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PIB dos EUA 2025 cresce 2,2% com economia resiliente apesar de tarifas e shutdown

por Maria Helena Costa
20/02/2026 às 14h57
em Economia
Eua - Gazeta Mercantil

PIB dos EUA 2025 cresce 2,2% e mostra economia resiliente apesar de paralisação do governo

O PIB dos EUA 2025 avançou 2,2%, desacelerando em relação à alta de 2,8% registrada em 2024, segundo estimativa preliminar do Bureau of Economic Analysis (BEA). O resultado indica que, embora a economia americana tenha mantido expansão no ano passado, o crescimento perdeu fôlego, refletindo impactos de políticas internas, tarifas e interrupções governamentais.

Desempenho trimestral e efeitos do shutdown

No quarto trimestre de 2025, o crescimento econômico norte-americano foi de 1,4% em taxa anualizada, bem abaixo dos 4,4% do trimestre anterior. O avanço foi sustentado principalmente pelo consumo das famílias e pelos investimentos corporativos, enquanto a retração nos gastos do governo e nas exportações limitou a expansão.

Leia também: Rio bate recorde e lidera turismo internacional em 2025.

O shutdown parcial, que ocorreu entre outubro e novembro, afetou significativamente a economia, com estimativa de redução de cerca de 1 ponto percentual no crescimento do trimestre. Analistas destacam que a paralisação, que envolveu centenas de milhares de trabalhadores sem pagamento e interrupção de benefícios, reduziu a atividade econômica em aproximadamente US$ 100 bilhões.

Menos de uma hora antes da divulgação dos dados, o presidente Donald Trump publicou em suas redes sociais que a paralisação custaria aos EUA “pelo menos dois pontos do PIB”, ressaltando impactos políticos e econômicos da crise institucional.

Inflação e política monetária

O índice PCE (Personal Consumption Expenditures), referência para o Federal Reserve, subiu 2,9% no trimestre, com o núcleo em 2,7%, indicando leve desaceleração da inflação. O conjunto de dados sugere que, apesar da desaceleração do crescimento, a economia manteve resiliência, com consumo ainda robusto e investimentos estratégicos, especialmente em tecnologia e inteligência artificial.

Especialistas em política monetária observam que, diante de uma inflação relativamente contida e sinais de estabilização do mercado de trabalho, o Fed pode manter as taxas de juros estáveis ao longo de 2026, ajustando apenas se a pressão inflacionária persistir.

Impactos das tarifas e políticas de Trump

O ano de 2025 marcou também os efeitos do chamado “tarifaço” de Trump, com empresas e consumidores americanos arcando com 90% dos custos das barreiras comerciais. A flexibilização das tarifas mais punitivas e a redução das taxas de juros pelo Federal Reserve contribuíram para a recuperação econômica, impulsionando o mercado acionário e permitindo a continuidade do consumo, especialmente das famílias de maior renda.

O investimento empresarial teve destaque, crescendo 3,7%, impulsionado por gastos com equipamentos de processamento de informações e data centers ligados à inteligência artificial. Economistas projetam que quatro das maiores empresas de tecnologia nos EUA devem investir juntas cerca de US$ 650 bilhões em 2026, fortalecendo a demanda e estimulando a economia.

Gastos do governo e consumo das famílias

Excluindo defesa, os gastos do governo federal caíram 24,1% no quarto trimestre, refletindo o efeito direto do shutdown. Apesar da retração, o consumo das famílias manteve ritmo sólido, desacelerando para 2,4%, contra 3,5% no trimestre anterior. A queda foi principalmente em bens duráveis, como automóveis, enquanto os gastos com serviços de saúde atingiram recorde em relação ao PIB.

O déficit comercial também contribuiu para limitar a expansão, com exportações líquidas quase sem impacto positivo no quarto trimestre. Economistas reforçam que os ajustes no comércio e nos estoques distorcem o PIB total, tornando a análise da demanda doméstica final um indicador mais preciso do consumo subjacente.

Retomada da indústria e tecnologia

A atividade industrial americana começou a se recuperar após períodos de fraqueza prolongada, com crescimento significativo em setores estratégicos, incluindo tecnologia, data centers e serviços de inteligência artificial. Os investimentos corporativos em inovação tecnológica sustentam o ritmo de crescimento, compensando parcialmente os efeitos negativos do shutdown e das tarifas.

Olhando para 2026, a economia dos EUA deve crescer a uma média anualizada de 2,5%, apoiada por consumo resiliente, cortes de impostos e incentivos a investimentos. O cenário sugere que, apesar dos ventos contrários em 2025, a economia americana mantém capacidade de expansão sustentável.

Perspectivas para o mercado e investidores

Após a divulgação do PIB dos EUA 2025, o índice S&P 500 apresentou oscilações na abertura, enquanto os títulos do Tesouro registraram queda. Economistas ressaltam que o desempenho do mercado reflete ajustes a indicadores econômicos mistos: crescimento moderado, inflação controlada e gastos estratégicos das empresas.

As perspectivas empresariais permanecem cautelosas, com indicadores de confiança do consumidor ainda deprimidos. A Walmart, considerada termômetro do consumo, adotou tom prudente em teleconferências de resultados, enquanto empresas como General Mills e Mondelez International monitoram atentamente a capacidade de gasto das famílias diante do custo de vida elevado.

Avaliação de analistas

Olu Sonola, chefe de economia da Fitch Ratings, destaca que, excluindo os efeitos do shutdown, o crescimento do quarto trimestre teria sido próximo de 2,5%, sustentado pelo consumo e pelo investimento em inteligência artificial. Eliza Winger, analista da Bloomberg Economics, ressalta que “a desaceleração substancial reflete a paralisação, mas a economia permaneceu resiliente, apesar das tarifas e da incerteza comercial”.

O consenso entre economistas é que o PIB dos EUA 2025 confirma uma economia forte, porém mais moderada, com resiliência diante de desafios fiscais e políticos. O crescimento superior a 2% em um ano marcado por interrupções governamentais e tensão comercial é considerado um desempenho positivo e sólido.

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