercial, pois não considera recuperação metalúrgica, perdas de processamento, custos ou limitações ambientais.
O marco de divulgação da primeira estimativa permitirá uma avaliação mais consistente da dimensão do empreendimento. Até essa etapa, o potencial de Serra Negra permanece sustentado por resultados de sondagens e interpretações geológicas, sem uma quantidade de recursos formalmente definida.
Projeto Araxá já possui 111,2 milhões de toneladas de recursos minerais
O avanço de Serra Negra ocorre em paralelo ao desenvolvimento de outro empreendimento australiano em Minas Gerais. A St George Mining, responsável pelo projeto Araxá, divulgou em agosto uma atualização de sua estimativa de recursos minerais para 111,2 milhões de toneladas, com concentração média de 3,57% de óxidos totais de terras raras e 0,57% de pentóxido de nióbio. O resultado representa uma referência importante para compreender o estágio mais avançado de exploração alcançado por outro projeto da região.
Segundo a companhia, aproximadamente 75,2 milhões de toneladas dos recursos estimados estão classificadas nas categorias medido e indicado, consideradas de maior confiança geológica. O depósito contém cerca de 3,98 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, incluindo aproximadamente 760 mil toneladas de óxidos de neodímio e praseodímio. A estimativa também aponta cerca de 630 mil toneladas de pentóxido de nióbio contido, conforme a metodologia utilizada.
Comparação entre os projetos de Minas Gerais
| Indicador | Serra Negra — Oceana | Araxá — St George |
|---|---|---|
| Localização | Patrocínio e Guimarânia | Araxá |
| Complexo geológico | Aproximadamente 10 km de diâmetro | Aproximadamente 5 km de diâmetro |
| Recursos minerais estimados | Ainda não divulgados | 111,2 milhões de toneladas |
| Teor médio de terras raras | Ainda não estabelecido para o depósito | 3,57% TREO |
| Teor médio de nióbio | Ainda não estabelecido para o depósito | 0,57% Nb₂O₅ |
| Estágio | Exploração e sondagens | Recursos definidos e estudos de desenvolvimento |
A comparação revela diferenças importantes entre os dois empreendimentos. Enquanto Serra Negra possui uma estrutura geológica de maior diâmetro, Araxá já dispõe de recursos minerais estimados segundo padrões técnicos internacionais. O tamanho físico do complexo não permite concluir que o depósito de Serra Negra terá mais recursos ou produzirá maior quantidade de minerais.
A St George também avançou em estudos de processamento e análises voltadas ao desenvolvimento de sua operação. Os resultados permitem que a empresa avalie alternativas industriais e necessidades de investimento com maior nível de detalhamento. Já a Oceana ainda concentra seus esforços na confirmação da extensão e dos teores de mineralização.
A existência de dois projetos em estágios diferentes mostra a importância das fases sucessivas de exploração. A identificação geológica representa o início do processo, enquanto a definição de recursos, a recuperação mineral e a viabilidade econômica constituem etapas indispensáveis para qualquer futura decisão de produção.
ANM ainda precisa decidir sobre dois títulos minerários
Apesar da conclusão da aquisição societária, a Oceana ainda aguarda decisões da Agência Nacional de Mineração (ANM) relacionadas a dois direitos minerários do projeto. Os processos envolvem os títulos 830.280/1985 e 831.298/1984, para os quais foram solicitadas alterações destinadas a contemplar terras raras e nióbio. A empresa estima que uma manifestação definitiva possa ocorrer no primeiro trimestre de 2027.
No processo de conclusão da compra, a Oceana dispensou uma condição contratual que exigia resposta formal da agência sobre esses títulos antes do fechamento da operação. Isso permitiu concluir a aquisição sem aguardar a decisão administrativa. A companhia informou possuir as autorizações necessárias para executar seu atual programa de pesquisa, mas a situação dos pedidos específicos permanece sujeita à análise da ANM.
A distinção entre adquirir a empresa titular dos direitos minerários e obter todas as autorizações necessárias à produção comercial é fundamental. A compra da Songeo transfere o controle societário do empreendimento, mas não substitui os procedimentos de aprovação, pesquisa, licenciamento e concessão previstos na legislação brasileira. Cada etapa exige o cumprimento de requisitos próprios e pode depender de avaliações técnicas e administrativas.
Outro título associado à área, identificado como 831.299/1984, já havia sido mencionado pela Oceana como objeto de procedimento administrativo que poderia resultar em sua perda. A companhia atribuiu valor nulo a esse direito na estrutura original da aquisição, justamente em razão da incerteza sobre sua manutenção. A questão demonstra que a extensão efetivamente disponível para exploração poderá depender de decisões regulatórias específicas.
A previsão de resposta no início de 2027 representa uma expectativa da empresa, não um prazo garantido de decisão. O resultado dependerá da análise dos pedidos e do cumprimento das exigências estabelecidas pela agência reguladora.
Terras raras e nióbio reforçam importância estratégica de Minas Gerais
O interesse internacional por depósitos brasileiros de terras raras está relacionado à importância desses elementos na fabricação de tecnologias industriais e energéticas. Neodímio e praseodímio, por exemplo, são utilizados na produção de ímãs permanentes de alto desempenho, empregados em motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos. Outros elementos possuem aplicações em sistemas de defesa, equipamentos médicos e processos industriais especializados.
O nióbio apresenta características diferentes. Sua principal utilização está na fabricação de aços especiais, nos quais pequenas quantidades do elemento podem melhorar propriedades mecânicas como resistência e tenacidade. O mineral também possui aplicações em ligas metálicas utilizadas em equipamentos industriais e em determinadas tecnologias avançadas.
O Brasil ocupa posição relevante no mercado internacional de nióbio, especialmente pela produção concentrada em Minas Gerais. A operação da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), em Araxá, está entre as principais referências mundiais do setor. Essa presença industrial ajuda a explicar o interesse de companhias internacionais por novos projetos localizados na mesma província geológica.
Entretanto, a produção de terras raras envolve desafios diferentes daqueles associados à extração convencional de minérios. Além da identificação dos elementos, é necessário desenvolver processos capazes de separar e purificar componentes químicos que frequentemente apresentam propriedades semelhantes. O desempenho metalúrgico, os custos de reagentes, o consumo de energia e a gestão ambiental podem influenciar significativamente a viabilidade comercial.
A presença de mineralização com teores elevados não garante, isoladamente, uma operação competitiva. Empresas também precisam demonstrar capacidade de recuperar os minerais de forma economicamente eficiente e produzir materiais adequados às exigências dos compradores industriais. Esse será um dos fatores determinantes para Serra Negra depois da definição inicial dos recursos.
Oceana dispõe de recursos para acelerar pesquisas, mas produção ainda depende de investimentos
A Oceana realizou uma captação de aproximadamente 20 milhões de dólares australianos em 2026, destinada a financiar a aquisição e acelerar as pesquisas minerais. A operação foi estruturada em duas etapas, com participação de investidores institucionais e profissionais. Os recursos permitem ampliar o programa de perfurações e contratar serviços especializados para a caracterização do projeto.
Após o pagamento inicial pela Songeo, a companhia estimou uma posição de caixa próxima de 16,5 milhões de dólares australianos, antes de determinadas despesas de aquisição e custos operacionais posteriores. O montante representa uma referência da capacidade financeira disponível para a fase atual de exploração. Entretanto, não deve ser confundido com financiamento integral de uma futura mina ou instalação industrial de processamento.
O desenvolvimento de uma operação comercial exigiria etapas adicionais, incluindo estudos de engenharia, avaliação econômica, definição de processos metalúrgicos e obtenção de licenças. A dimensão dos investimentos necessários dependerá dos recursos efetivamente identificados, da tecnologia de processamento e da escala escolhida para eventual produção. Sem esses elementos, não é possível estabelecer o custo total de implantação ou um cronograma confiável de início da atividade comercial.
A emissão de ações utilizada na aquisição também modifica a estrutura de capital da Oceana. Após a conclusão, a companhia passou a contar com aproximadamente 250,9 milhões de ações emitidas, conforme os números divulgados no comunicado de outubro. As 15,54 milhões de ações entregues na transação correspondem a aproximadamente 6,2% desse total, proporção que dimensiona a participação acionária criada na operação.
A entrada de novos acionistas e a existência de pagamentos condicionados a metas geológicas fazem parte da estrutura financeira escolhida para o projeto. Esse modelo permite combinar desembolsos imediatos com obrigações futuras relacionadas ao avanço das pesquisas. A avaliação do investimento dependerá da capacidade da mineradora de transformar os recursos captados em informações geológicas suficientes para orientar as próximas decisões.
Próximos resultados definirão potencial econômico de Serra Negra
A conclusão da compra da Songeo representa uma mudança no controle empresarial de Serra Negra, mas o principal desafio agora está na evolução técnica do empreendimento. A Oceana deverá divulgar novos resultados de perfuração, concluir análises de amostras históricas e aprofundar os estudos sobre a distribuição das terras raras e do nióbio. Essas informações serão utilizadas na preparação da primeira estimativa formal de recursos minerais.
O trabalho também precisará esclarecer a composição dos elementos identificados e suas possibilidades de recuperação industrial. A presença de óxidos de terras raras em concentrações relevantes constitui uma informação geológica importante, mas seu valor comercial depende da quantidade de elementos demandados pelo mercado e da eficiência do processamento. Da mesma forma, a identificação de nióbio precisa ser acompanhada de dados sobre sua distribuição e concentração no depósito.
Na frente regulatória, as decisões pendentes da ANM deverão definir aspectos relacionados aos direitos minerários abrangidos pela aquisição. A autorização para as pesquisas atuais permite a continuidade dos trabalhos, mas o desenvolvimento de uma operação comercial exigirá o cumprimento das etapas legais e ambientais aplicáveis. A eventual expansão das atividades também dependerá de estudos econômicos e da capacidade de financiamento.
O projeto Serra Negra passa, assim, a integrar de forma mais direta o conjunto de investimentos estrangeiros voltados à exploração de minerais críticos em Minas Gerais. A estrutura geológica de aproximadamente 10 quilômetros, a ampliação da área conhecida de mineralização para mais de 4,5 quilômetros quadrados e a campanha de 20 mil metros de sondagens demonstram a dimensão da aposta da Oceana. O valor econômico efetivo da descoberta, entretanto, será determinado pelos resultados técnicos e pela capacidade de converter o potencial geológico em recursos minerais e, posteriormente, em uma operação viável.
Fontes
Oceana Metals Limited — Comunicado à Australian Securities Exchange de 19 de outubro de 2026, Completion of Serra Negra Project Acquisition, sobre a conclusão da aquisição, estrutura de pagamento, sondagens e situação regulatória.
Oceana Metals Limited — Comunicado à Australian Securities Exchange de 28 de abril de 2026, Oceana Acquires Global-Scale Rare Earths Project in Brazil, com os termos originais da aquisição da Songeo Mineração.
Oceana Metals Limited — Comunicado à Australian Securities Exchange de 17 de setembro de 2026, New Serra Negra Discovery Highlights District Potential, sobre a ampliação da área conhecida de mineralização.
Oceana Metals Limited — Comunicado à Australian Securities Exchange de 8 de outubro de 2026, Drilling Ramps Up With Four Rigs at Serra Negra, com a atualização do programa de perfurações.
Oceana Metals Limited — Documentação técnica institucional do projeto Serra Negra, com resultados de análises geológicas e informações sobre terras raras e nióbio.
St George Mining Limited — Atualização da estimativa de recursos minerais do projeto Araxá, divulgada em 11 de agosto de 2026, segundo o Código JORC de 2012.









