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Petróleo dispara quase 7% com tensão no Oriente Médio e impacto global

por Camila Braga
05/03/2026 às 16h51
em Economia
Petroleo - Gazeta Mercantil

Petróleo dispara quase 7% com tensão no Oriente Médio e impacto global nos mercados

O preço do petróleo dispara nesta quinta-feira (5) em meio a uma escalada de tensões no Oriente Médio, com atenção voltada para o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores estratégicos de transporte de óleo do mundo. Por volta das 15h (horário de Brasília), o barril do WTI para abril avançava cerca de 6,7%, negociado próximo de US$ 79,70, enquanto o Brent para maio subia 3,9%, em torno de US$ 84,50, atingindo máximas intradiárias ao longo do pregão.

O movimento é impulsionado por declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, segundo a Axios, indicou interesse em influenciar a escolha da liderança no Irã. Tal posição contrasta com declarações anteriores, quando afirmava que a decisão seria exclusiva do povo iraniano. Em paralelo, a missão iraniana nas Nações Unidas classificou como “infundada e absurda” a alegação de que o país teria fechado o Estreito de Ormuz, responsabilizando os EUA por colocar em risco a segurança marítima internacional.

Leia também: Ibovespa ao vivo: Bolsa recua com tensão entre Brasil e EUA e dólar opera em baixa

Leia também: Ibovespa fecha em queda e perde 3,7% na semana com tensão global e política no radar.

Impacto imediato nas bolsas e no setor aéreo

O avanço do petróleo dispara repercute de forma direta nos mercados financeiros globais. Nos Estados Unidos, as ações de companhias aéreas registram quedas expressivas, refletindo a expectativa de aumento nos custos com combustível. No início da tarde, os papéis da American Airlines, Delta Air Lines e United Airlines caíam acima de 6%, sinalizando o temor do mercado com o aumento do preço do petróleo.

No Brasil, a volatilidade também se faz sentir. Às 15h, o Ibovespa recuava cerca de 2,5%, pressionado pela aversão ao risco global. A disparada da commodity não se traduziu em ganhos imediatos para as ações da Petrobras, que operavam em queda: PETR3 cedia 1,2% e PETR4 cerca de 0,7%. O cenário evidencia como choques externos podem impactar mercados mesmo quando empresas domésticas se beneficiariam da alta do petróleo.

Leia também: Nvidia transforma o silício no novo petróleo e redefine o poder global dos EUA.

Efeitos macroeconômicos para o Brasil

O movimento do petróleo dispara também reacende discussões sobre os efeitos macroeconômicos no país. Analistas da XP destacam que, caso o Brent se estabilize próximo de US$ 80 por barril, a inflação brasileira pode sofrer aumento de aproximadamente 0,7 ponto percentual no índice de preços ao consumidor.

Por outro lado, a alta do petróleo traz impactos positivos para o setor externo e para as contas públicas. Um barril nesse patamar poderia gerar receita líquida adicional de cerca de R$ 21 bilhões ao governo em 2026, além de reforçar o superávit da balança comercial brasileira, uma vez que a commodity é o principal item da pauta de exportações do país.

Tensão geopolítica e volatilidade do petróleo

O petróleo dispara em meio a narrativas contraditórias sobre a situação no Estreito de Ormuz. O estreito é responsável pelo transporte de aproximadamente 20% do petróleo mundial, tornando qualquer ameaça à sua navegação motivo de forte volatilidade nos preços da commodity.

Além da influência política americana, analistas internacionais monitoram sinais de mobilização militar e retórica diplomática entre EUA e Irã, o que aumenta a percepção de risco nos mercados de energia. A percepção de interrupção do fluxo de petróleo, mesmo que temporária, é suficiente para provocar saltos expressivos nos preços globais.

Impacto no setor energético e perspectivas

A alta do petróleo dispara reflete também preocupações com o fornecimento futuro e com a estabilidade do mercado. Empresas do setor energético e investidores institucionais avaliam possíveis ajustes estratégicos, como aumento de estoques, hedge em contratos futuros e renegociação de tarifas de frete marítimo.

No Brasil, a Petrobras segue como o principal player no setor de exploração e produção de petróleo. Apesar da valorização da commodity, o desempenho das ações é afetado pelo contexto global e pela percepção de risco do mercado financeiro. Especialistas destacam que, no curto prazo, a volatilidade pode persistir, tornando fundamental o acompanhamento constante dos eventos geopolíticos.

Repercussão internacional

O petróleo dispara não impacta apenas mercados financeiros e setor energético. Economias dependentes da importação de óleo, como Japão, Índia e países da União Europeia, podem ver aumento nos custos de produção e transporte, influenciando preços ao consumidor e balanços corporativos.

Além disso, o movimento afeta o setor de transporte marítimo e seguros, com aumento da demanda por proteção contra riscos em rotas estratégicas. Analistas alertam que a instabilidade no Estreito de Ormuz pode prolongar a volatilidade por semanas, dependendo da evolução das tensões diplomáticas entre Irã e Estados Unidos.

Cenário futuro e monitoramento

A perspectiva para os próximos dias é de manutenção da volatilidade do petróleo dispara, com investidores atentos a qualquer sinal de escalada ou resolução diplomática. Especialistas recomendam cautela no mercado de ações, principalmente em segmentos sensíveis ao preço do combustível, como aviação, transporte e logística.

Para o Brasil, o efeito líquido da alta do petróleo dependerá do equilíbrio entre aumento das receitas de exportação e pressão inflacionária doméstica. A análise de especialistas da XP aponta que o setor público pode se beneficiar financeiramente, enquanto o consumidor final pode sentir impacto nos preços de combustíveis e derivados.

Alta do petróleo: um alerta para mercados e política

O episódio evidencia como tensões geopolíticas podem ter impacto imediato sobre preços de commodities estratégicas. O petróleo dispara não apenas em função de oferta e demanda, mas também por fatores políticos e diplomáticos, reforçando a importância de monitoramento contínuo e estratégias de mitigação de risco em mercados globais.

O momento serve como alerta para governos, investidores e empresas sobre a complexidade de operar em um ambiente global marcado por instabilidade e eventos inesperados que afetam diretamente a economia e o setor de energia.

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