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PGR pede ao STF condenação de Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo

Procurador-geral Paulo Gonet afirma que ex-deputado teria usado ameaças de sanções estrangeiras para tentar beneficiar Jair Bolsonaro no processo da trama golpista.

por Júlia Campos
11/05/2026 às 23h05
em Política
Pgr Pede Ao Stf Condenação De Eduardo Bolsonaro Por Coação No Curso Do Processo - Gazeta Mercantil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta segunda-feira, 11 de maio, ao Supremo Tribunal Federal (STF), a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo crime de coação no curso do processo. O pedido foi apresentado nas alegações finais enviadas à Corte pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A manifestação da PGR integra o processo que apura a atuação do ex-parlamentar junto ao governo dos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras, promover sanções contra o país e tentar interferir no julgamento relacionado à chamada trama golpista. Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o ano passado e perdeu o mandato de deputado federal por faltas às sessões da Câmara dos Deputados.

Leia também: Eduardo Tagliaferro: ex-assessor de Moraes é convocado ao Senado durante julgamento de Bolsonaro.

Em novembro do ano passado, o STF aceitou denúncia da PGR no inquérito que investigou a atuação do ex-parlamentar em articulações internacionais contra ministros do Supremo, integrantes do governo federal e setores econômicos brasileiros. A acusação sustenta que as condutas teriam sido adotadas para favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro.

PGR vê ameaça contra ministros do Supremo

Nas alegações finais, Paulo Gonet afirmou que Eduardo Bolsonaro teria cometido condutas criminosas ao publicar mensagens nas redes sociais e conceder entrevistas à imprensa com o objetivo de ameaçar a obtenção de sanções estrangeiras contra ministros do STF e contra o Brasil.

Leia também: Bolsonaro pede impeachment de Lula pelo caso da “Choquei”.

Segundo o procurador-geral, as ações buscariam influenciar o julgamento da Ação Penal 2.668, processo relacionado à responsabilização criminal de Jair Bolsonaro no caso da trama golpista.

“Comprovou-se que o réu deliberadamente se utilizou de graves ameaças contra as autoridades responsáveis pelo julgamento da AP 2.668, algumas concretizadas, a fim de favorecer o interesse de seu pai, livrando-o de qualquer responsabilização criminal”, afirmou Gonet nas alegações finais.

A PGR sustenta que a atuação de Eduardo Bolsonaro ultrapassou o campo da manifestação política e entrou no terreno da coação processual. Para a acusação, o ex-deputado teria usado a possibilidade de sanções internacionais como instrumento de pressão sobre autoridades responsáveis pelo julgamento.

Acusação cita sanções e prejuízos ao Brasil

A Procuradoria também afirmou que as ameaças atribuídas a Eduardo Bolsonaro não ficaram apenas no plano retórico. Segundo Gonet, parte das medidas defendidas pelo ex-parlamentar teria sido concretizada, com efeitos negativos para o país.

A acusação mencionou sobretarifas norte-americanas contra exportações brasileiras e a suspensão de vistos de autoridades brasileiras como exemplos de desdobramentos associados à estratégia atribuída ao ex-deputado.

“A estratégia criminosa culminou em prejuízos concretos a diversos setores produtivos onerados pelas sobretarifas norte-americanas, alcançando, em última instância, trabalhadores vinculados a essas cadeias econômicas, completamente alheios aos processos penais atacados”, afirmou o procurador-geral.

A argumentação busca demonstrar que a conduta imputada a Eduardo Bolsonaro teria produzido efeitos econômicos e institucionais, não se limitando a declarações políticas. A PGR afirma que os setores produtivos atingidos pelas sobretarifas foram prejudicados por uma estratégia voltada a interferir em processo judicial.

Crime de coação no curso do processo

O crime de coação no curso do processo ocorre quando alguém usa violência ou grave ameaça para favorecer interesse próprio ou de terceiro em processo judicial, administrativo, policial ou arbitral.

No caso analisado pelo STF, a PGR sustenta que Eduardo Bolsonaro teria usado sua atuação política e sua presença nos Estados Unidos para constranger autoridades brasileiras envolvidas no julgamento da trama golpista.

A acusação afirma que o objetivo seria beneficiar Jair Bolsonaro, pai do ex-deputado, evitando ou dificultando sua responsabilização criminal.

A defesa, por sua vez, poderá contestar a interpretação da PGR e sustentar que as manifestações de Eduardo estão protegidas por direitos políticos, liberdade de expressão ou imunidade parlamentar, conforme já alegado pela Defensoria Pública da União ao longo do processo.

Eduardo Bolsonaro foi defendido pela DPU

Durante a tramitação da ação, Eduardo Bolsonaro não constituiu advogado. Com isso, passou a ser representado pela Defensoria Pública da União (DPU).

A DPU alegou que as declarações do ex-deputado estariam protegidas pela imunidade parlamentar, argumento usado para tentar afastar a responsabilização criminal pelas manifestações feitas enquanto Eduardo ainda era deputado federal.

A tese da imunidade, porém, será analisada pelo Supremo no julgamento. O tribunal deverá avaliar se as declarações e atos atribuídos ao ex-parlamentar estavam ligados ao exercício do mandato ou se configuraram condutas externas, com potencial de ameaça a autoridades e interferência em processo judicial.

A perda do mandato de Eduardo Bolsonaro por ausências às sessões da Câmara não encerra a ação penal, já que o processo trata de fatos supostamente cometidos durante o período investigado.

Processo envolve atuação nos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o ano passado. A PGR afirma que, a partir do exterior, ele atuou junto a autoridades e setores políticos americanos para estimular medidas contra o Brasil e contra autoridades brasileiras.

Segundo a acusação, essa atuação teria incluído articulações ligadas ao tarifaço contra exportações brasileiras e à suspensão de vistos de ministros do governo federal e do STF.

O caso é sensível porque envolve uma acusação de uso de pressão estrangeira para interferir em um processo judicial brasileiro. Para a PGR, esse componente internacional agrava a conduta, porque teria submetido interesses econômicos nacionais a uma estratégia de defesa política e familiar.

A defesa tende a sustentar que Eduardo Bolsonaro exerceu atividade política e que suas declarações não configuram ameaça penalmente relevante. Caberá ao STF definir se as condutas se enquadram no crime apontado pela PGR.

Julgamento caberá ao Supremo

Com a apresentação das alegações finais pela PGR, o processo entra em uma etapa decisiva. As alegações finais são a fase em que acusação e defesa apresentam seus argumentos finais antes do julgamento.

Após a manifestação da Procuradoria e da defesa, o caso ficará pronto para análise do Supremo Tribunal Federal. A decisão final caberá aos ministros da Corte.

O STF poderá acolher o pedido da PGR e condenar Eduardo Bolsonaro, absolver o ex-deputado ou adotar entendimento intermediário conforme a avaliação das provas e da tipificação penal.

Por envolver ex-parlamentar, atuação internacional, sanções estrangeiras e processo relacionado à trama golpista, o caso deve ter forte repercussão política e institucional.

Caso amplia pressão jurídica sobre o núcleo bolsonarista

O pedido de condenação apresentado pela PGR aumenta a pressão jurídica sobre integrantes do núcleo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A acusação contra Eduardo Bolsonaro se soma a outros processos que tratam dos desdobramentos da tentativa de contestação do resultado eleitoral e da atuação de aliados no Brasil e no exterior.

A manifestação de Paulo Gonet indica que a Procuradoria considera comprovada a tese de que Eduardo Bolsonaro teria usado ameaças de sanções estrangeiras para tentar interferir em processo judicial. A defesa sustenta que as falas estariam protegidas por imunidade parlamentar.

O julgamento no STF deverá definir os limites entre manifestação política, atuação parlamentar, lobby internacional e coação processual. A decisão também poderá estabelecer parâmetros para casos envolvendo pressão externa sobre autoridades brasileiras em processos de alta relevância institucional.

Até uma decisão final, Eduardo Bolsonaro é réu no processo e tem direito à ampla defesa e ao contraditório.

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