O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem empatados com 50% dos votos válidos cada um na pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22), a três dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O levantamento revela uma disputa numericamente equilibrada, após a vantagem de dois pontos percentuais registrada pelo candidato do PL na rodada anterior. Nos votos totais, que incluem eleitores indecisos e aqueles que pretendem votar em branco ou nulo, Flávio aparece com 47%, contra 46% de Lula.
A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 22 de outubro, com 2.520 eleitores de 16 anos ou mais, entrevistados em 154 municÃpios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nÃvel de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09709/2026.
A igualdade nos votos válidos ocorre em um momento decisivo da campanha presidencial, marcado pela intensificação das atividades eleitorais, pela divulgação de novas pesquisas e pela proximidade do último debate entre os candidatos. Lula e Flávio Bolsonaro deverão se enfrentar nesta sexta-feira (23) na TV Globo, antes da votação marcada para domingo (25). O resultado do Datafolha demonstra que nenhuma das candidaturas apresenta vantagem estatisticamente identificável no levantamento nacional.
A nova rodada também revela uma pequena mudança na distribuição das intenções de voto em relação à semana anterior. Lula oscilou positivamente um ponto percentual nos votos totais, enquanto Flávio permaneceu no mesmo patamar. Entretanto, como essas variações ocorreram dentro da margem de erro, não é possÃvel afirmar que houve uma transferência estatisticamente comprovada de eleitores entre os candidatos.
Datafolha hoje: veja os números de Lula e Flávio Bolsonaro
Na simulação estimulada de segundo turno, em que os entrevistados recebem os nomes dos candidatos, Flávio Bolsonaro registra 47% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 46%. Outros 5% afirmam que pretendem votar em branco, anular o voto ou não escolher nenhum dos candidatos. Os indecisos representam 2% da amostra.
| Intenção de voto | 22 de outubro | 15 de outubro |
|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro (PL) | 47% | 47% |
| Lula (PT) | 46% | 45% |
| Branco, nulo ou nenhum | 5% | 6% |
| Não sabe | 2% | 2% |
Os dados mostram que a diferença nominal entre os candidatos caiu de dois para um ponto percentual nos votos totais. Ao mesmo tempo, a parcela dos eleitores que pretendem votar em branco ou nulo passou de 6% para 5%. O percentual de indecisos permaneceu inalterado em 2%.
A comparação permite observar mudanças pontuais entre as duas rodadas, mas não comprova que eleitores anteriormente inclinados a anular o voto tenham migrado diretamente para Lula. Para estabelecer essa relação individual, seria necessário acompanhar os mesmos entrevistados ao longo do tempo, procedimento diferente daquele utilizado em levantamentos eleitorais convencionais.
A margem de erro de dois pontos percentuais também exige cautela na interpretação dos resultados. Ela representa uma estimativa da incerteza estatÃstica associada à amostragem, considerando os critérios metodológicos do instituto. Não significa que a diferença observada de um ponto entre os candidatos seja suficiente para determinar quem receberá mais votos na eleição.
Votos válidos mostram empate de 50% a 50%
Quando são excluÃdos os eleitores que pretendem votar em branco, anular o voto ou permanecem indecisos, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com exatamente 50% das intenções de voto cada um. Esse é o critério utilizado pela Justiça Eleitoral para determinar o resultado das eleições presidenciais, embora os números das pesquisas representem estimativas e não votos efetivamente depositados nas urnas.
No levantamento divulgado em 15 de outubro, Flávio registrava 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. Na pesquisa realizada durante a primeira semana do segundo turno, os percentuais eram de 52% para o senador e 48% para o presidente. A sequência mostra redução numérica da distância entre os candidatos nas três rodadas consideradas.
| Data da pesquisa | Flávio Bolsonaro | Lula |
|---|---|---|
| 8 de outubro | 52% | 48% |
| 15 de outubro | 51% | 49% |
| 22 de outubro | 50% | 50% |
A diferença entre os resultados passou de quatro pontos percentuais na primeira semana para dois pontos na segunda e chegou a zero na rodada mais recente. Apesar dessa sequência, os levantamentos registraram situações de disputa estatisticamente apertada. A identificação de uma tendência exige avaliar a consistência das mudanças ao longo de diferentes pesquisas e suas respectivas margens de incerteza.
Existe ainda uma particularidade matemática importante na interpretação dos votos válidos. Os percentuais divulgados para os votos totais são apresentados em números inteiros, depois de arredondamento, enquanto a conversão para votos válidos utiliza os dados completos do levantamento. Por isso, o resultado oficial de 50% para cada candidato não precisa corresponder exatamente a um recálculo feito apenas com os percentuais inteiros exibidos na tabela.
O empate deve ser interpretado como uma igualdade numérica dentro da precisão utilizada na divulgação, e não como demonstração de que os dois candidatos possuem apoio rigorosamente idêntico entre todos os eleitores brasileiros. A pesquisa está sujeita à margem de erro e às limitações inerentes a levantamentos por amostragem.
Maioria dos eleitores afirma ter decidido o voto
Um dos indicadores mais relevantes da pesquisa é o elevado percentual de eleitores que afirmam estar totalmente decididos sobre sua escolha. Segundo o Datafolha, 94% dos entrevistados dizem que não pretendem mudar de candidato antes do segundo turno. Outros 6% admitem a possibilidade de alterar sua decisão.
Entre os eleitores que declaram voto em Lula, a proporção de pessoas com escolha consolidada chega a 96%. No grupo que pretende votar em Flávio Bolsonaro, o Ãndice é de 95%. As diferenças são pequenas e devem ser consideradas à luz da margem de erro especÃfica dos respectivos segmentos.
O resultado revela um eleitorado com elevado nÃvel de definição declarado, mas não elimina a possibilidade de mudanças até domingo. A intenção manifestada durante uma entrevista não obriga o eleitor a manter a mesma decisão na urna. Além disso, a participação efetiva na votação pode alterar o peso relativo dos diferentes grupos.
A proximidade entre os candidatos aumenta a importância da mobilização eleitoral. Em uma disputa com diferenças reduzidas, mudanças no comparecimento às urnas podem influenciar o resultado mesmo sem grandes alterações nas preferências individuais. Esse efeito, entretanto, depende de quais eleitores efetivamente votarão e não pode ser calculado apenas com a diferença entre as intenções de voto.
O levantamento também não permite afirmar que os 6% que admitem mudar de opinião estejam distribuÃdos uniformemente entre os dois candidatos. A possibilidade de alteração envolve perfis distintos de eleitores, com diferentes motivações e nÃveis de identificação polÃtica.
Rejeição a Lula e Flávio Bolsonaro permanece elevada
A pesquisa também investigou a rejeição aos candidatos, indicador que ajuda a compreender os limites de expansão de cada candidatura. Segundo o Datafolha, 46% dos entrevistados afirmam que não votariam de maneira alguma em Flávio Bolsonaro, enquanto 45% rejeitam exclusivamente Lula. A diferença está dentro da margem de erro.
Outros 3% declaram rejeitar ambos os candidatos e 6% afirmam não rejeitar nenhum dos dois. Quando são somados os entrevistados que rejeitam exclusivamente um presidenciável e aqueles que rejeitam ambos, a taxa total de rejeição chega a 48% para cada candidato.
Os números indicam que as duas candidaturas enfrentam resistência expressiva em parcelas do eleitorado. Essa condição pode limitar a capacidade de conquistar novos apoios durante os últimos dias de campanha, mas não permite determinar automaticamente o comportamento dos indecisos ou dos eleitores que cogitam votar em branco ou nulo.
Em relação à rodada anterior, a rejeição exclusiva a Flávio passou de 44% para 46%, enquanto a de Lula oscilou de 46% para 45%. As mudanças estão dentro da margem de erro, o que impede atribuir significado estatÃstico conclusivo à s variações observadas.
A rejeição é particularmente importante em eleições de segundo turno porque o eleitor precisa escolher entre apenas duas candidaturas, caso decida votar validamente. Nesse cenário, a avaliação negativa de um candidato pode influenciar a decisão de quem possui menor identificação com o adversário. Entretanto, a pesquisa mede declarações de rejeição, não a motivação individual de cada voto futuro.
Nordeste e Sul apresentam diferenças expressivas de intenção de voto
A distribuição regional das intenções de voto revela comportamentos distintos entre os eleitores brasileiros. Lula apresenta seus maiores percentuais no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro registra vantagem mais ampla no Sul. Essas diferenças ajudam a explicar como os dois candidatos podem alcançar resultados nacionais próximos mesmo com desempenhos regionais bastante diferentes.
No Nordeste, o Datafolha aponta 65% das intenções de voto totais para Lula, contra 30% para Flávio Bolsonaro. A região concentra aproximadamente 27% do eleitorado nacional considerado no levantamento. O desempenho do presidente também é superior entre famÃlias de menor renda e eleitores com escolaridade fundamental.
No Sul, Flávio aparece com 58%, contra 33% de Lula. Entre os eleitores evangélicos, o senador registra 69%, enquanto o presidente alcança 26%. Esses segmentos representam áreas de maior concentração de apoio ao candidato do PL.
No Sudeste, região que reúne aproximadamente 42% do eleitorado, Flávio registra 51% das intenções de voto totais e Lula, 41%. A vantagem regional do senador possui relevância numérica devido à concentração de eleitores, embora a distribuição dos votos entre os estados possa apresentar diferenças importantes.
Entre as mulheres, Lula aparece com 49%, enquanto Flávio registra 44%. No eleitorado masculino, o candidato do PL apresenta 50% e o presidente, 44%. Os dados mostram que as diferenças de comportamento eleitoral também variam conforme o gênero.
A interpretação desses resultados exige uma ressalva metodológica. A margem de erro geral de dois pontos percentuais não se aplica automaticamente a todos os recortes regionais, religiosos ou demográficos. Como esses grupos possuem amostras menores, suas estimativas podem apresentar incerteza estatÃstica superior à observada para o conjunto nacional.
Abstenção pode alterar composição do eleitorado no segundo turno
A participação dos eleitores constitui outra variável relevante para interpretar o empate nacional. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, a abstenção ultrapassou 21% do eleitorado brasileiro, segundo dados da Justiça Eleitoral. Mais de 33 milhões de pessoas aptas a votar não compareceram às urnas.
O Tribunal Superior Eleitoral esclarece que a ausência no primeiro turno não impede o comparecimento à segunda votação, desde que a situação eleitoral esteja regular. Cada turno é considerado uma eleição independente para fins de participação. Dessa forma, eleitores que não participaram da primeira rodada poderão votar normalmente em 25 de outubro.
O Datafolha identificou uma diferença entre a amostra total e o grupo de entrevistados que afirmam ter comparecido à primeira votação. Entre os que dizem ter votado em 4 de outubro, Flávio registra 51% dos votos válidos e Lula, 49%. No conjunto de todos os entrevistados, os candidatos aparecem com 50% cada.
Essa comparação sugere que o comportamento dos eleitores ausentes no primeiro turno merece atenção, mas não permite afirmar qual candidatura será mais beneficiada por eventual aumento do comparecimento. A composição do eleitorado efetivamente presente nas urnas dependerá de fatores como deslocamento, disponibilidade, interesse polÃtico e condições individuais.
A diferença entre os dois grupos também não deve ser utilizada como previsão da participação eleitoral. Pessoas que declaram intenção de votar podem não comparecer, assim como eleitores anteriormente ausentes podem decidir participar. O resultado dependerá dos votos efetivos, e não apenas das expectativas informadas aos pesquisadores.
Flávio venceu o primeiro turno com 47,03%, contra 45,16% de Lula
Os números oficiais do primeiro turno ajudam a estabelecer uma referência para a disputa atual. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula obteve 53.876.617 votos, correspondentes a 45,16%.
A diferença foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos, ou 1,87 ponto percentual. Os demais candidatos somaram 7,81% dos votos válidos, parcela que passou a ser disputada pelas duas candidaturas classificadas para o segundo turno.
A comparação com a pesquisa mais recente exige cuidado porque os resultados do primeiro turno representam votos efetivamente contabilizados, enquanto o Datafolha apresenta uma estimativa de intenção de voto obtida por amostragem. Os indicadores não possuem a mesma natureza estatÃstica e não devem ser tratados como medidas diretamente equivalentes.
Outro fator importante é a diferença entre os eleitores que participaram da primeira rodada e aqueles que poderão comparecer ao segundo turno. A composição do público votante pode mudar, alterando a distribuição dos votos válidos mesmo quando as preferências individuais permanecem relativamente estáveis.
O primeiro turno também demonstrou que o eleitorado está distribuÃdo entre diferentes grupos polÃticos e regionais. A participação daqueles que votaram em outros candidatos representa uma das variáveis da segunda rodada, assim como a decisão de eleitores que optaram pelo voto branco ou nulo.
Pesquisa é divulgada antes do último debate presidencial
O resultado do Datafolha foi divulgado na véspera do último debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, previsto para sexta-feira (23), na TV Globo. O encontro será uma das últimas oportunidades de exposição conjunta dos candidatos antes da votação de domingo. A proximidade do debate aumenta o interesse sobre os percentuais de indecisão e de eleitores que admitem reconsiderar sua escolha.
A pesquisa desta quinta-feira foi realizada depois do confronto promovido pela Band no domingo (18). Dessa forma, a coleta ocorreu em um perÃodo no qual os entrevistados já poderiam ter sido expostos à s repercussões do primeiro debate do segundo turno. Entretanto, o levantamento não permite atribuir causalmente a oscilação dos percentuais ao desempenho de qualquer participante naquele encontro.
As campanhas também intensificaram atividades presenciais e digitais durante a semana. Lula ampliou a participação em eventos com apoiadores e transmissões pelas redes sociais, enquanto Flávio realizou agendas polÃticas, entrevistas e ações de mobilização. Essas atividades integram o contexto da pesquisa, mas seus efeitos individuais sobre as intenções de voto não foram isolados pelo levantamento.
O resultado também deve ser considerado no contexto de outras pesquisas realizadas por institutos diferentes. Divergências entre levantamentos podem decorrer de datas de coleta, técnicas de entrevista, critérios de ponderação e composição das amostras. Para estabelecer comparações metodologicamente consistentes, é necessário examinar essas caracterÃsticas antes de interpretar diferenças nos percentuais.
O que significa o empate do Datafolha para a eleição de domingo
O resultado de 50% a 50% nos votos válidos demonstra que a disputa presidencial permanece equilibrada segundo o levantamento realizado entre 20 e 22 de outubro. A redução numérica da diferença em relação às rodadas anteriores não comprova uma mudança definitiva na preferência do eleitorado. Tampouco permite estabelecer qual candidato receberá mais votos no domingo.
A elevada proporção de eleitores que afirmam estar decididos indica estabilidade declarada das escolhas, enquanto os Ãndices de rejeição mostram resistência semelhante aos dois candidatos. Ao mesmo tempo, diferenças regionais e demográficas demonstram que a igualdade nacional resulta de distribuições distintas de apoio. O comparecimento à s urnas acrescenta outra variável que só poderá ser conhecida integralmente depois da votação.
A pesquisa também confirma a importância de distinguir votos válidos e votos totais. No primeiro critério, utilizado para a apuração oficial, Lula e Flávio aparecem empatados em 50%. No segundo, Flávio registra 47%, Lula tem 46%, brancos e nulos somam 5% e os indecisos representam 2%.
Com margem de erro de dois pontos percentuais e confiança estatÃstica de 95%, o Datafolha oferece um retrato das intenções de voto no momento da coleta. Os resultados não substituem a apuração da Justiça Eleitoral nem constituem previsão definitiva do comportamento dos eleitores. A definição da Presidência da República ocorrerá no domingo, 25 de outubro, com a contabilização dos votos válidos depositados nas urnas eletrônicas.
Fontes
Instituto Datafolha — Pesquisa nacional de intenção de voto para o segundo turno presidencial, realizada entre 20 e 22 de outubro de 2026, registro BR-09709/2026, com 2.520 entrevistas.
Instituto Datafolha — Pesquisa nacional de intenção de voto divulgada em 15 de outubro de 2026, registro BR-00466/2026, e relatório metodológico correspondente.
Tribunal Superior Eleitoral — Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle), regulamentado pela Resolução nº 23.600/2019, com alterações posteriores.
Tribunal Superior Eleitoral — Divulgação oficial dos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, realizado em 4 de outubro.
Tribunal Superior Eleitoral — Informações oficiais sobre comparecimento, abstenção e participação de eleitores no segundo turno das eleições de 2026.






