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Plano & Plano (PLPL3) vende R$ 916,6 milhões no 2T26, mas lançamentos caem 41%

Construtora comercializou 3.351 unidades entre abril e junho, elevou a velocidade de vendas e encerrou o trimestre com recorde de 44,4 mil imóveis em construção; consumo operacional de caixa chegou a R$ 87,3 milhões.

por João Souza
17/07/2026 às 18h59
em Empresas
Plano &Amp; Plano (Plpl3) Vende R$ 916,6 Milhões No 2T26, Mas Lançamentos Caem 41% - Gazeta Mercantil

A Plano & Plano (PLPL3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com R$ 916,6 milhões em vendas líquidas, crescimento de 8,9% em relação aos três primeiros meses do ano e de 2,5% na comparação com o mesmo período de 2025. O avanço comercial ocorreu apesar da redução no volume de lançamentos, que caiu 41% na base anual, e foi acompanhado por um consumo operacional de caixa de R$ 87,3 milhões.

Entre abril e junho, a incorporadora comercializou 3.351 unidades, quantidade 7,9% superior à registrada um ano antes e 6,9% acima do primeiro trimestre. O preço médio dos imóveis vendidos alcançou R$ 273,5 mil, com alta de 1,9% na comparação trimestral, embora ainda tenha ficado 5% abaixo do valor médio apurado no segundo trimestre do ano passado.

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Na participação proporcional da companhia nos empreendimentos, as vendas líquidas somaram R$ 828,3 milhões. O valor representa crescimento de 4,1% em relação ao trimestre anterior e de 7,1% na comparação anual.

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Os números fazem parte da prévia operacional da Plano & Plano e não representam o balanço financeiro completo do período. Indicadores como receita líquida reconhecida, margens, Ebitda e lucro serão apresentados posteriormente, na divulgação dos resultados trimestrais.

Vendas avançam mesmo com concentração de lançamentos em junho

O desempenho comercial ganhou relevância porque a maior parte dos novos projetos foi colocada no mercado apenas na etapa final do trimestre. Segundo a Plano & Plano, 84,7% dos lançamentos ocorreram em junho, reduzindo o período disponível para que os empreendimentos contribuíssem para as vendas do segundo trimestre.

A concentração dos lançamentos no último mês ajuda a explicar a diferença entre o volume lançado e o montante vendido. A companhia lançou cinco empreendimentos, com 3.138 unidades e Valor Geral de Vendas de R$ 826 milhões.

O VGV lançado caiu 16,2% em relação ao primeiro trimestre e 41% na comparação com o mesmo período de 2025. Apesar da redução financeira, a quantidade de unidades lançadas aumentou 14,2% na base anual, sinalizando uma composição concentrada em imóveis de menor preço.

Todos os lançamentos do segundo trimestre foram enquadrados na Faixa 2 do programa Minha Casa, Minha Vida. Como consequência, o preço médio das unidades lançadas ficou em R$ 263,2 mil, redução de 2,2% frente aos três primeiros meses do ano.

A estratégia reforça a concentração da Plano & Plano no segmento habitacional de baixa renda, no qual a demanda depende da disponibilidade de crédito, dos subsídios públicos e das regras de enquadramento dos programas habitacionais.

Velocidade de vendas permanece acima de 50%

O indicador de Vendas Sobre Oferta dos últimos 12 meses terminou junho em 51,8%, aumento de 0,7 ponto percentual em relação ao encerramento do primeiro trimestre.

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A VSO mede a proporção do estoque disponível que foi comercializada em determinado período. Um resultado acima de 50% indica que a incorporadora vendeu, em 12 meses, mais da metade da oferta formada pelos imóveis que estavam em estoque e pelas unidades lançadas no intervalo.

A manutenção do indicador nesse patamar mostra que a desaceleração dos lançamentos não foi acompanhada por uma deterioração equivalente no ritmo comercial. A companhia conseguiu ampliar as vendas líquidas mesmo com a maior parte dos novos projetos chegando ao mercado apenas em junho.

Ao considerar os contratos firmados nos mercados privado e público nos últimos 12 meses, a Plano & Plano informou ter acumulado crescimento de 156% ao longo de 14 trimestres desde dezembro de 2022.

Esse desempenho corresponde a uma taxa composta de expansão de 30,8% ao ano, ou 6,9% por trimestre, segundo os cálculos apresentados pela incorporadora.

Estoque encerra trimestre em R$ 3,8 bilhões

O VGV do estoque disponível terminou o segundo trimestre em R$ 3,828 bilhões, queda de 1,7% em relação ao fechamento de março.

A redução ocorreu porque as vendas líquidas superaram o valor lançado no período. Enquanto a companhia comercializou R$ 916,6 milhões, os lançamentos totalizaram R$ 826 milhões.

O estoque representa os imóveis disponíveis para comercialização em projetos já lançados. A diminuição, quando acompanhada por uma velocidade de vendas elevada, pode indicar capacidade de absorção dos produtos disponíveis.

A empresa também encerrou junho com um banco de terrenos capaz de sustentar R$ 34,2 bilhões em lançamentos potenciais. O landbank corresponde a aproximadamente 128 mil unidades.

A extensão desse portfólio permite à companhia administrar o calendário de lançamentos conforme as condições do crédito imobiliário, a demanda nas diferentes regiões e as regras dos programas habitacionais.

Plano & Plano atinge recorde de unidades em construção

A Plano & Plano terminou o trimestre com 44.385 unidades em construção, o maior volume já registrado pela companhia. O número avançou 26,2% em relação ao segundo trimestre de 2025.

O aumento reflete o ciclo de expansão dos lançamentos e das vendas observado nos últimos anos. No mercado imobiliário, a elevação da produção pode sustentar o crescimento da receita futura, uma vez que o reconhecimento contábil acompanha a evolução das obras.

O volume recorde também amplia a necessidade de capital de giro. Quanto maior o número de empreendimentos em construção, maiores tendem a ser os desembolsos com materiais, mão de obra, fornecedores, aquisição de terrenos e desenvolvimento dos projetos.

A combinação entre expansão operacional e maior necessidade de financiamento aparece nos dados de caixa e endividamento da companhia.

Consumo de caixa alcança R$ 87,3 milhões

A incorporadora registrou consumo operacional de caixa de R$ 87,3 milhões no segundo trimestre. Com isso, a dívida líquida aumentou de R$ 68,7 milhões no início do período para R$ 156 milhões ao final de junho.

Parte da pressão sobre o caixa está relacionada ao crescimento do número de obras e ao intervalo existente entre os desembolsos da construção e o recebimento dos valores provenientes das vendas.

A companhia também informou que aproximadamente R$ 50 milhões vinculados ao programa habitacional Pode Entrar ainda estavam pendentes de recebimento ao término do trimestre.

O atraso desses recursos afetou a posição de caixa do período. Caso os pagamentos tivessem sido realizados dentro do trimestre, o consumo operacional reportado teria sido menor.

O Pode Entrar é um programa habitacional da Prefeitura de São Paulo que utiliza recursos públicos para ampliar o acesso à moradia. A Plano & Plano participa de projetos contratados dentro da iniciativa, cuja dinâmica de pagamento difere das vendas tradicionais realizadas diretamente ao consumidor.

A evolução dos recebimentos será um dos pontos relevantes para a análise do balanço financeiro completo, especialmente por seus efeitos sobre caixa, capital de giro e endividamento.

Crescimento comercial convive com pressão financeira

A prévia do segundo trimestre mostra duas tendências distintas. A primeira é a resistência das vendas, que cresceram tanto na comparação trimestral quanto na anual, apesar da concentração dos lançamentos no fim de junho.

A segunda é o aumento da demanda por capital para sustentar o volume recorde de unidades em construção. O consumo de caixa e a elevação da dívida líquida mostram que a expansão operacional produz necessidades financeiras antes de se transformar integralmente em receita e lucro.

Essa dinâmica é característica das incorporadoras, que realizam desembolsos durante o desenvolvimento dos projetos e reconhecem os resultados conforme o avanço físico e financeiro das obras.

O efeito sobre a rentabilidade dependerá dos custos de construção, da evolução dos preços de venda, da velocidade de comercialização, do reconhecimento de receita e das margens obtidas em cada empreendimento.

A participação crescente dos projetos habitacionais também exige atenção. Programas públicos ampliam o mercado potencial e podem oferecer maior previsibilidade de demanda, mas possuem regras próprias de contratação, enquadramento e recebimento.

Santander reduz projeções para 2026 e 2027

Mesmo mantendo uma avaliação positiva sobre a companhia, o Santander reduziu suas projeções para os resultados da Plano & Plano.

O banco passou a estimar lucro líquido de R$ 397 milhões em 2026, redução de 24% em relação à previsão anterior. Para 2027, a estimativa foi cortada em 21%, para R$ 516 milhões.

As projeções de lançamentos também foram revisadas. O Santander agora espera R$ 5,4 bilhões em novos projetos em 2026, valor 11% inferior à estimativa anterior, e R$ 6,1 bilhões em 2027, redução de 9%.

O preço-alvo atribuído às ações PLPL3 foi reduzido de R$ 21 para R$ 18. Apesar do corte, o novo valor permanecia acima da cotação observada no momento da divulgação do relatório.

As revisões indicam uma expectativa de crescimento mais moderado e maior cautela em relação à conversão da expansão operacional em lucro. O cenário combina juros ainda elevados, aumento dos custos de produção e maior necessidade de capital de giro para financiar o volume de obras.

Balanço completo mostrará impacto sobre margens

A prévia operacional não permite concluir qual será o impacto definitivo das vendas e do ritmo de construção sobre a rentabilidade do segundo trimestre.

O balanço completo deverá mostrar quanto das vendas foi convertido em receita, como os custos evoluíram, qual foi a margem bruta dos projetos e quanto o programa Pode Entrar influenciou o resultado.

A divulgação também permitirá avaliar as despesas comerciais, administrativas e financeiras, além do efeito do aumento da dívida líquida sobre o resultado financeiro.

Para os investidores, o principal ponto será verificar se o crescimento das vendas e o recorde de unidades em construção compensaram o consumo de caixa e a redução dos lançamentos.

A Plano & Plano tem a divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre prevista para agosto. Até lá, a prévia mostra uma companhia com demanda comercial ainda elevada, estoque em redução e produção em expansão, mas com maior pressão sobre a estrutura de capital.

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